domingo, 7 de julho de 2013

Disciplina, regras e rotina

Érima de Andrade

Toda criança precisa de disciplina, regras e rotina”, diz a Supernanny da TV. Eu concordo com ela. É preciso ter limites para conquistar a segurança; respeitar os limites é fundamental para a segurança emocional, e disciplina, regras e rotina, ajudam a nos dar esses limites.

Educar é permitir e proibir. Permitir é dar asas para ousar, criar, experimentar. Proibir é dar raízes para ter o pé na realidade. Educar é auxiliar o filho a reconhecer suas potências e seus limites,” escreveu Edileide Castro. Educar também é ensinar o autocontrole, quer dizer, ajudar para que a criança conheça e aprenda a dizer “este é o meu limite. E eu sei quando devo parar.” A disciplina ajuda a conquistar esse controle.

A palavra disciplina indica disposição de seguir ensinamentos e regras de comportamento. Disciplina vem de discípulo, “aquele que segue”. Disciplina e discípulo tem origem no termo latino “pupilo”, que significa instruir, educar, treinar, ou seja, modelar o caráter.

A disciplina é um hábito interno que facilita a cada pessoa o cumprimento de suas obrigações; é um autodomínio, é a capacidade de utilizar a liberdade pessoal para superar os condicionamentos.” Wikipédia

Com disciplina a criança aprende a administrar sozinha suas tarefas e melhora suas competências. Aprendendo desde cedo a se organizar, ela conquista a autodisciplina e também sua autonomia. E não é autonomia o que queremos para nossas crianças?

Ninguém se disciplina sozinho”, diz Paulo Freire, que completa: “Os homens se disciplinam em comunhão, mediados pela realidade".

Que saibamos nos disciplinar e servir de exemplo.

Regras: Viver em sociedade significa lidar com regras o tempo todo. Mas será que desde pequeno é preciso conviver com normas e regras? Quando se avaliam os benefícios, a resposta fica clara: sim.

Os jogos de regras, aqueles que se jogam em grupo segundo normas preestabelecidas e visando um objetivo, são importantes na Educação Infantil. Além de mostrar que as restrições podem representar desafios divertidos, eles desenvolvem questões importantes, como a adequação a limites, a cooperação e a competição,explica Thais Gurgel que continua, “o principal ponto, no início, é que as regras sejam compreendidas e que todos se adaptem a elas. Esperar a vez é uma das determinações mais difíceis de cumprir. Assim, não é aconselhável formar grupos grandes. A primeira satisfação da criança é se sentir ativa e participante. Isso determina seu interesse pela atividade.”

O amor é coisa mais importante que se pode dar a um filho. A segunda é a educação. Uma criança que conhece os seus próprios limites, é uma criança segura de si. Sabe que consegue controlar-se e este fato a deixa muito orgulhosa. De acordo com Selma Fraiberg, a autora de The Magic Years, uma criança a quem não se ensina como se comportar sente que não a querem.

Quer que seu filho tenha sensações como acolhimento, segurança e pertencimento? Compreenda as regras e ensine-o a conviver bem com elas.

Rotina: Rotina é a estrutura básica, a espinha dorsal das atividades do dia. A rotina diária é o desenvolvimento prático do planejamento.

Explicam Viviane Santos e Karla Baptista, “a rotina proporciona à criança um sentimento de segurança, e organização. Quando ela sabe o que vai acontecer durante o dia, a ansiedade é eliminada sendo possível trabalhar a confiança e autonomia.”

A rotina desestruturada pode causar estresse em crianças e adultos. Mas isso não significa que a rotina precise ser rígida, sem espaços para imprevistos, invenções e mudanças. Uma rotina pré estabelecida, flexível, dinâmica e possível de ser adaptada com as situações do dia a dia, é uma ferramenta indispensável. E ela pode ser rica, alegre e prazerosa, proporcionando sentimentos de estabilidade e segurança, possibilitando que a criança se oriente na relação tempo-espaço e se desenvolva, além de estimular a socialização.

A rotina é importante, ela é o alicerce da criança. Quanto menores de idade, mais estável a rotina precisa ser. As crianças antecipam o que farão e tem mais segurança em suas tentativas. Não saber o que vai acontecer reduz a autonomia,” explica Janaina Maudonnet. “Além disso, a rotina não quer dizer necessariamente repetição. Com a rotina as crianças tem oportunidade de testar suas habilidades, tentar de novo o que havia iniciado antes, reorganizar e reviver experiências.”

Diversos tipos de atividades envolverão a jornada diária das crianças e dos adultos: o horário da chegada, a alimentação, a higiene, o repouso, as brincadeiras – os jogos diversificados – como o faz-de-conta, os jogos imitativos e motores, de exploração de materiais gráficos e plásticos – os livros de histórias, as atividades coordenadas pelo adulto e outras”, afirmam Maria Carmen Barbosa e Maria da Graça Horn.

Numa rotina, a sequência de diferentes atividades levam em conta as necessidades biológicas, psicológicas e sociais:
as necessidades biológicas, como as relacionadas ao repouso, à alimentação, à higiene e à faixa etária; as necessidades psicológicas, que se referem às diferenças individuais como, o tempo e o ritmo de cada um; as necessidades sociais e históricas que dizem respeito à cultura e ao estilo de vida.

Se com disciplina a criança aprende a administrar sozinha suas tarefas e melhora suas competências; com as regras a criança conhece os seus próprios limites, se tornando segura de si; com a rotina ela estrutura a independência e autonomia, gerando um sentimento de segurança, e organização.

Por tudo isso, eu concordo com a Supernanny: toda pessoa precisa de disciplina, regras e rotina.

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