domingo, 19 de fevereiro de 2017

De novo neuróbica

Érima de Andrade

Neuróbica é uma palavra criada pelos neurocientistas.
Significa aeróbica dos neurônios, ou um tipo de ginástica cerebral.

Sabemos que
quando pensamos em qualidade de vida, pensamos em alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade, lazer. Isso tudo é, de fato, muito importante para ​o bem-estar físico. Mas especificamente para o bem-estar cerebral, o importante é hidratação e oxigenação.

Para o nosso cérebro funcionar bem, beber água é fundamental. Se você disser que não bebe água porque não sente sede, vou lhe dizer que você é um desidratado crônico. Seu organismo desistiu de lhe mandar sinais de falta de água. Nesse caso você precisa reaprender a beber água.

Leu isso, saiu correndo e bebeu um copo cheio de água. Tudo bem... mas dá uns 20 minutos, e essa água vai sair toda pela urina. É o mesmo que uma chuva de verão num solo ressecado, a água espirra sem penetrar. Seu organismo quase não aproveita essa água que vem de repente depois de muito tempo sem beber.

Reaprender a beber água significa bebericar água ao longo de todo dia. De hora em hora, ou num intervalo menor que isso, beba uma xicrinha de café de água. Aos poucos a sensação de sede vai retornar, e você estará hidratado de novo. Ou deixe uma garrafinha de água sempre à mão, e dê 2 a 3 goles de tempos em tempos. Seu cérebro vai agradecer.

Além de hidratar, é importante também oxigenar. Para oxigenar bem é preciso respirar bem. De modo geral, nessa vida atribulada, respiramos curto, só com a parte de cima dos pulmões. Isso significa que trocamos só o ar da parte superior dos pulmões. O ideal é trocar todo ar a cada respiração completa.

Você já viu um bebê respirando? Repara bem, ele inspira a barriga sobe, ele expira a barriga desce. Observe agora a sua respiração, sua barriga mexe quando você respira? Se não mexe, você não está respirando com todo seu pulmão, ou seja, não está trocando todo o ar.

Experimente agora, coloque sua mão em cima do umbigo e apenas respire. Sua mão mexe?

Agora respira com a intenção de mexer sua mão. Inspira, expira. Fez diferença?

Essa é a respiração abdominal. E esse é um bom exercício para fazer de vez em quando. Você pode colocar uma almofadinha na barriga, ou um travesseiro, quando estiver deitado, e respirar com a intenção de mexer com ele.

Inspirar é importante, mas expirar soltando todo ar velho é mais importante ainda. Então sopre o ar para fora tentando encostar o umbigo lá na coluna.

Você pode exercitar a respiração contando tempo, contando, por exemplo, até 4. Enche de ar contando até 4, segura cheio contando até 4, solta contando até 4. Cinco minutinhos por dia praticando a respiração abdominal e consciente, vai fazer maravilhas pelo seu cérebro.

Voltando ao corpo. Você, ou alguém que você conhece, já precisou imobilizar algum segmento do corpo, uma perna, um braço? Sim? E o que acontece quando depois de uns quinze dias, tira a imobilização? Por exemplo, quinze dias com a perna engessada. Quando tira o gesso, a perna está mais fina que a outra, não é? Chamamos isso de atrofia por desuso. Voltando a movimentar, o tônus muscular se normaliza nessa perna.

E com o cérebro, o que provoca nele a “atrofia por desuso”? A rotina. A rotina facilita a vida, já fazemos tudo no automático, por hábito, e nem pensamos mais no que estamos rotineiramente fazendo. É muito positiva para as crianças, lhes dá segurança e tranquilidade. Nos adultos a rotina evita a multiplicação de decisões a serem tomadas. Se por um lado isso é desejável, por outro, o excesso de rotina, esconde o efeito perverso de limitar o cérebro. Entra num processo de desuso, perde flexibilidade, atrapalha a cognição, ou seja, a capacidade de assimilar conhecimento.

Chico Buarque até fez uma música falando disso: todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as seis horas da manhã... e segue.

A gente também faz tudo sempre igual. Acorda, faz a higiene, se arruma, dá bom dia em todos os grupos do WhatsApp, toma café, e os mais animados, saem para uma caminhada antes de ir trabalhar. Não é assim seu início de dia, com pequenas variações? Pois é, essa rotina automática provoca a atrofia por desuso do seu cérebro. É preciso exercitar.

Da mesma maneira que a atividade física que solicite mais grupos musculares é a mais benéfica para o corpo, os exercícios neuróbicos que utilizem mais sentidos e habilidades, são os melhores para o cérebro.

Ou seja, exercitar tato, olfato, paladar, audição e visão é ótimo. Acrescentar aspectos emocionais e sociais aos exercícios, é melhor ainda.

Aqui cabe um parêntese. (Um dos possíveis efeitos colaterais da quimioterapia é o déficit cognitivo. A concentração, a atenção, a aprendizagem, ficam prejudicadas. Fica uma sensação da cabeça não estar funcionado bem. Nesses casos, os exercícios neuróbicos também ajudam.)

Falei, falei, falei, e não apresentei nenhum exercício. Então vamos praticar, usando alguma coisa que seja do dia a dia. Por favor, fale em voz alta os nomes dos dias da semana começando por segunda-feira.

Você fez algum esforço para lembrar dessa sequência? Imagino que não. Os dias da semana já estão incorporados na rotina, já é um hábito. Então vamos sair do hábito. Por favor, fale em voz alta os dias da semana em ordem alfabética.

Deu um pouco mais de trabalho, não é? Esse esforço que você fez nesse exercício, é muito estimulante para o seu cérebro. Esse é um exemplo de exercício neuróbico. Aliás, qualquer coisa que você fizer que saia do automático, ou da rotina, pode ser considerado um exercício neuróbico.

Você não precisa de nada muito especial para praticar neuróbica. Por exemplo, quem usa relógio de pulso, ou mouse no computador, se colocar num braço diferente do que está acostumado, já estará fazendo neuróbica. É claro que quebra-cabeças, palavras cruzadas, aprender alguma coisa nova, fazem muito bem para o cérebro. Mas no seu dia-a-dia você também pode fazer neuróbica.

Vamos pensar juntos. Se todos os dias você senta no mesmo lugar para fazer as refeições, se mudar de lugar, você já estará se exercitando. Ao mudar de lugar, você estará oferecendo ao seu cérebro, estímulos de som e luz diferentes do seu dia-a-dia.

Também pode se exercitar ao tomar banho. A caminho do chuveiro, feche os olhos, localize a torneira e regule a quantidade de água. Depois, ainda de olhos fechados, sem ver nada, diferencie o xampu do condicionador pelo cheiro. Passe o sabonete no seu corpo prestando atenção as suas sensações. E ainda de olhos fechados, enxugue-se e vista a roupa utilizando somente o seu instinto. Nem precisa fazer tudo de uma vez. Pode um dia tomar banho de olhos fechados, e num outro dia, se vestir de olhos fechados.

Ao longo do dia, você pode criar várias situações para estimular seus sentidos. A vida diária é mesmo a academia ideal para a aeróbica da massa cinzenta. Os exercícios obrigam o cérebro a reagir a novidade, ao desafio, fazendo que a atividade neural aumente, melhorando a saúde geral do cérebro. Tudo de bom.

Vou escrever algumas atividades para lhe inspirar a criar as suas, ou a se exercitar com minhas sugestões de exercícios neuróbicos:

Ao acordar
Movimente suas articulações antes de sair da cama;
Espreguice-se;
Ouça música;
Escove os dentes de olhos fechados; ou escove com a mão contrária da de costume;
ou pinte seu rosto sem auxílio do espelho;
Coma sua refeição observando a diferença nas texturas.

Ao longo do dia
Mude o caminho para ir para o trabalho;
Faça uma caminhada, pelo menos 30 minutos, observando diferenças nos pisos, na luz, nos sons. Ou ande pela casa de trás para frente;
Tente ver as horas num espelho;

Faça fotografias;
Veja fotos de cabeça para baixo.

Depois do trabalho
Tome um banho com óleos perfumados;
Perceba a textura da toalha ao se enxugar.

Na hora do jantar
Faça um lanche leve e de olhos fechados tente identificar o nome dos alimentos, e diferenciar os sabores azedo, picante, doce, salgado e amargo;
Procure participar da preparação do seu alimento, cortando, cozinhando, misturando, etc.

À noite
Faça massagens nos pés, pode usar bolinhas de gude, massageador elétrico ou suas próprias mãos.

No seu tempo livre
Beba água com gás, concentrando-se nas bolinhas na boca;
Estimule o paladar comendo coisas diferentes;
Explore os vários cheiros;
Busque uma atividade tátil: argila, pintura, escultura, castelos de areia, massinha, colagem com grãos e sementes, bordados, costuras, tecelagem, etc;
Diferencie as diversas texturas do seu dia: sabonete, creme de barbear, massas de biscoito, de pão, etc;
Dê um passeio concentrando-se nos vários sons;
Entre em contato com a natureza, na rua em parque ou jardim, ou em casa com vasos ou hortinha caseira;
Pratique um hobby.

Reparou que não tem nada impossível de fazer? Se você se comprometer a pelo menos uma vez por semana, fazer alguma coisa diferente, ou um exercício neuróbico, em pouco tempo perceberá melhoras na atenção, concentração, memória e aprendizagem.

Espero que você escolha manter seu cérebro saudável.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Ignorância e Preconceito

Érima de Andrade

Preconceito é um conceito pré, ou seja, um conceito antes.
Um conceito formado antes de você se informar sobre todas as alternativas possíveis nessa situação que seu preconceito condena.

A primeira informação que seu preconceito dá sobre você, é que você é ignorante.
Você ignora informações úteis para perceber que, mesmo que não seja como você, o outro também está certo.

Se você se perceber preconceituoso, em qualquer situação que seu preconceito aparecer, faça esse exercício de se perguntar se
o outro está mesmo errado, ou apenas pensando, ou fazendo, diferente de como você pensa ou faz? E se abra para a resposta. Ela pode surpreender.

A informação cura o preconceito. Contra qualquer tipo de preconceito,
é a informação que vai lhe salvar desse labirinto de ideias e crenças limitantes, rígidas e ultrapassadas.

Informe-se e olhe, com abertura, para o outro lado da sua opinião. Você vai confirmar que mesmo diferente de você, o outro também pode estar certo.

Quanto mais você acreditar no que ouviu na infância, mesmo com a melhor das intenções dos seus pais, professores, ou outros adultos que conviviam com você, ou até mesmo no que falavam outras crianças, mais preconceitos você terá.

É claro que é para respeitar e honrar a maneira que seus pais escolheram para lhe educar. Com certeza eles fizeram o melhor que puderam. Mas já está na hora de você pensar se as ideias que carrega são de fato suas, ou se você aprendeu e cristalizou como verdade absoluta.

Antes de dar força para o seu preconceito, coloque-o sobre uma nova ótica, sobre o olhar informado que você adquiriu na vida adulta, e confirme se o que você ouviu a infância toda, é de fato uma verdade.

Lembrei de uma história fofa contada por um dos meus professores de física. A mãe dele o estimulava a pensar, mostrava, por exemplo, como uma batata amolecia quando cozinhava. Ela de fato foi muito responsável pela escolha profissional que ele fez. Mas ela não tinha estudo, e tirava conclusões com a informação que tinha. Ele lembra, com carinho, da mãe mostrando para ele que o calor estava tão intenso, que até o copo com gelo suava. Ela velhinha, continuava a mostrar o copo suando de calor. Por respeito, por ternura, por amor, ele nunca a corrigiu.

Vale perguntar, seria possível se formar, e se tornar professor de física, sem se abrir aos outros olhares aprendidos com os estudos? O que você acha, seria possível? Uma história simples, fofa, mas espero que tenha lhe ajudado a perceber como uma informação errada ouvida repetidas vezes na infância, pode limitar o seu universo. O dele, ele permitiu que se ampliasse.

Lembrei de outra história, dessa vez uma criança criando caraminholas na cabeça de outra criança. Um irmão, avisou a sua irmã, para que ela estivesse prevenida, que a feijoada era feita com pedaços de porco. Ela deveria tomar muito cuidado, pois o que ela pensava que era um grão de feijão, podia muito bem ser o olho do porco. Já adulta, quando viu a preparação de uma feijoada desde o momento que os ingredientes foram separados (e só viu porque não tinha como fugir), ela se deu conta que o irmão andou brincando com ela. Foi a primeira vez que comeu uma feijoada completa, e adorou.

Ela entendeu que o irmão brincava de assustá-la, e que por muito tempo funcionou. É um mecanismo parecido a esse que formou seu preconceito. Para lhe afastar, alguém com medo e raiva do que era diferente dele, se esforçou para lhe assustar. Queria que você se afastasse daquilo que tanto o assustava, sem nem ao menos lhe dar a chance de conhecer e tirar suas próprias conclusões.

E como usam o Diabo para esse papel de criador de preconceitos. Frases do tipo, aquela religião é do Diabo; se veste assim porque tem parte com o Diabo; namora alguém do mesmo sexo, com certeza está possuído pelo Diabo; e seguem nessa triste trilha de criar preconceitos, separações, ignorância e desinformação, são, infelizmente, ainda muito ouvidas. E o Diabo nem tem nada a ver com isso.

Sim, estou pegando leve nos exemplos. Não preciso falar dos preconceitos horrorosos que sabemos que existem no dia a dia de muitas pessoas. Se foi para lhe assustar, brincar com você, ou lhe educar que sua mãe disse “não brinca lá fora, um velho pode passar e te colocar no saco”, tanto faz. Se você acredita até hoje que idosos devem ser temidos, você tem sim preconceito.

Se qualquer escolha que você fez, de time, religião, atividade física, profissão, lhe fez acreditar que a sua é a única escolha certa, você tem sim preconceito.

Se você critica quem come coisas diferentes das que você come, quem se veste diferente de você, quem tem uma cultura que não é a sua, sim, você é preconceituoso.

Se você discrimina, incentiva separações do tipo “ou do meu jeito, ou não tem conversa”, aplaude atitudes preconceituosas, você está doente, sofrendo de preconceito e ignorância. Tem cura. A informação pode lhe salvar.

Mas não adianta só dar uma lida num texto e pedir desculpas. Você precisa pensar a respeito e modificar suas atitudes. Só mudando você deixa de ser preconceituoso.

Preconceito é só isso, um conceito concluído antes de conhecer todos as possibilidades. Preconceitos começam sempre pela ignorância daquele que não tem conhecimento suficiente. Preconceitos generalizam, colocam num mesmo rótulo, um grupo enorme de pessoas a partir de um único exemplo. É uma forma de criticar os outros, no automático, sem conhecimento prévio.

Preconceito é uma crítica a maneira de ser e agir de outras pessoas, por pura ignorância. Por medo do que não conhecem, preconceituosos colocam defeitos, menosprezam, afastam e perdem a oportunidade de aprender com esse novo universo que se abre a sua frente. Fuja disso.

Preconceito é só a sua ignorância lhe fazendo agir no automático. Mude essa história.

(desconheço a autoria da ilustração)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Do Lado de Cá

Érima de Andrade

Ok, vou assumir, as músicas estão mesmo chamando minha atenção.
Se você não me conhece vou lhe contar que não sou uma pessoa que se liga em música. Passo dias sem ouvir nenhuma e não sinto falta. Mas, das mais diversas formas, as músicas estão chamando a minha atenção nesse início de ano.

Você sabe, o Facebook tem essas gracinhas de nos lembrar posts de anos atrás. E foi numa lembrança dessas que essa música apareceu, “Do lado de cá”, e me inspirou.

Vamos falar sobre o lado de cá.
Do lado de cá estou considerando que é do seu lado, do seu lado de dentro, onde você tem espaço para ser feliz. Do lado de cá está o seu paraíso particular de felicidade, tranquilidade, amores. Dentro de você estão as lembranças dos momentos felizes, estão suas vitórias, estão seus sonhos. É o lugar ideal para estar quando, do lado de lá, a vida não está andando muito bem. Para os dias sem cor, para dias sem sol, vem para o lado de cá e se realimente na certeza de que tudo passa, até as suas dificuldades.

Vez em quando atendo no consultório pessoas absolutamente estressadas. Uma grande parcela dessas pessoas é composta de bonzinhos e boazinhas.
São pessoas que dizem sim para tudo e todo mundo. E, não se dão conta, que tanto sim para fora é, muitas vezes, muito não para dentro. Tanto sim para o lado de lá, é muito não para o lado de cá. E se não dão conta dos tantos sim que deram, se estressam e se culpam por não conseguirem fazer seja lá o que foi pedido.

Ao dizer sim indiscriminadamente para todos, você está dizendo não para você.
Sim, é uma escolha, e nesse caso você está escolhendo o não para você. Não para suas prioridades, para seu tempo, para suas preferências. Você tem que ser prioridade na sua vida. Se não for na sua, não será prioridade em vida nenhuma. É esse o seu desejo, nunca ser prioridade?

Pessoas boazinhas tem em comum o medo de desagradar. E
se desagradam para agradar os outros. E se estressam. É uma carga pesada demais.

O não é um limite. O não informa: até aqui você pode, daqui para frente não pode mais. Dizendo não para fora, para coisas que impedem as suas escolhas, você está dizendo sim para dentro, sim para você.
Claro que isso não significa parar de ajudar, apenas você se vai limitar ao que é possível fazer em vez de querer abraçar o mundo, ou dar um passo maior que a perna, receita certa para um tombo.

Impor limites é um atestado de individualidade.
É deixar claro que seus sentimentos e suas necessidades são mais importantes na sua vida do que os outros. Impor limites é não extrapolar a sua resistência, seu tempo, sua saúde, seus sentimentos, suas habilidades, potências e necessidades.

Estar sempre à disposição dos outros, deixando-se explorar e concordando com tudo, não é generosidade, é falta de limites.
Sabe os procedimentos de emergência que você aprende nas viagens de avião, primeiro você e depois ajuda quem estiver do lado? Pois é, valem para tudo na vida.

Primeiro cuida de você, pois você só dá o que possui.
Para ser bonzinho, honesto e verdadeiro com o outro, você precisa ter a bondade em você, precisa ser verdadeiro com você, precisa se tratar bem, se priorizar, se respeitar, em relação a tempo, preferências, escolhas, prioridades e compromissos.

E claro também, que
dar limites, que dizer não, não significa ser grosseiro. Não é para puxar uma briga, é apenas explicar que você não dá conta de tudo, e que precisa focar no que depende só de você. E no tempo restante, pode dar uma força a quem lhe pede ajuda.

Pode seguir sendo uma pessoa boazinha, mas sendo primeiro boazinha com você. Você vai trazer a bondade para o lado de cá em primeiro lugar, para você, para dentro de você.
E uma vez alimentada a bondade em você, ela expande, transborda e você será boazinha com o outro sem esforço, sem sofrimento, sem estresse.

Como foi uma música que me inspirou, que tal cantar com o Chimarruts pensando o lado de cá sendo seu coração? Aqui tem alegria, aqui tem música, aqui dá para ser feliz, diz a letra. Vamos cantar por você, por quem você é, e por quem você quer se tornar. Vamos cantando para o seu lado de cá.




“Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
E o tempo tic-taca devagar
Põe o teu melhor vestido
Brilha teu sorriso
Vem pra cá

Vem pra cá

Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
E tudo não parece funcionar
Deixa esse problema à toa
Pra ficar na boa
Vem pra cá


Do lado de cá
A vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá
Eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá
Tem música, amigos
E alguém para amar

Do lado de cá
Do lado de cá

Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
E o tempo tic-taca devagar
Põe o teu melhor vestido
Brilha teu sorriso
Vem pra cá
Vem pra cá

Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
E tudo não parece funcionar
Deixa esse problema à toa
Pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá
A vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá
Eu vivo tranquila

E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá
Tem música, amigos
E alguém pra amar
Do lado de cá

A vida é agora
Vê se não demora
Pra recomeçar

É só ter vontade
De felicidade
Pra pular

Do lado de cá
A vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá
Eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar

Do lado de cá
Tem música, amigos
E alguém pra amar
Do lado de cá
Do lado de cá
Do lado de cá"

domingo, 29 de janeiro de 2017

Tente outra vez

Érima de Andrade

Em tempos de incertezas no trabalho, nos estudos, em casa, com tantas contas atrasadas, com tanto desemprego, tanta decepção,
é sempre bom lembrar dos poetas que cantavam nos lembrando que a mudança depende de nós. Raul Seixas era um dos que nos estimulava, cantando, a tentar de novo.

Dizia ele: “tenha fé em Deus, tenha fé na vida”, e também “você é capaz de sacudir o mundo”. E é verdade,
você pode sacudir seu mundo e mudar tudo, tente outra vez, depende de você.

Se não souber por onde começar para tentar novamente,
sugiro que comece sua mudança criando metas para você. Mas não adianta criar qualquer meta. Criar metas de qualquer jeito é bem fácil. Mas aqui, estou propondo que crie uma meta possível e, após criada, que você se comprometa com ela.

Para dar certo, você precisa criar uma meta que seja relevante, atingível e mensurável.
Não se iluda, se não for relevante para você, se não puder medir suas conquistas ao longo do caminho, se não colocar um tempo para atingir sua meta, se a deixar para quando for “possível”, você dificilmente irá atingi-la.

Uma paciente minha se propôs a parar de fumar. É uma super meta.
Pedi que pensasse e escolhesse o dia que fumaria seu último cigarro, e que passos daria para chegar nesse dia e ser capaz de parar. Meio sem pensar, me respondeu que pararia no aniversário, dali a sete meses, e que não faria nada de especial além de jogar fora qualquer maço de cigarro que sobre no dia seguinte. Então...

O cigarro é um hábito e também um vício que causa dependência. Depois de um tempo o corpo sente a falta da nicotina. Muitos programas orientam fumantes, ensinam como diminuir. Muitos profissionais de saúde ajudam medicando contra ansiedade. Muitos pessoas dão dicas de como passar essa fase.
Não dá para ignorar tanta informação. Se quiser atingir a meta parar de fumar, no mínimo você vai precisar pesquisar como fazer isso a partir de histórias de sucesso. E têm muitas disponíveis na internet.

Depois da nossa conversa, essa paciente optou por ir numa pneumologista pedir ajuda.
Saiu de lá com muitas orientações e uma receita. Nunca comprou o remédio, nunca mais falou do assunto, nunca voltou na pneumo. Ela não estava pronta para esse compromisso, mesmo que verbalmente dissesse que queria parar de fumar. Só da boca para fora não funciona, por melhor que seja sua intenção.

É melhor, se quiser, de fato, atingir uma meta, que ela seja uma meta que faz sentido para você, que seja um desejo seu, que seja uma meta que você vai ter prazer de se comprometer e cumprir.

Um bom caminho para atingir metas, é treinar sua disciplina. E não precisa ser algo que esteja diretamente relacionado a sua meta. Você pode treinar disciplina com alguma coisa que ajude na sua vida de forma geral. Você pode, por exemplo, criar um hábito bom que seja estimulador de mudanças de vida.

E muitas coisas podem se tornar hábitos positivos. Pode ser acordar todos os dias no mesmo horário, e levantar da cama, mesmo nos fins de semana. Pode ser beber água em jejum. Pode ser caminhar ao menos 15 minutos por dia. Pode ser meditar todos os dias. A proposta é se impor uma austeridade e qualquer uma dessas sugestões é boa.

Se você nunca leu essa palavra, austeridade, explico que não está relacionada à severidade ou rispidez. Austeridade tem a ver com disciplina, inteireza e retidão de caráter. A austeridade ideal está necessariamente ligada a aceitação voluntária de inconveniências em prol de algum objetivo superior de vida. Se você é totalmente sedentário, até entrar no ritmo, uma caminhada diária de quinze minutos, é sim uma inconveniência que você precisará aceitar.

Esses exercícios de disciplina desenvolvem a confiança de ser capaz de atingir qualquer meta. E com confiança tudo fica melhor, até a busca por uma nova colocação no mercado de trabalho. O que você se propõe a fazer? O que não fazia antes, e que sabe que manterá como compromisso? Que hábito saudável você quer conquistar?

Para algumas pessoas, até se propor a arrumar a cama sempre que levantar, pode ser uma grande mudança. Para outras retirar um alimento que gosta, mas que não lhe faz bem, pode ser uma boa meta. Ou ainda, pode ser útil colocar como meta limitar o tempo nas redes sociais. Nesses casos exercitar a disciplina não requer nenhum preparo especial, além da sua atenção. Mas, se seu exercício de disciplina for algo como andar quinze minutos todos os dias, você vai precisar se preparar. No mínimo, vai precisar ver se tem em casa um calçado adequado a essa tarefa.

Se propor a andar todos os dias e sair para caminhar com um chinelo de dedo, é uma enorme auto sabotagem. Fique atento, se sabotar ao começar alguma austeridade é bem fácil. Por isso atenção as suas metas, as suas escolhas, aos seus objetivos, e aos cuidados necessários para mantê-los. São eles que proporcionarão a mudança que você quer para sua vida.

Você pode e você consegue, mas não será fazendo de qualquer maneira. E nem será se lamentando por não conseguir logo de cara. Adquirir um hábito, mesmo os positivos, dá trabalho. Mas parar na lamentação quando surgir alguma dificuldade, não vai lhe ajudar em nada.

A lamentação é o mal do nosso tempo, e o antídoto para ela é cantar qualquer música, ou mantra, que eleve sua energia. Lembra: "quem canta os males espanta"? Pois é. Você já viveu isso? Se sentir motivado quando começou a tocar uma música que você gosta, e que até cantou junto? Funciona. Se você ainda não teve essa experiência, vai se surpreender, funciona mesmo. E pode até ser essa música do Raul Seixas, Tente outra vez. Conhece? Bora cantar junto? 


"Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar, não não não não
Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez"


ps: o ano mal começou e já coloquei duas músicas no blog... será essa a mudança desse ano? Acho que não... foi só coincidência
J.


domingo, 22 de janeiro de 2017

Hobby e Hobbies

Érima de Andrade

Férias são a melhor época do ano para cultivar seus hobbies, ou para descobrir novos, seus ou das pessoas que convivem com você. Hobby é uma palavra inglesa que significa passatempo; hobbies é o plural de hobby. Mas não é qualquer coisa que faça o tempo passar que é um hobby. Para ser um hobby é preciso ter prazer no que está fazendo. O prazer é a essência dos hobbies.

O objetivo do hobby é relaxar o praticante. Raramente é uma ocupação em tempo integral, e mais raramente ainda é a fonte de renda principal, mas pode, e muitas vezes é, uma fonte de renda.

A proposta de ter um hobby é basicamente quebrar a monotonia da sua rotina de trabalho e com isso aliviar qualquer estresse. Todos os profissionais de saúde concordam que ter um hobby aumenta a qualidade de vida, equilibra e preserva as saúdes física e emocional.

O tempo que nos dedicamos a um hobby, é um tempo que escolhemos para nós mesmos, sem ter o objetivo de ganhar dinheiro ou de cumprir uma ocupação. Um hobby é um momento de liberdade sem a pressão de um resultado. É o seu momento você com você, fazendo o que realmente gosta em contato com suas preferências.

Um hobby pode ser uma atividade física, ou intelectual, praticada com constância e dedicação, que instiga, traz alegria, permite exercitar competências, desenvolver habilidades, talentos, criatividade e disciplina, e descobrir potenciais que não cabem na profissão que você escolheu. A única coisa que realmente é importante quando você escolhe um hobby, é que você goste do que está fazendo.

Ter um hobby nos traz muitos benefícios, entre eles: permite desconectar das atividades estressantes; aumenta a motivação para resolução de problemas; é um excelente antídoto contra depressão e ansiedade; mantem ativa uma área de funcionamento da sua personalidade que não é usada no seu trabalho principal.

Tudo pode ser um hobby, e claro que nem todo mundo gosta das mesmas coisas. Há os que preferem desafios mentais, como jogar xadrez ou vídeo game. Há os que escolhem algum esporte, radical ou não. Há os que gostam de praticar seus hobbies acompanhados, como dançar, cantar, ou participar de um rally. Há os colecionadores, e os que tem por hobby ir a shows, teatros, assistir filmes, novelas, seriados, ou ler um bom livro.

Tem o grupo que gosta das habilidades manuais como pintar, cozinhar, desenhar, moldar, tecer, bordar, costurar, e qualquer outra atividade prazerosa que use as mãos, inclusive limpar o carro. Têm os que gostam dos detalhes e procuram quebra-cabeças, jogos de estratégias, aeromodelismo, e outras atividades que valorizem seu lado minucioso.

Têm os que escolhem hobbies que permitem conhecer pessoas diferentes, seja fazendo cursos de curta duração, ou viagens, ou participando de um clube de leitura, ou qualquer outra coisa que permita estimulantes contatos sociais.

Algumas pessoas têm por hobby ser útil, ajudar, aconselhar, e atuam fazendo algum trabalho social no seu tempo livre. Podem também escolher por hobby fazer visitas a doentes, ou a pessoas necessitadas. E é uma delícia receber um abraço, um sorriso, um carinho naqueles momentos que você está mais debilitado.

Outras pessoas gostam de dividir o que sabem, ou oferecendo cursos, ou postando na internet vídeos didáticos sobre os assuntos de seu interesse. Ou ainda escrevendo um blog com conteúdo que acreditam que vai fazer diferença na vida de quem lê(espero estar atingindo esse objetivo).

Seu hobby preferido pode ser construir, fazer reformas, pequenos reparos em casa, ou reparos mecânicos, que tem em comum o uso de ferramentas especiais com habilidade.

Pode ser ainda que você não tenha um hobby, ou que tenha, mas que deseje aproveitar fins de semanas, ou feriados, ou férias, para viver experiências novas, aprender coisas diferentes, e ter mais opções quando quiser se divertir. Abra-se para novos interesses sem preconceitos, e escolha experimentar alguma coisa que você nem imagina se vai lhe agradar. Só dá para descobrir o que gosta de fazer, fazendo. Então, sempre que possível, esteja aberto a novas experiências.

Segue uma lista de possíveis hobbies simples, para lhe inspirar, além de todos aqueles usados no texto, que você pode praticar no seu dia a dia, ou num fim de semana:

Andar de patins, e/ou bicicleta, e/ou skate;
Praticar yoga e/ou meditação;
Fazer uma horta e/ou jardinagem;
Passear aproveitando o que tem perto da sua casa;
Fotografar paisagens e/ou pássaros;
Decorar ambientes, cantinhos ou coisinhas;
Degustar novos sabores de bebidas e comidas;
Soltar sua imaginação fazendo artesanato – velas, imãs, sabonetes, cadernos, etc;
Customizar o que der vontade, roupas, objetos, acessórios;
Assistir ao pôr e/ou o nascer do sol;
Cuidar de animais;
Estudar astronomia, história e qualquer outra coisa que desperte seu interesse;
Tocar um instrumento;
Descobrir novas músicas e bandas;
Pescar;
Caminhar;
Nadar.

As opções são infinitas e você cultiva um bom hábito de manejo de estresse, lazer, prazer e repouso. Um livro da Adélia Prado me apresentou ao verbo desafadigar. É isso, desafadiguemo-nos com nossos hobbies.

Que sua escolha seja uma boa escolha.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Ombro Amigo

Érima de Andrade

Chamamos de ombro amigo aquele ombro que se oferece para estar ao seu lado num momento de forte emoção.
Quantas vezes você precisou de um ombro amigo? Quantas vezes você disponibilizou seu ombro amigo?

Lutar sozinho cansa muito, comemorar sozinho deixa um vazio, mas se você tiver um amigo para dividir esses momentos, a vida fica bem mais fácil.
Esse é o ombro amigo, alguém que lhe diz: venha sentar ao meu lado, podemos conversar. Do que você precisa? Conte comigo, eu estou aqui para o que você precisar.

Tudo o que todo mundo quer é um ombro confiável. Você tem um ombro amigo? Você consegue se abrir com alguém?
Tem alguém que diga: confie em mim, e que você acredita? E você já disse, confie em mim, e as pessoas puderam confiar?

Como faz falta na vida uma palavra amiga, um olhar de compaixão, um ombro que respeite defeitos e qualidades, que compreenda quando você dividir dores, dificuldades, alegrias e vitórias.
Porque não é só para desabafar que precisamos de um ombro amigo. Alguém que nos dê a mão quando estamos tristes é ótimo, mas alguém que vibre com nossas conquistas também é maravilhoso.

Ter alguém que ajude a superar um período difícil é muito bom. Mas ser o ombro amigo de alguém também é.
Ombro amigo é sempre uma relação de união e amizade. Não importa de que lado você esteja, seja você o apoiado, seja você quem apoia, de qualquer lado, é uma relação que vale a pena.

Um colo, um abraço, uma mão que nos segure quando tudo em volta parece desmoronar.
Um mimo, uma prece, um pensamento de paz, amor, carinho, para aqueles momentos que nos sentimos incapazes de encontrar a alegria. Um consolo, um apoio, um espaço para pensar, até em voz alta, sobre as dúvidas, os caminhos, as soluções. Uma parada, um respiro, um descanso, para reequilibrar a alma, acalmar o corpo e entender a emoção que estamos vivendo.

Às vezes, tudo o que precisamos é de alguém que nos mostre o caminho, principalmente quando o amor próprio parece estar cada vez mais distante de onde estamos.
É isso que faz o ombro amigo, nos lembra que somos alguém que merece amar e ser amado.

Existem dias frios e noites longas. Existem carências, incertezas e solidão. Existem deslizes, dúvidas e medos. Existem aprendizados, conquistas e vitórias.
Existem superações, recomeços e força para compreender que as coisas dão certo porque você se movimenta para isso. E em todos esses momentos, ter um ombro amigo, ou ser o ombro amigo, é especial. Um ombro amigo ajuda muito em todas essas ocasiões.

Não precisa fazer muito, basta simplesmente estar aí, aberto para quem precisa.
E estar aí pode ser até por Skype, porque temos essas ferramentas ótimas que nos permitem estar junto para rir, chorar, desabafar, comemorar, mesmo estando fisicamente longe. E não precisa muito para fazer um gesto de carinho. Estar onde você estiver, mentalizando coisas boas para seu amigo, pode ser o suficiente para fazê-lo levantar a cabeça e seguir em frente.

Ombro amigo pode até ser em silêncio, direcionando uma prece, um pensamento bom, uma energia restauradora, um desejo sincero que o outro fique bem, que apesar de toda dificuldade que a vida possa apresentar,
que tenha paz e sabedoria para resolver a parte que lhe cabe. É só isso que precisamos fazer, resolver a parte que depende só de nós.

Ombro amigo é basicamente simplicidade. É estar aberto para compreender e respeitar defeitos e qualidades. É o porto seguro que todos precisamos para lidar com nossos sentimentos mais intensos.
É se sentir aceito, e acolhido, em imensa luz, plena paz e infinito amor. Tudo de bom.

Que em sua vida você tenha, e seja, o ombro amigo. Que você compartilhe, com suas pessoas queridas, a alegria de viver, de estar junto, de confiar e compreender. Que seu coração siga leve, quentinho e pacificado. Que você encontre o seu caminho e seu lugar no mundo. Que você seja feliz.

Falar de ombro amigo me faz lembrar do seriado Friends, e da música tema que diz assim, numa tradução livre:

“Então ninguém te disse que a vida ia ser assim?
Seu emprego é uma piada, você sem dinheiro, sua vida amorosa parada,
É como se você estivesse caminhando lentamente.
Mas mesmo quando não tiver sido seu dia, sua semana, seu mês ou até mesmo o seu ano,
Eu estarei ao seu lado.

Quando as coisas piorarem,
Eu estarei ao seu lado.

Você sabe, eu estarei ao seu lado
Quando a chuva começar a cair.
Eu estarei ao seu lado
Como já estive antes.
Eu estarei ao seu lado
Porque sei que você também está comigo.


Conhece a música tema do seriado Friends, I'll be there for you, cantada e composta por The Rembrandts? Bora cantar junto?



"So no one told you life was gonna be this way
Your job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month
Or even your year, but

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)


You're still in bed at ten, and work began at eight

You burned your breakfast so far, things are going great
Your mother warned you there'd be days like these
But she didn't tell you when the world has brought
You down to your knees that

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)

No one could ever know me, no one could ever seem me
Seems you're the only one who knows, what it's like to be me
Someone to face the day with, make it through all the mess with
Someone I always laugh with, even at my worst
I'm best with you, yeah

It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month
Or even your year

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)
I'll be there for you
I'll be there for you
I'll be there for you
'Cause you're there for me too"

E se você precisar de um ombro amigo, eu tenho dois à sua disposição.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sendo uma fraude

Érima de Andrade

Você conhece alguém que se mostra sempre feliz, sempre bem resolvido, sempre adequado nas suas tarefas? E esse alguém vive algum desconforto quando recebe um elogio? Do tipo “se me conhecesse de verdade não diria isso de mim”?

É dessa fraude que estou falando no post de hoje.
Tentar agradar a todos é uma estratégia antiga para se sentir aceito, amado e pertencendo. Mas cobra um preço alto demais. Será que vale mesmo a pena tentar ser quem você imagina que se sairia melhor nos relacionamentos? Se você não consegue ser você, você consegue confiar que se relaciona com alguém que está sendo autêntico?

Olha que ciclo vicioso, de pior para pior ainda, a pessoa se mete quando tenta agradar todo mundo. Um desgaste emocional sem tamanho... vale a pena?

Talvez tenha acontecido assim com você, ou com alguém que você conhece, um dia acordou triste e não quis preocupar ninguém. Se sentiu vitorioso com a estratégia, ninguém notou. Chegou a comemorar um pouco. Achou que seria um bom caminho e passou a “estar sempre bem” e a fazer a “coisa certa”. Ou seja, a agir da maneira que você acha que agrada mais aos outros, da maneira que você imagina que os outros acham que é o certo a fazer. Hum... armadilha à vista.

Disfarça uma coisinha aqui, evita uma outra ali, e você chega ao ponto de não tomar mais consciência no que, de fato, você está sentindo. E se não sabe o que sente, não pode agir de acordo. Simples assim.

Como você não tem mais como acessar esse mal-estar inicial, ele está super bem escondido, você nem lembra onde tudo começou, a tendência é fermentar e crescer cada vez mais. Para dar conta desse crescimento, você vai criando mais e mais barreiras tentando calar as emoções rejeitadas, que agora já são muitas, pois algo em você já tem certeza que elas não são adequadas.

E você se torna aquele que vive fingindo para ver se a alma se adapta. Sua alegria não tem mais brilho, sua tristeza você não percebe, e todas as suas forças estão voltadas para enganar a sua própria consciência. E nesse ponto chega alguém e lhe elogia. Você pensa: se soubesse mesmo como eu sou...

Inevitável não se sentir uma fraude. Você sabe que não é como aparenta, mas também sabe que não sabe mais como você de fato é.

A saída dessa armadilha é cultivar seu amor–próprio, gostar de você, se respeitar. Só dá para amar o que você aceita, só dá para aceitar o que você conhece. Sim, a saída é mesmo o autoconhecimento. E pode começar com a auto-observação, com a intenção de tomar contato com o que sente, desde o momento que se prepara para levantar e começar o dia. É esse diálogo interior que precisa ser estimulado. É daí que vai surgir o verdadeiro você.

E nesse caminho, você precisa abrir mão de crenças e preconceitos do tipo: se eu não agir assim, ninguém vai me amar; se eu mostrar o que sinto, serei abandonado; se eu não for perfeito não poderei fazer parte. E todos os outros nessa sintonia. Abrir mão dos preconceitos e crenças significa olhar sem distorções o que lhe acontece a cada momento. 


Comece ficando um pouco em silêncio, fazendo contato com emoções e pensamentos. Se percebendo, se respeitando, você será capaz de, aos poucos, expandir o exercício para todos os momentos do seu dia. A única maneira de se sentir bem, é respeitando o que você sente, sem fingir, sem fugir, estando ou não triste, mal-humorado, ou com qualquer outro mal-estar.

Para lhe ajudar, saiba que você é mais perfeito sendo do que tentando ser. E que mostrar o que sente lhe torna humano. Mas, é um fato, ninguém vai estar ao seu lado se usar o que sente para agredir os que estão por perto. Sentir nunca foi o problema, o que você faz com o que sente é que aproxima ou afasta as pessoas.

Tentar ser uma manga a vida toda, vai esconder todas as qualidades da maçã que você nasceu para ser. Faça o que você sabe, aja como acreditar ser a melhor maneira, assuma o que está sentindo. Ninguém espera de você algo que você não é.

Ah, e também você não precisa guardar isso para você. Mesmo antes de optar por uma terapia, ou um curso de autoconhecimento, você tem amigos e pode contar com eles.

Tem uma campanha muito boa acontecendo no Facebook, #janeirobranco de cuidados com a saúde mental, que tem a intenção de lhe lembrar que você não está só.

“Minha porta está sempre aberta a qualquer um dos meus amigos que precisem conversar. Sofrer em silêncio não é nenhuma demonstração de força. Eu tenho um vinho na geladeira... se não quiser vinho, tem um chá gelado (e café) ... tem suco de uva... tem uma comidinha caseira que vai ficar pronta logo (ou eu peço), logo na panela também. Tem alguns instrumentos musicais para quem quiser fazer barulho (por ora o violão tá no conserto), tem sempre um bom papo para conversar ou pode ter um livro que há tempos você pensava em ler. Se quiser, pode só ficar em silêncio também e sempre posso emprestar um ouvido amigo.
Vocês são sempre bem-vindos!!
Ah, pode ser por Skype também.
Será que algum amigo poderia copiar e re-postar? (não compartilhar). Estou tentando demonstrar que sempre haverá alguém para ouvi-lo.
#ConsciênciaDoSuicídio
#JaneiroBranco


E vale também o conselho da querida Paula Regina Del Cantão: “Não é possível fazer ou mudar tudo de uma vez,... então,... para não pirar,... vamos lembrar que PEQUENAS e CUIDADOSAS ESCOLHAS que fazemos todos os dias nos transformam na MELHOR VERSÃO DE NÓS MESMOS!!!”

É isso. E se precisar, eu estou aqui.