domingo, 16 de agosto de 2015

Cognição e quimioterapia

Érima de Andrade

Um dos possíveis efeitos da quimioterapia é o déficit cognitivo que se traduz em
:

- problemas de atenção,
- disfunção da memória verbal e de trabalho,
- dificuldade com a velocidade e o processamento da informação, incluindo tarefas mentais como atenção, raciocínio e memória,
- problemas com a compreensão ou entendimento,
- dificuldade com o julgamento,
- dificuldade em encontrar a palavra certa,
- dificuldade de lembrar de coisas, fatos, nomes,
- dificuldade de concentração,
- dificuldade com o aprendizado de coisas novas,
- dificuldade em gerir as atividades diárias.

Podem ocorrer também, como efeito da quimioterapia, mudanças comportamentais e emocionais, e confusão.
Se você ou alguém que você conhece está enfrentando esses sintomas, saiba que eles são mais comuns do que se pensa, e que é possível aprender a lidar com eles.

As queixas dos pacientes que passaram por quimioterapia, muitas vezes vêm acompanhadas de um sentimento descrito como “uma sensação da cabeça não estar funcionando bem”. Eles notam alterações em sua memória e nas habilidades de pensamento, mas não sabem como descrever as disfunções em várias funções cognitivas. Como eu passei por isso, posso afirmar que a “sensação da cabeça não estar funcionando bem” descreve muito bem essa fase.

As dificuldades que esses pacientes enfrentam podem variar em intensidade e podem tornar difícil a realização de atividades rotineiras. Como esses sintomas vão perdurar por um tempo após o fim do tratamento, é necessário aprender a lidar com eles, e isso envolve encontrar maneiras de desempenhar melhor as atividades da vida diária.

Explicando melhor, após o término das sessões de quimioterapia, o paciente continuará a sentir efeitos do remédio no seu corpo, como dormências nas extremidades e os déficits cognitivos. À medida que o corpo for eliminando o remédio, os sintomas vão desaparecendo. Praticar exercícios ajuda muito nessa etapa.

Até lá, o melhor mesmo é aprender a lidar com isso. Algumas dicas do que pode ser feito:

- Use lembretes e faça listas - leve um caderninho (ou agenda do celular ou de papel) com você e anote as coisas que você precisa fazer. Por exemplo, listas de coisas para comprar, listas de tarefas com as datas, horários e endereços, coisas para fazer, telefonemas para retornar, e até mesmo, questões mais práticas como horários de medicações e consultas. Lembre de riscar da lista os itens realizados.

- Faça um caderno de memórias – ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes. Faça como um diário onde você pode monitorar possíveis sintomas, efeitos colaterais que esteja sentindo, ou anotar perguntas a fazer o seu médico na próxima consulta.

- Use um calendário de parede - para algumas pessoas isso funciona melhor do que uma agenda ou um caderno de anotações, porque você pendura em um lugar que é fácil de ver. É importante pendurar onde você possa ver sempre, como na porta da geladeira ou no espelho do banheiro.

- Deixe uma mensagem em sua secretária eletrônica para se lembrar de algo importante - ligar para você mesmo e gravar o recado, pode ser uma boa solução se não tiver como anotar na hora alguma coisa importante. Ao ouvir o recado, lembre de anotar onde você poderá ler sempre que necessário.

- Organize o ambiente - manter as coisas em lugares familiares vai ajudar a lembrar onde as colocou. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.

- Evite distrações - trabalhar, ler e fazer suas tarefas em um ambiente organizado e pacífico pode ajudar a manter o foco por longos períodos de tempo.

- Tenha conversas em lugares calmos - isso minimiza distrações e permite que você se concentre melhor no que a outra pessoa está dizendo.

- Repita em voz alta as informações que ouvir e anote os pontos importantes - você pode falar enquanto escreve, assim estará acessando também a memória auditiva. E quanto mais estímulos cognitivos você tiver, melhor.

- Mantenha sua mente ativa - exercite seu cérebro com atividades mentais, como palavras cruzadas, quebra-cabeças, pintura, música ou ainda um novo hobby. Procure atividades que sejam prazerosas e ao mesmo tempo desafiem sua atenção, sua memória ou seu raciocínio, como palestras sobre assuntos que lhe interessam, shows, peças, exposições, conversas com amigos.

- Revise - verifique novamente as coisas que você escreve para se certificar de que você usou as palavras e ortografia corretas. O déficit de atenção pode se manifestar em letras e palavras que não são escritas. Ler em voz alta pode ajudar nessa revisão.

- Treine-se para se concentrar - costumamos fazer uma coisa enquanto pensamos sobre outra, o que aumenta as chances de esquecer algo importante. Concentre-se no que está fazendo para não perder objetos simples, como a chave. Além disso, você pode usar a dica anterior e dizer em voz alta para si mesmo: “Eu estou colocando as minhas chaves na minha cômoda.”

- Exercícios, boa alimentação, boa hidratação, sono de qualidade - as pesquisas sobre qualidade de vida mostram que essas coisas ajudam a manter sua memória de trabalho no seu melhor. A atividade física pode aumentar a agilidade mental, então tente caminhar, nadar, dançar, fazer yoga, jardinagem, ou qualquer outra atividade que lhe dê prazer.

- Converse com as pessoas sobre o que você está passando - dependendo da intimidade, você pode dizer a sua família e amigos suas falhas cognitivas, assim eles poderão entender se você esquecer as coisas que você normalmente não iria esquecer, e ajuda-lo.

- Terapia ocupacional – sempre procure ajuda profissional se sentir que não está dando conta sozinho. Especialmente se viver com sintomas cognitivos da quimioterapia lhe deixar ansioso ou triste.

Lembre que de uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos. Então qualquer atividade estimulando os sentidos será benéfica para você.

E claro, você pode contar comigo:

Érima de Andrade
CREFITO 2 4284to
erimacba@gmail.com

domingo, 9 de agosto de 2015

Tratar ou não tratar?

Érima de Andrade

Um amigo me contou uma historinha do Chico Xavier. Disse que Chico um dia falou:

“Amo a vida. Aceito, mas não favoreço a morte.
Tomo os remédios que os médicos me receitam com disciplina e fé.

De maneira que, quando eu morrer, você pode mandar escrever na minha lápide:
Aqui jaz Chico Xavier, muito a contragosto.”


Sou como Chico, também não favoreço a morte. Mas nem todo mundo é assim.

A primeira vez que ouvi falar de alguém que não quisesse tratamento, foi numa conversa com o Dr Jayme Treiger. Ele me contou que tinha um amigo diabético. A doença já estava avançada e a saúde dele bastante comprometida, mas que ele não queria se tratar. A família então combinou um encontro informal com o Dr Treiger, com a esperança de que ele o ouvisse.

Almoçaram juntos na casa desse amigo. Após o almoço, com a desculpa de caminhar um pouco para fazer a digestão, prática muito comum anos atrás, saíram os dois. Tão logo se afastaram da casa, o amigo disse que sabia que a família estava preocupada com ele. E que sabia que tinham pedido por essa conversa. Dr Treiger confirmou. O amigo então disse, que ele nem precisava gastar o tempo falando sobre esse assunto. Contou que foi avisado pelos médicos que se não mudasse seus hábitos, radicalmente, morreria em pouco tempo. Ciente disso escolheu continuar com seus prazeres. Preferia uma vida curta a uma vida longa com restrições. Teve o seu desejo respeitado.

Entre meus conhecidos também há quem recuse tratamento. Uma delas teve câncer em uma mama. Tratou. Alguns anos depois, o câncer se manifestou na outra mama. Só aceitou fazer a cirurgia para removê-lo. Recusou quimioterapia e radioterapia. É uma escolha. Segue sua vida satisfeita com a decisão que tomou.

Hoje, dia 8 de agosto de 2015, a 1 da manhã, um amigo muito querido fez a passagem. Estudamos juntos no colégio. A vida nos separou, mas graças ao Facebook, nos reencontramos.

Era uma figura. “Conversamos” por mensagens lembrando das nossas brincadeiras e implicâncias nos tempos de escola. Nos comunicávamos com alguma frequência. Quando ficou doente, câncer no pulmão, me procurou para conversarmos. Queria dicas sobre o tratamento, como tinha sido, para mim, passar por quimioterapia e radioterapia. 

Conversamos bastante sobre efeitos, sensações, sentimentos e a importância de confiar no médico. Não foi fácil para ele o tratamento, tinha que viajar a cidade vizinha para receber a medicação. Mas ele foi.

Fim da primeira etapa, nova reavaliação e o câncer quase não havia diminuído. Nova etapa, mais intensa, dessa vez com quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo e ele começou a falar sobre desistir...

Tenho plena convicção que a vida é uma passagem, que estamos aqui para aprender e progredir e assim voltar para casa, para nossa essência, na luz. Mas mesmo assim, não foi fácil para mim pensar que meu amigo, tão querido, podia desistir de lutar.

Dei-lhe um sermão sem precedentes. Como assim? Não ia deixar barato essa história de desistir. Como ficariam nossas mútuas implicâncias? Como ficariam nossas esperanças de nos reencontrarmos? Ele concordou com tudo. 

Passado o choque, rimos um pouco, e começamos a fazer planos para a vinda dele, para o jantar anual da nossa turma de colégio, em novembro.

“Oi.... Comecei hoje a radioterapia.... 35 dias indo e vindo.... são 90 km de minha cidade mas prefiro ir do que ficar em hotel.... bem, enquanto eu aguentar.... obrigado pelo carinho....”

“Oi Érima... Estou na radioterapia, completei 22 e ainda faltam 13. Não tenho reação alguma somente os resquícios da quimioterapia. Há um inconveniente que é a viagem que faço todos os dias de 200 km aproximadamente para o hospital, isso sim, me mata de cansaço. E você como está? Espero que você esteja bem e que já não tenha mais nada com a doença. Qualquer dia entro aqui e deixo noticias ok..... eu sempre vejo tudo pelo telefone, só que não consigo digitar por lá..... aqui no notebook é mais fácil...... beijoo”

Mas não deu tempo de mandar mais notícias... Era sofrimento demais para efeito de menos. Em comum acordo com a oncologista, parou de se tratar. E hoje fez a passagem, descansou.

Como bem descreveu uma amiga, a morte aqui na Terra representa para muitas pessoas à partida de alguém, o desencontro, a separação. Para mim simboliza uma passagem, uma viagem de volta para casa e o reencontro com a nossa verdadeira essência e o nosso verdadeiro estado de existência.

Mas como é difícil lidar com a passagem de alguém que amamos, ou simplesmente que aprendemos a admirar como ser humano...

Hoje não poderia deixar de fazer algum tipo de homenagem a esse amigo que se foi, que foi ser luz em outro lugar, que foi alegrar outras almas, que saiu daqui da Terra para uma nova e melhor etapa.

Vai Nelsinho, meu amigo querido.
Vai com Deus.
Vai em paz.
Vai ser luz.

"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela
como sempre foi." Santo Agostinho


domingo, 2 de agosto de 2015

Mudando a vida

Érima de Andrade

Você pode escolher mudar sua vida a qualquer momento. Para isso basta enfrentar os obstáculos que estão impedindo você de tomar sua vida nas mãos.  Que obstáculos são esses? Desde o medo do julgamento, passando pela mania de deixar tudo para depois, chegando na mania de perfeição, entre muitos outros.

Mas não importa a desculpa que você usa para se abandonar, uma vez que você decida mudar, você pode fazer isso. E claro você pode ter ajuda. Eis aqui sete boas sugestões, da Juliana Garcia, para que você possa construir uma nova realidade na sua vida:

1 – Desafie-se a ir além;
2 – Abra definitivamente espaço na sua agenda para se cuidar;
3 – Faça registro e acompanhe;
4 – Conte com apoio;
5 – Mude a estação interna;
6 – Crie um novo hábito;
7 – Comece por um ponto e siga avançando;

Você pode escolher mudar sua vida, a qualquer momento, começando onde você está, usando o que você tem, fazendo o que você pode. Então mãos a obra:

1 – Desafie-se a ir além – Acredite, você pode muito mais do que supõe. Muitas vezes temos claro quais são nossos pontos fracos e que empecilhos e dificuldades nos impede de tomarmos a vida nas mãos. Mas não vemos quais são os nossos méritos, nosso potencial, nem as nossas qualidades. Lembre-se, sempre é possível ir além, buscar o segundo fôlego. É uma escolha deixar que suas crenças criem barreiras ao seu crescimento ou seguir em frente. Decida-se a encarar qualquer barreira que você tenha construído. Se proponha uma nova atitude, um novo caminho, uma nova opção. Enfrente seus medos, ouse sair da sua zona de conforto, mude. Mas vá devagar. Um passo de cada vez. Você não vai mudar de uma hora para outra, é um processo. Consolide e comemore cada vitória alcançada. Que tal colocar uma meta por semana? “Essa semana eu...” O que você pode fazer para assumir o comando e criar resultados favoráveis para você nesta semana?

2 – Abra definitivamente espaço na sua agenda para se cuidar – Você que usa a agenda para esquecer de você, está na hora de fazer diferente. Que tal marcar na sua agenda o seu horário de compromisso consigo mesmo? Chega de promessas e de resoluções que não dão em nada. O que você precisa mudar para ter uma vida mais satisfatória? Como anda sua alimentação? Você separa tempo para comer? Você tem cuidado do seu sono? Tem se hidratado? Tem praticado alguma atividade física? O que você precisa mudar para se dar mais tempo? Vá em frente, mude. Pode ser que você comece prestando mais atenção na sua alimentação, ou bebendo mais água durante todo o dia, ou ainda iniciando uma rotina de exercícios físicos. Também vale marcar aquela sessão de acupuntura, ou começar num grupo de meditação. Seja lá o que for, comece. Há quanto tempo você não se diverte? Que tal ir ao cinema, sair com amigos, viajar? Que tal separar um período de tempo para o seu autocuidado? Escolha a sua mudança e vá aos poucos abrindo mais espaço para você. Você merece.

3 – Faça registro e acompanhe – Como você se observa? Você tem alguma maneira de registrar de seus sentimentos, objetivos e avanços? Se auto observar é o primeiro passo para perceber as repetições, as sabotagens, e tudo o que precisa ser mudado em sua vida. E também para perceber as suas conquistas. Pode ser que você escolha fazer um diário. Ou quem sabe um documento em seu computador? Ou ainda um caderno de gratidão? Tanto faz, desde que você use seu registro como um roteiro para seu autoconhecimento e uma maneira de se organizar. O mais importante dessa dica, é que seu registro seja de fácil acesso a qualquer momento, e que você acompanhe, leia, releia, monitore o que for registrando. Uma vez consciente dos seus passos, você pode direcionar a sua caminhada.

4 – Conte com apoio – Ninguém pode caminhar por você. Mas isso não significa que você precisa caminhar sozinho. Crie sua rede de pessoas amigas e companheiras e conte com elas. Se precisar, busque apoio de um profissional para lhe ajudar nos desafios que você está enfrentando. A troca com outras pessoas contribui para ampliar o seu crescimento. Então não se isole. Somos seres sociais, crescemos nos relacionamentos. Faça uma lista breve dos seus principais desafios e busque entre os seus contatos quem pode lhe apoiar. Você pode e merece contar com apoio.

5 – Mude a estação interna - Preste atenção aos seus pensamentos. Decida trocar a estação quando notar que está dando espaço para pensamentos e crenças que não lhe fazem crescer. Não basta dizer que "não quero pensar nisso ou naquilo", é preciso trazer pensamentos e atividades positivas para plantar novas sementes. Se você já sabe no que você não quer pensar, comece a listar também o que você quer pensar. Use essa lista a seu favor, concentre no que lhe faz bem. Busque meditar, escrever para organizar suas ideias, ler boas mensagens, se cercar de coisas positivas. Escolha a mudança.

6 – Crie um novo hábito – Hábitos são comportamentos aprendidos e repetidos tão frequentemente, que nem é mais preciso pensar para executá-lo. Nas tradições orientais, diz-se que um novo hábito precisa de 21 dias ininterruptos de prática para que se torne um hábito natural e entre em nosso cotidiano. Os neurocientistas confirmam essa prática e nos explicam que 7 vezes é o número para aprendermos algo novo, e 21 vezes o número para tornar isso um hábito. Qual hábito novo renovaria as suas energias para seguir com seus objetivos? Caminhar? Beber mais água? Ler? Escolha e se proponha a colocá-lo em prática durante 21 dias seguidos. Faltou um dia? Comece tudo de novo! Aceite o desafio e veja os resultados.

7 – Comece por um ponto e siga avançando – Não dá para mudar tudo de uma vez. Também não dá para ficar parado. Então escolha e priorize por onde começar. Entre todos os seus objetivos de melhora, qual você decide que será seu pontapé inicial?

Juliana Garcia sugere alguns critérios para sua escolha:

- Qual deles pode lhe trazer mais energia ao ser resolvido?
- Qual deles pode até impulsionar os demais campos da sua vida?
- Qual se envolve com áreas prioritárias em sua existência?
- Qual deles pode abrir campo para as próximas ações?”

Agora é com você! Escolha tomar a sua vida nas mãos e boa jornada.
  

Hoje me proponho a deixar ir toda a preocupação, todo o medo, toda a insegurança. Imagino cada um desses sentimentos sendo levado dentro de um balão para onde possa ser purificado... Que tudo que me deixa sem fé se dilua no ar, seja levado pelo vento! Hoje acredito no meu ser, acredito na força do amor que carrego no peito e sei que esse amor me guiará pelos caminhos desconhecidos. Abro o meu coração ao novo e agradeço por ser capaz de reconhecer as minhas fraquezas.

Que assim eu seja melhor que o que temo, que assim eu tenha paz para seguir em frente. E assim seja, e assim é porque eu determino!” Márcia Alves

domingo, 26 de julho de 2015

Apreciação e objetivos

Érima de Andrade

A querida Bárbara Petri propôs, novamente, um
ciclo de apreciação. A proposta é durante 21 dias focar a atenção, e a energia, naquilo que nos desperta amor. Não é uma linda ideia?

Se você quer conhecer a Bárbara, sugiro que visite o site 
Casa das Mulheres Sábias. Vale muito a visita.

Isso me fez lembrar que para incorporarmos um novo conhecimento, ou um novo comportamento, é preciso repetir por 21 vezes, pois repetir algo 21 vezes, faz o cérebro inconsciente incorporar o novo.

Isso vale tanto para colocarmos na nossa vida o olhar para o que desperta o amor em nós, quanto para atingirmos qualquer objetivo.

Nossos objetivos nem sempre são nossos desejos. Fazemos escolhas num nível consciente, mas elas só aconteceram, efetivamente, se ativarmos o inconsciente, que funciona de forma diferente do consciente.

Ao traçarmos nossos objetivos, estamos listando o que se passa no nosso coração e o que é importante para nós naquele momento. Mas nem sempre estamos conscientes dos nossos desejos, por que segundo a neurociência, a parte consciente do nosso cérebro representa 5% e a inconsciente, equivale a 95%...

Não adianta, por exemplo, ter por objetivo uma promoção no seu trabalho, se o seu desejo inconsciente é trabalhar cada vez menos... É bem possível, que sendo assim, você vá, inconscientemente, sabotar o seu progresso.

Para não cair nessa armadilha, o primeiro grande passo, e o mais importante, é conhecer o nosso cérebro e torna-lo um aliado para a concretização das nossas metas e objetivos, adequando o comportamento a um formato que ele entenda.

"Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade." Charles Chaplin

A ciência já comprovou que o nosso inconsciente é basicamente feito de imagens, e não de palavras. E também já listou algumas características do inconsciente:

- O inconsciente aprende por repetição.
- O inconsciente entende emoções fortes (positivas e negativas).
- O inconsciente capta melhor imagens visuais.
- O inconsciente aprende pela forma lúdica.


Dito isso, também é importante saber que o nosso cérebro inconsciente tem dois números determinantes nesse processo de realizar os seus objetivos:

- 7 vezes é o número necessário para que ele aprenda o novo, que pode ser um hábito, uma atitude, uma mudança, etc.
- 21 vezes, o cérebro inconsciente incorpora o novo.

Então, se quisermos começar uma atividade física, é necessário fazer 21 vezes, ou por 21 dias seguidos, para que se torne hábito. Se quisermos tornar um hábito focar a atenção, e a energia, naquilo que nos desperta amor, é preciso repetir por 21 dias o exercício de apreciação. E o mesmo procedimento se aplica a tudo, que ainda não faz parte da nossa vida, mas queremos incluir.

Por isso, quem tem disciplina, consegue realizar seus objetivos, mesmo sem entender esse ensinamento.

Diz a Bárbara: “quando pousamos a nossa atenção em algo, nós convidamos aquilo para dentro de nossas vidas. Então que tal passarmos os próximos 21 dias convidando para nosso caminho aquilo que nos faz bem?”

A verdade é que há sempre algo a ser apreciado. Vamos tentar?

domingo, 19 de julho de 2015

Cinco grandes arrependimentos

Érima de Andrade

No livro escrito por Bronnie Ware, uma especialista em cuidados paliativos e doentes terminais,
The Top Five Regrets of the Dying -Top Cinco dos Arrependimentos Daqueles que Estão Para Morrer, ela lista e comenta os arrependimentos mais comuns que ouviu dos pacientes ao longo de sua carreira como enfermeira. No livro estão suas memórias e experiências durante anos de trabalho com doentes terminais, e a forma como a sua vida foi transformada com essa convivência.

"Encontrei uma lista grande de arrependimentos, mas no livro me concentrei nos cinco mais comuns", disse a Bronnie Ware à BBC. "E o principal arrependimento de muitas pessoas é o de não ter tido coragem de fazer o que realmente queriam e não o que outros esperavam que fizesse", acrescenta.

Bronnie contou que a idéia para o livro surgiu depois que o post Arrependimentos dos Moribundos, foi publicado no seu blog e se transformou em um texto viral.

No livro ela conta mais a respeito destas confissões. Bronnie Ware afirma que com esses pacientes viveu "momentos incrivelmente especiais. Porque passei com eles as últimas três a doze semanas de suas vidas".

Os pacientes geralmente eram pessoas que já não tinham chances de recuperação e podiam morrer a qualquer momento. "As pessoas amadurecem muito quando precisam enfrentar a própria mortalidade", afirmou Bronnie Ware. "Cada pessoa experimenta uma série de emoções, como é esperado, que inclui negação, medo, arrependimento, mais negação e, em algum momento, aceitação," explicou ela.

Ela chamou atenção para o fato de que as pessoas se arrependem do que não fizeram. Na maioria dos casos observados por ela, as pessoas não pareciam se arrepender de algo que tinham feito.

Ela percebeu também que muitos se arrependiam de não terem tido "coragem para expressar seus sentimentos. E isso se aplica tanto aos sentimentos positivos como aos negativos", explicaBronnie. "Muitos diziam: ‘queria ter tido coragem de falar que não gostava de uma coisa’, ou então que queriam ter tido coragem de falar às pessoas o que realmente sentiam por elas", afirma Bronnie Ware.

A autora espera que seu livro "ajude as pessoas a agir hoje e não deixar as coisas para amanhã, para não se arrepender depois. Minha mensagem principal, diz Bronnie Ware, “é que todos vamos morrer e que se, neste momento, nos arrependermos de algo, vamos então solucionar o problema agora."

"Quando questionados sobre desejos e arrependimentos, alguns temas comuns surgiam repetidamente", disse Bronnie. Eis um resumo dos cinco mais comuns:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse - “A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais," diz Bronnie Ware.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto - "Eu ouvi isso de todo paciente masculino que eu trabalhei. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho,"afirma Bronnie Ware.

3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos - "Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, eles se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser,”diz Bronnie Ware. “Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ao ressentimento que eles carregavam," completa.

4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos - "Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até eles chegarem em suas últimas semanas de vida, quando não era mais possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que eles deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo," afirma Bronnie Ware.

5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz - "Esse é um arrependimento surpreendentemente comum,” diz Bronnie Ware. “Muitos só percebem no fim da vida que a felicidade é uma escolha”, explica ela. “As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso 'conforto' com as coisas que são familiares. O medo da mudança fez com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo," conclui Bronnie Ware.

Já que você está vivo, e lendo esse texto, vale a pena pensar no assunto. Que você possa viver sem arrependimentos, sabendo que fez tudo ao seu alcance para ser uma pessoa melhor e mais feliz.

Que você escolha ser feliz.

domingo, 12 de julho de 2015

Mandalas e mudanças

Érima de Andrade

O assunto “mandalas” voltou à moda com os livrinhos de colorir. Mas o que são mandalas?

As mandalas, de modo geral, são um ponto focal da energia condensada.
Elas estabelecem um espaço sagrado para sua atenção, como uma ajuda para a meditação. Mandala é a palavra em sânscrito que significa círculo, porém uma mandala é muito mais do que isso, significa literalmente “aquilo que circunda um centro”. Elas são a expressão da passagem da confusão à ordem, do caos ao cosmos, são o símbolo do ser profundo.

As mandalas representam sua energia no momento de produzi-la, seja desenhando, seja pintando, seja fazendo recortes, seja compondo uma bandeja de frutas.

O que tem feito muito sucesso aqui no blog são as mandalas de desejos. Uma mandala de desejos pode ser uma boa ferramenta para alcançar seus objetivos e metas, já que vão representar sua intenção de mudar.

Nós somos influenciados por imagens.
Nossa mente é eficaz na criação de fantasias e na projeção dessas fantasias na realidade. Essa é uma boa maneira de explorar as possibilidades, fantasiando, sonhando. 

Depois é uma questão de transformar este sonho em realidade. Ter uma imagem que lembre dos seus desejos, e que você pode olhar todos os dias, ajuda a colocar energia para concretiza-los. Não gosta de mandalas? Tudo bem, pode fazer um cartaz.

Essa é a ideia, imagens como lembretes dos seus objetivos.
Mas para eles funcionarem é preciso que sejam objetivos reais, possíveis de serem realizados. Colocar sua foto acima do peso ao lado da foto de uma modelo com a desculpa de se inspirar, vai apenas provocar frustração, a menos que você tenha uma silhueta longilínea.

Faça sua lista de desejos e ao lado cole imagens,
que podem ser recortadas de revistas, que reforcem a sua intenção de alcançar esse desejo. Se escolher fazer uma mandala coloque a sua foto no centro dos seus desejos e metas. Coloque num lugar onde você possa ver diariamente.

Pretende tirar férias ao longo do ano? Coloque uma foto do local que deseja conhecer, ou um similar. Por exemplo, quer ir para uma praia do nordeste? Qualquer imagem de areia, mar azul, coqueiros podem reforçar esse desejo.

Mas faça sua lista com metas possíveis!!!! Seu desejo é ganhar na loteria? Ter isso na sua lista vai ajudar a lembrar de jogar toda semana. Quer ficar rico? Ter isso na lista vai ajuda-lo a se empenhar mais no seu trabalho e a ficar alerta a novas possibilidades. Quer ficar em forma? Sua lista vai motivar a treinar com regularidade. 

Lembre-se, desejar não é o suficiente, você precisa fazer a sua parte para que esse desejo se torne realidade.

Não esqueça que qualquer mudança é um caminho. O 1° passo é a consciência de onde você está e aonde quer chegar. O 2° é a intenção de fazer esse caminho. O 3° é a ação, e ela precisa de paciência, persistência e prática. 

Faça sua mudança de maneira gradual e persistente. Você não vai ficar em forma na 1° vez que sair para caminhar, é preciso persistir e a mandala, ou o cartaz, com seus desejos são uma boa maneira para lembrar nisso.

Coloque-se metas possíveis, deixando espaços para descansos. Quer entrar em forma? Proponha-se atividades físicas de 3 a 5 vezes por semana, e cumpra. Se colocar diariamente, saiba que você não vai cumprir... Se dê o espaço para recuperação e adaptação do corpo, ou da energia, a esse novo patamar que você está atingindo com suas novas atitudes.

A mudança é um passo de cada vez persistentemente. E a auto sabotagem também é um passo de cada vez, que de repente, você percebe que ficou persistente e você desistiu...

Funciona assim a desistência: só por hoje eu não vou fazer e amanhã eu compenso; hoje preciso dormir mais, amanhã faço o triplo; hoje não vai dar, então é melhor deixar e recomeçar direito semana que vem; muitos compromissos no fim de semana, hoje não é um bom dia para recomeçar o treino... e assim vai, até que nem pensa mais no assunto.

E, nesse caso, sugiro que faça uma nova mandala, ou cartaz, agora sabendo suas limitações de tempo e disposição, e coloque-se objetivos reais. Você vai adorar a sensação de sucesso que acompanha quem cumpre suas metas autoimpostas.

Boa sorte!!!!

domingo, 5 de julho de 2015

Pertencer

Érima de Andrade

Pertencer, no dicionário, tem vários significados, mas me interessa, para esse texto, o que leva a palavra pertencimento: Pertencimento, ou o sentimento de pertencimento é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos. Os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspirações. Esse sentimento pode fazer destacar características culturais e raciais.”


“A sensação de pertencimento significa que precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar e ao mesmo tempo sentir que esse tal lugar nos pertence, e que assim acreditamos que podemos interferir e, mais do que tudo, que vale a pena interferir na rotina e nos rumos desse tal lugar.”

Quero falar dos grupos onde pertencimento significa que as pessoas pensam em si mesmos como membros de uma coletividade, com símbolos, valores, histórias e aspirações em comum. O ser humano, precisa se sentir ‘em casa’, ou seja, pertencendo a algo, ser reconhecido e reconhecer, ser identificado e identificar seus pares, e ter a sensação de ser parte de um todo maior, que o acolhe e o protege, como nas amizades.

Esse sentimento de pertencimento surge enquanto o grupo desenvolve sua relação que pode ser a partir de uma atividade, como por exemplo, o grupo da meditação, o da academia, o do teatro, o da casa espírita, o do lugar que você frequenta para rezar. O grupo pode ser formado por familiares. O grupo pode ser formado por colegas de trabalho, ou por 
amigas do tempo de escola, ou por tantas outras formas de participar, onde você se reconhece e se identifica.

O que caracteriza cada grupo é a maneira como ele foi construído, como se relaciona com as diferenças entre os membros, como recebe novos participantes, e como é visto por cada um nas suas próprias relações sociais.

De qualquer maneira, quando a característica desse grupo é sentida subjetivamente como comum, surge o sentimento de pertinência, de pertencimento.

Construir relações de amizade que levem ao sentimento de pertencimento não tem preço. Se sentir pertencendo pode acontecer tanto num convívio temporário, quanto num permanente. E mesmo assim aquele grupo, aquele espaço, aquela lembrança, será sempre uma referência, será sempre um lugar para voltar e se sentir acolhido. E amigos assim, continuam amigos mesmo que deixem de conviver.

Mas para pertencer a um grupo é preciso participar. É preciso deixar a crença de ser diferente dos outros, de ser incapaz de se relacionar, de não fazer parte de grupo nenhum.

Vem da infância a crença que faz a pessoa desenvolver essa sensação tão horrível de não pertencimento. É a crença, ou o fato, de que na sua família foi diferente, de ter uma família que de alguma forma foi muito diferente das demais por questões sociais, ou financeiras, ou pela raça, ou pela origem, ou por problemas em casa, ou por alguma característica específica, qualquer coisa, que faça essa família se destacar e ser diferente, gera a crença de não pertencer.

Com essa consciência é possível agir contra essa crença e se responsabilizar pelas consequências. Pertencer também é uma escolha. Clarice Linspector descreveu muito bem a necessidade de pertencimento:

“Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.

Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.

(...)


Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.

(...)

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!” Clarice Linspector


Que dores impedem você de pertencer?

O que você tem feito para estar num grupo?

Lembre que o sentimento de pertencimento tem a ver com a noção de participação, e responda, como você participa?

Que você encontre o seu lugar de pertinência.