domingo, 17 de setembro de 2017

Uma oração para os vivos

Érima de Andrade

“Uma oração para os vivos” é um texto lindo de Martha Medeiros,
foi publicado no Zero Hora em 03/11/2013. 

Ela faz uma prece pedindo que honremos e homenageemos a vida; que aceitemos o novo e que reconheçamos a morte como uma grande mestra. Segue a oração pedindo que valorizemos os amigos e o amor em todas as suas formas. Que sejamos bem-humorados e encontremos um amigo de todas as horas, no Deus que acreditamos. Termina dizendo que “desfrutar a vida com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer por estarmos vivos.” Eu concordo com tudo que ela escreveu. E você? Acrescentaria alguma coisa a essa prece? Boa leitura!

“Que honremos o fato de ter nascido, e que saibamos desde cedo que não basta rezar um Pai- Nosso para quitar as falhas que cometemos diariamente. Essa é uma forma preguiçosa de ser bom. O sagrado está na nossa essência, e se manifesta em nossos atos de boa-fé e generosidade, frutos de uma percepção profunda do universo, e não de ocasião. Se não estamos focados no bem, nossa aclamada religiosidade perde o sentido.

Que se perceba que quando estamos dançando, festejando, namorando, brindando, abraçando, sorrindo e fazendo graça, estamos homenageando a vida, e não a maculando. Que sejam muitos esses momentos de comemoração e alegria compartilhados, pois atraem a melhor das energias. Sentir-se alegre não deveria causar desconfiança, o espírito leve só enriquece o ser humano, pois é condição primordial para fazer feliz a quem nos rodeia.

Que estejamos sempre abertos, se não escancaradamente, ao menos de forma a possibilitar uma entrada de luz pelas frestas. Que nunca estejamos lacrados para receber o que a vida traz. Novidade não é sinônimo de invasão, deturpação ou violência. Acreditemos que o novo é elemento de reflexão: merece ser avaliado sem preconceito ou censura prévia.

Que tenhamos com a morte uma relação amistosa, já que ela não é apenas portadora de más notícias. Ela também ensina que não vale a pena se desgastar com pequenas coisas, pois no período de mais alguns anos estaremos todos com o destino sacramentado, invariavelmente. Perder tempo com picuinhas é só isso, perder tempo.

Que valorizemos nossos amigos mais íntimos, as verdadeiras relações pra sempre.

Que sejamos bem-humorados, porque o humor revela consciência da nossa insignificância – os que não sabem brincar se consideram superiores, porém não conquistam o respeito alheio que tanto almejam. Ria e engrandeça-se.

Que o mar esteja sempre azul, que o céu seja farto de estrelas, que o vinho nunca seja proibido, que o amor seja respeitado em todas as suas formas, que nossos sentimentos não sejam em vão, que saibamos apreciar o belo, que percebamos o ridículo das ideias estanques e inflexíveis, que leiamos muitos livros, que escutemos muita música, que amemos de corpo e alma, que sejamos mais práticos do que teóricos, mais fáceis do que difíceis, mais saudáveis do que neurastênicos, e que não tenhamos tanto medo da palavra felicidade, que designa apenas o conforto de estar onde se está, de ser o que se é e de não ter medo, já que o medo infecciona a mente.

Que nosso Deus, seja qual for, não nos condene, não nos exija penitências, seja um amigo para todas as horas, sem subtrair nossa inteligência, prazer e entrega às emoções que nos fazem sentir plenos.

A vida é um presente, e desfrutá-la com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer – aliás, a única.” Martha Medeiros

domingo, 10 de setembro de 2017

Usando caixas terapeuticamente

Érima de Andrade

Existem várias dinâmicas que usam caixas, e claro, não conheço todas. Mas hoje vou falar de três opções de caixas que gosto muito: caixa de coisas para Deus resolver; caixa da raiva; caixa de elogios.

A Caixa de Coisas Para Deus Resolver tem a função de evitar que sua energia se gaste em situações que você não pode resolver. Essa caixa só funciona se você escolher, de fato, entregar o problema nas mãos de Deus.

Escolha uma caixa que lhe agrade, você pode decorá-la ou não, mas é uma boa dica escrever no tampo “CPDR” - Coisas Para Deus Resolver. Isso ajuda na sua intenção de entregar a Deus a solução do problema. Tudo o que lhe preocupa, mas que não está nas suas mãos resolver, escreva, coloque na caixa e entregue.

Essa prática, quando bem-feita, acalma. Em especial se você entregar o problema sabendo que no tempo Deus, todas as situações serão resolvidas. É a sua confiança na solução que faz a entrega ser bem-feita. Algumas vezes, essa entrega é suficiente para deixar sua mente tranquila e clara, propiciando o surgimento de insights sobre soluções de situações, que a princípio, pareciam muito complicadas. Se você vive se preocupando com problemas que não está nas suas mãos resolver, essa caixa é para você.

Ou você cria sua própria maneira de fazer essa entrega. Uma amiga querida, tem a maneira própria de entregar à forças superiores, soluções de problemas que ela não pode resolver. Quando soube do meu câncer, me ligou dizendo que escreveu minha história e meu nome num papelzinho, e o “entregou” ao seu santo de devoção. Nesse caso, ela colocou o papel debaixo da imagem que tem dele. Me disse que tudo ficaria bem, porque nada do que ela colocou nas mãos do santo, ele deixou de cuidar.

Foi tão legal esse telefonema! Me senti acarinhada. Se eu tivesse dúvidas de que meu tratamento seria o sucesso que foi, minhas dúvidas teriam acabado nessa conversa com ela. A fé e a entrega dela, ao seu santo de devoção, foram absolutamente nutridoras para mim. Obrigada Sílvia!

A Caixa da Raiva tem o objetivo de ajudar a lidar com emoções fortes como raiva e ira. É uma ideia da psicóloga Marina Martín, para ensinar crianças a controlar emoções e sentimentos. É uma ideia genial, mas todo terapeuta ocupacional sabe o valor da atividade expressiva, e sabe que essa caixa pode, e deve, ser usada em qualquer faixa etária.

Um pouquinho de teoria: o nosso mundo interno é povoado por medos, desejos, expectativas, aspirações, e por toda espécie de sentimentos, e prioridades interiores, que se tornam visíveis através das atividades expressivas. Toda criação espontânea é um meio de liberação dessa energia. Não dá para desprezar esse recurso apenas por não ser mais criança.

Diz Lisete Ribeiro Vaz: “A expressão espontânea é o núcleo da Terapia Ocupacional e através dela, a Terapia Ocupacional se distingue das demais áreas de tratamento e abordagem do ser humano.” Pois é, a gente trabalha com atividade expressiva nos atendimentos. O genial dessa caixa criada por Marina é ter em suas mãos, em casa, uma maneira de lidar com suas emoções, seja você criança ou adulto.

A ideia da Caixa da Raiva nasceu da leitura do conto “Vaya Rabieta” de Mireille d´Allancé. Nela a raiva é ilustrada como um grande monstro que sai do personagem principal. Esse monstro o domina, e pode fazer o que quiser com ele, sem nenhum controle.

É por isso que o grande monstro destrói tudo o que encontra: cama, livros, brinquedos. Quando o menino percebe o que fez, tenta reparar o que a raiva havia destruído. Enquanto arrumava e colocava tudo no lugar, a raiva foi ficando cada vez menor. Ficou tão pequena que coube numa caixa.

A partir disso, Marina propõe cada vez que sinta raiva ou ira, você desenhe em um papel tudo o que está sentido. Essa é a maneira de mandar para fora tudo o que está lhe fazendo mal.

Certamente, os desenhos trarão traços fortes, marcados pela impulsividade e pelo desequilíbrio vivenciado quando essas emoções dominam você. A medida que descarrega essa energia no papel, os traços vão se tornando mais claros. E você se dá conta de que está se acalmando. Não tente compreender essas imagens. Apenas sinta. É uma energia que não lhe serve mais. Amasse o papel e coloque-o na sua Caixa da Raiva, uma maneira de afirmar que ela está sob o seu controle. Só sairá se você quiser.

Aprendendo com Carl Gustav Jung: “Basta que o paciente perceba que, por diversas vezes, o fato de desenhar o liberta de um estado psíquico deplorável, para que ele lance mão deste recurso cada vez que seu estado piora. O valor desta descoberta é inestimável, pois é o primeiro passo para a independência, a passagem para o estado psicológico adulto”. E vale para todas as pessoas, em tratamento ou não. Quando perceber que desenhar seus sentimentos ajuda a controlá-los, você vai usar, sempre que possível, esse recurso.

Tão difícil quanto lidar com a raiva é, para algumas pessoas, receber elogios. Também é difícil para muita gente fazer elogios, uma vez que cresceu aprendendo a focar no erro. A Caixa de Elogios, ou Caixa do Anjo da Guarda, é ótima para grupos, familiares ou de trabalho. Os objetivos são reforçar a autoestima, aumentar laços afetivos e o entrosamento. Vale dar um prazo para essa prática, entre três e seis meses.

Primeiro passo é separar uma caixa para essa atividade. Você pode reaproveitar qualquer caixa, desde que a torne atraente com colagens, desenhos, etc. Convite todo o grupo para decorar a caixa que será usada. Faça uma abertura para a entrada dos bilhetinhos.

O início é similar a um amigo-oculto. O nome de todos já está em papéis dobrados, dentro da caixa. Cada um sorteia o seu protegido. Cabe ao anjo da guarda, você, colocar um bilhete, toda semana, com um elogio, uma observação positiva, uma palavra de estímulo, etc., ao seu protegido. Ao final do período programado para essa prática, o anjo se revelará.

Como no amigo-oculto, não vale sortear seu próprio nome. O sorteio será repetido até que todos tenham sorteados nomes diferentes do seu. Cada um deve memorizar o nome da pessoa da qual irá ser o anjo da guarda. As mensagens deverão ser anônimas ou assinadas por um pseudônimo. Para facilitar essa prática, vale deixar perto da caixa caneta e papéis do mesmo tamanho, que deverão ser dobrados da mesma maneira, com o nome do destinatário na frente do bilhete, e colocado dentro da caixa.

Determine um dia da semana para que todos peguem e leiam suas mensagens. É possível colocar sua mensagem ao longo da semana, mas leia a que foi enviada para você, apenas no dia combinado. Escolham dia e hora que seja possível a participação de todos. Assim, a caixa será aberta só uma vez por semana, e todos poderão observar as reações dos membros do grupo, e perceber se existe alguém ficando sem bilhetes, ou recebendo mensagens que não estão de acordo com as regras.

Esse é o exercício, para mandar sua mensagem, você terá que focar nas qualidades do seu protegido. Mensagens genéricas, ou reprovações, admoestações, ofensas, não atingirão os objetivos dessa caixa. É mesmo para aprender a elogiar e ser elogiado.

No seu dia de hoje, qual das três caixas é a melhor para você?


domingo, 3 de setembro de 2017

Você aprende

Érima de Andrade

Esse texto que não é de
William Shakespeare  é tão bom, que super vale a pena reler muitas vezes. Vale reler e vale dar o crédito certo! Não, não é mesmo de Shakespeare como andam divulgando, foi escrito por Verônica Shoffstall. Desculpa aí Verônica!Andei compartilhando com a autoria errada. Boa leitura!

"Você aprende 

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. 

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar." 
Verônica Shoffstall   


domingo, 27 de agosto de 2017

Além da superfície

Érima de Andrade

Uma amiga, Mônica Jordão, comprou uma muda de rosa, num vaso. Comprou porque gostou, e é mesmo uma planta linda. Foi bem cuidada, se abriu, e
surpresa! Veio com filhotinhos! 


Muito além da superfície, ela tinha um jardim interno, e o apresentou para minha amiga, florindo como um buquê. Sim, de dentro da rosa saíram rosinhas lindas. Vou ilustrar esse post com as fotos que Mônica fez durante todo o processo. Como ela mesma diz: “A natureza responde ao cuidado”. E como respondeu!


Todos nós temos o nosso jardim interno, aquele lugar dentro de nós, onde nos sentimos seguros, protegidos e amados. Mas nem todos cuidam desse jardim.


Se você é daquele tipo de jardineiro que cultiva seu espaço interno com sentimentos bons, sorrisos, compreensões, delicadezas do cotidiano, amigos, amores, gratidão, um dia, sem nem você se dar conta, a primavera vai se abrir bem diante de todos que convivem com você. Como a rosa fez.


Você não precisa se programar para isso, o seu jardim bem cuidado simplesmente aparece. De tanto plantar sorrisos, gentilezas, cuidados, atenções amorosas, a vida lhe sorri de volta. Não tem jeito, você, de fato, vai sempre colher o que plantou. E isso é bom.


Se você é um jardineiro distraído, pode ser que nem tenha percebido que andou deixando cair em seu jardim, sementes de mágoa, tristeza, angústia, frieza, medo, ciúme, e ervas daninhas de todo tipo. Se voltar a ficar atento, pode arrancá-las assim que surgirem. Se não viu que estavam se desenvolvendo, elas crescem, sufocam suas flores, e quando se der conta, seu jardim secou e suas flores morreram. 


Eu tive uma supervisora que repetia sempre: “com apenas dois dedos arranco qualquer árvore do meu jardim. Como? Arrancando assim que nascem.” É isso. Se estiver atento, você arranca com dois dedos inclusive um jatobá. Com atenção, só as árvores que você escolher plantar, vão crescer no seu jardim.

                                                      
Se você deixou seu jardim de lado por muito tempo, além de precisar arrancar, até a raiz, as ervas daninhas que nasceram, precisará cuidar do solo. Nesse caso, é o perdão que fertiliza esse solo ressecado e sem vida, o deixando pronto para receber as suas novas sementes.


Mas só plantar novas sementes não basta. Para ter um jardim colorido, florido, gostoso de estar, você precisa cultivar desse seu espaço de crescimento pessoal, precisa praticar diariamente sua reforma íntima, ou seja, estar atento para arrancar as sementes ruins e só alimentar as boas sementes. Esse é o caminho do autoconhecimento, que 
é a capacidade de olhar para si mesmo com honestidade e isenção. É com o autoconhecimento que você constrói e mantém o seu jardim amoroso. 


Para dar certo e ser um bom jardineiro, você precisa desenvolver habilidades que permitam aperfeiçoar o seu trabalho de autoconhecimento, tais como: auto-observação; reservar diariamente momentos de silêncio interno com a respiração consciente ou meditações; alimentar seus quatro aspectos, emocional, intelectual, espiritual e físico; e desenvolver apreciação e gratidão por tudo que lhe acontece.


A gratidão é uma consequência do perdão. Ela implica em compreensão e aceitação da sua história de vida. A gratidão só é possível quando o coração está aberto, e o coração só se abre quando você compreendeu, perdoou e, portanto, aceitou. 


Há uma arte na gratidão, é claro. Assim como qualquer outra coisa, você só tira dela o que você colocar nela. “Após vinte dias semeando apreciação, flores começam a aparecer. Em mim, uma grande clareza de propósito se faz presente: eu sinto meu caminho com mais nitidez, meus pés estão mais ágeis, sentem o chão onde piso de forma mais apurada, meus passos são mais firmes... tudo isso por ter feito a escolha consciente de direcionar meu olhar para o que me nutre e de amar imensamente tudo o que vem até mim, tudo o que sou.”Bárbara Petri 


Seja grato. Cuide do seu jardim com leveza, carinho, lucidez. Cultive nele flores/amigos e flores/amores. Aproveite o jardim para integrar toda a sua história. Assim, bem diante dos seus olhos, muito além da superfície, quando você menos esperar, a primavera se abrirá para você.


Hoje, se pudéssemos ver o seu jardim, como ele estaria? 

Está tendo dificuldades para acessar seu jardim interno? 



Tudo bem, acontece. Que tal participar de um dos grupos Caminhos Internos, que estou formando? O mínimo que pode acontecer, é o caminho até o seu jardim, ficar mais claro. 


Bora conhecer seu jardim?  

domingo, 20 de agosto de 2017

Terapia da Natureza

Érima de Andrade

Sou apaixonada por plantas. Essa paixão me levou a estudar paisagismo, antes de descobrir a terapia ocupacional e suas possibilidades de atuação em saúde mental. Por isso é fácil entender como fiquei entusiasmada ao ler uma
matéria sobre pesquisas que relacionam as florestas com melhoras na saúde.

Diz a matéria, que o ambiente natural nos faz sentir restaurados e melhora o nosso desempenho mental. O pesquisador da Universidade de Utah, David Strayer, afirma que as florestas são o antídoto perfeito para as incansáveis distrações que golpeiam o cérebro moderno. A desaceleração provocada num passeio na natureza, faz diferença no pensamento qualitativo”.

A tese do David Strayer: estar na natureza permite que o córtex pré-frontal, o centro do comando do cérebro, descanse e se recupere como um músculo muito exigido.

Sua pesquisa centrada em como a natureza melhora a solução de problemas, se soma a teoria de que são os elementos visuais da natureza que reduzem o estresse e a fadiga mental. Esses estímulos promovem uma concentração suave que permite ao cérebro perambular, descansar e se recuperar.

David Strayer explica que “nenhum estudo dá uma explicação completa da experiência do cérebro na natureza. Sempre haverá algum mistério, e isso é bom. Assim vamos a natureza não porque a ciência nos diz que ela faz alguma coisa, mas pelo que ela nos leva a sentir.

Foram os sentimentos provocados pela natureza, que fizeram que em 1865, o arquiteto e paisagista Frederick Law Olmsted, que projetou o Central Park de Nova York, insistisse com parlamentares que protegessem o vale do Yosemite das construções urbanas. Frederick em seu pedido, afirmou que “é um fato científico que a contemplação de cenas naturais de caráter impressionante é favorável a saúde e ao vigor dos homens.”

Também por puro instinto, Ciro, o Grande, há 2500 anos, construiu jardins para relaxamento na movimentada capital da Pérsia. Mesmo sem provas irrefutáveis, no século XIX, os americanos Ralph Waldo Emerson e John Muir criaram os primeiros parques nacionais do mundo, afirmando que a natureza tinha poderes curativos para mente e corpo.
Hoje já é possível comprovar tudo o que eles afirmavam. Pesquisadores da Inglaterra constataram que quem mora perto de mais espaços verdes se queixa menos de sofrimento mental.

Em 2009 pesquisadores holandeses encontram incidência menor de 15 doenças, como depressão, ansiedade, e enxaqueca, em quem mora a menos de 1 km de espaços verdes.

Richard Mitchell, pesquisador escocês, encontrou menos doenças em pessoas que moravam perto de espaços verdes, mesmo quando não os usavam. Afirmou ele: “nossos estudos mostram esse efeito restaurador, quer a pessoa vá passear, quer não.”

Já se demonstrou em pesquisas, que quem avista pela janela árvores e matos, se recupera mais depressa em hospitais, tem melhor desempenho escolar, e exibe comportamento menos violento.

Numa pesquisa da Universidade de Chiba, voluntários que caminhavam em florestas foram comparados a quem caminhava no centro das cidades. Os da floresta conseguiram diminuir a ansiedade, e seus exames mostraram uma redução de 16% do cortisol, o hormônio do estresse.

Pesquisadores sul-coreanos constataram, com ressonância magnética, que os voluntários que olhavam cenas urbanas tinham maior fluxo sanguíneo na amígdala, que processa o medo e a ansiedade. Os que olhavam cenas naturais iluminavam o córtex cingulado anterior e a ínsula anterior, áreas associadas a empatia e ao altruísmo.

Yoshifumi Miyazaki, cientista japonês, acredita que nossa mente e corpo relaxam em ambientes naturais, “porque nossos sentidos se adaptaram para interpretar informações sobre plantas e riachos, e não sobre tráfego e prédios.”

Lisa Nisbelt, da Universidade Trent, diz que as pessoas subestimam a felicidade que pode ser alcançada ao ar livre. “Não pensam”, diz ela, “que é um jeito de aumentar sua felicidade. Pensam que outras coisas farão isso, como ir às compras, ou assistir à TV.” E continua, “evoluímos na natureza. É estranho estarmos tão desligados dela.”

Nooshin Razani, é uma médica do Hospital Infantil Benioff, que está tratando depressão e ansiedade com a ajuda da natureza. Como parte de um projeto-piloto, ela prepara pediatras do ambulatório para receitar aos jovens pacientes e suas famílias, visitas regulares a parques próximos.

Para que pacientes e médicos se envolvam com o tratamento, ela explicatransformamos o espaço clínico de modo que a natureza esteja em toda parte. Há mapas na parede para que seja fácil conversar sobre aonde ir, e fotografias de matas locais.”

Em alguns países, como a Finlândia, onde era elevado o número de alcoolismo, depressão e suicídio, a natureza já está incorporada a politica de saúde mental oficial do governo.

Equipes de pesquisa do Instituto de Recursos Naturais da Finlândia, recomendam uma dose mínima de 5 horas na natureza, por mês, para melhorar a saúde mental. Comprovaram que um passeio de 40 a 50 minutos, na natureza, é suficiente para causar mudanças na fisiologia, no humor e provavelmente na atenção.

O professor Kalevi Korpela, da Universidade de Tampere, ajudou a projetar uma dúzia, do que ele batizou de “trilhas poderosas”, que estimulam a atenção plena e a reflexão. Placas nas trilhas dizem coisas como: você pode se agachar e tocar uma planta.

Na Coreia do Sul foram criadas Florestas Recreativas Natural. Os funcionários e guias são chamados de “instrutores de cura florestal”. Eles guiam os passeios e são responsáveis por um programa de 3 dias, patrocinado pelo governo, que trata o transtorno de estresse pós traumáticos nos bombeiros.

O cientista social sul-coreano, Shin Won-Sop, estudou o efeito da terapia das florestas em alcoólatras. Como ministro das florestas, imagino que seja um cargo equivalente ao de ministro do meio ambiente, tornou o bem-estar humano uma meta formal do plano florestal do país. Com essa medida, os vistantes das florestas recreativas, passaram, em 1 ano, de 9 para 12 milhões. Ele diz que “é claro que ainda usamos as florestas para extrair madeiras, mas a área da saúde agora é o fruto principal.”

Seu ministério tem dados que indicam que a cura florestal reduz o custo médico e beneficia a economia local. Seus estudos agora buscam colher dados sobre doenças específicas e qualidades naturais que fazem diferença. "Que tipos de florestas são mais eficazes?" É a pergunta que buscam responder.

Como os estudos falam de contato com a natureza, não podemos deixar de fora o efeito benéfico dos passeios na praia. A velha sabedoria de que estar perto do mar é bom para a sua saúde é verdade, e vários estudos já mostraram.

De acordo com a pesquisadora Lora Fleming, da Universidade de Exeter, o tempo passado à beira-mar tem muitos efeitos positivos sobre a saúde e bem-estar.
O pesquisador Mathew White e seus colegas também descobriram que as pessoas que viviam perto da costa relataram uma melhor saúde. E que ir para perto da praia, para a aproximação do mar melhora significativamente o bem-estar. “O ambiente à beira-mar além de reduzir o stress pode estimular a atividade física”, completa White.

“Quando você coloca uma pessoa num ambiente de praia”, diz White, também de Exeter, não vai haver nenhuma grande surpresa para você. As pessoas vão relaxar”.

“Estes estudos sugerem que a exposição ao oceano pode ser uma forma útil de terapia”, disse Lora Fleming, “por exemplo, o surf pode melhorar o bem-estar das crianças com problemas. Mas só os estudos futuros poderão dizer qual a “dose” ideal de tempo interagindo com o oceano, e quanto tempo os efeitos na saúde se mantêm.”

Mas mesmo sem estudos, há quem diga que bastam cinco minutos no sol para acabar com qualquer depressão. "O bom humor está diretamente ligado à luz solar, porque ela estimula a glândula pineal, responsável pela produção de endorfinas em nosso cérebro. Estas substâncias é que promovem a sensação de prazer e bem-estar", afirma a médica Cláudia Magalhães, de Recife. "Além disso, a radiação solar diminui a taxa do hormônio melatonina, cuja produção aumenta em condições de estresse, podendo levar à depressão", esclarece o médico José Carlos Greco, também de Recife.

A conclusão deles: “é por isso que nos sentimos felizes e reenergizados na praia, onde ainda desfrutamos de uma agradável sensação de liberdade”.

Bora aproveitar o domingo para uma terapia na natureza?

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Dia dos Pais

Feliz dia!

Hoje celebrem seus pais onde eles estiverem.
Se por perto, esteja juntos.
Se desencarnados, estejam juntos.
É o amor que nos une.
Por abraços ou pensamentos, da maneira que for possível, estejam juntos.
Te amo para sempre Pai!
Meu amor segue com você!

Érima de Andrade



domingo, 13 de agosto de 2017

Mudanças

Érima de Andrade

Freud sentenciou:“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”.

É verdade, a dor é motivadora, mas o amor também é. Mesmo assim, talvez
por associar mudança sempre com dor, a maioria das pessoas tem medo de mudar. De mudar a vida, ou de mudar qualquer coisa na vida.

Mudar é bom, mas “tem que” mudar? Por que? Se tudo está fluindo bem, se você está feliz com sua vida, por que “tem que” mudar?

Ter não tem. Mas
as mudanças ajudam na sua qualidade de vida. Qualquer mudança que você faça contribui para a sua saúde cerebral. E com o cérebro em ordem, todas as demais funções do organismo são favorecidas.

O cérebro não pensa para fazer movimentos repetitivos.
Se por um lado isso é desejável, por outro, o excesso de rotina, limita o cérebro, que vai entrando num processo de desuso, perdendo flexibilidade, atrapalhando a capacidade de assimilar conhecimentos.

Paula Abreu, na sua página virtual, pergunta:"Você alguma vez já sentiu que todos os seus esforços, todos os dias, são para construir uma vida que, lá no fundo, uma vozinha diz para você que não é o que você quer?" É dessa mudança que estou falando.

Uma mudança para quebrar suas barreiras, amarras e limitações. Mudar para ir ao encontro do que não conhece.  Mudar para ver e idealizar novas possibilidades na sua vida. 

Mesmo que tudo pareça impossível no momento,
mude alguma coisa. Saia da sua zona de conforto. Abra mão do que já não lhe cabe, dê um salto de qualidade na sua vida.

Eu sei, mudar dá trabalho. Até você acostumar com a mudança, você fica bem atrapalhado. 
Mas como experimentar o novo senão houver mudanças?

A mudança ideal é aquela decidida por você. Não existe um caminho mais fácil para a frustração do que fazer uma promessa de mudança que você não está plenamente disposto a cumprir, apenas por que “tem que” ser feito para agradar aos outros, a sociedade, ao companheiro, aos colegas de trabalho. 

Mude, mas faça por você, para se estimular, para se desafiar a novos aprendizados.
Uma vez que você decida mudar, você pode fazer isso.

Mas vá devagar. 
Busque novos caminhos reconhecendo seus limites, capacidades e apoios. Vá um passo de cada vez atrás das suas energias transformadoras, mas sempre com atitudes harmônicas e sadias. Nada de fazer coisas que vão lhe magoar ou dar medo. Ponderação é o caminho, pois você não vai mudar de uma hora para outra. É um processo.

Se não dá para mudar tudo de uma vez, também não dá para ficar parado.
Então escolha sua mudança e priorize por onde começar. Que tal colocar uma meta por semana? O que você pode fazer para criar resultados favoráveis para você nesta semana?

Entre todos os seus objetivos de mudança, qual você decide que será seu pontapé inicial? Qual hábito novo renovaria as suas energias para seguir com os seus objetivos de mudança? Seja lá o que for, comece.
Você merece ser mais feliz.

O Edson Marques tem um texto com
várias propostas de mudanças possíveis para todo mundo. Eu gosto tanto do texto, que já o coloquei várias vezes aqui no blog. Espero que lhe inspira a mudar.

"Mude.
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros, viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova Vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude.
De novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"
Edson Marques