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domingo, 18 de fevereiro de 2018

E se eu não fizer nada?

Érima de Andrade

Amo o perfume do manacá. Comprei uma muda, plantei no meu quintal. Ela cresceu, floresceu e segue muito bem, obrigada.

Na terra que veio com ela, veio junto a semente de uma outra planta, uma árvore, que não conheço. Eu sempre penso que, senão matar minha muda, eu não preciso arrancar.
Considero que é um presente e deixo nascer. E ela brotou, uma árvore de crescimento rápido. Tudo ia bem até que ela começou a ficar alta demais. Cresceu com aquela aparência de árvore de floresta fechada, alta com o tronco fino. Ai começou a criar problemas… um vento um pouco mais forte colocava em risco meu telhado.

Cortei a árvore. Uma poda drástica com a intenção de podá-la sempre que volte a ficar alta. Não preciso matá-la para proteger meu telhado.
Sabia que voltaria a brotar, então deixei apenas um metro de tronco. E me surpreendi com a “reação” dela. Além de começar a brotar no tronco, de todas as raízes também brotaram rebentos, ou seja, novas árvores. De uma árvore cortada parece que pode surgir uma nova floresta. E isso é sempre impressionante. 


Ela não morreu em nenhum momento, nem era essa a intenção, mas dá para dizer que voltou a vida. Os brotos anunciam que ela vai se regenerar. A natureza realmente se recompõe, é só dar espaço. 

Uma pesquisa rápida confirma que algumas árvores reagem à poda fazendo brotar novos rebentos da sua raiz. Algumas árvores têm a particularidade de emitir, a uma certa distância do tronco, novos rebentos a partir do seu sistema radicular, mas que progressivamente se libertam da raiz original para levar uma vida independente. Removê-los não mata as raízes e pode até estimular o surgimento de outros rebentos. 

Por mais que isso seja impressionante, aqui não é possível deixar seguir, a menos que eu queira matar a árvore-mãe, e não quero.
Os que nasceram aqui em casa, não tem distância suficiente do tronco para se tornar independentes sozinhos sem danificar a árvore-mãe. Posso até tentar fazer mudas deles, mas não posso deixar onde estão. Ou seja, nesse caso não dá para não fazer nada. 

“Devem-se arrancar ou deixar estar estas ramificações? A dúvida é comum a muitas pessoas”, afirma Ana Carvalho, engenheira agrária. Ela explica:“Os rebentos chamam-se rebentos ou ramos ladrões. Devem ser removidos, uma vez que retiram a força de crescimento do tronco principal. Eles podem ser retirados em qualquer época do ano sem prejuízos para a árvore principal”. 

(Cléo, Chica, o manacá e os rebentos.) 


Na sua vida também é assim, mesmo que pareça que tudo vai florescer bem, nem sempre é possível deixar como está. Se vários novos caminhos se abrem a sua frente, você precisa escolher um. Mesmo que todos os caminhos que se abriram para você sejam maravilhosos, você vai ter que eliminar todos os outros que não foram escolhidos.

Não dá para não fazer nada, você realmente precisa escolher uma das muitas possibilidades. Precisa escolher, por exemplo, se quer a árvore ou rebento. Ou que caminho você vai querer trilhar, o antigo ou o novo que se apresenta. Precisa escolher quais rebentos, ou caminhos, serão descartados, e virarão adubos, que fortalecerão a sua escolha. Nada se perde. Só de parar e avaliar atentamente cada caminho para escolher um deles, você aprende e alimenta sua escolha com mais tranquilidade, consciência e confiança. Senão escolher, você perde todas s possibilidades.

Se você se conhece pouco, se vive uma incerteza com relação a quem é e o que quer da vida, possivelmente você tem dificuldades de fazer escolhas. Essa dificuldade faz de você uma pessoa apegada, alguém que se torna incapaz de abrir mão de qualquer opção, deixando tão difícil a tomada de qualquer decisão.

Pessoas apegadas adiam, enrolam e postergam indefinidamente suas tomadas de decisão. Esquecem que ao não escolher também fizeram uma escolha, já que a vida continua e existem consequências. Há sim uma perda quando se faz escolhas, e pode gerar sofrimento, mas cabe a você continuar da melhor maneira possível.

“Apegos perturbam a mente e nos impedem de agir com liberdade”, explica a monja Coen.“É preciso ter consciência se você está se apegando demais à comida, a uma pessoa, a uma situação qualquer e isso está atrapalhando os seus relacionamentos. É preciso distinguir os benefícios. Se é gostoso e saboroso, mas fiquei presa numa teia e vai me causar mal, é hora de desapegar”, ensina.“Tudo que começa a causar muitos impedimentos para a vida, deixa de ser uma coisa boa, deve ser desapegado”, completa.

Para desapegar, é importante ir pelo caminho do meio, desapegando até mesmo do desapego obrigatório. “Possuo uma velha roupa de monja. Olho para ela e são tantas as memórias de um certo mosteiro que não largo a roupa”, reconhece a monja.

Desapegar não é abandonar tudo, é ter equilíbrio, é soltar o que lhe causa impedimentos, é ter disposição de encarar os novos ciclos quando se apresentarem. É possível ser desapegado e ter desejos de viver de maneira confortável nesse mundo. Apesar disso, garante a monja Coen, o desapego liberta.

Pessoas desapegadas são mais tranquilas nas suas escolhas, se conhecem melhor, conhecem sua essência e sabem que perder alguma coisa, ou se distanciar de alguém, não muda sua verdadeira natureza. Pessoas desapegadas fazem as escolhas com mais compreensão, vivem com mais harmonia, calma e receptividade, especialmente quando mudar o caminho não for uma opção sua.

Fazer escolhas certas é uma questão de saber o que você está procurando com o resultado da sua decisão. É confiar que continua se movendo em direção dos seus objetivos, se renovando, aprendendo e se tornando uma pessoa melhor.

“Não há caminho errado, mas sei que há caminhos que trazem menos felicidade porque são caminhos desconectados de nossa essência. Somos seres projetados para sermos felizes e a felicidade está onde a essência está.” Paula Quintão


E se eu não fizer nada? Nada muda. E os caminhos que se abriram, deixam de existir.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Síndrome de Fevereiro

Érima de Andrade

Fevereiro é um mês de exceção: é menor, tem carnaval, e na minha infância era o último mês das férias. Hoje não é mais assim, mas nossas aulas começavam em março.

Talvez por isso, por conta dessa memória infantil, algumas pessoas sentem uma urgência especial de
“aproveitar ao máximo” o mês de fevereiro, porque, afinal de contas, o ano vai começar, mesmo, depois do carnaval. E nem precisa estar de férias, alguns sentem assim, apenas por ser fevereiro. Uma angústia similar ao que se chama de “Síndrome do Fantástico”, que causa tristeza em quem ouve a música tema do programa, por ser o anúncio do fim do fim de semana. Se você vive esses sentimentos, é um sinal de que você precisa mudar alguma coisa na sua vida.

(Mais sobre a "Síndrome do Fantástico"-“Domingo à noite. Você ouve uma música acompanhada da voz de um tradicional locutor de TV. Ao mesmo tempo começa a sentir o estômago retorcer, as mãos suarem, a cabeça doer. Um mal-estar completo toma conta do seu corpo. Parabéns! Você foi contemplado com uma doença que atinge muito mais gente do que deveria: a “Síndrome do Fantástico”.
O problema: pensar que o domingo está quase no fim e, com isso, a segunda-feira está chegando e tudo vai recomeçar. Mas as consequências da “Síndrome do Fantástico” são mais catastróficas. A insatisfação te faz prestar menos atenção no que faz, porque sua cabeça fica tentando te distrair – porque o que está sendo feito não te agrada. A qualidade do seu trabalho cai e as pessoas todas pegam no seu pé e a sua insatisfação só aumenta. Você não se compromete mais com as atividades que deve cumprir. Sem comprometimento, acaba fazendo escolhas ruins – o que resulta em retrabalho, dificuldades e mais dor de cabeça, no sentido literal e também no figurado. E a “Síndrome do Fantástico” só faz crescer… Há, entretanto, cura para este mal.
Então, antes de cair de uma vez, que tal levantar a cabeça e olhar o que mais o mundo tem a oferecer? Ou ainda olhar para dentro de si e ver qual é o desejo mais premente de sua alma? O máximo que pode acontecer é ser feliz. Não é Fantástico?” Prof. Thiago Costa)


Aqui cabe ajudar essas pessoas com “Síndrome de Fevereiro”, perguntando: Por que ao longo do ano você não consegue se divertir? Que crença é essa que lhe faz sentir autorizado a se divertir apenas no mês do carnaval? O que faz você acreditar que não pode se divertir enquanto aprende, ou trabalha? Você é do tipo que acredita que só pode se divertir se houver recreio? Você separa um tempo na sua agenda para o seu recreio?

Aprendemos com a física quântica que tudo é energia e que cada vibração corresponde a um sentimento. Somos uma usina de energia, e vamos atrair sempre a mesma energia que estivermos vibrando.

Então, se você vibra uma crença que lhe diz que pessoas sérias trabalham sem se divertir, que divertimentos atrapalham crescimento, que o recreio da sua vida só pode acontecer em fevereiro, e se isso lhe deixa infeliz, está na hora de mudar sua vibração.

Somos seres vibracionais, e no mundo vibracional existem apenas duas vibrações, a positiva e a negativa. Nada em si é positivo ou negativo em essência, como essa vibração lhe afeta é que a torna positiva ou negativa.

Recebi um texto sobre isso, desconheço o autor, mas o texto diz que devemos prestar atenção em 7 itens que podem mudar nossa vibração: pensamentos, companhias, músicas, coisas que assistimos, ambiente, palavras e gratidão. Vamos entender:

1 – Pensamentos – Seus pensamentos emitem uma frequência, e é essa a frequência que voltará para você. Por isso é tão importante aprender a cultivar pensamentos positivos. Se você passa a maior parte do seu tempo alimentando pensamentos de raiva, tristeza, medo, desânimo, é isso que você receberá de volta. Coisas ruins acontecem com todos nós, mas podemos escolher olhar para tudo com positividade. Isso é, olhar o que acontece no momento e agir de acordo. Se, nesse momento, você sente raiva, reconheça e use-a para dar limites ao que lhe incomoda. Isso é agir com positividade. Se você apenas sente raiva, não faz nada a respeito, e passa o resto do seu dia ruminando essa situação, você está cultivando pensamentos negativos, e é isso que receberá de volta. Vale a pena?

2 – Companhias – é importante observar com quem você anda, quem lhe faz companhia a maior parte do tempo, e como essas pessoas vibram. As vibrações delas vão lhe influenciar, da mesma maneira que sua vibração as influenciará. Se você está sempre acompanhado de quem só reclama sem fazer nada para mudar, ou de quem vê tudo ao seu redor com pessimismo, a consequência será ter dificuldade para fazer a lei da atração vibracional funcionar a seu favor. Você não pode mudar ninguém, só a si mesmo. Então cuide de cultivar a sua vibração positiva para atrair companhias que colaborem com sua intenção de estar nesse mundo vibrando positivamente.

3 – Músicas - Músicas são a linguagem universal e são poderosíssimas. Elas afetam suas emoções, seus pensamentos, suas vibrações. Você atrai para sua vida exatamente aquilo que você vibra. Então selecione as músicas que quer ouvir, escolha as que vão lhe ajudar na vibração que você quer cultivar. De novo, nada é em si mesmo negativo ou positivo. Uma música agitada não é adequada para você se concentrar, mas é ótima para estimular sua atividade física. Se você faz caminhadas, perceba que ritmo de música faz seu exercício ser mais eficiente. Se você quer sentir abandono, tristeza, angústia, perceba que tipo de música é mais eficiente para essa vibração. Como você quiser, assim será.

4 - Coisas que você assiste – As músicas afetam você pela audição, as imagens afetam você pela visão. Ver sempre programas, filmes, peças, que falem de desgraças, mortes, traições, faz seu cérebro aceitar tudo isso como a única realidade, e libera uma química no seu corpo que afeta sua frequência vibracional. Sim, tem muita coisa ruim acontecendo no Brasil, em especial aqui no estado do Rio. Mas também tem muita coisa boa. Procure e achará imagens que lhe façam bem e que ajudam a elevar sua frequência.

5 - Ambiente – Ambiente aqui não se refere apenas ao meio ambiente, mas também ao ambiente da sua casa e do seu trabalho. Não tem como vibrar positivo num ambiente desorganizado, sujo, feio. Se para você é difícil participar de atividades que restaurem o meio ambiente, limpe rios e praias, salvem nascentes e florestas, com certeza, a sua casa você pode limpar e organizar. Cabe a você cuidar do seu ambiente, cuidar do que você já tem, com responsabilidade e carinho. Assim você vibra para o universo a mensagem de estar apto a receber muito mais.

6 - Palavras - “No principio Aquele que é a palavra já existia. A palavra já existia e a palavra era Deus. E por meio da palavra, Deus criou todas as coisas.”As palavras têm poder, não duvide disso. Sua frequência vibracional é afetada pelas palavras que você diz. Falar mal e reclamar vibra muito diferente de elogiar e incentivar. Fazer dramas e se vitimizar vibra muito diferente de olhar o que acontece no momento e agir de acordo. São escolhas de palavras. A mudança da sua vibração é de sua responsabilidade
, responsabilize-se por suas palavras e pelas vibrações que elas transmitem. 

7 – Gratidão – Torne um hábito agradecer por tudo que lhe acontece. A gratidão abre portas para que coisas boas aconteçam na sua vida. A gratidão afeta positivamente sua frequência vibracional. Agradeça por tudo, de bom e de ruim. Coisas ruins acontecem, e podemos aprender com elas. Agradeça. Coisas boas acontecem e confirmamos que estamos no caminho certo. Agradeça. Agradeça todas as suas experiências, seus aprendizados, suas vivências. Simplesmente agradeça e sinta sua vibração melhorar.

E eu acrescento o amor a essa lista. É o amor que dá sentido a vida, e faz com que todos os meses do ano sejam especiais, e não só o mês de fevereiro. É o amor que lhe ajuda a vibrar positivo e com isso se transformar na sua melhor versão.

Termino esse texto com essa história que recebi de uma amiga, que diz que exite um conto israelita, de um jovem que foi visitar um sábio conselheiro, e ouviu dele esse ensinamento:

“— Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento.
Amar é dedicação e entrega; amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor.
O amor é um exercício de jardinagem.
Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide.
Esteja preparado porque haverão pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim.
Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda.
Simplesmente ame!

Sabes porquê?
Porque a inteligência, sem amor, te faz perverso;
A justiça, sem amor, te faz implacável;
A diplomacia, sem amor, te faz hipócrita;
O êxito, sem amor, te faz arrogante;
A riqueza, sem amor, te faz avarento;
A docilidade, sem amor te faz servil;
A pobreza, sem amor, te faz orgulhoso;
A beleza, sem amor, te faz ridículo;
A autoridade, sem amor, te faz tirano;
O trabalho, sem amor, te faz escravo;
A simplicidade, sem amor, te deprecia;
A política, sem amor, te deixa egoísta;
E a vida sem amor, não tem sentido.



domingo, 26 de novembro de 2017

Prumo

Érima de Andrade

Não precisa esperar o ano virar para estar no prumo. Para quem não sabe, o prumo é um instrumento que permite verificar a retidão de uma construção.
Alguém no prumo, é alguém que está com suas ações alinhadas com seus sentimentos, pensamentos, e crenças.

Todo momento é momento de decidir ir atrás do seu propósito de vida. E o fim de ano fomenta essa reflexão. Pipocam perguntas do tipo: o que fiz esse ano? Quero continuar fazendo no ano que vem? O que preciso fazer para mudar o que não me serve mais?

É um bom momento para avaliar o que aconteceu com você até agora. Como está a sua vida? Você está satisfeito com o rumo que ela está tomando? Suas escolhas estão alinhadas ao que você quer para você? Tem pendências para o ano que vem? Tem alguma correção de rota a ser feita? Você está fazendo aquilo que lhe faz bem? Você está fazendo aquilo que faz melhor? No que você é bom? Tem usado esse seu talento para alcançar seus objetivos?

Mas antes de tudo, é preciso saber, o que você quer para você? O que você escolhe para sua vida? Aonde você quer chegar? O que faz você feliz? Do que você gosta? Como você reage diante das dificuldades? E diante das oportunidades? O que precisa ser alterado na sua estratégia de vida para que você se sinta útil, pertencendo e feliz?

E uma vez que você comece a se perguntar, a se observar, as chances de entrar no prumo aumentam muito. Sabendo quem você é, o que gosta, o que não gosta, quais os seus talentos, quais as qualidades e habilidades precisam ser estimuladas, você escolhe que rumo quer dar na vida. Em qualquer dia, ou no ano novo.

Mas o céu está ajudando. Diz Titi Vidal: “Esse ciclo promete ser mesmo novo. Chegou o momento de reciclar, de virar certas páginas, de se transformar. Chegou a hora da lagarta se transformar em borboleta para poder voar. Chegou o momento de iluminar nossos porões e curar o que for preciso. Chegou o momento de curar velhas dores e mágoas e seguir em frente. Um novo ciclo para gente renovar, transformar, começar, retomar. Porque a vida sempre pode ser diferente.”

Pergunte-se: que mudanças posso fazer na minha vida que dependem unicamente de mim? O que eu quero e posso mudar? O que não vou mudar em mim?

Temos escolhas antes, depois só consequências. Por isso é importante assumir um compromisso com a vida que você quer viver. É preciso reconhecer seu limites para superá-los, é preciso ser coerente com suas capacidades e traçar planos realizáveis. É possível começar onde você está, fazendo o que você pode.

Se conhecer é uma escolha. É somente um ponto de partida, mas pode ser a porta de entrada para um novo tempo de mais liberdade e realizações.

E uma vez que tenha escolhido, você vai tomar conta de si, como bem escreveu Tulipa Ruiz nessa linda e deliciosa canção.

Que essa música inspire suas reflexões de fim de ano. Afinal já é Natal na Leader Magazine, e a Globo já está cantando que hoje é um novo dia… Tem mais de mês de 2017 para você refletir o que deseja para sua vida em 2018.

Bora lá!
Cantando é melhor: 



Prumo - Tulipa Ruiz

“Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si
Das tuas minhocas, caraminholas
Das encucações, dos teus pepinos.
Das pérolas, das abobrinhas
Dos abacaxis, dos nós, dos faniquitos

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Pra depois compreender
Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Do medo da morte
Do jarro de ouro que bate no touro do precipício
Na tosse, no tiro, na tara.
Na cara lavada na vala e no delírio

Pra depois compreender
Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando”


domingo, 13 de agosto de 2017

Mudanças

Érima de Andrade

Freud sentenciou:“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”.

É verdade, a dor é motivadora, mas o amor também é. Mesmo assim, talvez
por associar mudança sempre com dor, a maioria das pessoas tem medo de mudar. De mudar a vida, ou de mudar qualquer coisa na vida.

Mudar é bom, mas “tem que” mudar? Por que? Se tudo está fluindo bem, se você está feliz com sua vida, por que “tem que” mudar?

Ter não tem. Mas
as mudanças ajudam na sua qualidade de vida. Qualquer mudança que você faça contribui para a sua saúde cerebral. E com o cérebro em ordem, todas as demais funções do organismo são favorecidas.

O cérebro não pensa para fazer movimentos repetitivos.
Se por um lado isso é desejável, por outro, o excesso de rotina, limita o cérebro, que vai entrando num processo de desuso, perdendo flexibilidade, atrapalhando a capacidade de assimilar conhecimentos.

Paula Abreu, na sua página virtual, pergunta:"Você alguma vez já sentiu que todos os seus esforços, todos os dias, são para construir uma vida que, lá no fundo, uma vozinha diz para você que não é o que você quer?" É dessa mudança que estou falando.

Uma mudança para quebrar suas barreiras, amarras e limitações. Mudar para ir ao encontro do que não conhece.  Mudar para ver e idealizar novas possibilidades na sua vida. 

Mesmo que tudo pareça impossível no momento,
mude alguma coisa. Saia da sua zona de conforto. Abra mão do que já não lhe cabe, dê um salto de qualidade na sua vida.

Eu sei, mudar dá trabalho. Até você acostumar com a mudança, você fica bem atrapalhado. 
Mas como experimentar o novo senão houver mudanças?

A mudança ideal é aquela decidida por você. Não existe um caminho mais fácil para a frustração do que fazer uma promessa de mudança que você não está plenamente disposto a cumprir, apenas por que “tem que” ser feito para agradar aos outros, a sociedade, ao companheiro, aos colegas de trabalho. 

Mude, mas faça por você, para se estimular, para se desafiar a novos aprendizados.
Uma vez que você decida mudar, você pode fazer isso.

Mas vá devagar. 
Busque novos caminhos reconhecendo seus limites, capacidades e apoios. Vá um passo de cada vez atrás das suas energias transformadoras, mas sempre com atitudes harmônicas e sadias. Nada de fazer coisas que vão lhe magoar ou dar medo. Ponderação é o caminho, pois você não vai mudar de uma hora para outra. É um processo.

Se não dá para mudar tudo de uma vez, também não dá para ficar parado.
Então escolha sua mudança e priorize por onde começar. Que tal colocar uma meta por semana? O que você pode fazer para criar resultados favoráveis para você nesta semana?

Entre todos os seus objetivos de mudança, qual você decide que será seu pontapé inicial? Qual hábito novo renovaria as suas energias para seguir com os seus objetivos de mudança? Seja lá o que for, comece.
Você merece ser mais feliz.

O Edson Marques tem um texto com
várias propostas de mudanças possíveis para todo mundo. Eu gosto tanto do texto, que já o coloquei várias vezes aqui no blog. Espero que lhe inspira a mudar.

"Mude.
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros, viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova Vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude.
De novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"
Edson Marques

domingo, 11 de junho de 2017

Tempo externo, tempo interno, tempo pessoal

Érima de Andrade

Tempo é o assunto da semana. De fato,
cada um tem um tempo de digerir acontecimentos, emoções, mudanças. E está tudo bem. É o tempo que você precisa e ele é pessoal, ponto.

Estou chamando de tempo pessoal o tempo necessário para cair a ficha, para entender o que está acontecendo, para reconhecer seus sentimentos, para que as informações ouvidas façam sentido, para que você possa digerir tudo o que está vivendo.
Seu tempo pessoal. Mesmo que muitos vivam situações similares, cada pessoa terá seu próprio tempo de processamento do seu momento de vida, terá seu próprio tempo pessoal.

O tempo pode ser objetivo e subjetivo. Nós, humanos, observamos os ciclos da natureza, amanhecer e anoitecer, as estações, as gestações, o desenvolvimento, o envelhecimento, e
criamos maneiras de mensurar essa passagem de tempo, de medir esses movimentos da vida.

Chamamos essa mensuração de tempo objetivo, ou tempo externo, aquele que pode ser marcado e medido. É o tempo do mundo, da natureza, das árvores, dos compromissos, relógios e calendários.
É um tempo público e verificável. Pode ser medido e todos concordarão com essa medição.

O tempo subjetivo, ou interno, é o
tempo de amadurecimento, tempo necessário para compreender, assimilar, aprender, se organizar, e as vezes, se conformar. É tempo das experiências mentais, dos eventos da consciência, e envolve percepções, imaginação, recordações.

Tempo subjetivo é o tempo interno, privado e variável.
É o tempo que você estima para um determinado evento ou intervalo. É algo baseado na sua interpretação individual, e pode não ser válido para todos.

O tempo objetivo nos permite situar um evento, marcar um horário para uma consulta, agendar um encontro,
atuar no mundo externo. Mas é no tempo subjetivo que vamos vivenciar e conhecer a relação entre esses acontecimentos e o que se passa em nosso mundo interior.

Os nossos sentidos, e a nossa tradição cultural, introjetaram a
noção de tempo como um fluxo continuo seguindo em uma única direção, do passado ao futuro, do antes ao depois. Mas internamente não é assim que funciona. Não é linear e exato como o de um relógio.

O tempo interno tem sequências. Os eventos seguem ou antecedem um ao outro, mas
não é possível cronometra-los. Não tem como medir o tempo interno pelo tempo do mundo.

É bem comum que o tempo que passa no relógio não seja o mesmo que passa dentro da você. E também é comum não seguir um calendário ao recordar eventos marcantes e significativos.
Memórias e sentimentos são subjetivos, nosso tempo interno também é.

O tempo objetivo é o tempo do relógio, onde 1 hora será sempre 60 minutos e 1 minuto é sempre 60 segundos. Mas no tempo interno, que é seu, individual e intransferível, seus sentimentos marcam um tempo totalmente subjetivo. Cada minuto pode não ser mais de 60 segundos, pode parecer 10 segundos ou 10 horas, depende do que você estiver vivendo.

De modo geral, sentimos que o tempo acelera em situações prazerosas, e quase para em situações desagradáveis. E dependendo do que você viveu, na sua memória os fatos podem estar totalmente fora da ordem cronológica.

Seu tempo pessoal é mais que o tempo interno ou subjetivo. É o tempo de construção da sua identidade, um tempo para ressoar dentro tudo o que viveu. É o tempo de 
construção da pessoa que você se tornou com tudo que aprendeu, ou com tudo que a sua alma relembrou. O tempo pessoal a gente cria, e num espaço de tempo tão curto quanto um segundo, você pode escolher mudar tudo.

Você pode estar consciente dos tempos interno e externo ao mesmo tempo. Mas o importante é você saber que, além do tempo do relógio, você precisa de um tempo pessoal para se reorganizar após experiências e aprendizados. Pode ser que, nesse momento, para você, o relógio ande rápido, e seus sentimentos, pensamentos e comportamentos precisem de mais tempo para se manifestar.

Respeite essa percepção de estar vivendo em dois tempos diferentes. Respeite seus ritmos interno e de vida. Respeite seu tempo e o tempo de cada um.

Mudanças, por escolha, ou por imposição da vida, exigem tempo para pôr ordem no corpo e nas emoções, para reaprender a viver e conviver nessa nova realidade.
Não existe um padrão comum de comportamento após uma mudança. Cada um tem seu tempo de desconstruir o antes para construir o agora. O tempo desse processo é pessoal, individual e relativo.

Para você pode ser rápido, mesmo que para os de fora, pareça que demorou. É o seu tempo, o tempo necessário para que você acomode dentro as histórias vividas antes, durante e depois de cada virada que a vida dá. Respeite-se e respeite. O tempo pessoal é isso mesmo, pessoal e único. É pessoal e interno, mas nem por isso você precisa estar sozinho.

Se você precisar expressar emoções e sentimentos provocados por mudanças, e não sabe como, busque ajuda. Amigos podem lhe ouvir, e um profissional pode ajudar a mudar a perspectiva dos fatos, permitindo uma ressignificação do ocorrido, abrindo espaço para a compreensão, aceitação e, quem sabe, para a confiança, o perdão e a gratidão pelo aprendizado.

Ressignificar pode curar um pouco mais o que ainda lhe dói, pode ajudar a aceitar a vida e o que ela traz a cada momento, pode abrir um espaço em você para que o seu melhor se manifeste.

Ressignificar não muda o que aconteceu. Muda sua maneira de lidar com o que aconteceu. No seu tempo, no seu ritmo, dentro da sua possibilidade. 

                                                                                                                                                                                                             

domingo, 25 de setembro de 2016

Poder Feminino

Érima de Andrade

É interessante que qualquer livro que você abra ao acaso,
tem uma frase que é para você. Exatamente aquilo que faz sentido naquele momento para você, “salta” da página de um livro que você abre só para dar “uma olhadinha”.

Hoje, depois da aula do curso Poder Feminino, um curso de empoderamento, “que conduz a participante a um mergulho de olhar sobre si e a leva a reconhecer, fortalecer e se apropriar de sua essência feminina”, do Centro Hoffman, abri um livro de Allan Kardec e li:“sua alma liberta entrevê novas claridades e compreende o que não compreendia antes.”

Perfeito! É esse mesmo o meu sentimento. Liberdade com novas claridades e novas compreensões.

Cada movimento de autoconhecimento feito por você, abre um mundo só seu. Abre um novo mundo só seu. Uma nova janela, uma nova maneira de se conhecer, um olhar mais apurado sobre quem você é, o que pensa, o que sente, como age, como sonha. E nesse curso não foi diferente, me abriu novas janelas, num novo mundo.

Somos infinitos, temos muito para nos conhecer, e muitas maneiras de fazer isso. Tantos caminhos, um só destino. Poder dizer: eu sou essa que aqui está, com todo meu bem e todo o meu mal.

Eu sou essa que busca. Mas também sou essa que mostra o caminho. Eu sou quem abençoa e quem é abençoada. Eu sou quem aprende e quem ensina. Eu sou única e ao mesmo tempo tão igual a tantos outros. Eu pertenço a esse mundo, a essa tribo, a esse grupo, cada vez maior, de pessoas que já descobriram que somos todos o mesmo um, vivendo em milhões de possibilidades.

O Poder Feminino me deu um insight, tão importante, de uma crença minha, limitante, que me foi infundida com tanto amor, com um cuidado tão amoroso, tão aos poucos e todo dia, que não percebi que me limitava, que me impedia de usar o meu poder plenamente.

É libertador. E é trabalhoso. Descobrir é apenas o primeiro passo. Uma vez a crença descoberta, eu posso eliminá-la, basta trabalhar nesse sentido. Não é mágico, as vezes não é rápido, mas é eficiente. Não tenho desculpas. Uma vez que sei, não posso mais fingir que não sei. Continuar a alimentar essa crença, ou mudar essa crença, agora é uma escolha minha.

Mudar depende de mim, da minha vontade, do meu empenho, do meu poder. O curso me deu o mapa, a bússola, a direção. E eu escolho sim, partir nessa viagem. Escolho repetir minhas preces, pois quero que sejam atendidas. Escolho não repetir reclamações, pois não quero que virem uma crença. Escolho perdoar a minha história, me libertar da culpa e reconhecer o meu valor. Escolho aprender com meus erros e acertos. Eu escolho me responsabilizar pela minha mudança. Eu escolho contar minha história positiva. Eu escolho aceitar todo o bem que vem para mim.

Gratidão Heloisa querida! Que bom que nessa vida encontrei Heloisa Capelas!

Ô coisa boa aprender e poder fazer escolhas conscientes! Escolho semear o amor por onde eu for!

                                   

Vamos juntas?

domingo, 6 de dezembro de 2015

Enfim dezembro!

Érima de Andrade

Dezembro é um mês com energia especial. É o último mês do ano. Quando chega dezembro as pessoas têm, normalmente, uma das duas sensações: nossa, passou rápido, ou nossa, ainda bem que o ano está acabando.

As pessoas que sentem que passou rápido, de modo geral, mergulharam na rotina e não perceberam a passagem do tempo. O cérebro esquece situações repetidas, ela coloca todas elas numa caixinha como se todas fossem a mesma única. Por isso estar mergulhado na rotina, fazendo todos os dias tudo sempre igual, dá uma sensação de não ter feito nada. E o tempo passou rápido, já é dezembro.

Para sair disso é preciso mudar e marcar. Mudar a rotina, buscar novas alternativas, novos caminhos, novas maneiras de estar no mundo. E marcar, marcar, de alguma maneira, cada evento. Pode ser uma comemoração a cada 100 trabalhos feitos; se 100 é um número muito alto para você, comemore seus trabalhos terminados num número redondo que se adapte a sua realidade. Você merece comemorar todas as etapas da sua vida.

Terminou um tratamento, comemora. Conseguiu um novo cliente, comemora. Mais um livro foi lançado, comemora. E isso não significa dar uma festa para mil e quinhentos convidados. Não é essa a ideia. A ideia é marcar aquele feito com algo significativo para você. Uma foto, um brinde, um bolo, café na cama, passeio, viagem, um encontro, qualquer coisa que seja significativa.

Conheço uma empresa que comemora os feitos dividindo um vinho com todos os envolvidos na história. É só isso, lá na empresa mesmo, abrem um vinho e dividem. Mas eles têm muito orgulho do pote de rolhas. É o troféu, uma lembrança de quanto eles já conquistaram.

É essa a ideia, comemore as conquistas da sua rotina e você vai ver como acaba essa sensação de que o tempo passou rápido.

As pessoas que chegam em dezembro com a sensação de nossa, ainda bem que o ano está acabando, são aquelas que tiverem um ano especialmente cheio, e ver o fim, logo ali, desperta nelas o segundo fôlego, aquela respirada que motiva a continuar até o fim.

Segundo fôlego, do ponto de vista fisiológico, é aquela sensação tão conhecida dos atletas, de facilidade e nítida vontade de terminar, que acontece na parte final das provas, em momentos dramáticos de acumulação de estresse, esforço e ânsia de ver ultrapassada a linha de chegada. 

Uma sensação que surge como magia no preciso momento em que o esforço é mais agudo. Nesse momento tudo de penoso que surgiu durante a prova é esquecido, todos aqueles momentos em que a meta pareceu cada vez mais distante ficam para trás, e surge uma nova determinação, como se a prova tivesse acabado de começar.

O segundo fôlego vem da motivação, disciplina e superação, não precisa ser atleta para viver isso. Quem olha para dezembro e pensa, está acabando, acessa em si mesmo o segundo folego. E segue em frente, a linha de chegada está logo ali.

É maravilhoso que o nosso tempo seja contado assim em fatias, meses, anos. Isso nos permite viver essa sensação de estar completando um ciclo. E renova nossas energias para viver o próximo ciclo que se aproxima.

Você sabia que a virada do ano é o único evento anual que não está associado a nenhum evento da natureza? Mudanças de estação, páscoa, carnaval, todos eles estão relacionados a um evento natural. Mas o réveillon é uma invenção social. Fica combinado assim, dia 31 de dezembro o ano acaba, dia 1° de janeiro o ano começa.

E graças a isso, vivemos essa sensação de ciclo completado. Pode até parecer que estamos andando em círculos, vivendo todos os anos as mesmas coisas, mas não é bem assim. O tempo segue uma espiral ascendente. Passamos por aquele ponto, só que uma oitava acima.

Se você vive dezembro como passou rápido, ou como está acabando, tanto faz. Apenas não desperdice a oportunidade de aprender com o que você vive. Aproveite todas as possibilidades.


E respire, vem aí uma nova chance.

domingo, 11 de outubro de 2015

Brincando com a inteligência

Érima de Andrade

Li essa citação de Rubem Alves, educador, psicanalista, escritor, quando fui ao lançamento do livro Bordados do Coração, da Teresa Bessil, no Cantinho da Batata, em Icaraí, Niterói:

“A inteligência gosta de brincar. Brincando, ela salta e fica mais inteligente ainda. Brinquedo é tônico para a inteligência. Mas se ela tem de fazer coisas que não são desafio, ela fica preguiçosa e emburrecida.”

É claro que na hora pensei em neuróbica. Neuróbica, você lembra, é uma palavra criada por neurocientistas que significa aeróbica dos neurônios, ou ginástica cerebral.

Já escrevi por aqui vários textos falando sobre neuróbica, mas não custa relembrar que a neuróbica deixa seu cérebro ágil e saudável, ativo e estimulado. E com o cérebro em ordem, todas as funções cognitivas são favorecidas.

Você não precisa de nada especial para fazer neuróbica, basta usar o que você já tem em casa, pois os melhores exercícios para os neurônios são as triviais atividades do cotidiano. A vida cotidiana é a academia ideal para a aeróbica da massa cinzenta, ou se você preferir, as atividades do seu dia a dia são o playground perfeito para sua inteligência.

E como bem explicou Rubem Alves, a inteligência gosta de desafios. E isso não tem nada a ver com fazer tirolesa, ou pular de uma ponte preso num elástico. Os desafios para a inteligência são as novidades, as quebras na rotina.

A rotina não é um problema, afinal ela nos auxilia na organização das tarefas diárias, tornando automático os movimentos repetitivos. O cérebro não pensa para fazer movimentos repetitivos. Se por um lado isso é desejável, por outro, o excesso de rotina, limita o cérebro, que vai entrando num processo de desuso, perdendo flexibilidade, atrapalhando a cognição, ou seja, a capacidade de assimilar conhecimento. Ele precisa brincar para se manter bem.

E fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obriga o cérebro a um trabalho adicional, estimulando, ativando, mantendo-o vivo. É isso que faz a neuróbica, contraria as suas rotinas, convida você a brincar com suas atividades diárias para estimular o seu cérebro.

Mudar dá trabalho. Até você acostumar com a mudança, você fica bem atrapalhado. Minha irmã mudou a lixeira da cozinha de lugar. Passou o dia jogando lixo no chão. E catando, e limpando e colocado no lugar certo. Mas é essa novidade que faz bem aos seus neurônios. Quanto mais você se exercitar, mais rápido você vai se acostumar com as mudanças. E essa agilidade mental é muito desejável, vale a pena conquistá-la.

Pense nos seus desafios diários como brincadeiras. Vamos brincar de mudar os objetos de lugar? Vamos brincar de tomar banho de olhos fechados e diferenciar xampu de condicionador pela textura e pelo olfato? Brincadeira ou neuróbica? Os dois!

Que você ofereça brinquedos para a sua inteligência. O Edson Marques tem um texto com várias propostas de mudanças. Inspire-se e divirta-se!
  
Mude

“Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros, viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova Vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude.
De novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"Edson Marques