domingo, 15 de outubro de 2017

Conflitos internos

Érima de Andrade

Nos meus atendimentos individuais, ou em grupo, sempre falo dos nossos quatro aspectos: emocional, intelectual, espiritual e físico. Já falei deles muitas vezes aqui no blog, mas se você quiser ler a respeito, dê uma olhada nesse post aqui.

De uns tempos para cá, tenho repetido, cada vez com mais frequência, como eu enxergo os conflitos da adolescência a partir dos nossos quatro aspectos. Explico que em algum momento na adolescência, surge, em algum nível de consciência, a constatação de que o seu intelecto está adulto, mas a sua emoção continua criança.

Ai o adolescente se empolga com sua própria adultice e resolve que vai ser adulto mais rápido, e para isso “inibe” suas “emoções infantis”. Ê estratégia ruim… Não valorizar o que sente atrapalha muito a vida. Mas quase todos nós já vivemos isso. Quase todos escolhemos ser adultos mais rápido e imaginamos que inibindo nossas “emoções infantis” conseguiríamos.

Quando se busca um trabalho de autoconhecimento com o objetivo de ser mais feliz, em qualquer linha que se busque, mesmo que isso não seja dito explicitamente, o trabalho será no sentido de fazer as pazes entre seu intelecto adulto e sua emoção criança. Um dos objetivos do seu trabalho de autoconhecimento será, necessariamente, trazer de volta ao seu dia a dia essa emoção que, em algum momento, você considerou inadequada, e integrá-la.

E claro que para isso, sua emoção deverá voltar a participar da sua vida, e crescer até sua idade atual. Sim, existem emoções infantis, mas o que se busca são as emoções adultas e integradas.

Ao bloquear as emoções infantis você, de imediato, bloqueia junto as características da criança saudável. Entre elas espontaneidade, criatividade, curiosidade, despreocupação, deslumbramento com o novo, interesses variados, descobertas, ousadias, inovações e tudo mais que colore a vida, levando junto a motivação. Bloqueia, inclusive, os insights que lhe ajudariam a descobrir o seu propósito nessa encarnação.

Por exemplo, você adolescente assistindo alguma coisa em grupo. Pode ser filme, vídeo, palestra, conversa, tanto faz. As vezes, sem nem ouvir os comentários ao lado que se dividem entre gostar ou não do que estão assistindo, você já vive esse conflito. Em vez de colocar consciência nas suas sensações e sentimentos, você se pega “avaliando” qual seria a melhor reação adulta para, enfim, expressar o que “sente”. Não tem espontaneidade que sobreviva em situações assim.

Esse conflito intelecto/emoção não é o único a complicar seu objetivo de ser um ser integral. E, as vezes, ainda na adolescência, também se vive um conflito espírito/corpo.

Tenho percebido que é cada vez mais comum a consciência, ou compreensão, de sermos um ser espiritual vivendo uma experiência material. É legal ver esse despertar da espiritualidade independente da religião. Isso é ótimo, e todos os caminhos para esse despertar são bem-vindos. Mas junta esse desejo de ser cada vez mais espírito, e mais adulto, e pronto, as barreiras a felicidade e a satisfação pessoal vão ficando mais e mais largas, colocando lá no fundo, bem escondido, suas emoções, sensações e descobertas.

Muitos caminhos não religiosos promovem o despertar da espiritualidade e a consciência de sermos espíritos vivendo uma experiência nesse corpo, nesse planeta, nessa matéria. E mesmo repetindo sempre, me parece que nem todos se dão conta do significado total dessa frase: somos espíritos vivendo uma experiência na matéria.

Então, se assim for, faz parte dessa experiência aprender a lidar com esse corpo, nessa matéria, nesse planeta. E, nesse caso, permitir as sensações, sentimentos, vibrações que acontecem em cada momento, independente se você considera, ou não, que é uma reação infantil.

Você precisa conhecer suas sensações, seus movimentos, suas crenças, afetos/emoções, necessidades, possibilidades, desejos, cuidados, prazeres, para aprender a lidar com eles. Faz parte dessa experiência nessa vida se sentir seguro no próprio corpo para acessar os pacotes de ondas de emoções tão comuns da adolescência. E só se conhecendo você se sentirá seguro.

Se não gostar do que sentiu, ou da maneira que alguma experiência afetou você, primeiro aceite, e depois investigue, usando seu intelecto, para descobrir porque você reagiu assim. Tem uma lição aí a ser aprendida. É dessa forma, aceitando e conhecendo, que você vai integrar suas emoções e sim, viver plenamente sua experiência como ser humano.

Nesse corpo humano temos um cérebro. E é através das sensações que o seu cérebro percebe o mundo e se relaciona com ele. Em terapia ocupacional, dizemos que você usa seus recursos pessoais para organizar suas experiências. E os seus principais recursos organizadores de experiências pessoais são: cognição, emoção, movimento, sentidos externos, sensações corporais e internas. Ou seja, tudo que essa experiência na matéria pode lhe oferecer de melhor.

Por isso só falar, racionalmente, sobre suas experiências, acessando assim somente o neocórtex, não é suficiente para integrar seus afetos. Olha o que eu escrevi como subtítulo do blog aí em cima: as vezes o que você precisa é mais do que só falar. É verdade. 
Só falar não é suficiente. Você também precisa acessar as regiões subcorticais para se conhecer, e só conseguirá isso com movimentos e sensações significativas.  

Você está vivendo uma experiência na matéria, aproveite todos os recursos que estão a sua disposição para saber quem é e o que veio fazer aqui. Use seus quatro aspectos para se conhecer.

Faz parte do autoconhecimento e 
da autoaceitação deixar que seus quatro aspectos percebam o que é de fato da sua natureza. Não brigue com essas percepções. Estar em equilíbrio é perceber-se em conforto consigo mesmo, reconhecendo a sua essência e não brigando com ela. 

O fato é que, negligenciar uma parte em você que não lhe agrada, suas emoções ou seu corpo, não faz com que deixem de existir. Também não a torna melhor. Reconhecer esses aspectos "negativos", torná-los seus com aceitação e acolhimento, lhe dá a possibilidade de transformá-los em úteis, e até benéficos.

Sim, o autoconhecimento é o caminho para saber quem você é, como se tornou quem é, e quais são as suas potencialidades e limitações, quais talentos possuí e quais ainda precisa desenvolver.

E se precisar de ajuda para se conhecer e para lidar com conflitos intelecto/emoção, ou espírito/corpo, procure um terapeuta. Esteja você na adolescência ou não. 


Terapeutas ajudam a lidar com conflitos em qualquer idade que eles apareçam. Também faz parte dessa experiência na Terra reconhecer que existem muitos seres que só esperam o seu pedido para lhe ajudar a viver plenamente essa vida. Peça ajuda, você não precisa passar por tudo sozinho.

Crescer dá trabalho mesmo, mas desejo que você faça um pacto de paz com seus aspectos e seja bem feliz vivendo essa sua experiência material.



(Desconheço a autoria da foto e do texto na foto.) 

domingo, 8 de outubro de 2017

Cura Gay

Érima de Andrade

Esse texto escrito pela Renata Cortez é tão perfeito, tão amoroso, tão simples e verdadeiro, que quero, demais, que muitos possam ler. Eu concordo com tudo que ela escreveu, assino embaixo. Penso exatamente assim. É muito simples ser feliz, aceitação é o caminho. Bora amar!

Sobre o amor, escreveu o poeta Emmet Fox: “ Não existe dificuldade que amor bastante não possa conquistar, nem enfermidade que bastante amor não possa curar. Não há porta que não se abra com bastante amor, nem brecha que com bastante amor não possa fechar, nem muro que com amor bastante não se possa destruir, nem pecado que com bastante amor não se logre redimir. Não importa quão profundas raízes tenha o problema, nem o desespero das perspectivas, nem o turvo do conflito, nem a monstruosidade do erro cometido. Com bastante amor tudo se dissolverá, pois você agora pode amar suficientemente, para tornar-se o Ser mais feliz e mais poderoso do mundo.”

Não é verdade? O amor cura de fato! E foi preenchida de amor que a Renata Cortez escreveu esse texto. Obrigada Renata por compartilhar sua inspiração e nos trazer uma belíssima reflexão. Eis o texto:

“Ontem uma pessoa me perguntou se eu não iria escrever sobre a cura gay. Eu não ia, mas mudei de ideia. Eu acredito na cura gay. Sabe quando ela ocorre? Quando, como vi hoje em um post, o pai pede que o filho dê um beijo no namorado para ele tirar uma foto. Também ocorre quando o neto pergunta para a avó: “O que a senhora faria se eu trouxesse meu namorado aqui na sua casa?” E a avó responde: “Café.” Ou quando alguém pergunta a uma criança: “O que você acha de um homem se casar com outro homem ou de uma mulher se casar com outra mulher?” e a menininha pergunta: “Vai ter bolo?”

A cura ocorre, quando a culpa desaparece, quando a pessoa deixa de se sentir errada, quando consegue ser feliz sem medo, sem pensar em doença, ou pecado. A cura vem quando se tira o peso das costas, quando não se percebe como o estranho no ninho, quando a pessoa se sente amada. Desse processo de cura precisamos todos nós. Precisamos nos assumir. Todos nós. Gordinhos, baixinhos, magrinhos. E o que é mais legal é que quando eu deixo o outro ser do jeito que que ele quer ser, o mundo fica mais fácil para eu ser do jeito que eu quero ser.

Este debate todo nasceu da decisão de um juiz do Distrito Federal, mas o tsunami que ele causou nas redes sociais é muito válido, pois, como disse o Rafael Corrêa, mostra quanta gente faz parte de um círculo de amor, de pessoas do bem! Aliás, psicólogos são as pessoas indicadas para ajudar a resolver questões mal resolvidas, uma delas é “Por que a felicidade dos outros incomoda tanto?” ou “Por que ver pessoas bem resolvidas tira tanto o sossego?” Aí sim, tem muita gente precisando de ajuda.”  Renata Cortez 

E ela também compartilhou as reações lindas que recebeu:

“Meu texto sobre a “cura gay” bombou. Mais do que já aconteceu comigo aqui por estas bandas do face. Muitos compartilhamentos, comentários, mensagens inbox, um redemoinho, uma remexida nas águas. Até no whatsapp, sem meu nome, o texto foi parar.

Consegui acompanhar a minha cria até um certo ponto. Fui lendo o modo como pessoas desconhecidas introduziam o compartilhamento. Eu me emocionei com o rumo que tudo tomou. Como já disse aqui, sempre penso no livro/filme “O Carteiro e o poeta”, em que o carteiro adverte Neruda de que o poema não é do poeta, mas de quem precisa dele. Penso então que as pessoas precisavam do meu texto e ele foi feito passarinho voando de Salvador a Porto Alegre, levando com ele uma ideia tão simples, mas tão simples, que talvez por isso mesmo tenha tocado tanta gente.

Em uma das mensagens que li junto ao meu texto, um rapaz havia marcado vários amigos e escrito: “Olha, manas, essa moça fazendo carinho na gente!”. Chorei pelas ondas que as minhas palavras geraram, pelo carinho que consegui fazer em rostos tão acostumados a tapas. Vamos agitando as nossas bandeiras, para que nos reconheçamos e possamos formar um círculo tão forte que nenhum ódio possa romper. Que meu texto seja colo, seja bolo com café, seja afago e que muita, muita gente se abrace na ideia simples da união de pessoas do bem, como se marcássemos as portas de nossas casas, para que tod@s saibam onde podem bater, balizando o caminho seguro por onde as “manas”, as nossas “manas” podem passar.Renata Cortez





Que todos possamos ser curados.

domingo, 1 de outubro de 2017

Raiva

Érima de Andrade

Hoje vamos falar da raiva. A raiva é um sentimento que surge para nos defender, para nos proteger das dores físicas e emocionais. A raiva é uma reação legitima do nosso sistema de defesa. A raiva dá os limites do que é suportável, ela diz: até aqui você pode ir, daqui para frente não pode mais.

Engolir sempre a raiva pode provocar muitos sintomas. Quando a raiva sai, você solta o vapor emocional e tudo fica bem.
Isso não significa, de maneira alguma, que você está autorizado a ser agressivo com quem quer que seja. A raiva construtiva é aquela que dá limites e não a que agride. E se você vive respondendo as situações quando elas acontecem, os limites vão sendo dados sem que haja um depósito de raiva prestes a explodir.

Se você tentar suprimir essa emoção a força, não vai conseguir.
Não importa quanto vezes você repita: “Eu não ficarei irritado”. O controle só é possível conhecendo a emoção, analisando como ela age, e com base nessa análise, decidir escolher um caminho diferente.

A raiva que você finge não existir, já é um problema.
Como você pode curar um sentimento quando ele não está consciente? Não pode. Muitas vezes você é tomado pela raiva, mesmo que conscientemente, você não queira isso. Às vezes você tem até raiva de estar sentindo raiva, mas continua sentindo. Você é tomado por impulsos inconscientes e, é tomado justamente, porque são inconscientes.

O caminho para não guardar pressão é reagir no momento presente. Quando você pode sentir o que realmente está acontecendo, sentir o sentimento que foi provocado no momento que ele acontece, você tem escolha.

Até que você reconheça e faça as pazes com seus sentimentos negativos, eles persistirão. E como fazer as pazes? Reconhecendo e estudando a si mesmo. Não é necessário nada mais. Nada de confrontos dramáticos, nada de catarse. Sinta o sentimento, sinta a raiva, ou medo, inveja, agressividade ou qualquer outro sentimento negativo, e diga: “Eu o vejo. Você me pertence”.

E a partir desse reconhecimento, coloque luz na sua raiva, estude-a para poder fazer a relação de causa e efeito. Se você tem o objetivo de ser uma pessoa com potencial de ajudar os outros, terá que ser capaz de lidar com seus sentimentos negativos, pois eles existem. Se você não se permite sentir, e as barreiras emocionais não são seletivas, elas impedem qualquer sentimento bom ou ruim, nem fazer empatia com o outro você conseguirá.

Quando você está com raiva e não quer lidar com ela, você fica sem defesa, por isso você sofre. Mas ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento.

Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece? Talvez porque sua semente da raiva seja muito forte. Ela pode ter sido regada no passado com excessiva frequência.

Todos temos uma semente da raiva nas profundezas da nossa consciência. No entanto, em alguns de nós, esta semente é maior do que nossas outras sementes como a do amor e a da compaixão. Dentro de cada um de nós existe um jardim, e todos nós precisamos cuidar dele. Você precisa saber o que está acontecendo no seu jardim para poder retirar as ervas daninhas, fertilizar as boas sementes, colocar tudo em ordem.

Quando começar a cultivar a consciência, a primeira coisa que irá perceber, com clareza, é que a principal causa do seu sofrimento, da sua aflição, não é a outra pessoa, e sim a semente da raiva que existe em você. Ela faz você acreditar que o problema está no outro, que você não tem nada a ver com a história, que é uma pessoa ingênua, vítima de um mau caráter. Às vezes até é verdade, mas quem abriu as portas para isso foi você. Quem tem a chave da sua casa é você, é você que abre a porta.

Consciente disso, você para de considerar a outra pessoa culpada do seu sofrimento, e compreende que ela é apenas uma causa secundária, que como você, só quer a felicidade.

Parece loucura, mas pense que a pessoa de quem você tem raiva é como se fosse um professor para você. Se quiser ser uma pessoa melhor, ou seja, mais paciente, amável, simpática e feliz, precisa praticar lidar com seus sentimentos negativos. Se estiver sempre cercado de pessoas que fazem e concordam com tudo que quer, nunca terá nenhum desafio.

Assim, a pessoa que lhe dá raiva é extremamente preciosa, pois dá a oportunidade de realmente praticar paciência. Isso diminui imediatamente o surgimento de sentimentos de raiva, porque muda sua perspectiva, passando do que lhe fizeram ao que estão fazendo por você. Quando você entende o sofrimento da outra pessoa, você compreende que ela precisa de ajuda e não de punição. Quando isso acontece, você sabe que sua prática teve êxito. Você se tornou um bom jardineiro, suas melhores sementes estão florescendo.

Com consciência você pode curar suas feridas da infância, limpar as sementes que foram transmitidas para você por pessoas que não sabiam como se curar. Se não souber como transformar e curar seus próprios ferimentos, você também vai transmiti-los para seus filhos e netos.

Você pode começar se perguntando: por que eu preciso me defender? Essa é uma questão-chave, pois leva ao questionamento do principal motivo da existência da sua raiva. E quase sempre você vai encontrar o orgulho ferido.

É por isso que você tem que voltar à criança ferida que existe dentro de você para ajudá-la a ficar curada. Se você estiver consciente, ouvirá a voz dela pedindo ajuda. Quando isso acontece, é hora de desligar-se de tudo em torno e voltar-se para dentro, acolhendo e abraçando carinhosamente a sua criança ferida.

Você pode respirar e dizer conscientemente: “Ao inspirar o ar, volto-me para minha criança ferida; ao soltar o ar, cuido amorosamente da minha criança ferida.” Olhar para ela amorosamente vai criar intimidade entre vocês.

Com intimidade, cuidando dela todos os dias, abraçando-a com carinho, falando com ela, ou escrevendo uma carta para dizer que reconhece sua presença e fará tudo que estiver ao seu alcance para curar seus ferimentos, você vai poder se curar das mágoas da sua infância. Escolha a sua maneira de se conectar com a sua criança, ela é você preso numa dor da infância.

A medida que o tempo for passando você se sentirá pronto para ouvir a história da sua raiva. Ouça a história que há por trás da sua raiva. Seja aberto para a história que surgir, independentemente de qual seja. Seja receptivo.

Lá na infância você não tinha como cuidar desse ferimento, agora você já é capaz. Diga a si mesmo que você teve uma razão válida para se ater à negatividade. Você não tinha escolha, porque o sentimento foi secretamente guardado, depois permaneceu escondido, preparado para lhe defender. Mas agora você pode fazer as pazes com esse sentimento, e transformar o negativo em positivo.

Quando você acolhe e abraça a raiva, você se sente muito melhor. Essa raiva pode até se transformar em compaixão.

Como? Você pode, por exemplo, escolher passar uns dez minutos por dia gerando pensamentos de bondade amorosa pelos outros, familiarizando a sua mente com pensamentos positivos de paciência, amor, compaixão.

Também pode tentar respirar profundamente se notar que está ficando tenso e frustrado. Isso é um antídoto direto às respirações curtas e fortes da raiva. Você pode contar lentamente até 100 para evitar dizer coisas que definitivamente lamentará mais tarde. Uma vez consciente da sua raiva, você tem escolhas. Escolha a sua maneira de transformar sua raiva em compaixão.

Não duvide dos efeitos dessa prática. Não é que as pessoas não vão lhe irritar mais, mas você vai reconhecer que não faz sentido algum desperdiçar seu precioso tempo, respiração e energia sentindo raiva.

Assim, quando estiver experimentando alguma situação ruim, em vez de deixar a raiva tomar conta, você pode parar e pensar: de onde vem isso? Será que quero que continue assim? Que benefício essa raiva pode me trazer?

domingo, 24 de setembro de 2017

Um Dia Perfeito

Érima de Andrade

Paula Abreu é uma é uma escritora, coach e treinadora de desenvolvimento pessoal inspiradíssima! E estou longe de ser a única achar isso. Nem sou a primeira. Se você não conhece seus conteúdos, vale a pena dar uma olhada no site Escolha sua Vida.

O post de hoje é sobre um exercício que ela propõe para que você tome consciência de quanto longe, ou não, você está de viver seu dia perfeito. Consciência é mesmo o primeiro passo para qualquer mudança. E ter um exercício que lhe ajude a ter consciência de quanto você é feliz na sua vida atual, é tudo de bom.

Todo dia é dia de escolher a vida que você quer viver. C
ada caminho escolhido tem seus desafios e oportunidades, seus prazeres e dissabores, e com certeza todas as suas consequências. Por isso, ter consciência de onde está e onde quer chegar, aumentam as possibilidades de consequências positivas para suas escolhas.

Com consciência de onde quer chegar, você pode fazer algo para mudar sua vida e, enfim, viver dias perfeitos. Não precisa esperar segunda feira, ano novo, nem aniversário. Se você está vivo, você pode escolher mudar para melhor em qualquer dia, em qualquer hora do seu dia. Como diz a Paula, “só é tarde demais se você não começar.”

Esse é um exercício seu, com você mesmo. Ou seja, se mentir nas respostas, é para você mesmo que estará mentindo. E aí, cabe perguntar: Por que você precisa mentir até para você?

Ninguém precisa ver suas respostas e, claro, ninguém vai corrigi-las. Até porque não tem nem certo, nem errado. Tem apenas onde você está e onde você quer chegar. Quanto mais específico você for, mais clareza terá dos seus objetivos. E clareza de onde quer chegar é fundamental para traçar um plano de como chegar até lá.

Sim, faça um planejamento, você não vai mudar tudo de uma vez. Dê um passo, consolide a mudança e depois dê outro passo. Se, por exemplo, no seu dia perfeito você leva sua comidinha saudável para o seu trabalho, e na sua vida atual isso ainda não está acontecendo, que primeiro passo você pode dar para alcançar esse objetivo?

Preparar um cardápio, fazer uma lista de compras de ingredientes e temperos, separar seus potes de transporte, agendar um dia para pré preparar seu cardápio da semana, e tudo o mais que considerar necessário para que se torne um hábito essa sua escolha.

E faça esse passo a passo para tudo que deseja mudar. Mas comece, dê esse primeiro passo tomando consciência. Faça o exercício com confiança na sua capacidade de escolher o que deseja para você todos os dias. A consciência de onde quer chegar será a motivação necessária para começar a caminhar.

Diz Paula Abreu: “Para fazer este exercício, esqueça todas as suas atuais limitações, sejam elas físicas, mentais, emocionais, financeiras, geográficas, etc. Apenas se permita SONHAR! E seja o mais detalhado e específico possível nas suas respostas.”

O MEU DIA PERFEITO

"No meu dia perfeito, eu acordo e faço…

O lugar onde eu moro é…

De manhã, eu…

Eu me sinto…

Eu penso…

Eu almoço com…

De tarde, eu…

Meu chefe/colegas de trabalho/clientes são…

Meu relacionamento com a minha família é…

No jantar, eu…

Antes de dormir, eu sou grato por…"


Se você ainda não está vivendo dias perfeitos, no que você escolhe investir primeiro para chegar lá? Qual será seu pequeno primeiro passo? 

Que você seja feliz com as consequências das suas escolhas!

domingo, 17 de setembro de 2017

Uma oração para os vivos

Érima de Andrade

“Uma oração para os vivos” é um texto lindo de Martha Medeiros,
foi publicado no Zero Hora em 03/11/2013. 

Ela faz uma prece pedindo que honremos e homenageemos a vida; que aceitemos o novo e que reconheçamos a morte como uma grande mestra. Segue a oração pedindo que valorizemos os amigos e o amor em todas as suas formas. Que sejamos bem-humorados e encontremos um amigo de todas as horas, no Deus que acreditamos. Termina dizendo que “desfrutar a vida com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer por estarmos vivos.” Eu concordo com tudo que ela escreveu. E você? Acrescentaria alguma coisa a essa prece? Boa leitura!

“Que honremos o fato de ter nascido, e que saibamos desde cedo que não basta rezar um Pai- Nosso para quitar as falhas que cometemos diariamente. Essa é uma forma preguiçosa de ser bom. O sagrado está na nossa essência, e se manifesta em nossos atos de boa-fé e generosidade, frutos de uma percepção profunda do universo, e não de ocasião. Se não estamos focados no bem, nossa aclamada religiosidade perde o sentido.

Que se perceba que quando estamos dançando, festejando, namorando, brindando, abraçando, sorrindo e fazendo graça, estamos homenageando a vida, e não a maculando. Que sejam muitos esses momentos de comemoração e alegria compartilhados, pois atraem a melhor das energias. Sentir-se alegre não deveria causar desconfiança, o espírito leve só enriquece o ser humano, pois é condição primordial para fazer feliz a quem nos rodeia.

Que estejamos sempre abertos, se não escancaradamente, ao menos de forma a possibilitar uma entrada de luz pelas frestas. Que nunca estejamos lacrados para receber o que a vida traz. Novidade não é sinônimo de invasão, deturpação ou violência. Acreditemos que o novo é elemento de reflexão: merece ser avaliado sem preconceito ou censura prévia.

Que tenhamos com a morte uma relação amistosa, já que ela não é apenas portadora de más notícias. Ela também ensina que não vale a pena se desgastar com pequenas coisas, pois no período de mais alguns anos estaremos todos com o destino sacramentado, invariavelmente. Perder tempo com picuinhas é só isso, perder tempo.

Que valorizemos nossos amigos mais íntimos, as verdadeiras relações pra sempre.

Que sejamos bem-humorados, porque o humor revela consciência da nossa insignificância – os que não sabem brincar se consideram superiores, porém não conquistam o respeito alheio que tanto almejam. Ria e engrandeça-se.

Que o mar esteja sempre azul, que o céu seja farto de estrelas, que o vinho nunca seja proibido, que o amor seja respeitado em todas as suas formas, que nossos sentimentos não sejam em vão, que saibamos apreciar o belo, que percebamos o ridículo das ideias estanques e inflexíveis, que leiamos muitos livros, que escutemos muita música, que amemos de corpo e alma, que sejamos mais práticos do que teóricos, mais fáceis do que difíceis, mais saudáveis do que neurastênicos, e que não tenhamos tanto medo da palavra felicidade, que designa apenas o conforto de estar onde se está, de ser o que se é e de não ter medo, já que o medo infecciona a mente.

Que nosso Deus, seja qual for, não nos condene, não nos exija penitências, seja um amigo para todas as horas, sem subtrair nossa inteligência, prazer e entrega às emoções que nos fazem sentir plenos.

A vida é um presente, e desfrutá-la com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer – aliás, a única.” Martha Medeiros

domingo, 10 de setembro de 2017

Usando caixas terapeuticamente

Érima de Andrade

Existem várias dinâmicas que usam caixas, e claro, não conheço todas. Mas hoje vou falar de três opções de caixas que gosto muito: caixa de coisas para Deus resolver; caixa da raiva; caixa de elogios.

A Caixa de Coisas Para Deus Resolver tem a função de evitar que sua energia se gaste em situações que você não pode resolver. Essa caixa só funciona se você escolher, de fato, entregar o problema nas mãos de Deus.

Escolha uma caixa que lhe agrade, você pode decorá-la ou não, mas é uma boa dica escrever no tampo “CPDR” - Coisas Para Deus Resolver. Isso ajuda na sua intenção de entregar a Deus a solução do problema. Tudo o que lhe preocupa, mas que não está nas suas mãos resolver, escreva, coloque na caixa e entregue.

Essa prática, quando bem-feita, acalma. Em especial se você entregar o problema sabendo que no tempo Deus, todas as situações serão resolvidas. É a sua confiança na solução que faz a entrega ser bem-feita. Algumas vezes, essa entrega é suficiente para deixar sua mente tranquila e clara, propiciando o surgimento de insights sobre soluções de situações, que a princípio, pareciam muito complicadas. Se você vive se preocupando com problemas que não está nas suas mãos resolver, essa caixa é para você.

Ou você cria sua própria maneira de fazer essa entrega. Uma amiga querida, tem a maneira própria de entregar à forças superiores, soluções de problemas que ela não pode resolver. Quando soube do meu câncer, me ligou dizendo que escreveu minha história e meu nome num papelzinho, e o “entregou” ao seu santo de devoção. Nesse caso, ela colocou o papel debaixo da imagem que tem dele. Me disse que tudo ficaria bem, porque nada do que ela colocou nas mãos do santo, ele deixou de cuidar.

Foi tão legal esse telefonema! Me senti acarinhada. Se eu tivesse dúvidas de que meu tratamento seria o sucesso que foi, minhas dúvidas teriam acabado nessa conversa com ela. A fé e a entrega dela, ao seu santo de devoção, foram absolutamente nutridoras para mim. Obrigada Sílvia!

A Caixa da Raiva tem o objetivo de ajudar a lidar com emoções fortes como raiva e ira. É uma ideia da psicóloga Marina Martín, para ensinar crianças a controlar emoções e sentimentos. É uma ideia genial, mas todo terapeuta ocupacional sabe o valor da atividade expressiva, e sabe que essa caixa pode, e deve, ser usada em qualquer faixa etária.

Um pouquinho de teoria: o nosso mundo interno é povoado por medos, desejos, expectativas, aspirações, e por toda espécie de sentimentos, e prioridades interiores, que se tornam visíveis através das atividades expressivas. Toda criação espontânea é um meio de liberação dessa energia. Não dá para desprezar esse recurso apenas por não ser mais criança.

Diz Lisete Ribeiro Vaz: “A expressão espontânea é o núcleo da Terapia Ocupacional e através dela, a Terapia Ocupacional se distingue das demais áreas de tratamento e abordagem do ser humano.” Pois é, a gente trabalha com atividade expressiva nos atendimentos. O genial dessa caixa criada por Marina é ter em suas mãos, em casa, uma maneira de lidar com suas emoções, seja você criança ou adulto.

A ideia da Caixa da Raiva nasceu da leitura do conto “Vaya Rabieta” de Mireille d´Allancé. Nela a raiva é ilustrada como um grande monstro que sai do personagem principal. Esse monstro o domina, e pode fazer o que quiser com ele, sem nenhum controle.

É por isso que o grande monstro destrói tudo o que encontra: cama, livros, brinquedos. Quando o menino percebe o que fez, tenta reparar o que a raiva havia destruído. Enquanto arrumava e colocava tudo no lugar, a raiva foi ficando cada vez menor. Ficou tão pequena que coube numa caixa.

A partir disso, Marina propõe cada vez que sinta raiva ou ira, você desenhe em um papel tudo o que está sentido. Essa é a maneira de mandar para fora tudo o que está lhe fazendo mal.

Certamente, os desenhos trarão traços fortes, marcados pela impulsividade e pelo desequilíbrio vivenciado quando essas emoções dominam você. A medida que descarrega essa energia no papel, os traços vão se tornando mais claros. E você se dá conta de que está se acalmando. Não tente compreender essas imagens. Apenas sinta. É uma energia que não lhe serve mais. Amasse o papel e coloque-o na sua Caixa da Raiva, uma maneira de afirmar que ela está sob o seu controle. Só sairá se você quiser.

Aprendendo com Carl Gustav Jung: “Basta que o paciente perceba que, por diversas vezes, o fato de desenhar o liberta de um estado psíquico deplorável, para que ele lance mão deste recurso cada vez que seu estado piora. O valor desta descoberta é inestimável, pois é o primeiro passo para a independência, a passagem para o estado psicológico adulto”. E vale para todas as pessoas, em tratamento ou não. Quando perceber que desenhar seus sentimentos ajuda a controlá-los, você vai usar, sempre que possível, esse recurso.

Tão difícil quanto lidar com a raiva é, para algumas pessoas, receber elogios. Também é difícil para muita gente fazer elogios, uma vez que cresceu aprendendo a focar no erro. A Caixa de Elogios, ou Caixa do Anjo da Guarda, é ótima para grupos, familiares ou de trabalho. Os objetivos são reforçar a autoestima, aumentar laços afetivos e o entrosamento. Vale dar um prazo para essa prática, entre três e seis meses.

Primeiro passo é separar uma caixa para essa atividade. Você pode reaproveitar qualquer caixa, desde que a torne atraente com colagens, desenhos, etc. Convite todo o grupo para decorar a caixa que será usada. Faça uma abertura para a entrada dos bilhetinhos.

O início é similar a um amigo-oculto. O nome de todos já está em papéis dobrados, dentro da caixa. Cada um sorteia o seu protegido. Cabe ao anjo da guarda, você, colocar um bilhete, toda semana, com um elogio, uma observação positiva, uma palavra de estímulo, etc., ao seu protegido. Ao final do período programado para essa prática, o anjo se revelará.

Como no amigo-oculto, não vale sortear seu próprio nome. O sorteio será repetido até que todos tenham sorteados nomes diferentes do seu. Cada um deve memorizar o nome da pessoa da qual irá ser o anjo da guarda. As mensagens deverão ser anônimas ou assinadas por um pseudônimo. Para facilitar essa prática, vale deixar perto da caixa caneta e papéis do mesmo tamanho, que deverão ser dobrados da mesma maneira, com o nome do destinatário na frente do bilhete, e colocado dentro da caixa.

Determine um dia da semana para que todos peguem e leiam suas mensagens. É possível colocar sua mensagem ao longo da semana, mas leia a que foi enviada para você, apenas no dia combinado. Escolham dia e hora que seja possível a participação de todos. Assim, a caixa será aberta só uma vez por semana, e todos poderão observar as reações dos membros do grupo, e perceber se existe alguém ficando sem bilhetes, ou recebendo mensagens que não estão de acordo com as regras.

Esse é o exercício, para mandar sua mensagem, você terá que focar nas qualidades do seu protegido. Mensagens genéricas, ou reprovações, admoestações, ofensas, não atingirão os objetivos dessa caixa. É mesmo para aprender a elogiar e ser elogiado.

No seu dia de hoje, qual das três caixas é a melhor para você?


domingo, 3 de setembro de 2017

Você aprende

Érima de Andrade

Esse texto que não é de
William Shakespeare  é tão bom, que super vale a pena reler muitas vezes. Vale reler e vale dar o crédito certo! Não, não é mesmo de Shakespeare como andam divulgando, foi escrito por Verônica Shoffstall. Desculpa aí Verônica!Andei compartilhando com a autoria errada. Boa leitura!

"Você aprende 

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. 

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar." 
Verônica Shoffstall   


domingo, 27 de agosto de 2017

Além da superfície

Érima de Andrade

Uma amiga, Mônica Jordão, comprou uma muda de rosa, num vaso. Comprou porque gostou, e é mesmo uma planta linda. Foi bem cuidada, se abriu, e
surpresa! Veio com filhotinhos! 


Muito além da superfície, ela tinha um jardim interno, e o apresentou para minha amiga, florindo como um buquê. Sim, de dentro da rosa saíram rosinhas lindas. Vou ilustrar esse post com as fotos que Mônica fez durante todo o processo. Como ela mesma diz: “A natureza responde ao cuidado”. E como respondeu!


Todos nós temos o nosso jardim interno, aquele lugar dentro de nós, onde nos sentimos seguros, protegidos e amados. Mas nem todos cuidam desse jardim.


Se você é daquele tipo de jardineiro que cultiva seu espaço interno com sentimentos bons, sorrisos, compreensões, delicadezas do cotidiano, amigos, amores, gratidão, um dia, sem nem você se dar conta, a primavera vai se abrir bem diante de todos que convivem com você. Como a rosa fez.


Você não precisa se programar para isso, o seu jardim bem cuidado simplesmente aparece. De tanto plantar sorrisos, gentilezas, cuidados, atenções amorosas, a vida lhe sorri de volta. Não tem jeito, você, de fato, vai sempre colher o que plantou. E isso é bom.


Se você é um jardineiro distraído, pode ser que nem tenha percebido que andou deixando cair em seu jardim, sementes de mágoa, tristeza, angústia, frieza, medo, ciúme, e ervas daninhas de todo tipo. Se voltar a ficar atento, pode arrancá-las assim que surgirem. Se não viu que estavam se desenvolvendo, elas crescem, sufocam suas flores, e quando se der conta, seu jardim secou e suas flores morreram. 


Eu tive uma supervisora que repetia sempre: “com apenas dois dedos arranco qualquer árvore do meu jardim. Como? Arrancando assim que nascem.” É isso. Se estiver atento, você arranca com dois dedos inclusive um jatobá. Com atenção, só as árvores que você escolher plantar, vão crescer no seu jardim.

                                                      
Se você deixou seu jardim de lado por muito tempo, além de precisar arrancar, até a raiz, as ervas daninhas que nasceram, precisará cuidar do solo. Nesse caso, é o perdão que fertiliza esse solo ressecado e sem vida, o deixando pronto para receber as suas novas sementes.


Mas só plantar novas sementes não basta. Para ter um jardim colorido, florido, gostoso de estar, você precisa cultivar desse seu espaço de crescimento pessoal, precisa praticar diariamente sua reforma íntima, ou seja, estar atento para arrancar as sementes ruins e só alimentar as boas sementes. Esse é o caminho do autoconhecimento, que 
é a capacidade de olhar para si mesmo com honestidade e isenção. É com o autoconhecimento que você constrói e mantém o seu jardim amoroso. 


Para dar certo e ser um bom jardineiro, você precisa desenvolver habilidades que permitam aperfeiçoar o seu trabalho de autoconhecimento, tais como: auto-observação; reservar diariamente momentos de silêncio interno com a respiração consciente ou meditações; alimentar seus quatro aspectos, emocional, intelectual, espiritual e físico; e desenvolver apreciação e gratidão por tudo que lhe acontece.


A gratidão é uma consequência do perdão. Ela implica em compreensão e aceitação da sua história de vida. A gratidão só é possível quando o coração está aberto, e o coração só se abre quando você compreendeu, perdoou e, portanto, aceitou. 


Há uma arte na gratidão, é claro. Assim como qualquer outra coisa, você só tira dela o que você colocar nela. “Após vinte dias semeando apreciação, flores começam a aparecer. Em mim, uma grande clareza de propósito se faz presente: eu sinto meu caminho com mais nitidez, meus pés estão mais ágeis, sentem o chão onde piso de forma mais apurada, meus passos são mais firmes... tudo isso por ter feito a escolha consciente de direcionar meu olhar para o que me nutre e de amar imensamente tudo o que vem até mim, tudo o que sou.”Bárbara Petri 


Seja grato. Cuide do seu jardim com leveza, carinho, lucidez. Cultive nele flores/amigos e flores/amores. Aproveite o jardim para integrar toda a sua história. Assim, bem diante dos seus olhos, muito além da superfície, quando você menos esperar, a primavera se abrirá para você.


Hoje, se pudéssemos ver o seu jardim, como ele estaria? 

Está tendo dificuldades para acessar seu jardim interno? 



Tudo bem, acontece. Que tal participar de um dos grupos Caminhos Internos, que estou formando? O mínimo que pode acontecer, é o caminho até o seu jardim, ficar mais claro. 
Dê uma olhada nesse post aqui para saber mais sobre essa proposta de trabalho.

Bora conhecer seu jardim?  

domingo, 20 de agosto de 2017

Terapia da Natureza

Érima de Andrade

Sou apaixonada por plantas. Essa paixão me levou a estudar paisagismo, antes de descobrir a terapia ocupacional e suas possibilidades de atuação em saúde mental. Por isso é fácil entender como fiquei entusiasmada ao ler uma
matéria sobre pesquisas que relacionam as florestas com melhoras na saúde.

Diz a matéria, que o ambiente natural nos faz sentir restaurados e melhora o nosso desempenho mental. O pesquisador da Universidade de Utah, David Strayer, afirma que as florestas são o antídoto perfeito para as incansáveis distrações que golpeiam o cérebro moderno. A desaceleração provocada num passeio na natureza, faz diferença no pensamento qualitativo”.

A tese do David Strayer: estar na natureza permite que o córtex pré-frontal, o centro do comando do cérebro, descanse e se recupere como um músculo muito exigido.

Sua pesquisa centrada em como a natureza melhora a solução de problemas, se soma a teoria de que são os elementos visuais da natureza que reduzem o estresse e a fadiga mental. Esses estímulos promovem uma concentração suave que permite ao cérebro perambular, descansar e se recuperar.

David Strayer explica que “nenhum estudo dá uma explicação completa da experiência do cérebro na natureza. Sempre haverá algum mistério, e isso é bom. Assim vamos a natureza não porque a ciência nos diz que ela faz alguma coisa, mas pelo que ela nos leva a sentir.

Foram os sentimentos provocados pela natureza, que fizeram que em 1865, o arquiteto e paisagista Frederick Law Olmsted, que projetou o Central Park de Nova York, insistisse com parlamentares que protegessem o vale do Yosemite das construções urbanas. Frederick em seu pedido, afirmou que “é um fato científico que a contemplação de cenas naturais de caráter impressionante é favorável a saúde e ao vigor dos homens.”

Também por puro instinto, Ciro, o Grande, há 2500 anos, construiu jardins para relaxamento na movimentada capital da Pérsia. Mesmo sem provas irrefutáveis, no século XIX, os americanos Ralph Waldo Emerson e John Muir criaram os primeiros parques nacionais do mundo, afirmando que a natureza tinha poderes curativos para mente e corpo.
Hoje já é possível comprovar tudo o que eles afirmavam. Pesquisadores da Inglaterra constataram que quem mora perto de mais espaços verdes se queixa menos de sofrimento mental.

Em 2009 pesquisadores holandeses encontram incidência menor de 15 doenças, como depressão, ansiedade, e enxaqueca, em quem mora a menos de 1 km de espaços verdes.

Richard Mitchell, pesquisador escocês, encontrou menos doenças em pessoas que moravam perto de espaços verdes, mesmo quando não os usavam. Afirmou ele: “nossos estudos mostram esse efeito restaurador, quer a pessoa vá passear, quer não.”

Já se demonstrou em pesquisas, que quem avista pela janela árvores e matos, se recupera mais depressa em hospitais, tem melhor desempenho escolar, e exibe comportamento menos violento.

Numa pesquisa da Universidade de Chiba, voluntários que caminhavam em florestas foram comparados a quem caminhava no centro das cidades. Os da floresta conseguiram diminuir a ansiedade, e seus exames mostraram uma redução de 16% do cortisol, o hormônio do estresse.

Pesquisadores sul-coreanos constataram, com ressonância magnética, que os voluntários que olhavam cenas urbanas tinham maior fluxo sanguíneo na amígdala, que processa o medo e a ansiedade. Os que olhavam cenas naturais iluminavam o córtex cingulado anterior e a ínsula anterior, áreas associadas a empatia e ao altruísmo.

Yoshifumi Miyazaki, cientista japonês, acredita que nossa mente e corpo relaxam em ambientes naturais, “porque nossos sentidos se adaptaram para interpretar informações sobre plantas e riachos, e não sobre tráfego e prédios.”

Lisa Nisbelt, da Universidade Trent, diz que as pessoas subestimam a felicidade que pode ser alcançada ao ar livre. “Não pensam”, diz ela, “que é um jeito de aumentar sua felicidade. Pensam que outras coisas farão isso, como ir às compras, ou assistir à TV.” E continua, “evoluímos na natureza. É estranho estarmos tão desligados dela.”

Nooshin Razani, é uma médica do Hospital Infantil Benioff, que está tratando depressão e ansiedade com a ajuda da natureza. Como parte de um projeto-piloto, ela prepara pediatras do ambulatório para receitar aos jovens pacientes e suas famílias, visitas regulares a parques próximos.

Para que pacientes e médicos se envolvam com o tratamento, ela explicatransformamos o espaço clínico de modo que a natureza esteja em toda parte. Há mapas na parede para que seja fácil conversar sobre aonde ir, e fotografias de matas locais.”

Em alguns países, como a Finlândia, onde era elevado o número de alcoolismo, depressão e suicídio, a natureza já está incorporada a politica de saúde mental oficial do governo.

Equipes de pesquisa do Instituto de Recursos Naturais da Finlândia, recomendam uma dose mínima de 5 horas na natureza, por mês, para melhorar a saúde mental. Comprovaram que um passeio de 40 a 50 minutos, na natureza, é suficiente para causar mudanças na fisiologia, no humor e provavelmente na atenção.

O professor Kalevi Korpela, da Universidade de Tampere, ajudou a projetar uma dúzia, do que ele batizou de “trilhas poderosas”, que estimulam a atenção plena e a reflexão. Placas nas trilhas dizem coisas como: você pode se agachar e tocar uma planta.

Na Coreia do Sul foram criadas Florestas Recreativas Natural. Os funcionários e guias são chamados de “instrutores de cura florestal”. Eles guiam os passeios e são responsáveis por um programa de 3 dias, patrocinado pelo governo, que trata o transtorno de estresse pós traumáticos nos bombeiros.

O cientista social sul-coreano, Shin Won-Sop, estudou o efeito da terapia das florestas em alcoólatras. Como ministro das florestas, imagino que seja um cargo equivalente ao de ministro do meio ambiente, tornou o bem-estar humano uma meta formal do plano florestal do país. Com essa medida, os vistantes das florestas recreativas, passaram, em 1 ano, de 9 para 12 milhões. Ele diz que “é claro que ainda usamos as florestas para extrair madeiras, mas a área da saúde agora é o fruto principal.”

Seu ministério tem dados que indicam que a cura florestal reduz o custo médico e beneficia a economia local. Seus estudos agora buscam colher dados sobre doenças específicas e qualidades naturais que fazem diferença. "Que tipos de florestas são mais eficazes?" É a pergunta que buscam responder.

Como os estudos falam de contato com a natureza, não podemos deixar de fora o efeito benéfico dos passeios na praia. A velha sabedoria de que estar perto do mar é bom para a sua saúde é verdade, e vários estudos já mostraram.

De acordo com a pesquisadora Lora Fleming, da Universidade de Exeter, o tempo passado à beira-mar tem muitos efeitos positivos sobre a saúde e bem-estar.
O pesquisador Mathew White e seus colegas também descobriram que as pessoas que viviam perto da costa relataram uma melhor saúde. E que ir para perto da praia, para a aproximação do mar melhora significativamente o bem-estar. “O ambiente à beira-mar além de reduzir o stress pode estimular a atividade física”, completa White.

“Quando você coloca uma pessoa num ambiente de praia”, diz White, também de Exeter, não vai haver nenhuma grande surpresa para você. As pessoas vão relaxar”.

“Estes estudos sugerem que a exposição ao oceano pode ser uma forma útil de terapia”, disse Lora Fleming, “por exemplo, o surf pode melhorar o bem-estar das crianças com problemas. Mas só os estudos futuros poderão dizer qual a “dose” ideal de tempo interagindo com o oceano, e quanto tempo os efeitos na saúde se mantêm.”

Mas mesmo sem estudos, há quem diga que bastam cinco minutos no sol para acabar com qualquer depressão. "O bom humor está diretamente ligado à luz solar, porque ela estimula a glândula pineal, responsável pela produção de endorfinas em nosso cérebro. Estas substâncias é que promovem a sensação de prazer e bem-estar", afirma a médica Cláudia Magalhães, de Recife. "Além disso, a radiação solar diminui a taxa do hormônio melatonina, cuja produção aumenta em condições de estresse, podendo levar à depressão", esclarece o médico José Carlos Greco, também de Recife.

A conclusão deles: “é por isso que nos sentimos felizes e reenergizados na praia, onde ainda desfrutamos de uma agradável sensação de liberdade”.

Bora aproveitar o domingo para uma terapia na natureza?

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Dia dos Pais

Feliz dia!

Hoje celebrem seus pais onde eles estiverem.
Se por perto, esteja juntos.
Se desencarnados, estejam juntos.
É o amor que nos une.
Por abraços ou pensamentos, da maneira que for possível, estejam juntos.
Te amo para sempre Pai!
Meu amor segue com você!

Érima de Andrade



domingo, 13 de agosto de 2017

Mudanças

Érima de Andrade

Freud sentenciou:“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”.

É verdade, a dor é motivadora, mas o amor também é. Mesmo assim, talvez
por associar mudança sempre com dor, a maioria das pessoas tem medo de mudar. De mudar a vida, ou de mudar qualquer coisa na vida.

Mudar é bom, mas “tem que” mudar? Por que? Se tudo está fluindo bem, se você está feliz com sua vida, por que “tem que” mudar?

Ter não tem. Mas
as mudanças ajudam na sua qualidade de vida. Qualquer mudança que você faça contribui para a sua saúde cerebral. E com o cérebro em ordem, todas as demais funções do organismo são favorecidas.

O cérebro não pensa para fazer movimentos repetitivos.
Se por um lado isso é desejável, por outro, o excesso de rotina, limita o cérebro, que vai entrando num processo de desuso, perdendo flexibilidade, atrapalhando a capacidade de assimilar conhecimentos.

Paula Abreu, na sua página virtual, pergunta:"Você alguma vez já sentiu que todos os seus esforços, todos os dias, são para construir uma vida que, lá no fundo, uma vozinha diz para você que não é o que você quer?" É dessa mudança que estou falando.

Uma mudança para quebrar suas barreiras, amarras e limitações. Mudar para ir ao encontro do que não conhece.  Mudar para ver e idealizar novas possibilidades na sua vida. 

Mesmo que tudo pareça impossível no momento,
mude alguma coisa. Saia da sua zona de conforto. Abra mão do que já não lhe cabe, dê um salto de qualidade na sua vida.

Eu sei, mudar dá trabalho. Até você acostumar com a mudança, você fica bem atrapalhado. 
Mas como experimentar o novo senão houver mudanças?

A mudança ideal é aquela decidida por você. Não existe um caminho mais fácil para a frustração do que fazer uma promessa de mudança que você não está plenamente disposto a cumprir, apenas por que “tem que” ser feito para agradar aos outros, a sociedade, ao companheiro, aos colegas de trabalho. 

Mude, mas faça por você, para se estimular, para se desafiar a novos aprendizados.
Uma vez que você decida mudar, você pode fazer isso.

Mas vá devagar. 
Busque novos caminhos reconhecendo seus limites, capacidades e apoios. Vá um passo de cada vez atrás das suas energias transformadoras, mas sempre com atitudes harmônicas e sadias. Nada de fazer coisas que vão lhe magoar ou dar medo. Ponderação é o caminho, pois você não vai mudar de uma hora para outra. É um processo.

Se não dá para mudar tudo de uma vez, também não dá para ficar parado.
Então escolha sua mudança e priorize por onde começar. Que tal colocar uma meta por semana? O que você pode fazer para criar resultados favoráveis para você nesta semana?

Entre todos os seus objetivos de mudança, qual você decide que será seu pontapé inicial? Qual hábito novo renovaria as suas energias para seguir com os seus objetivos de mudança? Seja lá o que for, comece.
Você merece ser mais feliz.

O Edson Marques tem um texto com
várias propostas de mudanças possíveis para todo mundo. Eu gosto tanto do texto, que já o coloquei várias vezes aqui no blog. Espero que lhe inspira a mudar.

"Mude.
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros, viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova Vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude.
De novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"
Edson Marques