domingo, 16 de julho de 2017

Redes Sociais

Érima de Andrade

A conversa inspiradora dessa semana aconteceu por causa de um personagem de um programa de reforma na TV. O senhorzinho que teria o quarto transformado, contou, todo feliz, que aprendeu a usar o computador com os netos.
Disse que agora aprende a tocar viola com os vídeos da internet e, como passatempo, entra nas Redes Sociais para bisbilhotar a vida dos outros.

Parece bem comum, mas além de ouvir “eu também faço isso”, eu ouvi “mas ele pode fazer isso?”.

Sim, ele pode e nem é o único a fazer.

O objetivo das redes sociais é esse mesmo, socializar, oferecer uma ligação social e possibilitar a conexão entre pessoas. Por ser uma conexão virtual, as redes amenizam as distancia geográficas, permitindo que você se conecte com todo mundo, em todo lugar. Por isso dá para bisbilhotar a vida dos outros. Redes Sociais são uma ferramenta de interação e conexão com o mundo.

A socialização numa rede acontece através das postagens. Se gostou do que leu numa rede, você pode “fazer amizade” com quem postou, e passar a seguir a pessoa, isto é, passar a ver sempre que ela postar alguma coisa nova. Pode puxar uma conversa, pela internet, em particular. Pode ir num mesmo evento que ela e conhecê-la pessoalmente, ou apenas descobrir que tem várias pessoas que gostam das mesmas coisas que você, e se sentir feliz. Estas são algumas maneiras de socializar através das redes.

A surpresa de quem perguntou “mas ele pode fazer isso?”, deixa claro que a pessoa não sabe o alcance que as coisas postadas em redes sociais podem ter.
Antes de continuar a conversa é bom que se diga que, em qualquer rede social da internet, você tem controle sobre quem pode e quem não pode ler/ver o que você posta. Também é bom que se diga, que quando você faz a opção “todos”, são todos mesmo, ou seja, todos que um dia se inscreveram nessa rede. E não apenas “todos” os seus amigos.

Para você que não conhece, eu conto que as Redes Sociais são ótimas, por exemplo, para divulgar seu trabalho. Também são ótimas para conhecer pessoas com os mesmos interesses. Cabe a você escolher o que postar, e onde.

Se você deseja divulgar o seu trabalho, e também compartilhar situações da sua vida pessoal, a minha sugestão é que você tenha duas páginas. Numa você fala da sua vida profissional, e aceita como amigo todo mundo que se interessar. Porque quanto mais gente souber o que você faz, mais chances de bons contatos profissionais você terá. Na outra você aceita os seus amigos, conhecidos e pessoas sugeridas por amigos que você confia.

Eu tenho duas páginas com o mesmo nome, Érima de Andrade. Uma recebe, pontualmente, todo domingo, o texto novo aqui do blog. Nessa eu fico muito grata a cada um que curtiu e/ou comentou. Outra é pessoal e particular. Só aceito a “amizade” de quem eu conheço na vida. Não quero mostrar as fotos das minhas gatas, por exemplo, para gente que não me conhece. Acho íntimo, prefiro me preservar.

Mas tem gente que gosta mesmo de se expor, e tudo bem. É essa diversidade de opiniões, ideias e comportamentos que colorem a vida. Desde que todas as opiniões, escolhas e ideias e comportamentos sejam respeitadas, é claro.

Se você é do time que se viu perguntando “mas ele pode fazer isso?”, sugiro que comece a prestar mais atenção a tudo que você partilha nas redes sociais. Eu gosto de pensar que as redes sociais são um mural público. Uma vez colocada sua opinião ali, todo mundo que passar pelo mural, poderá ler. E aí cabe perguntar: se fosse para escrever num mural colocado num lugar movimentado, sem nenhum controle sobre o ir e vir das mais variadas pessoas, você publicaria o que publica nas suas Redes Sociais? Essa é a reflexão a ser feita.

Sim, você pode escolher a privacidade da sua publicação. Sim, algum conhecido seu pode gostar demais do que você comentou num post dele e decidir compartilhar com o público que ele alcança. Sim, você tem controle, mas não tanto assim para impedir que o que colocou numa rede social seja visto por pessoas que você não escolheu. Acontece, é bom ficar sabendo.

Então, antes de postar seja lá o que for, se pergunte: eu quero mesmo tornar público o que vou postar? Se sim, siga em frente. Se não, deixe para compartilhar com seus amigos quando estiver com eles, quem sabe numa festa, quem sabe dividindo uma refeição. Simples assim, as formas “antigas” de socialização, que continuam valendo. Arrisco dizer que continuarão valendo para sempre.

Sabendo usar, qualquer rede social que você escolher fazer parte, se tornará sua aliada para se relacionar, conversar, se entreter e se informar. Use sabendo como funciona e divirta-se.



Bom proveito!

domingo, 9 de julho de 2017

Caminhos Internos

Érima de Andrade

Criei os encontros que estou chamando de Caminhos Internos, por insistência de uma amiga, que há mais de ano, pede/sugere que eu trabalhe com grupos.

Demorei esse tempo todo para me decidir porque não conseguia pensar numa maneira de trabalhar com grupo que não fosse curso com princípio, meio e fim, nem um grupo terapêutico tradicional.
Nos casos de psicoterapia sigo preferindo o atendimento individual.

Caminhos Internos não é um curso porque
não tem um objetivo a ser atingido pelo aluno no final de um período de tempo. Também não é psicoterapia porque não vou trabalhar com as questões trazidas pelas pessoas em cada encontro, e sim com temas que vou propor a cada encontro.

Mas Caminhos Internos é um trabalho de autoconhecimento
na medida que permite que você entre em contato com seus sentimentos, seus pensamentos e suas crenças em relação a cada tema abordado.

Vou propor um tema em cada encontro, e claro,
buscarei temas que tenham a ver com as pessoas que formarão cada grupo. Por exemplo, num encontro poderemos conversar sobre o tempo, sobre “eu não tenho tempo”, ou “tenho tempo demais”.

Vamos colocar clareza
no que acontece internamente com você para que não tenha tempo. Ou o que acontece para que seu tempo sobre e você não consiga tornar satisfatório esse seu tempo livre.

Vamos começar a conversa com perguntas do tipo: que mensagens mentais estão por trás da sua falta de tempo? Você cresceu acreditando que para ter sucesso tem que estar sempre ocupada? Suas crenças dizem que o desocupado não chega a lugar nenhum? Para você o ócio é a oficina do diabo? Ou é a sua exigência de perfeição que impede que você tenha tempo para reconhecer o que sente e o que pensa? Como você marca a sua passagem de tempo?

Não será um questionário, as pessoas não precisarão responder uma a uma essas questões.
As perguntas têm a função de dar início a conversa. E a maneira de cada um de lidar com o tema proposto dará a continuidade desse papo.

Os grupos acontecerão no Spaço Dosha, aqui mesmo em Itaipu.

Se essa proposta de trabalho lhe interessa, seja muito bem vindo a nossa roda!

Oficialmente estou divulgando assim:
           
             
Espero vocês!

domingo, 2 de julho de 2017

Reclamações e Soluções

Érima de Andrade

Uma das lições mais importantes a ser aprendida por quem quer trabalhar com gente, é:
o tempo é pessoal. Cada um têm o seu de lidar com o que lhe acontece.

Mudanças, internas ou externas, começam com a consciência do que deseja modificar.
Você só muda uma mesa de lugar, se souber, se tiver consciência, de onde ela está. Acontece o mesmo quando quer fazer reformas internas, você só muda o que tem consciência.

Ter consciência é diferente de ter informação.
Ao tomar consciência você se percebe sentindo e/ou pensando sobre como aquela informação lhe afeta. E é aqui, nessa etapa de autoconhecimento, que quero chamar sua atenção nesse texto. O tempo que cada um leva para tomar consciência das informações que recebe, é pessoal e intransferível.

Já ouvi de psicólogos, professores e fisioterapeutas, queixas do tipo: está demorando muito a evolução do paciente/aluno. Se você quer trabalhar com gente, a primeira grande lição a ser aprendida é essa: o tempo interno é individual.

Sempre a você só caberá mostrar o caminho. A decisão de caminhar é do outro. O tempo que leva para caminhar também é uma decisão do outro. Pode até ser que você tenha forçado bastante a barra e levado a pessoa, arrastada, até a beira do rio. Mas não vai conseguir que ela beba a água. Ela precisará escolher beber.

Por que estou batendo nesse ponto? Porque tenho escutado muitas reclamações. Reclamações vindas de todo tipo de pessoa. Ter estudo, ou cultura, não interfere no tempo interno. Você pode ser super diplomado, mas se não escolher aplicar em si seu conhecimento, nada muda. O que muda o tempo interno é sua decisão, consciente, de mudar.

Você pode se queixar por anos do seu emprego. Enquanto não tomar consciência de que coube a você a escolha de estar trabalhando com isso, você não conseguirá mudar. E, insisto, o tempo de sair da queixa para buscar soluções é individual.

Parece um paradoxo. Gosto dessa palavra, paradoxo. Cabe muito no texto de hoje. Vem do latim, paradoxum, significa "aparentemente absurdo, mas mesmo assim, verdade." E é a mais pura verdade: a solução dos seus problemas depende de você. Mesmo que o problema não tenha iniciado a partir de você, se lhe afeta, a solução depende de você.

Se você está no meio de uma situação desagradável, pergunte-se, "como eu posso colaborar para que isso mude?" E a pergunta vale tanto para você que não está gostando dos rumos da politica da sua cidade, estado ou país, quanto para você que não está feliz no seu emprego. A sua resposta vai lhe levar a solução do seu problema.

Se sua queixa for sobre política, a pergunta "como posso colaborar para que isso mude", vai levar a respostas de mudanças imediatas, do tipo: se tornar voluntário numa Ong que presta o serviço que você percebe como falho, ou fundar uma Ong para isso. E também respostas de mudanças mais a frente: se informar, de todas as maneiras, sobre os próximos candidatos para votar consciente em ideias que correspondam aos seus anseios. É o voto consciente que muda a politica que você não gosta.

Se é do seu trabalho que você reclama, a pergunta "como posso colaborar para que isso mude", também vai levar a respostas imediatas e para o futuro. 


Imediatamente, você pode se lembrar o que motivou sua decisão de trabalhar aí. Busque essa motivação no seu momento presente. Ainda é forte o suficiente para permanecer nesse emprego? Se sim, passe a se alimentar, diariamente, das positividades proporcionadas por esse seu trabalho. Faça o exercício do post passado, se obrigue a procurar, ao menos, uma coisa positiva para cada negatividade que você perceber. Pode acreditar, suas reclamações diminuirão. Talvez até desapareçam.

Se ao começar seu questionamento interno você descobrir que não lhe satisfaz, de maneira alguma, seu atual emprego, se pergunte: o que eu gostaria de estar fazendo agora? E busque as oportunidades de colocar em prática aquilo que lhe dará prazer e sustento. 

E pode ser que precise se requalificar, fazer cursos, formações, estágios. E tudo bem. Se ainda não está pronto para uma mudança de profissão, precisa mesmo se preparar. E durante esse processo de preparação, caberá a você manter o foco na motivação da sua mudança. Ou continuar reclamando.

As soluções estão sempre dentro de você. Não consegue sozinho? Busque ajuda. Mas vai sabendo que não é mágico. Para mudar, consciência é apenas o primeiro passo. Intenção o segundo. E ação o terceiro. E precisará também de persistência para se manter na ação. Mesmo assim, vale a pena.

Prefere continuar apenas reclamando? Tudo bem, eu respeito o seu tempo. Respeito todo o tempo que você precisa para descobrir que só se responsabilizando pela sua felicidade, você será feliz. Use o tempo que achar necessário. O tempo interno é mesmo individual.


Concordo com Rosa de Luxemburgo quando diz: "A liberdade que importa é a liberdade de quem discorda de nós". Para o post de hoje: o tempo que importa, é o tempo que o outro precisa. Nunca o tempo da sua ansiedade de terapeuta.

Que você encontre a paz necessária para fazer bem o seu trabalho. Que você seja feliz. Que você esteja em paz. Que você viva com alegria, dignidade e respeito. 

Que suas reclamações levem a muitas soluções.