domingo, 4 de dezembro de 2016

Pompom








Érima de Andrade

Uma pessoa querida, como muitas outras mundo a fora nessa época do ano,
se animou a fazer com as próprias mãos, os enfeites para as festas desse fim de ano, da sua casa. É de fato uma ótima ideia. Não tem como ser igual a lugar nenhum. Mesmo que você copie uma ideia de algum lugar, ao fazer você mesmo, terá a sua originalidade naquela decoração. E isso é bem legal.

No caso dessa querida, a base da decoração é o pompom de lã. E pesquisa na internet, assiste mil e um vídeos, e tenta. E se desespera. Não dá certo. Ela já tem certeza que é uma pessoa incapaz para trabalhos manuais.

Hum... será mesmo? Se você já tentou pesquisar para fazer um pompom, vai descobrir que tem várias maneiras de fazer, e com certeza, uma das técnicas será aquela adequada as suas habilidades.

Se você nunca tentou, aviso que, como tudo na vida, a prática leva a perfeição. Pode ser que o seu primeiro pompom não saia daquele jeito fofinho e maravilhoso que você viu nas fotos. E tudo bem, é assim mesmo. É fazendo que aprendemos a fazer.

Mas se você é perfeccionista, não sair maravilhoso logo no início, é um sofrimento que poderia ser evitado. É a auto cobrança exagerada dos perfeccionistas que os impede de aproveitar aprendizados, comemorar sucessos intermediários, e, mais triste ainda, perceber que mesmo não tendo ficado perfeito, em muitas etapas eles acertaram.

Perfeccionistas são de extremos, ou é tudo um sucesso, ou é tudo um fracasso. Gente... fim de ano..., hora de comemorar mais um ano que termina com festas, e esperanças renovadas num ano novo melhor. Não dá para fazer uma decoração cheia de boa intenção e sofrimento.

É claro que é ótimo buscar bons desempenhos em tudo o que você faz. Mas ser reconhecido socialmente por seus altos padrões de excelência, e sofrer de infelicidade e insatisfação crônicas, não é bom para ser nenhum.

Os pesquisadores listam algumas características dos perfeccionistas. Veja se você se encaixa numa delas. Se sim, relaxa, tem saída. E sim, vai dar para ser feliz na sua decoração no estilo “faça-você-mesma”.

Você sempre tentou agradar os outros. Os perfeccionistas aprendem muito cedo a viver de acordo com as palavras “eu realizo, logo eu sou” – e nada lhes dá maior satisfação do que impressionar os outros com o seu desempenho.

Infelizmente, viver sempre correndo atrás da nota 10 – seja na escola, no trabalho ou na vida – pode resultar em uma vida de constante frustração e auto questionamento. Que tal mudar para, “eu aprendo com cada experiência da minha vida”?

Você sabe que a busca pelo perfeccionismo está lhe prejudicando, mas você acha que isso é apenas o preço que precisa pagar para ter sucesso. Essa é uma pessoa que tem a mentalidade “sem dor, sem conquistas” na busca pela grandeza. Não né? Bora relaxar e aproveitar o momento presente.

Você é um grande procrastinador. Parece incoerente? Não é. O perfeccionismo está fortemente ligado ao medo de errar. Medo de errar não é um bom motivador. E aí surgem os comportamentos de auto sabotagem, e a procrastinação. Encarar de frente cada tarefa, quando elas aparecem, é sempre o melhor caminho.

Você é altamente crítico de outras pessoas. Julgar os outros é um mecanismo de defesa psicológica bastante comum. Nós rejeitamos nos outros o que não aceitamos em nós mesmos, por isso julgamos tanto. E quando se trata de um perfeccionista, geralmente há muito que ser rejeitado.

Ao pegar mais leve com outras pessoas, você pode se permitir pegar mais leve com suas falhas também. Quer tentar?

Para você, é tudo ou nada. Muitos perfeccionistas lutam com o pensamento de extremos, um momento você está tendo sucesso e no próximo já é um derrotado. Tudo depende da sua mais recente realização ou falha.

Saiba que entre o preto e o branco tem uma infinidade de variações de cores que merecem ser experimentadas. Abra seus olhos para elas, você vai se surpreender.

Você tem dificuldade em se abrir com outras pessoas. Na maioria dos casos, o perfeccionismo simplesmente impede de ter uma verdadeira conexão com outras pessoas.

É uma estratégia simples, por ter um medo intenso de falhar, ou de ser rejeitado, o perfeccionista evita se expor, mostrar sentimentos, ou vulnerabilidade. Cria uma barreira entre ele e o mundo. Sair disso depende só de você.

Você sabe que não adianta chorar sobre o leite derramado… mas você chora mesmo assim. Seja por ter queimado o arroz, ou por ter chegado cinco minutos atrasado para uma reunião, aqueles que buscam a perfeição tendem a ter uma obsessão com cada errinho que cometem. E sofrem. Quando o foco principal está no erro, ou falha, o que lhe motiva é evitar isso a qualquer custo. Até a menor pisada de bola é um atestado incontestável da sua enorme falha pessoal.


Humanos são imperfeitos. Reconheça essa realidade. Permita-se o erro e o aprendizado. Você pode viver mais leve.

Você leva tudo para o lado pessoal.
Ao invés de reagir aos entraves e erros, buscando consertar e melhorar, o perfeccionista se sente derrotado. Considera cada falha como prova definitiva de que o seu medo de não ser bom o suficiente, é real.

Não é. Você é suficiente sendo quem você é. Você é mais perfeito sendo você mesmo, do que tentando ser alguém com uma imagem “irretocável”. Apenas seja.

... E você fica na defensiva quando é criticado. A fim de preservar a autoimagem frágil, e a aparência de forte perante os outros, o perfeccionista tenta controlar todas as situações defendendo-se de qualquer ameaça. Mesmo quando não há necessidade de defesa.

Você nunca "atinge o seu objetivo" totalmente. Já que a perfeição, obviamente, é algo impossível de se atingir, os perfeccionistas geralmente têm a sensação de que ainda não atingiram o seu objetivo totalmente. Sentem que falta alguma coisa para enfim relaxar e comemorar.

Você sente prazer em ver outra pessoa falhar, mesmo que não tenha nada a ver com você. O sofrimento adora uma companhia e os perfeccionistas – que gastam muito tempo e energia pensando e se preocupando com as próprias falhas – podem sentir um certo alívio, e mesmo prazer, ao ver os outros falhando em seus desafios pessoais. 

Dá a eles quase um sentimento de pertencimento. Confirmam que existem no mundo mais pessoas tão insuficientes quanto eles. Ufa! Já podem relaxar um pouco. Que triste...

Você secretamente nutre uma saudade do seu tempo de escola. Algumas pessoas detestavam a escola. Mas você, perfeccionista, amava, pois lá havia uma medida do seu sucesso: você tinha tarefas, notas, e um professor que estava lá para lhe dar um feedback positivo, e um tapinha nas costas por um trabalho bem feito.

O sistema estruturado da escola e a formula simples de “trabalhe duro, tenha um bom desempenho e receba uma recompensa”, oferece conforto à maioria dos perfeccionistas. Mas na vida não é tudo tão estruturado assim. É você mesmo que precisa se parabenizar por um trabalho bem feito. Seja o aluno e o professor.

Você tem uma alma culpada. No fundo, muitas vezes os perfeccionistas são atormentados por sentimentos de culpa e de vergonha. "O perfeccionismo não tem a ver com a busca da excelência ou da melhoria, que é uma coisa saudável”, diz Brené Brown. "É uma forma de pensar e sentir que diz: ‘Se eu tiver uma aparência perfeita, se eu fizer do jeito perfeito, se trabalhar e viver da maneira perfeita, eu posso evitar ou minimizar a vergonha, a culpa e o julgamento’ ”.

Então qual é o remédio para isso? Brown recomenda a prática da autenticidade. "A autenticidade é uma prática que você precisa escolher todos os dias”, ela diz, “as vezes a cada hora do dia”.

Permita que os outros lhe vejam exatamente como você é, e abra mão do escudo protetor do perfeccionismo, para que possa expressar a sua vulnerabilidade, sua originalidade, sua raridade, e viver a sua verdadeira beleza.

E se você também quer fazer uma decoração com pompons, tem duas dicas de dois sites ótimos.


O primeiro traz um passo a passo detalhado:
http://www.comofazeremcasa.net/como-fazer-pompons-com-novelo-de-la/

Materiais que você vai precisar:

Um novelo de lã;
Papelão (pode ser caixa de cereal);
Tesoura;
Fita adesiva;
Moldes impressos;
Cola em bastão.

Passo a passo:

Primeiramente imprima os moldes em um papel ofício e corte para colar no papelão escolhido. Faça como você está vendo na imagem.


Depois que a cola secar, corte no contorno dos moldes e faça 4 peças com o papelão. Você deve dobrar a base do mesmo jeito que está sendo mostrado na ilustração.


Agora pegue duas peças que você fez e junte-as, sendo uma de costas para outra, como na imagem. Segure-as desse modo.


Comece a enrolar o novelo de lã nas 2 peças juntinhas. Vá enrolando de frente para trás e quando chegar no fim, volte enrolando de trás para frente. 


Faça isto até que a peça fique bem gordinha, como na foto. Depois corte o novelo para não deixar pontas soltas.


Repita o passo anterior nas outras 2 peças que sobraram. Ao terminar você terá estes dois itens da foto.

Junte as duas metades para formar um círculo inteiro, como na foto.


Fixe os dois dessa forma passando fita adesiva nas bases.


Agora enfie a tesoura e vá cortando o meio da peça. Se você tiver uma tesoura mais fininha pode ser melhor. Você deve ir cortando no meio dos papelões opostos. Observe a figura e analise com cuidado a posição da peça para fazer o procedimento de forma correta.


Corte toda a volta e você terá algo parecido com este item abaixo. É feinho, mas ainda não está pronto. Relaxa.

Agora pegue um pedaço de fio de novelo e deslize entre as camadas para compor o “cinto” do pompom.

Puxe e aperte bem o fio para fazer um nó.


Agora é só cortar as fitas adesivas que foram usadas para fixar as bases de papelão. Depois vá retirando cuidadosamente as bases e seu pompom vai estar quase prontinho para ser usado!


No fim é só ajeitar os detalhes e fios mais longos, com a tesoura. Bem fácil e divertido fazer! A sugestão veio do site Homemade Gifts Made Easy


Veja como fica lindo!

Eis o molde:

No segundo site - http://www.joyzz.com/article-1595.html - as fotos são autoexplicativas:


Sucesso aí na sua decoração!

domingo, 20 de novembro de 2016

Compondo a própria história

Érima de Andrade

A canção Tocando em Frente, de Renato Teixeira e Almir Sater, tem frases lindas. Mas hoje quero destacar essa: “cada um de nós compõe a própria história/ cada ser em si/ carrega o dom de ser capaz/ e ser feliz”.

Já escrevi algumas vezes aqui no blog que entendo que cada um de nós é uma usina de energia. E que atraímos a mesma energia que emitimos. Para mim isso é claro e transparente. Mas não é para todo mundo.

É bem comum receber no consultório pessoas que estão começando no caminho do autoconhecimento. E o que mais as surpreende é descobrir que atraem as situações que se repetem na sua vida.

Quando mostro que é um fato, acontece assim mesmo, usando exemplos da história delas, ainda assim, tentam uma negociação. Não é que elas não se responsabilizem pelo que acontece com elas. É mais que isso, essas pessoas têm certeza que o que acontece com elas não é responsabilidade delas. Elas acreditam que não fizeram nada para merecer isso, seja lá o que isso for.

Algumas histórias são incrivelmente comuns. Alguém que chega ao consultório e ao contar sua vida, conta que “todas” as pessoas em “todos” os grupos têm inveja dela. E aqui as histórias se diferenciam, uns porque são bonitos, outros porque são inteligentes, outros porque são bem-sucedidos em alguma área da vida, e por aí vai.

Vamos pensar junto: qual é o elemento em comum em todos os grupos que você frequenta? A inveja.

Está bem. E quantas pessoas estão com você em todos esses grupos? São muitos, os grupos têm vários tamanhos.

E só você em comum em todos eles? Sim.

Então... já pensou que pode ser você quem provoca essa reação em todos os grupos que frequenta? Você é o ponto em comum, algo que parta de você deve provocar essa mesma reação em todos os lugares que você vai.

É nesse ponto da conversa que eles tentam uma negociação, do tipo, mas não pode ser...

Pois é, é. Funciona assim: você, em algum momento da sua vida viveu um episódio de inveja (para continuar no exemplo da inveja citado acima). E aquilo lhe marcou tanto que você criou uma estratégia emocional para que não se repetisse. Até tenta ser uma pessoa legal com todo mundo quando chega num grupo novo, mas a estratégia dura pouco.

E dura pouco porque não separamos uma única caraterística de uma pessoa. Quer dizer, separamos, mas generalizamos. Vou me explicar: a pessoa que lhe invejou era invejosa, e mais alguma coisa. Ninguém nunca é uma só característica. Vamos imaginar que além de invejosa era bem informada. Sim, é uma boa qualidade. E sim, boas e más qualidades convivem em todos nós.

Nessa historinha que estou criando, pode até ser, que por ser bem informada, a pessoa sentiu inveja ao perceber que você tinha uma competência que a destacaria na situação que vocês se conheceram. Então, invejosa, bem informada, morena, alta, sem papas na língua. Claro que todos nós temos mais do que só cinco qualidades, mas para esse texto, cinco são suficientes.

Aí você chega num grupo novo. Tenta ser legal com todo mundo e percebe que tem muitas pessoas morenas no grupo... Se aproxima mais das louras e percebe que tem muitas altas... Tenta se aproximar de um grupo menor e percebe que tem pessoas sem papas na língua... pronto, você viu uma característica em cada um do grupo novo, que é similar as características da pessoa que lhe magoou, e generaliza. Você agora tem certeza que todos nesse grupo são invejosos.

Antes de ser “atacada”, você ataca. E passa a tratar todo mundo, como? Não sei. Inferior? Possível que sim. E sua auto profecia se confirma! Todo mundo sempre tem inveja de você. Eles “logo” percebem que você está acima deles e a invejam...

Não tem jeito, você tendo consciência ou não, se responsabilizando ou não, querendo ou não, você atrai todas as situações que se repetem na sua vida. O bom é lembrar que “cada um de nós compõe a própria história/ cada ser em si/ carrega o dom de ser capaz/ e ser feliz”.

Sim, você pode mudar sua história, fazer uma nova composição. Emmanuel explica que a dor é uma Mestra Divina que “aqui corrige, adiante esclarece, além reajusta, mais além aprimora.” É um bom caminho. Algo provoca desconforto em você? Corrija. Se observe também que terá esclarecido sobre o porquê isso lhe acontece. Motivo descoberto, pode reajustar. Reajustado você se torna uma pessoa melhor, se aprimorou. E começou com sua decisão de mudar.

Olhe para você, tem alguma situação que se repete na sua vida e que lhe incomoda?
Vamos mudar?

“É preciso amor/Pra poder pulsar/É preciso paz pra poder sorrir”. É preciso amor próprio para ser feliz. E depende só de você.

Eu estou saindo para uma viagenzinha com a família. Dia 4 de dezembro tem post novo aqui no blog. Até lá, que tal cantar com Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente?


Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,

Só levo a certeza
De que muito pouco sei.
Ou nada sei.
Conhecer as manhas
E as manhãs,
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente.

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou.
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.
Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora,
Um dia a gente chega
E no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz

domingo, 13 de novembro de 2016

Sofrer por antecipação, que armadilha!

Érima de Andrade

Muitos já disseram que o mal do século é a ansiedade. E que o ansioso é alguém que vive no futuro.
É fato, estamos mesmo cercados de ansiosos esperando pelo futuro.

Ansiosos são pessoas que esperam por um futuro negativo, ou positivo, tanto faz, e que por esperar, perdem o momento presente, que é o único momento que de fato, podem realmente viver.

Ansiosos temem que nada aconteça da maneira planejada. Temem não serem capazes de lidar com surpresas inesperadas. Temem errar ao agir. Ansiosos temem, acima de tudo, perder o controle. E por isso, sofrem por antecipação.

Antecipar o sofrimento significa sofrer mentalmente antes, significa sofrer por um futuro que você nem tem certeza se vai acontecer. Ansiosos sofrem tanto, que não é raro que o sofrimento antecipado seja muito maior do que o sofrimento gerado quando o fato realmente acontece.

Existem ansiosos de todos os tipos, mas os mais comuns são os que se pré-ocupam com o futuro. Criam antecipações que geram inquietação e ansiedade. Vivem com medo e angustia, temendo que o futuro chegue e que suas previsões catastróficas se realizem. E claro, na expectativa deles, não serão capazes de dar conta de achar uma solução, uma saída, ou um caminho para recomeçar.

Mas não são os únicos. Existem também os ansiosos que têm uma expectativa positiva e exagerada do futuro. Os que vivem tão entusiasmados esperando alguma coisa que imaginam que será muito boa, que mal conseguem aguentar tamanha ansiedade. Como diz uma amiga minha, fazem tanta tempestade em copo d'água, e no fim, reclamam quando apenas chove.

Já sabemos que expectativas positivas ou negativas sobre o futuro, tiram as pessoas do momento presente. É uma conta simples. Essas pessoas ficam sem espaço interno para viver o presente, porque pensamentos e emoções estão ocupados demais prevendo o futuro que pode não acontecer.

Gastam o tempo presente com um futuro maravilhoso, vivendo e revivendo mil cenários do evento esperado; ou gastam o tempo imaginando todas as possibilidades negativas que podem ocorrer, vivendo e revivendo mil catástrofes.

É importante deixar claro que você pode ser cuidadoso sem a tensão da preocupação e do medo. Sem dúvida, um pouco de preocupação, além de relevante, é saudável para todas as pessoas. Aliás, todos os sentimentos na dose certa e no momento oportuno são bons. O problema acontece quando exageramos e perdemos completamente o equilíbrio, e com ele a capacidade de tomar decisões pertinentes.

Nossa mente é maravilhosa. Somos capazes de imaginar circunstâncias tão reais, que provocamos respostas corporais reais, sentimentos reais para circunstâncias imaginárias, que acabam nos levando a comportamentos inadequados ao que estamos vivendo no presente. E lá vamos nós tomar decisões que só nos atrapalham.

O excesso é sempre prejudicial. Sonhar é bom, mas é preciso ancorar a consciência no presente. Feridas do passado, ou antecipação do futuro, não são boas conselheiras para tomadas de decisão no agora.

A fórmula para o sucesso passa necessariamente pela aceitação da vida e do que ela traz a cada momento. Fugir para o futuro, ou para o passado, é negar a vida que acontece no presente.

Claro que pensar no futuro é bom, ajuda a traçar metas. Pensar com consciência crítica é ótimo. Mas pensar em excesso é uma bomba para a saúde psíquica. Pensar em excesso trava o desenvolvimento de uma mente livre e criativa, que seja capaz de lidar com o que lhe acontece no presente.

Gosto muito de uma frase do José Maria Gomes Neto: “Lá é um lugar que não existe, aqui é o lugar". É aqui que as perguntas desaparecem e tudo faz sentido. É no aqui e no agora que você pode se manifestar, e direcionar sua vida para alcançar seus objetivos. É só no agora que você pode viver.

Os excessos de pensamentos, para o bem ou para o mal, provocam emoções com perdas de qualidade, profundidade e estabilidade. Traduzindo, vivendo no futuro, os eventos do seu presente precisarão ter cada vez mais estímulos, aplausos, e reconhecimentos para que você sinta algum prazer. Nada do presente será bom o suficiente se você tem certeza que a sua felicidade está no futuro imaginado.

Sofrer antes também provoca um gasto intenso de energia por coisas que acabam não acontecendo. Ansiosos sofrem imaginando que não vão conseguir, que não vai dar certo, se irritam, dormem mal, e às vezes, até desistem do que queriam fazer.

E de novo, nada do que acontece no presente, é bom o suficiente para lhe deixar feliz, se você tem certeza que o seu futuro será trágico. É essa a armadilha. Ao dispensar o presente, você abre mão do único momento que existe para ser feliz, o único que você pode fazer alguma coisa pela sua felicidade. O futuro é só um pensamento. O passado também. O que de fato existe é o agora.

Como sair dessa armadilha? Com um choque de realidade e lucidez em cada pensamento perturbador. A realidade é sempre uma boa conselheira.

Você pode escolher mudar agora mesmo. Comece tendo consciência do que está pensando. Capture esse pensamento e submeta-o a perguntas sobre o que de fato está acontecendo nesse momento, e o que você está sentindo com o que lhe acontece? O que você está vivendo é o que você estava pensando?

Por exemplo, tem uma propaganda na TV que brinca com esse sentimento de querer controlar e saber de tudo antes. Imagine que é você vivendo aquilo. A cena é de um casamento. O padre pergunta para a noiva se ela aceita o noivo na saúde e na doença? Até aí tudo bem, faz mesmo parte do texto de um casamento essa pergunta. Mas o padre continua perguntando: aceita na calvície e no reumatismo, na incontinência urinária, na falência da empresa que vai abrir em seu nome? E segue insinuando antecipações catastróficas.

A pergunta é, nesse momento, o que de fato está acontecendo? O casamento. Às vezes a realização de um grande sonho. E o que você está sentindo com essa realização? Viva isso, e deixe para depois o que vai acontecer depois. Não há céu sem tempestade, mas você pode lidar com isso quando acontecer.

Não tenha medo de errar. Seus erros contribuem para você crescer, aprender e melhorar. Uma vida feliz, com bons relacionamentos, boas conversas, boas companhias, participando, sendo socialmente ativo, praticando atividades físicas, cuidando do sono, da alimentação, da hidratação, são ótimas maneiras de nos libertarmos das consequências das nossas preocupações antecipatórias.

O exercício respiratório, e as práticas meditativas, também são ótimas técnicas para aliviar o sofrimento e baixar o nível de ansiedade. Você tem recursos para ser feliz agora, use-os.

Sofrer por antecipação, não caia mais nessa armadilha.

domingo, 6 de novembro de 2016

Meu passado não me condena

Érima de Andrade

Frasezinha batida, mas muito verdadeira. Tenho compaixão por quem é assombrado pelo próprio passado. Em algum momento todos nós fomos. Não tem como escapar, somos humanos, nós e quem conviveu conosco, e portanto, falhamos.

Na infância isso pode ter lhe causado uma grande dor. E doeu tanto, que você colocou numa gavetinha bem escondida. Não lembra mais o que tem dentro dela, mas tem uma lembrança do medo e da dor. Mais ou menos assim: não sei mais o que tem ali dentro, mas lembro que dói, portanto tenho medo e não vou mexer nisso.

Ficou lá atrás, protegido. O medo é um guardião, ele protege alguma coisa que gerou esse mecanismo de defesa, alguma coisa que quando aconteceu você não pôde lidar. Ele lhe protege de uma dor que era muito grande.

Hoje, você pode pautar sua vida a partir dessas suas feridas do passado. Mas pode também escolher se libertar do passado, isso é, escolher trabalhar para que seu passado não lhe machuque mais. Como? Identificando seu medo, aceitando essa dor, compreendendo que não tinha como ser diferente, e integrando na sua história.

Eu fiz as pazes com o meu passado quando me conheci melhor. O autoconhecimento foi o meu caminho de pacificação. É muito libertador e esclarecedor descobrir o porquê eu faço o que faço, e com quem e onde eu aprendi a ser quem sou. Somos todos aprendizes e compreender que nesse caminho cometemos erros, abre espaço para o perdão, a integração da sua história, as pazes com o passado.

Enquanto suas feridas escolherem seu caminho, você não estará vivendo o presente, e pode estar fazendo escolhas que só faziam sentido no seu passado. Fazer as pazes com o passado pode, enfim, permitir fazer escolhas a partir do que vive no momento presente.

Se libertar do passado não é, de maneira nenhuma, colocar uma pedra sobre o assunto e fingir que não aconteceu. Ao contrário, você precisa entrar nele. Precisa olhá-lo de frente, precisa compreender, precisa perdoar.

Ah, mas eu não posso perdoar meu passado! Pode. Mas não é um perdão da boca para fora. É um perdão que vem da compreensão de que as pessoas fizeram o melhor que podiam.

Olhe para o seu passado de um novo ponto de vista. Olhe com sua compreensão de adulto. Aquela dor, aquele medo, você criança, não dava conta. Mas agora adulto, você pode cuidar disso. Pode perdoar. Mais que isso, pode agradecer, pois você é hoje uma pessoa legal, e só é quem você é, porque você viveu tudo que viveu. Então sim, obrigada a todo mundo que fez parte do meu passado.

Quando você compreende, perdoa e agradece, você fecha as contas com seu passado, e pode então, viver plenamente o presente. Você se torna inteiro, identificou seus medos, aceitou suas falhas, integrou seu passado a sua história, compreendeu que não era pessoal, era apenas o que eles podiam fazer, e perdoou.

No meu caso, sou grata a todos os movimentos de autoconhecimento que eu vivi, pois me permitiram ser grata a todos que conheci. Gosto de quem eu sou hoje, gosto do que descobri a meu respeito.

Mais que isso, olho o meu passado e vejo sempre muita gente muito legal! É sempre uma delícia reencontrar essas pessoas que viveram comigo os anos de estudos no colégio. Tão legal como foi encontrar quem estudou comigo na faculdade. Tão legal como são meus encontros de família.

E viva o Facebook que possibilitou tantos reencontros! E uma vez encontrados, marcar um reencontro anual ficou muito fácil. 

O de ontem foi com Vicentinas/os. Somos Vicentinas/os, ex-alunos do Colégio São Vicente de Paula, de Niterói. E sabemos que uma vez Vicentinas/os, sempre Vicentinas/os!


Aqui vale contar que quando entramos era um colégio só para meninas. No equivalente ao que hoje é a oitava série, a escola passou a ser mista. Traduzindo, numa turma nossa de 40 alunos, 3 eram meninos.



Também vale informar que ontem choveu em Niterói desde a madrugada, parou depois das 23 horas. Muita gente ficou sem conseguir chegar. Mas super valeu encontrar quem conseguiu. E sim, ano que vem tem mais, em novembro, no mesmo lugar.

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2016

Então gente querida, até 2017!

domingo, 30 de outubro de 2016

Tudo passa?

Érima de Andrade

A morte nos traz vida, por mais contraditório que isso possa parecer, é assim. A morte nos abre um portal para que as pequenas coisas, as dificuldades, o que nos era uma grande batalha, se torne apenas uma folha seca se desprendendo da árvore... quando há conexão entre a sua alma e a alma da pessoa falecida, se estende um raio de luz entre o seu coração e o céu onde está a pessoa. Não existe incompreensão, os mistérios são revelados e a vida eterna é tão simples de se compreender quanto entender que dormimos e acordamos.” Julia Signer

Julia compartilhou essa reflexão quando perdeu uma pessoa próxima e muito querida. Gosto muito do que ela escreveu, pois confirma, que se você escolher, até na dor você vai descobrir alguma coisa boa.

Mas isso significa que tudo passa? Depende do que você entende por tudo. Sim, o tempo vai passar e aquele evento vai ficar no passado. Se você permitir. Se não permitir você pode reviver a dor diariamente, e ela se manterá presente. É uma escolha.

É bom que se diga, que tudo passa, mas não voltará a ser como antes. Então, o que afinal passa? Passa a estranheza com a nova situação. Passa a dor do momento. Passa a sensação de estar tudo fora do lugar.

Uma vez rompido, rompido está. Não tem como voltar ao antigo eu, você foi transformado por essa situação. Não se tornará inteiro de novo, mas pode ser remendado, e com isso você volta a uma normalidade similar à que você vivia antes do trauma. A tudo se acostuma. Essa é a maior qualidade dos seres humanos, nos adaptamos. E aprendemos.

Eu, por exemplo, aprendi que é muito cansativo ouvir, enquanto você vive uma situação difícil, que tudo passa. É verdade, passa. Mas saber disso, no meio de um turbilhão, pode não ser o suficiente para ajudar.

Oferecer amor e consolo é uma arte. É preciso mesmo alguma sensibilidade para oferecer consolo. Acredito que arte é isso, sensibilidade. E que a sensibilidade é uma propensão natural do ser humano de se deixar levar por afetos de ternura e compaixão. E como ajuda nas horas difíceis.

Não existe uma maneira certa de agir, uma resposta que caiba em todas as situações, mas se você quiser ajudar efetivamente alguém que passou por um trauma, ofereça a sua presença. Você vai descobrir que existem muitas expressões não verbais de amor ao se colocar presente com sua sensibilidade. O amor é muito curativo.

Não é preciso ser culto, informado ou estudado para ajudar. Não precisa de nenhuma habilidade especifica. A sensibilidade é uma capacidade que não precisa de escola ou estudos para ser desenvolvida. A vida lhe ensina a ser sensível.

Precisa falar alguma coisa nessas horas? Não, definitivamente não. Precisa da sua presença, você precisa de fato estar lá. Mesmo sem toque, mesmo que em silêncio, estar lá será o suficiente.

Que fique claro, estar presente não é invadir a vida do outro. É estar disponível inclusive para deixa-lo a sós, se assim ele escolher.

Estar presente é se colocar à disposição da necessidade do outro. Para um abraço, para segurar na mão, para estar do lado em silêncio, para oferecer sua escuta amorosa, ou seu ombro amigo, ou suas habilidades pessoais para dar algum conforto nesse momento.

E pode ser uma presença de maneira bem prática, como atender as ligações, preparar uma sopa, ou uma refeição leve, ou ainda estar ali para acompanhar nas tarefas de rotina, que nessas horas, a rotina, tem a função preciosa de nos dar segurança.

Acompanhar é a palavra a ser destacada aqui. Não tente fazer do seu jeito, não julgue, não controle, não tente resolver. Esteja junto, respeitando o tempo do outro de lidar com sua dor.

É bom também colocar atenção e ser cuidadoso com o que fala. Um discurso otimista, ensaiado, pode fazer um estrago bem grande. Se você não acredita no que está falando, você não ajuda de maneira nenhuma. Então seja sincero e positivo. Lembrando que ser positivo é olhar o que lhe acontece no momento e agir de acordo.

Não compare. Você de fato não sabe o que a pessoa está sentindo, e pode usar um exemplo infeliz, que além de não ajudar em nada, pode piorar a dor.

Resumindo, se você quiser ajudar alguém, esteja presente sem tentar controlar nem alterar a situação básica. A natureza vai seguir seu curso, e, com sua presença positiva e aberta para a dor do outro, você vai dar a quem sofre, a dignidade do seu próprio processo de cura.

Estar ali, nos momentos de dor e escuridão, agindo de forma prática, rotineira, simples e direta, é sempre a melhor maneira de ajudar.

E você também se beneficia. Ao doar o que você tem de melhor, você cria um espaço para o que você tem a receber.
Sempre, uma mão lava a outra.

domingo, 23 de outubro de 2016

Há quase 40 anos...

Érima de Andrade

Tão estranho constatar que conheci essas pessoas há quase quarenta anos... não parece!
A relação continua a mesma, a mesma proximidade com os que eram mais íntimos, o mesmo jeitinho de falar, a mesma energia da nossa adolescência, agora mais madura, milhões de histórias e lembranças únicas, e outros milhões de lembranças compartilhadas por todos nós. Que viagem no tempo esse reencontro!

Se você nasceu depois de 1980, informo que havia vida muito antes disso, mas não a possibilidade, tão fácil de hoje em dia, de manter contato depois da faculdade.

Nossas opções na época, telefone fixo ou carta. Se mudava de endereço, a pessoa não lhe achava mais. Ah, e se você nasceu depois de 1980, informo que o número do telefone não ia na mudança. Outro endereço, outro número de telefone. E assim, cada um de nós foi seguindo a sua vida, lembrando de um tempo bom de estudos e aprendizagens, mas sem muitas esperanças de reencontrar os colegas.

Até que a Hebe, obrigada Hebe!, resolveu fazer um churrasco para reencontrar a turma. Chamou o Ricardo/Batata, para ajudar, falou com a Ana Lúcia, com a Teresa, e num trabalho de pesquisa e investigação, os nomes foram surgindo, as fotos da época também, as lembranças, e o reencontro tomou forma.

Conseguiram contato até com colegas que não estão no mundo virtual, nem em redes sociais! Se você é aquele que nasceu depois de 1980, informo que foi um trabalho árduo essa pesquisa. Mas muito compensador!

O churrasco, em Teresópolis, aconteceu. Mas por vários motivos diferentes, muitos, em cima da hora, não puderam comparecer. Aí já não tinha mais jeito, o bichinho do reencontro já havia nos picado...

E bora pensar numa outra data. E bora tentar falar com mais gente. E bora marcar num dia que todo mundo possa... não deu. E, de novo, tanta gente contatada que na última hora não pode ir. E tudo bem! A gente vai ensaiando encontros e um dia conseguimos um encontrão. É sempre ótimo! Do jeito que der para ser, nós fazemos. E saboreamos, desfrutamos, nos divertimos muito!

Eu, por exemplo, tinha hora para sair. Mas não tão rápido. Muita história atualizada, muita lembrança boa, e claro, fotos!

Essas primeiras são fotos da nossa turma na EBA, Escola de Belas Artes da UFRJ, as outras, dos nossos reencontros.

Obs: Atendendo a pedidos, vou postar todas as fotos que surgiram ao longo da busca. Explicando para você que nasceu depois de 1980: o foco não era automático. Ponto. Não dava para saber como a foto ficaria antes de revelar. Não tem tecnologia que melhore uma foto ruim. Mas eram momentos tão especiais que não desprezávamos foto nenhuma!
    <15/06/1978>

               
   <outubro 1977>









  





 Que muitos outros aconteçam!