domingo, 23 de julho de 2017

E o lixo?

Érima de Andrade

A destinação do lixo tem chamado cada vez mais minha atenção.
Tenho claro o quanto a destinação errada do lixo é um desrespeito tanto a natureza, quanto aos outros seres humanos. Também é claro, para mim, que por total inconsequência, as pessoas se desfazem dos seus resíduos, do seu lixo, sem nenhum cuidado.

Costumamos pensar que inconsequentes são os adolescentes. Mas será que só eles mesmo?
Pense na humanidade em geral, você considera que, como humanidade, nós somos inconsequentes?

Aqui vale lembrar o que inconsequente é aquele ser que não se preocupa com as consequências dos seus atos. Inconsequentes só se preocupam com a solução imediata, ou o prazer imediato, ou a atitude imediata. O que vem depois não interessa a eles.

Então pensa de novo, são só os adolescentes que são inconsequentes? Como humanidade, temos nos preocupado com o que acontecerá depois? Por exemplo, houve preocupação do que fazer com satélites quando acabarem a vida útil no espaço? Já pensou na lixeira a céu aberto que é nossa atmosfera por conta dessa inconsequência?

Tudo bem, são poucos seres que vão se reconhecer nesse exemplo. Mas nós, o conjunto de pessoas que vive no planeta Terra, também poluímos, também transformamos em lixeira o nosso entorno, também descartamos o nosso lixo em qualquer lugar. Desde que nos livremos dele com rapidez, já que é o que nos interessa, nos livrar dele.

E aqui cabe a personagem inspiradora desse post. Uma conhecida, da área de saúde, fato que me causou mais espanto ainda, que contava, entre gargalhadas, que na viagem que fez com o marido e o filho pequeno, foi “confeitando a estrada com as fraldas descartáveis sujas”.(sic) Oi? “Não vou mais passar por ali, deixa para quem vem depois”.(sic).

Triste, bem triste.

Não adianta ter tanta informação de higiene e saúde e não aplicar em todos os seus momentos. Quem é ela de fato? A que nos atendimentos dá uma boa orientação, ou a que na vida faz o que for menos trabalhoso?

É dessa inconsequência que estou falando. Das pessoas que não vão mais voltar ali, dos que acham que podem sujar as ruas e estradas porque tem quem limpe, dos que não se importam com o lixo que deixam em praias, trilhas, cachoeiras, etc. São as pessoas que não pensam no depois, pensam menos ainda no quanto é desrespeito com quem vem depois. Resumindo, são os inconsequentes.

Muitos têm buscado o autoconhecimento, e isso é ótimo. Mas para além de cuidar dos aspectos emocionais, intelectuais, espirituais e físicos, é preciso cuidar também dos aspectos social e ambiental. O seu bem-estar tem que envolver o seu entorno.

Como humanidade, precisamos desenvolver o senso de comunidade, a consciência do pertencimento, a responsabilidade com o mundo que é de todos, a importância de respeitar pessoas e ambiente. Precisamos tomar consciência do quanto cada atitude individual impacta o entorno. Inclusive as pequenas resoluções.

É por não ter esse olhar para o ambiente que nos cerca, que matamos fontes de água limpa, que jogamos o lixo no chão, que descartamos, seja o que for, sem nenhum cuidado. Não tem a ver com consciência ambiental, tem a ver com respeito pelo espaço público e pelas pessoas que serão afetadas por nossas atitudes.

Como humanidade, agimos exclusivamente para resolver uma questão imediata, deixamos os problemas que surgirão de atitudes assim, para serem resolvidos pelas próximas gerações. Possivelmente seus filhos e seus netos também serão afetados pela inconsequência geral da humanidade. Não serão só os “outros” afetados, os “seus” também.

Jogar fora é só uma figura de linguagem. Do ponto de vista do planeta, não tem fora. O seu lixo mal descartado, isso é, sem ser encaminhado para reaproveitamento ou reciclagem, vai continuar a existir mesmo não estando perto dos seus olhos.

Precisamos, urgentemente, nos conscientizar que fazemos parte da solução. Precisamos respeitar o planeta que nos recebe.

E sim, você é responsável pelo lixo que produz, pelo destino dos seus resíduos, pelo ambiente que vai deixar para as próximas gerações. Não tem como fugir dessa responsabilidade. Num mundo com tanta informação disponível, não saber é uma escolha. Você pode escolher não saber, e mesmo assim, continuará responsável pelos resíduos que descarta.

Ter consciência da questão é o primeiro passo para a mudança. Mesmo com tantas campanhas de conscientização, e elas existem aos montes, seguimos sendo, na maioria, uma população terrestre inconsequente. Por isso pensar em, ao menos, reduzir seu lixo é um bom começo.

Lembra do filme Wall-E? Um desenho animado com jeitinho de aula de ecologia? Esse mesmo. Ele fala do excesso de lixo que foi produzido no planeta. Mostra que os terráqueos precisaram abandonar a Terra, porque ela não deu conta de nos sustentar. O filme mostra que sujamos demais, e o planeta não aguentou. Parece possível?

É uma fantasia. É um futuro possível, entre tantos possíveis. Mas tem a intenção de acender um alerta para as questões ambientais que afetam a todos. Nos cabe escolher como continuar. Está nas nossas mãos evitar esse futuro.

Vale dar uma olhadinha no trailer oficial:

                               

“Sou um só, mas ainda assim sou um.
Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa.
Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso.
O que eu faço é uma gota no meio de um oceano, mas sem ela o oceano será menor.”
Max Gehringer


Que o descarte correto do lixo faça parte da sua vida.

6 comentários:

  1. Muito bom texto, Érima! E bem pensado. Os programas de coleta de lixo reciclável (que temos aqui em São Francisco há quase 20 anos) não têm grande valor se não vierem antecedidos de uma vasta campanha educativa.

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    1. Pois é, ainda temos muito que aprender. Um beijo Mabel!

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  2. Maravilha ! È preciso falar e falar desse assunto ! Aqui a coleta é nas quintas .Que todos possamos cuidar bem de nós mesmos ! Carinho e gratidão querida .

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  3. Sim Fatinha, que possamos nos cuidar. Beijos

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  4. Conheci por dentro, esta semana, um edifício em Icaraí, em cada andar tem cestas para lixos reciclados e no térreo tem um depósito para baterias e pilhas. Síndicos de outros prédios e /ou de condomínio poderiam saber destas providências para ajudar aos terráqueos serem mais conscientes e conseguentes. Beijo

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    1. Fica a dica! Nem é tão difícil assim, e todos lucram. Beijos

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