domingo, 18 de fevereiro de 2018

E se eu não fizer nada?

Érima de Andrade

Amo o perfume do manacá. Comprei uma muda, plantei no meu quintal. Ela cresceu, floresceu e segue muito bem, obrigada.

Na terra que veio com ela, veio junto a semente de uma outra planta, uma árvore, que não conheço. Eu sempre penso que, senão matar minha muda, eu não preciso arrancar.
Considero que é um presente e deixo nascer. E ela brotou, uma árvore de crescimento rápido. Tudo ia bem até que ela começou a ficar alta demais. Cresceu com aquela aparência de árvore de floresta fechada, alta com o tronco fino. Ai começou a criar problemas… um vento um pouco mais forte colocava em risco meu telhado.

Cortei a árvore. Uma poda drástica com a intenção de podá-la sempre que volte a ficar alta. Não preciso matá-la para proteger meu telhado.
Sabia que voltaria a brotar, então deixei apenas um metro de tronco. E me surpreendi com a “reação” dela. Além de começar a brotar no tronco, de todas as raízes também brotaram rebentos, ou seja, novas árvores. De uma árvore cortada parece que pode surgir uma nova floresta. E isso é sempre impressionante. 


Ela não morreu em nenhum momento, nem era essa a intenção, mas dá para dizer que voltou a vida. Os brotos anunciam que ela vai se regenerar. A natureza realmente se recompõe, é só dar espaço. 

Uma pesquisa rápida confirma que algumas árvores reagem à poda fazendo brotar novos rebentos da sua raiz. Algumas árvores têm a particularidade de emitir, a uma certa distância do tronco, novos rebentos a partir do seu sistema radicular, mas que progressivamente se libertam da raiz original para levar uma vida independente. Removê-los não mata as raízes e pode até estimular o surgimento de outros rebentos. 

Por mais que isso seja impressionante, aqui não é possível deixar seguir, a menos que eu queira matar a árvore-mãe, e não quero.
Os que nasceram aqui em casa, não tem distância suficiente do tronco para se tornar independentes sozinhos sem danificar a árvore-mãe. Posso até tentar fazer mudas deles, mas não posso deixar onde estão. Ou seja, nesse caso não dá para não fazer nada. 

“Devem-se arrancar ou deixar estar estas ramificações? A dúvida é comum a muitas pessoas”, afirma Ana Carvalho, engenheira agrária. Ela explica:“Os rebentos chamam-se rebentos ou ramos ladrões. Devem ser removidos, uma vez que retiram a força de crescimento do tronco principal. Eles podem ser retirados em qualquer época do ano sem prejuízos para a árvore principal”. 

(Cléo, Chica, o manacá e os rebentos.) 


Na sua vida também é assim, mesmo que pareça que tudo vai florescer bem, nem sempre é possível deixar como está. Se vários novos caminhos se abrem a sua frente, você precisa escolher um. Mesmo que todos os caminhos que se abriram para você sejam maravilhosos, você vai ter que eliminar todos os outros que não foram escolhidos.

Não dá para não fazer nada, você realmente precisa escolher uma das muitas possibilidades. Precisa escolher, por exemplo, se quer a árvore ou rebento. Ou que caminho você vai querer trilhar, o antigo ou o novo que se apresenta. Precisa escolher quais rebentos, ou caminhos, serão descartados, e virarão adubos, que fortalecerão a sua escolha. Nada se perde. Só de parar e avaliar atentamente cada caminho para escolher um deles, você aprende e alimenta sua escolha com mais tranquilidade, consciência e confiança. Senão escolher, você perde todas s possibilidades.

Se você se conhece pouco, se vive uma incerteza com relação a quem é e o que quer da vida, possivelmente você tem dificuldades de fazer escolhas. Essa dificuldade faz de você uma pessoa apegada, alguém que se torna incapaz de abrir mão de qualquer opção, deixando tão difícil a tomada de qualquer decisão.

Pessoas apegadas adiam, enrolam e postergam indefinidamente suas tomadas de decisão. Esquecem que ao não escolher também fizeram uma escolha, já que a vida continua e existem consequências. Há sim uma perda quando se faz escolhas, e pode gerar sofrimento, mas cabe a você continuar da melhor maneira possível.

“Apegos perturbam a mente e nos impedem de agir com liberdade”, explica a monja Coen.“É preciso ter consciência se você está se apegando demais à comida, a uma pessoa, a uma situação qualquer e isso está atrapalhando os seus relacionamentos. É preciso distinguir os benefícios. Se é gostoso e saboroso, mas fiquei presa numa teia e vai me causar mal, é hora de desapegar”, ensina.“Tudo que começa a causar muitos impedimentos para a vida, deixa de ser uma coisa boa, deve ser desapegado”, completa.

Para desapegar, é importante ir pelo caminho do meio, desapegando até mesmo do desapego obrigatório. “Possuo uma velha roupa de monja. Olho para ela e são tantas as memórias de um certo mosteiro que não largo a roupa”, reconhece a monja.

Desapegar não é abandonar tudo, é ter equilíbrio, é soltar o que lhe causa impedimentos, é ter disposição de encarar os novos ciclos quando se apresentarem. É possível ser desapegado e ter desejos de viver de maneira confortável nesse mundo. Apesar disso, garante a monja Coen, o desapego liberta.

Pessoas desapegadas são mais tranquilas nas suas escolhas, se conhecem melhor, conhecem sua essência e sabem que perder alguma coisa, ou se distanciar de alguém, não muda sua verdadeira natureza. Pessoas desapegadas fazem as escolhas com mais compreensão, vivem com mais harmonia, calma e receptividade, especialmente quando mudar o caminho não for uma opção sua.

Fazer escolhas certas é uma questão de saber o que você está procurando com o resultado da sua decisão. É confiar que continua se movendo em direção dos seus objetivos, se renovando, aprendendo e se tornando uma pessoa melhor.

“Não há caminho errado, mas sei que há caminhos que trazem menos felicidade porque são caminhos desconectados de nossa essência. Somos seres projetados para sermos felizes e a felicidade está onde a essência está.” Paula Quintão


E se eu não fizer nada? Nada muda. E os caminhos que se abriram, deixam de existir.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Consequências

Érima de Andrade

Carnaval bombando.
Os que gostam da festa estão na folia. Os que não gostam estão procurando séries, filmes, livros interessantes para aproveitarem esse tempo de folga. Ou não...

Se você faz parte do grupo que está procurando alguma coisa para assistir, na Netflix tem uma série que vale a pena, Grace e Frankie. É muito divertida, e,
para mim, uma alegoria ótima de como não é possível fugir das consequências das suas escolhas. 



A série conta a história de dois casais, Robert e Grace, Sol e Frankie. Os homens são amigos e sócios num escritório de advocacia. Por conta dessa amizade, compraram juntos uma casa na praia onde as duas famílias ficam juntas nos feriados, fins de semana e férias. Um dia avisam as esposas que precisam conversar. Marcam dia para essa conversa por se tratar de algo que mudaria a vida deles. As esposas têm certeza que vão anunciar a aposentadoria, e se preparam para isso.

As conversas acontecem separadamente, cada casal na sua própria casa, falando a mesma coisa, ou seja, o marido anunciando que tem um caso com o outro marido, e que eles decidiram se assumir para viver plenamente esse amor. É a partir disso que a série começa. 


Repito sempre no consultório que não aprendemos automaticamente com o que nos acontece. Precisamos escolher aprender com o que nos acontece. E a série, entre outras
coisas, mostra isso, como mesmo passando por situações intensas, elas só aprendem quando decidem olhar o que aconteceu, entender, integrar.

Ao longo dos episódios de Grace e Frankie descobrimos que cada uma, a sua maneira era infeliz no casamento, e fugia dessa realidade se drogando. Uma bebia e mergulhava no trabalho. A outra chapava com maconha para abrir canais sutis de inspiração e criatividade. Por melhores que fossem as intenções e os resultados, o que elas faziam mesmo era fugir. E se você não olha a sua realidade, você não pode modificá-la. Simples assim, tudo fica do mesmo jeito. 


A vida deu essa rasteira na dupla, o casamento, apesar de longo, não era sólido. E ao longo dos episódios vamos acompanhando as muitas confusões que provocavam por não agirem de acordo com o que acontece no momento, por não quererem lidar com o que acontecia, com a negação pura e simples. Até onde conseguiram, elas continuaram fugindo das consequências das suas escolhas. Fugiam, especialmente, de assumir a responsabilidade por não escolher.

É divertido, mas vamos nos divertindo com os maus humores e trapalhadas, com ironias, e muita negação do óbvio. Como alegoria é ótima! Como diversão também. Se você quiser, faz pensar, senão quiser, você apenas se diverte. 

       

Uma das personagens, numa das temporadas, se recusa a descer do salto, literal e emocionalmente. Gasta uma energia impressionante para negar um problema no joelho que acaba evoluindo para uma cirurgia reparadora. Até chegar nesse ponto, ela passou por disfarçar a dor com remédios, a subir e descer a escada que leva ao próprio quarto sentada nos degraus, a beber quando a dor estava insuportável e os remédios não faziam mais efeito, mas seguiu se recusando a pedir ajuda as pessoas, ou a usar a bengala sugerida pelo médico. 


A outra personagem se enrolou tanto nas mentiras que inventava tentando esconder sua desatenção, que, um belo dia, quando foi ao banco pegar um novo cartão da sua conta, teve o pedido recusado por estar morta no sistema. Consequência de fingir ser a sua irmã de luto por ela, para não ter que pagar por ter perdido, mais uma vez, a chave da sua caixa no correio. Essa informação foi parar no sistema do seguro social, e gerou baixa em todos os serviços, a deixando sem conta no banco, sem documentos, sem direitos. Morreu, oficialmente falando. 


Você só aprende com o que escolhe aprender. E elas escolheram continuar a negar os problemas que surgiam até que ficassem grandes demais para serem ignorados. E mesmo grande, você só aprende com eles se escolher aprender. Como não pode ignorar um problema que ficou enorme, você o resolve. Mas precisa escolher aprender com a situação. Precisa escolher não permitir de novo essa bola de neve. Precisa querer mudar o que levou você até esse ponto.


A série é mesmo bastante divertida. Uma alegoria que mostra que não adianta ser cada vez mais eficiente em fugir dos seus problemas, as consequências chegarão. E isso vale para a série e para vida. Vale para todas as vezes que você forçou a barra só mais um pouco sem dormir ("Tenho que entregar esse material amanhã sem falta."); ou forçou o carro que estava fazendo cada vez mais barulhos estranhos ("Não posso ver isso hoje, preciso do carro."); ou forçou o computador que vivia dando sinais de que ia falhar ("Assumi um compromisso, tenho um trabalho importante para entregar, não posso parar agora."). Sim, você não pode, não quer, não escolheu.

E apesar de você não ter escolhido parar quando percebeu os sinais de desgaste, você é obrigado a parar quando o corpo não responde mais, e precisa de um atendimento de emergência; ou quando seu carro parar de vez e precisar de um reboque para chegar numa oficina; ou quando precisar informar a sua cliente que não vai poder cumprir o prazo, porque o computador pifou de vez. Pois é, mesmo que negue todos os sinais, e se torne eficiente em fugir da realidade, as consequências chegarão. Você vai sim colher o que plantou. 


         

Na série a gente se diverte com situações assim, na vida a gente se desgasta com essas coisas. Consequências. Se você vê alguma coisa que precisa de cuidado, cuide. As consequências dos seus cuidados com você, e com os outros, pessoas, animais, coisas, são sempre melhores do que as consequências da sua negação. 


Aproveita o carnaval da maneira que achar melhor. Mas vai informado que tudo o que você fizer, ou deixar de fazer, vai ter consequências. Bom feriado para você!


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Síndrome de Fevereiro

Érima de Andrade

Fevereiro é um mês de exceção: é menor, tem carnaval, e na minha infância era o último mês das férias. Hoje não é mais assim, mas nossas aulas começavam em março.

Talvez por isso, por conta dessa memória infantil, algumas pessoas sentem uma urgência especial de
“aproveitar ao máximo” o mês de fevereiro, porque, afinal de contas, o ano vai começar, mesmo, depois do carnaval. E nem precisa estar de férias, alguns sentem assim, apenas por ser fevereiro. Uma angústia similar ao que se chama de “Síndrome do Fantástico”, que causa tristeza em quem ouve a música tema do programa, por ser o anúncio do fim do fim de semana. Se você vive esses sentimentos, é um sinal de que você precisa mudar alguma coisa na sua vida.

(Mais sobre a "Síndrome do Fantástico"-“Domingo à noite. Você ouve uma música acompanhada da voz de um tradicional locutor de TV. Ao mesmo tempo começa a sentir o estômago retorcer, as mãos suarem, a cabeça doer. Um mal-estar completo toma conta do seu corpo. Parabéns! Você foi contemplado com uma doença que atinge muito mais gente do que deveria: a “Síndrome do Fantástico”.
O problema: pensar que o domingo está quase no fim e, com isso, a segunda-feira está chegando e tudo vai recomeçar. Mas as consequências da “Síndrome do Fantástico” são mais catastróficas. A insatisfação te faz prestar menos atenção no que faz, porque sua cabeça fica tentando te distrair – porque o que está sendo feito não te agrada. A qualidade do seu trabalho cai e as pessoas todas pegam no seu pé e a sua insatisfação só aumenta. Você não se compromete mais com as atividades que deve cumprir. Sem comprometimento, acaba fazendo escolhas ruins – o que resulta em retrabalho, dificuldades e mais dor de cabeça, no sentido literal e também no figurado. E a “Síndrome do Fantástico” só faz crescer… Há, entretanto, cura para este mal.
Então, antes de cair de uma vez, que tal levantar a cabeça e olhar o que mais o mundo tem a oferecer? Ou ainda olhar para dentro de si e ver qual é o desejo mais premente de sua alma? O máximo que pode acontecer é ser feliz. Não é Fantástico?” Prof. Thiago Costa)


Aqui cabe ajudar essas pessoas com “Síndrome de Fevereiro”, perguntando: Por que ao longo do ano você não consegue se divertir? Que crença é essa que lhe faz sentir autorizado a se divertir apenas no mês do carnaval? O que faz você acreditar que não pode se divertir enquanto aprende, ou trabalha? Você é do tipo que acredita que só pode se divertir se houver recreio? Você separa um tempo na sua agenda para o seu recreio?

Aprendemos com a física quântica que tudo é energia e que cada vibração corresponde a um sentimento. Somos uma usina de energia, e vamos atrair sempre a mesma energia que estivermos vibrando.

Então, se você vibra uma crença que lhe diz que pessoas sérias trabalham sem se divertir, que divertimentos atrapalham crescimento, que o recreio da sua vida só pode acontecer em fevereiro, e se isso lhe deixa infeliz, está na hora de mudar sua vibração.

Somos seres vibracionais, e no mundo vibracional existem apenas duas vibrações, a positiva e a negativa. Nada em si é positivo ou negativo em essência, como essa vibração lhe afeta é que a torna positiva ou negativa.

Recebi um texto sobre isso, desconheço o autor, mas o texto diz que devemos prestar atenção em 7 itens que podem mudar nossa vibração: pensamentos, companhias, músicas, coisas que assistimos, ambiente, palavras e gratidão. Vamos entender:

1 – Pensamentos – Seus pensamentos emitem uma frequência, e é essa a frequência que voltará para você. Por isso é tão importante aprender a cultivar pensamentos positivos. Se você passa a maior parte do seu tempo alimentando pensamentos de raiva, tristeza, medo, desânimo, é isso que você receberá de volta. Coisas ruins acontecem com todos nós, mas podemos escolher olhar para tudo com positividade. Isso é, olhar o que acontece no momento e agir de acordo. Se, nesse momento, você sente raiva, reconheça e use-a para dar limites ao que lhe incomoda. Isso é agir com positividade. Se você apenas sente raiva, não faz nada a respeito, e passa o resto do seu dia ruminando essa situação, você está cultivando pensamentos negativos, e é isso que receberá de volta. Vale a pena?

2 – Companhias – é importante observar com quem você anda, quem lhe faz companhia a maior parte do tempo, e como essas pessoas vibram. As vibrações delas vão lhe influenciar, da mesma maneira que sua vibração as influenciará. Se você está sempre acompanhado de quem só reclama sem fazer nada para mudar, ou de quem vê tudo ao seu redor com pessimismo, a consequência será ter dificuldade para fazer a lei da atração vibracional funcionar a seu favor. Você não pode mudar ninguém, só a si mesmo. Então cuide de cultivar a sua vibração positiva para atrair companhias que colaborem com sua intenção de estar nesse mundo vibrando positivamente.

3 – Músicas - Músicas são a linguagem universal e são poderosíssimas. Elas afetam suas emoções, seus pensamentos, suas vibrações. Você atrai para sua vida exatamente aquilo que você vibra. Então selecione as músicas que quer ouvir, escolha as que vão lhe ajudar na vibração que você quer cultivar. De novo, nada é em si mesmo negativo ou positivo. Uma música agitada não é adequada para você se concentrar, mas é ótima para estimular sua atividade física. Se você faz caminhadas, perceba que ritmo de música faz seu exercício ser mais eficiente. Se você quer sentir abandono, tristeza, angústia, perceba que tipo de música é mais eficiente para essa vibração. Como você quiser, assim será.

4 - Coisas que você assiste – As músicas afetam você pela audição, as imagens afetam você pela visão. Ver sempre programas, filmes, peças, que falem de desgraças, mortes, traições, faz seu cérebro aceitar tudo isso como a única realidade, e libera uma química no seu corpo que afeta sua frequência vibracional. Sim, tem muita coisa ruim acontecendo no Brasil, em especial aqui no estado do Rio. Mas também tem muita coisa boa. Procure e achará imagens que lhe façam bem e que ajudam a elevar sua frequência.

5 - Ambiente – Ambiente aqui não se refere apenas ao meio ambiente, mas também ao ambiente da sua casa e do seu trabalho. Não tem como vibrar positivo num ambiente desorganizado, sujo, feio. Se para você é difícil participar de atividades que restaurem o meio ambiente, limpe rios e praias, salvem nascentes e florestas, com certeza, a sua casa você pode limpar e organizar. Cabe a você cuidar do seu ambiente, cuidar do que você já tem, com responsabilidade e carinho. Assim você vibra para o universo a mensagem de estar apto a receber muito mais.

6 - Palavras - “No principio Aquele que é a palavra já existia. A palavra já existia e a palavra era Deus. E por meio da palavra, Deus criou todas as coisas.”As palavras têm poder, não duvide disso. Sua frequência vibracional é afetada pelas palavras que você diz. Falar mal e reclamar vibra muito diferente de elogiar e incentivar. Fazer dramas e se vitimizar vibra muito diferente de olhar o que acontece no momento e agir de acordo. São escolhas de palavras. A mudança da sua vibração é de sua responsabilidade
, responsabilize-se por suas palavras e pelas vibrações que elas transmitem. 

7 – Gratidão – Torne um hábito agradecer por tudo que lhe acontece. A gratidão abre portas para que coisas boas aconteçam na sua vida. A gratidão afeta positivamente sua frequência vibracional. Agradeça por tudo, de bom e de ruim. Coisas ruins acontecem, e podemos aprender com elas. Agradeça. Coisas boas acontecem e confirmamos que estamos no caminho certo. Agradeça. Agradeça todas as suas experiências, seus aprendizados, suas vivências. Simplesmente agradeça e sinta sua vibração melhorar.

E eu acrescento o amor a essa lista. É o amor que dá sentido a vida, e faz com que todos os meses do ano sejam especiais, e não só o mês de fevereiro. É o amor que lhe ajuda a vibrar positivo e com isso se transformar na sua melhor versão.

Termino esse texto com essa história que recebi de uma amiga, que diz que exite um conto israelita, de um jovem que foi visitar um sábio conselheiro, e ouviu dele esse ensinamento:

“— Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento.
Amar é dedicação e entrega; amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor.
O amor é um exercício de jardinagem.
Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide.
Esteja preparado porque haverão pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim.
Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda.
Simplesmente ame!

Sabes porquê?
Porque a inteligência, sem amor, te faz perverso;
A justiça, sem amor, te faz implacável;
A diplomacia, sem amor, te faz hipócrita;
O êxito, sem amor, te faz arrogante;
A riqueza, sem amor, te faz avarento;
A docilidade, sem amor te faz servil;
A pobreza, sem amor, te faz orgulhoso;
A beleza, sem amor, te faz ridículo;
A autoridade, sem amor, te faz tirano;
O trabalho, sem amor, te faz escravo;
A simplicidade, sem amor, te deprecia;
A política, sem amor, te deixa egoísta;
E a vida sem amor, não tem sentido.



domingo, 28 de janeiro de 2018

Mestres

Érima de Andrade

Márcia Alves, sempre inspirada, escreveu:Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas. O adversário é você mesmo. E a receita é uma só: fazer as pazes com você, diminuir a expectativa e entender que felicidade não é ter, é ser.”

Direta ao ponto: a felicidade não é ter. Para ser feliz, não importa seu patrimônio, não importam seus diplomas, não importa se você tem um guru, não importa o que você tem, conquistou, estudou. Como você é, tendo tudo isso, ou não tendo nada disso, é que realmente faz a diferença. Felicidade é ser. Estar em paz sendo você com suas vivências, experiências, crenças, sentimentos, pensamentos.

Crescer passa por saber que a perfeição não é uma qualidade do ser humano, mas que cada um de nós, é mais perfeito sendo o que é, do que tentando ser uma pessoa diferente.

Você já deve ter ouvido a frase que diz que quando o discípulo está pronto, o mestre aparece. Talvez essa frase tenha lhe levado a pensar que se você crescer, evoluir, se abrir para a transformação, um guru, um guia espiritual, um lama, um mestre encarnado, vai surgir na sua vida. Ou que você vai fazer contato com um mestre de intensa luz.

Nem todos encontraremos um mestre elevado nessa vida, mas todos nós encontraremos pessoas que serão mestres a nos ensinar no dia a dia. Por exemplo, conhecer alguém que realmente lhe magoa, é conhecer um mestre da compaixão. Por que? Porque essa pessoa está lhe dando a oportunidade de exercitar a compaixão. Se essa pessoa lhe magoa, e você ainda não pode sentir amor e compaixão por ela, é um sinal de que você ainda não foi totalmente transformado. Esse é o aprendizado que ela lhe trouxe, um lembrete de que você precisa continuar a se transformar.


Saiba que nem sempre você recebe o que deseja, mas com certeza, sempre recebe o que precisa. E se precisa de um mestre de compaixão, pode aparecer na sua vida alguém que verdadeiramente lhe magoe.

Nem todos encontrarão um mestre nessa vida, mas todos nós passaremos por situações mestras, porque quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

Acredite, se a situação surgiu na sua vida, seja ela qual for, você já está pronto para lidar com ela. Ela é o aprendizado que você precisa no momento. Ela é o mestre que vai lhe ensinar algo sobre você mesmo.

Nada do que você vive e aprende se perde. E uma vez vencida essa dificuldade que o universo colocou na sua vida, você se torna um mestre dessa situação. Mestre mostra o caminho, porque sabe o caminho, porque passou pelo caminho. E se você é alguém que descobriu uma solução para a dificuldade que se apresentou, você virou um mestre, tem algo a ensinar sobre essa vivência.

Gosto de contar meu aprendizado na faculdade de educação física. Por conta da asma, desde muito pequena, entrei para yoga e natação. Na faculdade não tive dificuldade com nenhum nado. Ao contrário, me sai tão bem nadando que virei monitora.

Um dia estava ajudando uma colega a treinar para a prova de nado de peito. Ela dançava maravilhosamente bem, mas ia perder na natação por notas muito baixas. Eu, na lateral da piscina, acompanhando o nado dela, e totalmente desesperada. Ela fazia corretamente os movimentos de braços, pernas e respiração, mas não saia do lugar. Eu não tinha ideia do que estava errado. Todos os parâmetros que eu conhecia estavam certos, mas ela não avançava.

Chamei meu professor, que bateu o olho e viu a dificuldade de imediato. Ela tinha o vício da dança, fazia o movimento com os pés em ponta. Quando acertou a posição dos pés, nadou super bem. Nada do que se aprende se perde, até essa dificuldade, pois é justamente por ter descoberto que é possível nadar sem sair do lugar, que acontecem shows de palhaços aquáticos. E eles são ótimos!

Eu nunca tive dificuldade para nadar, então nunca precisei prestar atenção em tantos detalhes. Mas mesmo que você não tenha dificuldades no seu caminho, você pode se tornar um mestre aprendendo pela observação e auto-observação.

Observar o que acontece ao seu redor, e auto-observar o que acontece com você ao observar o seu redor. Qualquer aprendizado é sempre a partir de você.

Olhe o que acontece ao seu redor e pergunte-se: Como eu reagiria naquela dificuldade que o outro está enfrentando? Como eu me sinto ao me colocar nessa dificuldade? Que sentimento essa dificuldade desperta em mim? Como eu lido com os sentimentos despertados?

Para aprender, você de fato, precisa examinar seus sentimentos. Fazer uma análise intelectual da situação ajuda a resolvê-la. Mas para aprender com a situação, você precisa tornar consciente seus sentimentos em cada momento.

O verdadeiro sucesso não é ser um grande solucionador de problemas. O verdadeiro sucesso é a plenitude interior. É quando nos sentimos completos por ser quem somos e consequentemente realizarmos o que viemos realizar. E só dá para ser plenamente quem somos, reconhecendo os sentimentos que surgem em cada passo do caminho.

Olhe sua vida, você tem clareza das lições que aprendeu com as muitas situações que viveu? Você já se deu conta que todas as pessoas que fazem parte da sua vida, são mestres que surgiram no seu caminho?

Somos todos mestres e aprendizes. Abra-se para os aprendizados.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Sobre Cigarras

Érima de Andrade

As cigarras estão tão animadas por aqui que viraram o assunto da semana. Resolvi falar sobre elas no melhor estilo Globo Repórter: quem são? Onde vivem? Do que se alimentam? Por que cantam? Elas anunciam mesmo o calor?

imagem da página: http://animais.culturamix.com/informacoes/insetos-e-aranhas/tudo-sobre-as-cigarras

Aliás, essa é a minha maior dúvida:
quando a cigarra canta significa que vai esquentar, como muitos dizem, ou ela canta por já estar quente?

Com o calorão que fez por aqui essa semana, ouvir cigarras e pensar que estão anunciando mais calor, desanima….

Quem são? As cigarras são insetos que passam a maior parte da vida sob a terra. Suas formas jovens são chamadas de ninfas, e assim que nascem, saindo de ovos postos em galhos de árvores, caem no solo e entram na terra.

No subsolo, buscam raízes de árvores, nas quais se fixam para sugar a seiva. Depois de passar cerca de um ano nestas condições, estes insetos amadurecem e deixam a terra para concluir seu ciclo vital, para entrar na fase adulta.

Uma das curiosidades do ciclo de vida da cigarra é que a sua fase adulta é bastante curta, durando poucas semanas, devido à dificuldade de maturação. No Brasil, o ciclo de vida desses insetos dura um ou dois anos, sendo apenas dois ou três meses fora do solo.

Onde vivem? As cigarras vivem no subsolo como ninfas a maior parte da sua vida, em profundidades que variam de cerca de 30 centímetros até 2,5 metros.

Cigarra vem do latim, que significa "grilo árvore", e estão presentes em quase todas as regiões do mundo, tanto em climas quentes como frios, e têm poucos predadores. Na fase adulta, são alimento para pássaros e, enquanto ninfas, são atacadas por besouros, por alguns mamíferos, como o tatu, e por formigas predadoras que vivem nos solos.

Como as cigarras se adaptam melhor ao clima quente, nessa época do ano, saem do solo para iniciar a vida adulta, o homem do campo explica que, quando a cigarra começa a cantar, é sinal que a chuvarada não demora a vir, no máximo em um mês. O canto da cigarra chama a chuva, eles têm certeza disso.

Mas li num site, que o canto da cigarra é um dos sinais da natureza de que o tempo ficará bom. No caso, bom significa que haverá sol. Os sinais de bom tempo além de cigarras cantado são: as andorinhas voando alto, as aranhas trabalhando nas suas teias, gatos se lavando e besouros zumbindo.

Também aprendi que se você notar que as cigarras pararam de cantar logo após um momento em que elas estavam fazendo uma algazarra, pode significar que a chuva está por perto. Então, vem chuva… mas ainda não dá para responder se o canto informa que vai esquentar mais...

Do que se alimentam? As cigarras não se alimentam de moscas, vermes ou grãos. Enquanto jovens, se alimentam sugando a seiva das plantas pela raiz. Na fase adulta, elas também se alimentam da seiva, mas, desta vez, sugada pelo caule e folhas das plantas.

A alimentação das ninfas é o suco da raiz, e elas têm fortes patas dianteiras para cavar. Chegando a fase adulta, elas constroem um túnel de saída para a superfície, e emergem.

Para algumas culturas, as cigarras são pragas de grande importância. Devido ao fato da ninfa se alimentar dos nutrientes das espécies vegetais que ela se aproxima, ou se agarra, a cigarra pode se tornar um inseto prejudicial a determinadas plantações.

A ingazeira, os eucaliptos e os abacateiros são exemplos de plantas hospedeiras prejudicadas pelas cigarras. Mas é na cultura do café que as cigarras causam maiores danos.

Por que cantam? Cantam para encantar as fêmeas. As cigarras são animais que se destacam pela cantoria executada pelos animais machos, que é diferente em cada espécie, e é realizada nos períodos mais quentes do ano.

A cigarra macho é o inseto que produz o som mais alto na natureza.
Durante os períodos de acasalamento, as cigarras machos emitem seu canto estridente para atrair as fêmeas. Ele pode ser ouvido a 500 metros de distância. Este fenômeno pode durar até duas semanas.

O canto de algumas espécies de cigarras conseguem atingir a impressionante marca de 120 decibéis. Algumas espécies menores de cigarras realizam a proeza de alcançar uma sonoridade tão aguda, que seu canto simplesmente não é percebido pelo ouvido humano, embora cães e outros animais possam uivar de dor por causa dele.

Devido ao canto extremamente incomodo e estridente, as próprias cigarras possuem um par de membranas que servem como orelhas. Essas membranas funcionam como os tímpanos do seres humanos, que ficam conectados aos órgãos auditivos do inseto, e que reage ao canto, se dobrando, de maneira que o som não lhe cause nenhum tipo de dano.

Quando se reproduzem, os machos atraem as fêmeas emitindo um som característico por meio de um órgão localizado no abdômen. Depois da cópula e da postura, esses insetos morrem, deixando para trás os ovos que darão origem a novas ninfas.

Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos em rachaduras nos caules de plantas hospedeiras. Depois que os ovos eclodem, as ninfas, fase jovem da cigarra, descem por fios de seda até o solo, onde elas ficam a maior parte da vida. Uma cigarra fêmea põe de 400 a 600 ovos em sua curta vida.

O canto das cigarras é resultado do movimento das suas asas, e as cigarras não podem mover suas asas quando a umidade está muito alta. Alta umidade é sinal de que está prestes a chover. Acertaram os que afirmam que se a cigarra parar de cantar depois de um período de algazarra, é sinal de chuva chegando.

Elas anunciam mesmo o calor? Não descobri. Mas como cantam no período mais quente do ano, elas, ao menos, anunciam que sim, está quente à beça!

Por aqui elas estão cantando em qualquer hora do dia. Gravei esses vídeos com a sinfonia diária para ilustrar esse post.



 Mas gravei da janela, então dá para ouvir, mas talvez você precise aumentar o seu som. 


Elas estão cantando muito, estão bem felizes, sinal que estamos mesmo na época mais quente do ano.


Então, aproveite, da melhor maneira possível, o seu verão.


domingo, 14 de janeiro de 2018

Vivendo na Matéria

Érima de Andrade

Somos todos um, e os mosquitos, o trânsito, as águas confirmam isso.
Não somos todos a mesma personalidade, somos todos o mesmo ambiente, as mesmas condições de tempo e trânsito, os mesmos problemas ambientais.

Mas também somos todos parte da solução. Se não cuidarmos dos focos dos mosquitos pensando em ser um com todos, não resolveremos problema algum. O mosquito não está interessado em saber se você está no seu quintal limpo, e ele nasceu no quintal ao lado cheio de depósitos interessantes para as larvas. Ele vai atrás de qualquer um, e de todos, inclusive de você.

Também não adianta dizer que na sua casa o lixo é bem descartado. Quando chove, a água ignora de onde veio o lixo. Ela vai se acumulando onde tem espaço. Pode ser na sua rua, no seu quintal, as vezes até dentro da sua casa. A água não quer saber se você fez a sua parte. Ela simplesmente ocupa os espaços necessários ao seu volume.

A solução é sempre coletiva, porque o problema é coletivo. Cada parte contém o todo, somos mesmo um com a vida ao nosso redor. Não tem como fugir disso.

Nós, aqui em Itaipu, somos todos da mesma comunidade, vivendo os mesmos transtornos. Atualmente somos uma comunidade que sofre com o caos do trânsito por conta de uma obra na estrada.

Não tem alternativas paralelas, não tem diferença entre tipos e modelos de carros, não tem nenhuma vantagem estar a pé, de bicicleta, de ônibus, de carro, de caminhão, nem de ambulância. Nada consegue ir mais rápido.

Uma e outra queixa direto na prefeitura, uma e outra conversa entre moradores, um e outro post na internet sobre a obra, e de eficiente, que consiga explicações, prazos, alternativas, não temos nada. Possivelmente porque não nos tornamos um com todos em busca de soluções e esclarecimentos, não agimos como um único indivíduo em busca de uma solução boa para todos.

Não tenho dúvidas que uma das nossas principais missões nesse planeta é aprender a lidar com o material, o físico, o meio ambiente. E temos muito que aprender.

Se no mundo espiritual conservamos pensamentos, sentimentos e crenças, é possível afirmar que, entender nosso corpo físico, cuidar dele, faz parte da nossa missão nesse planeta.

Entender o nosso corpo não é o mesmo que estudar anatomia, ou fisiologia. Entender é aprender os limites, possibilidades, reações, habilidades, necessidades.

De modo geral cuidamos muito mal do nosso corpo. Esse que é o nosso aspecto mais palpável e concreto. Quase todos somos inconsequentes nos cuidados com o corpo. Quase todos desconhecemos as consequências dos nossos cuidados, ou da nossa falta de cuidados.

Quantas pessoas você conhece que, um belo dia, se surpreendeu por estar acima do peso? Quantas só se deram conta quando se perceberam sem folego, fazendo esforço para se movimentar, se sentindo desconfortável nas próprias roupas?

E ninguém ganha peso de repente. Ganha gradativamente, através das pequenas escolhas de todo dia. Vai ganhando peso por deixar de pensar nas consequências dos pequenos excessos quase que diários.

Também é por não se perceber que muitos desidratam. Nem ao menos se dão conta das consequências de deixar de beber água. E, de repente, uma dor de cabeça mais persistente no fim do dia, um cansaço “inexplicado”, um ressecamento que não sabe de onde vem. Faltou água, faltou perceber que faltava água.

Também conheço pessoas que depois de um dia particularmente cansativo, não sabem o que fazer para relaxar, e garantir um sono de qualidade. E não sabem por nunca ter observado o que lhes faz bem, nem o que lhes relaxa na hora de dormir. Não se conhecem.

E atividade física? Você sabe que movimentos lhe dão prazer? Você já descobriu que atividades lhe dão prazer e satisfação, e de quebra, mantém seus músculos e articulações saudáveis?

Da maneira que eu vejo, somos mesmo muito inconsequentes com os cuidados com o corpo. E se não cuidamos bem dessa casa do nosso espírito, muito provavelmente também somos inconsequentes com nossa casa comum, o planeta.

É por pura inconsequência que não cuidamos do que descartamos. É por inconsequência que matamos nascentes, destruímos florestas, permitimos que os rios sejam assoreados, que sujamos matas, trilhas, praias, mares, oceanos.

Se viemos a esse planeta para aprender a lidar com a matéria, ainda temos um bom caminho pela frente até nos tornarmos uma humanidade melhor.

Como não dá para viver tudo numa vida só, aprender com a experiência do outro se torna fundamental. Estamos vivendo mesmo numa boa época de compartilhamentos de vivências e experiências.

Nunca tivemos tanta informação sobre alimentação, hidratação, higiene do sono, atividades físicas e soluções criativas para problemas comuns as pessoas e as cidades. Temos acesso ao que funciona e o que não funciona, para cada um, e em cada lugar. Podemos aprender com esses relatos.

Sou otimista. Acredito que muitos já despertaram para essa necessidade de pensar nas consequências de todas as escolhas, ações e atitudes. Muitos já perceberam que somos mesmo todos um.
 E que sendo um, seremos todos afetados pela falta d’água, pela poluição, pelos mosquitos, pelo trânsito...

Bora melhorar esse mundo!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Vamos meditar?

Érima de Andrade

Quer um momento mais inspirador que o início do ano para criar hábitos novos para o ano todo? Vamos colocar meditação no dia a dia?
Se você ainda não medita diariamente, começar agora pode ser o hábito novo aprendido em 2018. Nunca é tarde para começar, e sempre é o momento ideal de adquirir novos hábitos. Mas a proposta de ano novo, vida nova, é particularmente inspiradora para muita gente.

E não precisa sentar no alto de uma montanha, antes do nascer do sol, e meditar até o sol estar em cima de você.
Para obter benefícios como clareza e tranquilidade para fazer boas escolhas, meditar 1 minuto por dia já será suficiente. Ou se propor a 1 minuto de silêncio por dia, que é uma maneira de introduzir qualquer pessoa a prática da meditação.

Pode ser que você esteja se perguntando: “mas meditar para quê? Como essa prática pode me ajudar?” Eu respondo: m
editar ajuda a desenvolver a percepção e a consciência sobre si mesmo. O silêncio é a base do autoconhecimento, essa é a ajuda que a meditação pode lhe dar, se conhecer melhor.

Os momentos de silêncio ajudam a lhe colocar presente no que você estiver fazendo.
E estando presente, isso é, não pensando em algo que já passou, nem ansioso por algo que ainda não aconteceu, você adquire clareza, e pode organizar, e escolher, os pensamentos que lhe interessam para o dia que está vivendo.

Ao mesmo tempo, com clareza, pode eliminar aqueles pensamentos que não servem mais aos seus propósitos.
Simples e poderoso exercício para ampliar sua percepção, lhe acalmar quando for necessário, e lhe preparar para suas atividades. Às vezes, somente alguns segundos em silêncio podem transformar positivamente o seu dia.

Essa é a minha proposta para você nesse ano: aprender a cultivar 1 minuto de silêncio.

Você pode se programar para fazer 1 minuto de silêncio antes de inciar suas atividades diárias. Ou depois de retornar de uma atividade. Ou antes das refeições. Ou depois de uma reunião. Ou antes de ligar o carro, antes de dormir, qualquer hora, ou qualquer momento. Tanto faz mesmo.
O importante é se lembrar e fazer 1 minuto de silêncio, todos os dias, nesses momentos que você escolher.

Assim, aos poucos, você começa a se conectar consigo mesmo, para permanecer conectado ao longo de todo o dia. Com somente um instante de silêncio é possível iluminar a escuridão. Fazer 1 minuto de silêncio, antes de uma atividade importante no seu trabalho, vai lhe dar mais segurança e mais qualidade para realizar suas tarefas. Mas para que isso aconteça, é importante que você se afine com essa prática, cultivando o silêncio no seu dia a dia.

A prática constante é muito poderosa e é somente se entregando a ela que você poderá conhecer o poder que o silêncio pode ter na sua vida.

“Para chegar nessa experiência é preciso praticar e se abrir para a experiência do silenciar, que pode ser muito reveladora e trazer chaves de compreensão para questões muito profundas da sua alma. O silêncio pode ainda, tomar a forma de uma palavra, de uma música, uma poesia, um gesto, uma pintura… Lembre-se que ele é a expressão real do seu Ser, é como a ponte para o eterno.

Aos poucos, conforme você for se afinando com os códigos divinos do silêncio, vai perceber na prática que ele é preenchido de bem-aventurança, é preenchido pelo Espírito Santo. As respostas para suas perguntas e a compreensão para o jogo da vida surgirão espontaneamente, mesmo que você não tenha feito as perguntas, acordando valores em você como a calma, a aceitação e a paciência.

O silêncio iluminado é um florescimento da presença, mas o cultivo consciente do silêncio é uma forma de evocar a presença. Portanto, mais uma vez eu lhe convido: experimente colocar em prática esse exercício tão simples de parar algumas vezes no seu dia, se desligar do mundo lá fora e colocar o foco no fluxo da sua respiração. A cada expiração permita se esvaziar de toda expectativa e de toda preocupação, relaxando e estando total no momento presente, onde você simplesmente testemunha de forma silenciosa o fluxo da respiração, evitando julgamento, crítica, comparação e diálogo interno.” Prem Baba, idealizador do movimento Apenas 1 minuto.

Um minuto por dia é um belíssimo começo, e se você escolher, poderá ser para sempre apenas 1 minuto por dia. Mas não de qualquer maneira, é preciso disciplina, é preciso escolher se tornar discípulo da sua melhor versão. E no caso da meditação de 1 minuto por dia, significa se disciplinar para meditar todos os dias no mesmo horário, ou na mesma atividade.

Simples, fácil, poderoso, e realmente funciona. Mas isso não significa que você vai conseguir se desligar de todos os estímulos na primeira vez que tentar. Mesmo que você escolha meditar apenas 1 minuto por dia, nesse 1 minuto muita coisa pode tirar a atenção da sua respiração.

Num primeiro momento, o silêncio não lhe parecerá natural e será preciso exercitá-lo. Possivelmente, quando você se dispuser a se aquietar e silenciar, perceberá um grande barulho interno, uma grande agitação, uma ansiedade e um turbilhão de sensações, sentimentos e pensamentos. E está tudo bem, significa que seus quatro aspectos desejam despertar sua atenção ao mesmo tempo.

A meditação e o silêncio, favorecem o contato com seu aspecto espiritual. Quando escolher meditar, seus aspectos intelectual, emocional, físico, continuaram com suas habilidades específicas, e é isso que você precisa educar, se educar para não se prender, nem conversar com nada disso.

Relembrando: a habilidade do corpo físico é perceber o mundo a partir dos 5 sentidos, captar todos os estímulos sensoriais. Não é por estar meditando que seu corpo vai parar de usar essa habilidade. Ele vai usar e muito. Ele pode, por exemplo, provocar uma coceirinha na ponta do nariz, ou fazer com que você tenha uma súbita vontade de se espreguiçar, bocejar, deitar, dançar. Pode focar sua atenção nos cheiros e perfumes ao seu redor, nos sons, nos deslocamentos do ar, e tudo ao mesmo tempo agora. Ok, não brigue com isso. Tome consciência do que está sentindo e volte sua atenção para sua respiração.

A habilidade do intelecto é pensar, julgar, calcular, e ele vai continuar a fazer isso durante esse 1 minuto. E pode julgar sua opção de meditar, criticar que esteja parado com tanta coisa para fazer, censurar por não ter começado a fazer todas as coisas que programou para seu dia. E tudo bem. De novo, apenas tome consciência e volte para sua meditação.

A habilidade das emoções é ter sentimentos e sensações, e durante sua meditação, você pode ser assaltado por emoções diversas. Não brigue com elas, observe e deixe sua atenção ir voltando para sua respiração. Com disciplina, todos essas distrações param. Apenas 1 muito, você consegue.

Se você ainda não tem meditação como uma prática diária, sugiro que não acredite em mim. Tire a prova. Como? Medite 1 minuto por dia durante 21 dias e perceba se essa prática fez alguma diferença no seu dia a dia.

Eu, quando medito, busco treinar a minha mente para a tranquilidade. Se estou tranquila no momento de fazer qualquer escolha, faço escolhas melhores. E de escolha em escolha, vou me tornando a minha melhor versão.

Meditar 1 minuto por dia, significa escolher parar por 1 minuto, fechar seus olhos, mantendo uma postura que permita que sua cabeça, pescoço e tronco fiquem numa linha reta, e se concentrar na sua respiração. Uma respiração consciente é uma meditação poderosa.

Pois é, a meditação é só isso: ter disciplina para separar um momento para sentar, e em silêncio, respirar consciente, trazendo seus quatro aspectos para o momento presente. Bora praticar?

“Eu os convido a se recolherem em silêncio por um instante. Mesmo que seja um único instante, esteja inteiro nele.” Prem Baba