domingo, 21 de agosto de 2016

Faça assim mesmo

Érima de Andrade

Na juventude o nosso maior sonho é mudar o mundo. Manter esse compromisso na vida adulta faz de nós pessoas melhores. Que bom que temos a disposição muito lembretes dessa nossa disposição juvenil!
Eu mudo, o mundo muda. Se quero um mundo melhor, me torno uma pessoa melhor. E assim as grandes mudanças acontecem.

Nos anos 1960 líderes estudantis acreditavam que poderiam transformar o mundo através de atitudes radicais. Nos anos 60 atitudes radicais não tinham nada a ver com homens bombas e similares. Ser radical, na visão deles, era agir da forma mais correta possível e com isso provocar grandes mudanças.

Um aluno, Kent M. Keith, da Universidade de Harvard, tinha certeza que atitudes mudam o mundo, e criou um manifesto intitulado “Mandamentos Paradoxais de Liderança.” Kent tinha 19 anos quando escreveu seus mandamentos. Seu texto fazia parte de um livro intitulado “A revolução silenciosa: Liderança dinâmica do conselho de estudantes”, que foi publicado pela universidade em 1968.

Os mandamentos paradoxais se espalharam pelo mundo e foram adotados por instituições como os Escoteiros, e também por Madre Teresa de Calcutá. Madre Teresa gostou tanto do texto que transformou num cartaz 8 dos 10 itens descritos, e colocou na parede de Shishu Bhavan (Casa da Esperança), fundada por ela em Calcutá para acolher crianças em situação de risco social. Lucinda Vardey escreveu um livro sobre Madre Teresa em 1995, "Madre Teresa: um caminho simples", e destacou o cartaz feito por ela, que estava sem autor. Por causa disso, muitos, apressadamente, atribuem o texto a ela.

Não é, foi escrito em 68 quando Kent era aluno em Harvard e explicava que o texto era “O Manual para encontrar um significado pessoal e profunda felicidade em um mundo louco.”

Chamou de Mandamentos Paradoxais da Liderança, e acredita ainda hoje, que são princípios que vão estimular todos os leitores a alcançar uma vida melhor e com muito mais sucesso.

Ainda respirando ares olímpicos, vi que muitos desses mandamentos fazem parte da vida de um atleta vencedor. É um bom caminho para você que quer mudar o rumo da sua vida.

Os dez mandamentos de Keith são:

1. As pessoas são ilógicas, irracionais e autocentradas. 
Assim mesmo ame-as. 

2. Se você fizer o bem, as pessoas o acusarão de ocultar motivos egoístas.
Assim mesmo faça o bem.

3. Se for bem sucedido, você ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Assim mesmo seja bem sucedido.

4. O bem que fizer hoje será esquecido amanhã.
Assim mesmo faça o bem.

5. A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Assim mesmo seja franco e honesto.

6. Os maiores homens e mulheres com as maiores ideias podem ser abatidos pelos menores homens e mulheres com as mentes mais medíocres.
Assim mesmo pense grande.

7. As pessoas têm consideração pelas vítimas, mas só seguem os bem-sucedidos.
Assim mesmo lute por algumas vítimas.

8. O que levamos anos para construir pode ser destruído em instantes.
Assim mesmo, construa.

9. As pessoas precisam mesmo de ajuda, mas quando os ajudamos podem nos atacar.
Assim mesmo, ajude-as.

10. Dê ao mundo o melhor que tem e levará um soco na cara.
Assim mesmo dê ao mundo o melhor que tem.

“Nós encontramos significado amando e ajudando de qualquer maneira.” Kent M. Keith

domingo, 14 de agosto de 2016

Seguir os planos ou desistir?

Érima de Andrade

Não parece, mas essa pergunta é muito parecida com “ter razão, ou ser feliz?”. Porque é disso que estamos falando,
você quer seguir a qualquer custo um plano pré-concebido, ou quer ser feliz com o que lhe acontece?

A judoca Rafaela Silva viveu um momento limite pós olimpíada de Londres. Ela pensou, de fato, em desistir de tudo. Mas foi em frente, voltou aos treinos, se dedicou, e com a vitória na Rio 2016, ganhou também a tão sonhada medalha de ouro. Para ela, valeu a pena persistir.

E aí fica a pergunta: quais são os sinais que avisam que é hora de desistir?

Fazer planos, criar metas, ter objetivos é maravilhoso. Mas é preciso se manter flexível, aberto as mudanças, pois elas podem acontecer.

A vida nos mostra, de muitas maneiras, que existe uma enorme distância entre a nossa meta sonhada e a possibilidade, efetiva, de executá-la.

Ninguém gosta de mudar planos. É mesmo ruim planejar alguma coisa, criar estratégias de como agir e viver, começar a executar o passo a passo, e os imprevistos nos obrigarem a parar, replanejar e alterar a rota. Mas acontece, e muito.

Para dar certo, seja o que for, é preciso além de metas, ter flexibilidade. É a flexibilidade que lhe permitirá ver mais de um ponto de vista. Tem uma lição aí quando as coisas não dão certo. No mínimo você precisa olhar o outro lado, a flexibilidade ajuda nesse momento. Não deu certo, ao menos aproveite a lição que a vida lhe oferece.

As dificuldades são perguntas do universo. Ele quer saber: você quer mesmo ir por esse caminho?

Se sim, por que você quer persistir? É a resposta a essa pergunta que vai determinar se vale ou não a pena continuar.

Qualquer coisa similar a: eu disse que conseguiria e não vou pagar esse mico de voltar atrás; é um alerta vermelhíssimo de que você está indo no caminho errado.

E para você, é sim, melhor desistir. Só desistindo da vida que você planejou, você vai poder viver a vida que lhe espera. Mas se você prefere ter razão do que ser feliz, faça a sua escolha e vá em frente.

Mas se a sua resposta quando o universo lhe pergunta se você quer mesmo ir por esse caminho, for algo como: isso dá significado a minha vida, mesmo que eu não seja o melhor, é o que me faz feliz, é o que quero manter comigo de alguma maneira; então siga em frente.

E pode ser que você não vire um judoca campeão, ou que talvez nem treine mais. Aceite isso, é a mudança de rota necessária para seguir no caminho que lhe dá significado.

Só aceitando o que acontece, você terá a possibilidade de um olhar amplo sobre os caminhos que vão lhe permitir trilhar mundos novos dentro das suas escolhas.

Cada um só oferece o que tem. Então restaure seu equilíbrio, fortaleça seus talentos, pacifique seu coração, e permita os inusitados desdobramentos que se apresentam no seu caminho.

E, de repente, vai que você descobre que seu talento é conseguir motivar pessoas a conhecerem o judô? Quem sabe, mais do que lutar, o que você realmente faz bem é explicar esse esporte ao público? É também um caminho maravilhoso.

O que você, de fato, deseja viver?
Que energia você leva aos lugares que vai?
Você atrai aquilo que você transmite. O que chega até você lhe faz bem?
Você está em paz com suas escolhas?


Se você já pode responder sim a todas as essas perguntas, então siga em frente, use o seu tempo com o que lhe faz bem, você está sim no caminho certo.

domingo, 7 de agosto de 2016

Lágrimas

Érima de Andrade

O corpo reflete nossas emoções, por isso é tão importante escolher quais queremos alimentar; por isso é tão importante cuidar para se sentir bem, disposto e feliz.

Como diz a frase, em várias línguas, que encerra o clipe Emoções – Jogos Olímpicos, postado domingo passado aqui no blog, “Nossa emoção pode transformar o mundo.” Pode mesmo. E ela começa provocando alterações no nosso organismo, no nosso mundo interno e individual, e daí para toda parte.

Podemos pensar o nosso corpo como um holograma. A característica especial dos hologramas é que cada parte deles possui informação sobre o todo. Como um holograma, cada pequena parte do nosso corpo, possui informação sobre o que afeta o nosso todo. A felicidade, por exemplo, aparece no bom funcionamento do sistema digestivo, no brilho do cabelo e pele, na disposição, no bom sono, e até nas lágrimas.

Estamos em plena Olimpíada, e o que não falta nas imagens dos jogos são as lágrimas. Que bom, porque chorar faz bem, traz benefícios para a alma, para o corpo e para o humor. Chorar funciona como uma descarga física e emocional que expressa nossas necessidades e nos preenche.

Existem três tipos de lágrimas, as que tem função lubrificante, as que surgem como um reflexo a uma agressão, e as emocionais. Fisiologicamente elas são as mesmas. Todas são produzidas pela glândula lacrimal e possuem três camadas: externamente uma película de gordura, que envolve um recheio de água, que por sua vez, fica sobre um filete de muco. O que muda entre elas, é a proporção de cada camada.

A fotógrafa Rose-Lynn Fisher quis saber como cada uma delas apareceria num microscópio. Criou o projeto “Topografia das Lágrimas”, estudou 100 lágrimas diferentes, e comprovou, com imagens, que existem diferenças entre as lágrimas de alegria, tristeza, heroísmo, fraqueza, vitória, derrota, dor, ressentimento, prazer, raiva, admiração, fortes emoções, e lágrimas de quem corta cebolas, ou come pimenta, ou chora por estar estressado, ou ainda, lacrimeja quando boceja. Comprovadamente, não existe lágrima igual a outra.

Com suas fotos, Rose-Lynn prova que nossas experiências se refletem na estrutura das nossas lágrimas, que as lágrimas mudam de acordo com nosso humor, e que cada gota de lágrima é um microcosmo de experiência humana.

Com a ajuda de um microscópio óptico, e uma câmera de microscopia especializada, ela comprovou que as lágrimas apresentam cristalizações únicas que levam a formas diferentes. Ou seja, você não vai ver a olho nu a diferença entre as lágrimas, mas pode imaginar como é cada lágrima das várias que surgem no fim de cada competição de uma Olimpíada. 


Para lhe ajudar a visualizar melhor, eis algumas das fotos feitas por Rose-Lynn, que já expôs ao redor do mundo em galerias e museus de arte, ciência e história.


Lágrima de alegria, que pode ser de ganhar o jogo, ou de realizar um sonho, ou de atingir um objetivo. Tanto faz. Quando você chora de felicidade, suas lágrimas, no microscópio, serão similares a essa imagem acima. 


Lágrima de alívio, quem sabe foi essa que escapou quando você descobriu que conseguiu chegar no estádio antes do jogo começar?


Lágrima de esperança. Arrisco dizer que foi esse o sentimento despertado pela abertura da Rio 2016, esperança num mundo de respeito pelas diferenças, esperança nos jovens, esperança de um meio ambiente mais bem cuidado.


Lágrima de tristeza, talvez por ter perdido o jogo, talvez pela dor do atleta machucado, talvez por ser a hora da despedida. Chore, chore mesmo, ajuda a superar esse momento.


Lágrima de recordação. É essa que escapa quando você está em casa lembrando tudo de bom que viveu.


Lágrima de reencontro, com certeza é a que você vai produzir quando reencontrar aquele ser especial. Pode ser um parceiro, mas também pode ser a emoção do reencontro com seu animalzinho que resolveu sair sozinho para passear.


Lágrima de chorar de rir. Essa é deliciosa! Tão bom quando ela aparece!


Lágrima de cortar cebola. É assim que você chora quando se anima na cozinha.


Lágrima de mudança, minha lágrima hoje quando o computador pifou antes de eu acabar o texto, se recusou a reiniciar e precisei usar o do meu filho...  São lágrimas da saída da zona de conforto.

E a vida segue!

domingo, 31 de julho de 2016

Entrando no Clima dos Jogos

 Érima de Andrade

Não tem jeito. É muito raro que você goste de alguma coisa que não conhece.
Então, como eu gosto muito das Olimpíadas, vou escrever sobre essa história para você que não conhece, quem sabe, aprender a gostar desse evento. Se você é do time que está torcendo contra, ou faz parte de um grupo que quer apagar a tocha olímpica, e se não quiser mudar de opinião, sugiro que nem leia. Eu vou sim, defender os jogos.

Acho genial a proposta dos jogos. O sedentarismo não é uma escolha natural, músculos e articulações foram criados para o movimento. E uma competição que premia os melhores, e mais eficientes movimentos corporais, é genial e maravilhoso.

Foram os gregos que criaram os Jogos Olímpicos. Por volta de 2500 a.C. eles já realizavam competições. Isso mostra a importância que os gregos davam aos esportes e a manutenção de um corpo saudável. E haja beleza nos movimentos precisos, bem treinados e limpos apresentados nas competições. São várias modalidades maravilhosas e inspiradoras, uma delas com certeza mexe com você.

Mesmo competindo desde 2500 a.C., foi só em 776 a.C. que os gregos organizaram pela primeira vez os Jogos Olímpicos, e os atletas vencedores começaram a ter seus nomes registrados.

Para os jogos de 776 a. C. foram convidados atletas de várias cidades-estados da Grécia clássica. Os reis de Ilia, de Esparta e de Pissa aliaram-se para que, durante os jogos, houvesse trégua em toda Grécia.

Ou seja, a proposta dos jogos era de unificar as ilhas gregas. Em vez de lutarem para conquistar o oponente, criando inimigos, optaram por competir e ter adversários. Premiavam os melhores em cada modalidade, independente da cidade de origem. Não é genial? União conquistada pelo esporte, e não pela guerra.

A aliança entre os reis foi realizada no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Os jogos também aconteciam em Olímpia, para onde os cidadãos das outras cidades peregrinavam para participar das competições. Olímpia deu origem ao nome  Olimpíadas. Convidar atletas de fora fazia parte do espirito olímpico que tinha por princípio, haver paz, amizade e o bom relacionamento entre os povos.

Os gregos, na verdade, buscavam através dos Jogos Olímpicos a paz e a harmonia entre as cidades que compunham a civilização grega. Só em 1896, por iniciativa do pedagogo suíço Pierre de Frédy, conhecido como Barão de Coubertin, aconteceu a primeira Olimpíada da Era Moderna, essa sim, com a participação de atletas de vários países, disputando um conjunto de modalidades esportivas. Para ser exata, nessa primeira Olimpíada inspirada nos jogos gregos, treze países participaram. E como acontecia na Grécia antiga, o objetivo também era a paz e a amizade entre os povos.

O Barão de Coubertin acreditava que a prática de esportes deveria ser estimulada, em especial entre os jovens. Mais que isso, gostava da ideia de uma organização internacional que ajudasse a promover a paz entre as nações. No projeto dele também constava o resgate dos símbolos das Olimpíadas antigas, como o revezamento da chama olímpica.

O revezamento da chama olímpica tem sua origem nos jogos gregos. Os mensageiros da Grécia antiga viajavam pelas cidades anunciando a data dos jogos. Além de convidar os cidadãos a irem até Olímpia, eles proclamavam a trégua sagrada, isto é, um mês antes e enquanto durassem os jogos, e a tocha estivesse acesa, todas as guerras em curso deveriam cessar para que atletas e espectadores pudessem participar dos jogos com segurança.

Simbolicamente, acender a chama olímpica, significa que Olímpia avisa que os jogos estão chegando, está na hora da trégua sagrada. Com o passar dos tempos, a chama olímpica se consolidou como símbolo de paz, união e amizade entre os povos, como era na antiguidade. Para o Barão de Coubertin, os jogos promoviam a paz pois “o importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”.

É uma linda simbologia. Enquanto focam no desenvolvimento de tecnologia para melhorar o desempenho nos esportes, abrem mão de focar no desenvolvimento de armas para a guerra. É essa a proposta, tornar os jogos mais atraentes que os combates.

Pena que não tenha mais o poder de estabelecer a trégua sagrada. Ao menos, os jogos conseguem ser o assunto principal dos noticiários durante as competições. É um respiro bom.

A chama olímpica evoca a lenda de Prometeu, que teria roubado o fogo de Zeus para o entregar aos mortais. Mantendo essa tradição do fogo dos deuses, a chama é acessa em frente a ruína do templo de Hera, em Olímpia. Para garantir a sua pureza, e a ligação com os deuses, ela é acessa com a ajuda de uma skaphia, uma espécie de espelho côncavo que concentra os raios da luz do sol. De lá, a chama é transportada em revezamento até ao país-sede das Olimpíadas, escolhido a cada quatro anos, e acende a pira olímpica, sinalizando o início dos jogos. 




A pira permanecerá acessa durante toda a competição. Acender a pira faz parte da cerimônia de abertura, e apagar a pira, faz parte da cerimônia de encerramento dos jogos. O Barão de Coubertin dizia: "Que a Tocha Olímpica siga o seu curso através dos tempos para o bem da humanidade cada vez mais ardente, corajosa e pura". Que siga!

A superação dos limites é a essência da frase que define o espírito olímpico. Em latim, “Citius, altius, fortius”. Significa mais alto, mais rápido e mais forte. Encoraja a buscar a eficiência do movimento, para o salto mais alto, o arremesso mais forte, o deslocamento mais rápido. E não se busca isso apenas nas provas individuais. Os jogos em equipe mostram atletas “especialistas” em cada uma dessas habilidades, que somadas formam um time forte, com o melhor dos competidores, levando a excelência nas partidas. Lindo de ver.

O Barão de Coubertin também desenhou a bandeira dos jogos. Para ele a paz, a amizade e o bom relacionamento entre os povos são os princípios dos jogos olímpicos, e era necessário criar um símbolo para esse espírito. Os principais valores do espírito olímpico são, entendimento mútuo, igualdade, amizade e jogo limpo. Era preciso um símbolo que evocasse todas essas ideias.

Ele desenhou então cinco anéis de cores diferentes, localizados no centro de um fundo branco, que se entrelaçam para dar voz a valores como universalismo e humanismo. As cores diferentes dos anéis representam o respeito as diversidades de todas as nações, e o fundo branco representa a paz entre os continentes.

Assim, da esquerda para a direita, de cima para baixo, os anéis são: azul, Europa; preto, África; vermelho, América; amarelo, Ásia; verde, Oceania.



Esta bandeira representa a universalidade do olimpismo, ou seja, espírito olímpico, ética no esporte, união através do esporte. O conjunto de anéis representa os continentes habitados unidos pelo esporte.

Ao menos uma das seis cores, contando com o branco, aparecem em todas as bandeiras dos países existentes em 1896, quando aconteceu a primeira Olimpíada da Era Moderna, realizada em Atenas.

A bandeira olímpica é hasteada na cerimônia de abertura das Olimpíadas. Enquanto a chama olímpica queima no estádio, ela permanece hasteada. Na cerimônia de encerramento, a bandeira é recolhida e entregue ao prefeito da cidade sede das Olimpíadas para os jogos seguintes.

Se você esteve em Marte nos últimos meses, informo que a chama olímpica chegará ao Maracanã, no Rio de Janeiro, dia 5 de agosto de 2016, para dar início aos Jogos Olímpicos. A tocha brasileira, na minha opinião, é linda. Um orgulho ver as belezas culturais e naturais do Brasil, representadas na tocha.



A tocha Rio 2016 é feita de alumínio reciclado, modalidade de reciclagem em que somos campeões. Ela é colorida com o amarelo representando o sol e o ouro; o verde as montanhas, morros e vales; azul os mares e os rios. A tocha ainda remete ao tradicional e famoso calçadão de Copacabana. Ela tem um mecanismo que a faz aumentar de tamanho quando acesa. Mede 63,5 cm quando fechada e 69 cm quando aberta. E pesa em tono de 1,5 kg.

Agora que você já conhece todo o simbolismo envolvido nesse evento, convido-o a torcer comigo pelo sucesso e segurança das competições, dos atletas e dos espectadores. Tudo bem que você tenha sido contra os jogos no Rio, mas eles vão acontecer. Então que aconteçam da melhor maneira possível.


Bora torcer?


Obs: todas as imagens foram tiradas do site oficial Rio 2016.
Obs 2: achei esse vídeo tão lindo que tive que acrescentá-lo: 



domingo, 24 de julho de 2016

Resignação ou Aceitação?

 Érima de Andrade

Aceitação não é resignação.
Mesmo que visto de fora pareça a mesma atitude, internamente é muito diferente.

Vamos entender o que é aceitação e o que é resignação.
E uma vez compreendido, sugiro que você deixe de se resignar e passe a aceitar as situações que a vida lhe oferece.

Resignação é não aceitar a vida como ela se apresenta. O resignado sempre deseja que as coisas tivessem acontecido de maneira diferente. E como não é possível, a vida é como é, se esforça para esquecer o que viveu. Como tudo que a gente se esforça para esquecer, gruda mais, pois quanto mais recusamos, mais o que é recusado, ou rejeitado, ganha força, a resignação além de nos manter presos ao passado, nos traz sofrimento.

O sofrimento vem dessa luta interior para controlar o incontrolável. A vida é impermanente e não temos nenhum controle sobre ela. Muitas vezes não é da maneira que gostaríamos que fosse, mas é a vida possível.

Na resignação fingimos nos conformar com o que está acontecendo, ao mesmo tempo que continuamos esperando que a situação seja de outra forma.

Se resignar é alimentar a própria impotência perante um acontecimento, e abandonar a luta. A resignação é sempre passiva, não vai na direção das mudanças que deseja. E como a situação não muda, ao se resignar, nos tornamos vítimas e assumimos o discurso da impotência: é assim mesmo, não há nada que eu possa fazer.

A resignação contém em si mesmo duas recusas: a recusa da realidade e a recusa da ação. Como a gente só muda o que tem consciência, ao negar se tornar consciente da realidade, você também está se negando a oportunidade de mudar o que lhe acontece.

Na aceitação há o reconhecimento do desejo de ter vivido algo diferente, mas há também a disposição de tornar o acontecimento positivo. Quando aceitamos reconhecemos a realidade, e por ver verdadeiramente o que acontece no momento, podemos buscar opções e outros caminhos.

O ocorrido pode não agradar, mas aconteceu assim. E eu vou me esforçar para estar aqui e agora, do jeito que é. O que é plenamente aceito, perde seu poder e você pode escolher como seguir em frente. Reconheço que não me faz feliz, que não é esse o meu caminho, e sigo buscando o caminho da minha felicidade.

Essa é a aceitação. Eu não permito que o ocorrido me bloqueie, não caio na tentação do pensamento fatalista “será sempre assim”, aprendo com a experiência, e sigo em frente.

Aceitar o que é, é aceitar a mudança, a transformação, a evolução. A aceitação empurra para frente, lhe ajuda a enfrentar os pequenos e grandes desafios com coragem e firmeza.

A aceitação é não ir contra a corrente, poupando sua energia em vez de brigar com o incontrolável. Aceitação é aproveitar as situações para aprender, reconhecendo que a vida é como se apresenta.

É preciso lembrar que o momento presente é fruto do que pensamos, falamos e agimos no passado. E sempre existe a possibilidade de corrigir o rumo, basta reconhecer o que lhe acontece e usar a seu favor, sabendo que, de novo, você vai colher o que plantar.

Não podemos mudar o passado, mas podemos mudar nossa atitude interior. E isso faz toda a diferença. Faz você aceitar o que lhe acontece em vez de se resignar com o que lhe acontece.

Se errar, supere e aprenda. Quando um acontecimento for bom, desfrute-o. Quando for ruim, transforme ou aceite. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se para melhor e recomece.

Eu aceitei e transformei. Quando precisei fazer radioterapia, aceitei a tatuagem-marcação. Nada contra, é mesmo uma necessidade marcar o campo que será irradiado, para que o tratamento seja direcionado e reproduzido todos os dias da mesma maneira. A moça que me marcou, avisou que seriam três pontinhos, um na lateral do tronco, outro entre as mamas e outro acima da mama esquerda. Tudo bem.

Mas nem tão bem assim... ela errou e o pontinho acima da mama virou um tracinho. “Mas é tão pequeno” me diziam quando comecei a pensar em fazer alguma coisa com ele. De fato, era pequeno. Mas as pessoas mais íntimas, me avisavam, com a melhor das intenções, que eu havia me rabiscado, ou com caneta, ou com lápis de olho... Tão pequeno, e todo mundo vê...

O ponto entre as mamas “cresceu” na simetrização. E se antes eu nem prestava atenção nele, passei a vê-lo sempre. Se é para ter uma marca, que seja então uma marca escolhida por mim. E foi assim que meu tracinho virou uma borboleta, símbolo da transformação; e meu pontinho um coração, símbolo da gratidão e do amor.
                                       

 E a vida segue com aceitação e felicidade.

                                        

domingo, 17 de julho de 2016

Mas pode?!?!?

Érima de Andrade

Quando eu ainda era aluna na Escola de Belas Artes, da UFRJ, e comecei a usar tinta a óleo, aprendi uma lição que levo para sempre e que me ajuda muito no consultório.

Na escola aprendíamos várias técnicas e exercitávamos em casa. Em casa, eu estava pintando e não estava conseguindo o resultado que eu desejava.
Pensei alto, sem nem perceber que tinha gente por perto: que vontade de pintar com o dedo.

Nem me lembro o que eu pintava, mas é inesquecível a reação da sogra da minha irmã, dona Eridan, que respondeu de bate-pronto: “se está com vontade, usa o dedo.”

Tão inesquecível como a frase foram as minhas sensações. Mas pode?!?!? – pensei, e senti despertar em mim um sentimento de traição, desonestidade, trapaça. Ao mesmo tempo um pensamento de: é claro, é o meu trabalho, posso fazê-lo como eu quiser.

Foi transformador! Era lógico, eu podia fazer como eu achasse melhor. As técnicas são apenas uma base, raízes fortes e saudáveis que nos permitem voar em segurança. Que sensação boa eu senti com essa compreensão.

É essa sensação que busco despertar nas pessoas que conversam comigo, e de repente perguntam: “Mas pode?!?!?”

Pode. Tudo pode, desde que você se responsabilize pelo que está fazendo e pelas consequências dos seus atos.

Essa semana aconteceu de novo. Conversando com quatro estudantes de terapia ocupacional, sobre atividades, surgiu a pergunta: “Mas pode?!?!?”. Assim mesmo, com espanto e incredulidade.

Pode sim. Vamos pensar juntos?

- Quando pensou na atividade você levou em conta a rotina, as dificuldades e as capacidades do paciente? Sim!

- A atividade que você quer propor coloca o paciente em risco? Coloca em risco a equipe? Coloca em risco o espaço? Não!

- Quando fez a análise da atividade, confirmou que estava de acordo com seus objetivos de tratamento? Sim!

- Você acredita que essa atividade contribui para o plano de tratamento e que o paciente terá ganhos com ela? Sim!

- Você tem conhecimento suficiente para oferecer essa atividade? Sim!

- Você fica confortável oferecendo essa atividade ao paciente?

É preciso pensar a respeito.

Falávamos da pintura com tinta a óleo. Se o terapeuta se incomoda com o cheiro; se fica tenso com a possível sujeira da atividade; se fica aflito com as experiências com a tinta feitas pelo paciente; se fica ansioso durante a atividade, vale pensar se compensa mesmo insistir em oferecê-la.

Não é a atividade que trata o paciente, é a relação terapêutica. E se o terapeuta não está à vontade, esse sentimento vai com certeza contaminar a relação.

"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" Jean Cocteau. 

Terapeutas ocupacionais são especialistas em fazer o impossível. Quando fazemos a análise da atividade descobrimos soluções em etapas que vão impactar positivamente o todo. Na minha opinião é o que temos de mais legal, o olhar treinado para análise de atividades. E com esse treino, fazemos o impossível.

E sim, tem muitas outras atividades que beneficiam o paciente, você não precisa ficar desconfortável.

Não é só em conversas com estudantes que surge a sensação: “mas pode?!?!?” Em muitas outras oportunidades é possível levar a compreensão de que pode tudo, sempre.

Lembro especialmente de uma paciente que me confessou que gostaria muito de meditar. Mas isso é fácil, podemos fazer alguns exercícios. Resposta dela: “Na minha religião não tem meditação. ”

Hum... está bem, vamos conversar.

A meditação fortalece a sua espiritualidade, e espiritualidade e religião não são a mesma coisa.

A espiritualidade possibilita a conexão com o seu melhor. É uma conexão interna, de você com você mesmo, com sua melhor parte, com sua luz, com sua sabedoria. É uma conexão totalmente pessoal.

A religião é uma conexão externa, com ritos, cultos, regras, estudos e caminhos comuns a todos da mesma crença. É comunitária.

A religião é uma instituição, e a espiritualidade é a vivência. Em qualquer religião você pode viver a espiritualidade. Mas você também pode experimentar a espiritualidade sem ter nenhuma religião.

Muito se diz que a melhor religião é aquela que lhe faz uma pessoa melhor. E pode ser que para isso você agregue práticas e estudos de várias religiões. Mas pode?!?!? 

Com certeza!

E quantos mais caminhos você buscar, mais conhecerá de várias práticas. É justamente esse conhecimento que derruba os muros da intolerância.

A espiritualidade é individual, respeite. A religião é uma escolha por afinidade. Respeite.

“Construímos muros demais e pontes de menos. ” Isaac Newton. 

Hora de virar o jogo e construir mais pontes na sua prática diária.

domingo, 10 de julho de 2016

Gratidão

Érima de Andrade

Comigo aconteceu de acordar grata por tudo. Que bom!
Um ciclo se fechou e sou profundamente grata por tudo que vivi nele.

A vida me mostrou que meus filhos, meus pais, meus irmãos formam uma rede de proteção tão maravilhosa que eu posso me jogar sem medo. Sei que vão me segurar, confio e entrego. Como amo fazer parte dessa família! Contem comigo meus amores, também estou na rede de proteção de vocês.

Tudo na vida tem começo, meio e fim. Tudo é impermanência e eterna mutação. Tem dias que você acorda sabendo que é uma pessoa privilegiada, com luz, alegria e amor para distribuir. Outros dias, ao acordar, percebe que esqueceu o valor que tem.

Tudo bem, aceite seja lá o que for. Ao aceitar, você abre espaço para que nesses momentos menos brilhantes, os anjos apareçam para lhe cuidar. Eles se aproximam para soprar essa brasinha que, por descuido, você ia deixando apagar. E quando se dá conta, tem de novo, dentro de você, sol brilhando, jardins, passarinhos, borboletas, arco-íris, vida em todo lugar, forte, brilhante e feliz.

Alexandre Souza Vianna, Affonso Accorsi Jr., Ricardo Campos Salgado, Ana Cristina de Oliveira Marinho e as meninas que formam as redes de apoio deles, foram anjos que reacenderam minha gratidão, minha alegria, minha certeza, fé, confiança que a vida vale a pena e que podemos, devemos, precisamos fazer tudo ao nosso alcance para voltar a brilhar.

Por isso eu afirmo, qualquer coisa que você esteja vivendo no momento, qualquer que seja seu sentimento agora, lembre-se, está tudo bem, vai passar e você vai poder agradecer por isso.

Para tanto, mantenha-se atento ao que acontece ao seu redor, e vai descobrir mais gente passando, ou que já passou, pelo que você está passando agora. Para mim, conversar com as meninas da Academia Mariângela foi transformador. Apesar de termos recebido o mesmo diagnóstico, as histórias, os sintomas, os tratamentos e os caminhos foram totalmente diferentes. Diferentes em tudo, mas com uma única certeza em comum, vai passar e vamos virar essa página. Viramos.

Agradeça a vida por sua disposição de viver a realidade tal qual ela é, pois, só olhando de frente o que lhe acontece, você pode modificar o que não está bom. Abra o seu coração para o que você está vivendo. Saiba que seu coração só abre quando você compreende, perdoa e aceita. Compreende que tudo passa, perdoa a vida por ser diferente do que você queria, aceita que por mais desalentador que a vida se mostre, sempre há o que agradecer.

A compreensão ilumina o perdão. O perdão ilumina a aceitação. A aceitação ilumina a gratidão. E a gratidão ilumina a liberdade, inclusive de escolher para onde direciona seu olhar.

Então escolha direcionar seu olhar para o que lhe nutre. Escolha ser melhor, dentro e fora. Escolha amar tudo o que chegar até você. Escolha agradecer as infinitas possibilidades de ser feliz, de viver cada dia e cada hora como um presente.

Escolha viver tudo o que você é. Você é aquilo que reconhece, e pode fazer uso da vontade consciente para procurar dentro de você razões para agradecer.

Cultivar uma atitude de gratidão é a chave para ter o coração aberto, cheio de expectativas de felicidade. Você está vivo e experimentando a vida, você é capaz de aprender e crescer. Agradeça.

Bora viver, com gratidão, uma vida leve e alegre, simples e cheia de paz.


Bendita internet que nos apresenta a tão boas imagens! Essa que cabe perfeitamente na minha emoção hoje, está assinada por Fran Ximenes

Obrigada!