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domingo, 18 de fevereiro de 2018

E se eu não fizer nada?

Érima de Andrade

Amo o perfume do manacá. Comprei uma muda, plantei no meu quintal. Ela cresceu, floresceu e segue muito bem, obrigada.

Na terra que veio com ela, veio junto a semente de uma outra planta, uma árvore, que não conheço. Eu sempre penso que, senão matar minha muda, eu não preciso arrancar.
Considero que é um presente e deixo nascer. E ela brotou, uma árvore de crescimento rápido. Tudo ia bem até que ela começou a ficar alta demais. Cresceu com aquela aparência de árvore de floresta fechada, alta com o tronco fino. Ai começou a criar problemas… um vento um pouco mais forte colocava em risco meu telhado.

Cortei a árvore. Uma poda drástica com a intenção de podá-la sempre que volte a ficar alta. Não preciso matá-la para proteger meu telhado.
Sabia que voltaria a brotar, então deixei apenas um metro de tronco. E me surpreendi com a “reação” dela. Além de começar a brotar no tronco, de todas as raízes também brotaram rebentos, ou seja, novas árvores. De uma árvore cortada parece que pode surgir uma nova floresta. E isso é sempre impressionante. 


Ela não morreu em nenhum momento, nem era essa a intenção, mas dá para dizer que voltou a vida. Os brotos anunciam que ela vai se regenerar. A natureza realmente se recompõe, é só dar espaço. 

Uma pesquisa rápida confirma que algumas árvores reagem à poda fazendo brotar novos rebentos da sua raiz. Algumas árvores têm a particularidade de emitir, a uma certa distância do tronco, novos rebentos a partir do seu sistema radicular, mas que progressivamente se libertam da raiz original para levar uma vida independente. Removê-los não mata as raízes e pode até estimular o surgimento de outros rebentos. 

Por mais que isso seja impressionante, aqui não é possível deixar seguir, a menos que eu queira matar a árvore-mãe, e não quero.
Os que nasceram aqui em casa, não tem distância suficiente do tronco para se tornar independentes sozinhos sem danificar a árvore-mãe. Posso até tentar fazer mudas deles, mas não posso deixar onde estão. Ou seja, nesse caso não dá para não fazer nada. 

“Devem-se arrancar ou deixar estar estas ramificações? A dúvida é comum a muitas pessoas”, afirma Ana Carvalho, engenheira agrária. Ela explica:“Os rebentos chamam-se rebentos ou ramos ladrões. Devem ser removidos, uma vez que retiram a força de crescimento do tronco principal. Eles podem ser retirados em qualquer época do ano sem prejuízos para a árvore principal”. 

(Cléo, Chica, o manacá e os rebentos.) 


Na sua vida também é assim, mesmo que pareça que tudo vai florescer bem, nem sempre é possível deixar como está. Se vários novos caminhos se abrem a sua frente, você precisa escolher um. Mesmo que todos os caminhos que se abriram para você sejam maravilhosos, você vai ter que eliminar todos os outros que não foram escolhidos.

Não dá para não fazer nada, você realmente precisa escolher uma das muitas possibilidades. Precisa escolher, por exemplo, se quer a árvore ou rebento. Ou que caminho você vai querer trilhar, o antigo ou o novo que se apresenta. Precisa escolher quais rebentos, ou caminhos, serão descartados, e virarão adubos, que fortalecerão a sua escolha. Nada se perde. Só de parar e avaliar atentamente cada caminho para escolher um deles, você aprende e alimenta sua escolha com mais tranquilidade, consciência e confiança. Senão escolher, você perde todas s possibilidades.

Se você se conhece pouco, se vive uma incerteza com relação a quem é e o que quer da vida, possivelmente você tem dificuldades de fazer escolhas. Essa dificuldade faz de você uma pessoa apegada, alguém que se torna incapaz de abrir mão de qualquer opção, deixando tão difícil a tomada de qualquer decisão.

Pessoas apegadas adiam, enrolam e postergam indefinidamente suas tomadas de decisão. Esquecem que ao não escolher também fizeram uma escolha, já que a vida continua e existem consequências. Há sim uma perda quando se faz escolhas, e pode gerar sofrimento, mas cabe a você continuar da melhor maneira possível.

“Apegos perturbam a mente e nos impedem de agir com liberdade”, explica a monja Coen.“É preciso ter consciência se você está se apegando demais à comida, a uma pessoa, a uma situação qualquer e isso está atrapalhando os seus relacionamentos. É preciso distinguir os benefícios. Se é gostoso e saboroso, mas fiquei presa numa teia e vai me causar mal, é hora de desapegar”, ensina.“Tudo que começa a causar muitos impedimentos para a vida, deixa de ser uma coisa boa, deve ser desapegado”, completa.

Para desapegar, é importante ir pelo caminho do meio, desapegando até mesmo do desapego obrigatório. “Possuo uma velha roupa de monja. Olho para ela e são tantas as memórias de um certo mosteiro que não largo a roupa”, reconhece a monja.

Desapegar não é abandonar tudo, é ter equilíbrio, é soltar o que lhe causa impedimentos, é ter disposição de encarar os novos ciclos quando se apresentarem. É possível ser desapegado e ter desejos de viver de maneira confortável nesse mundo. Apesar disso, garante a monja Coen, o desapego liberta.

Pessoas desapegadas são mais tranquilas nas suas escolhas, se conhecem melhor, conhecem sua essência e sabem que perder alguma coisa, ou se distanciar de alguém, não muda sua verdadeira natureza. Pessoas desapegadas fazem as escolhas com mais compreensão, vivem com mais harmonia, calma e receptividade, especialmente quando mudar o caminho não for uma opção sua.

Fazer escolhas certas é uma questão de saber o que você está procurando com o resultado da sua decisão. É confiar que continua se movendo em direção dos seus objetivos, se renovando, aprendendo e se tornando uma pessoa melhor.

“Não há caminho errado, mas sei que há caminhos que trazem menos felicidade porque são caminhos desconectados de nossa essência. Somos seres projetados para sermos felizes e a felicidade está onde a essência está.” Paula Quintão


E se eu não fizer nada? Nada muda. E os caminhos que se abriram, deixam de existir.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Vivendo na Matéria

Érima de Andrade

Somos todos um, e os mosquitos, o trânsito, as águas confirmam isso.
Não somos todos a mesma personalidade, somos todos o mesmo ambiente, as mesmas condições de tempo e trânsito, os mesmos problemas ambientais.

Mas também somos todos parte da solução. Se não cuidarmos dos focos dos mosquitos pensando em ser um com todos, não resolveremos problema algum. O mosquito não está interessado em saber se você está no seu quintal limpo, e ele nasceu no quintal ao lado cheio de depósitos interessantes para as larvas. Ele vai atrás de qualquer um, e de todos, inclusive de você.

Também não adianta dizer que na sua casa o lixo é bem descartado. Quando chove, a água ignora de onde veio o lixo. Ela vai se acumulando onde tem espaço. Pode ser na sua rua, no seu quintal, as vezes até dentro da sua casa. A água não quer saber se você fez a sua parte. Ela simplesmente ocupa os espaços necessários ao seu volume.

A solução é sempre coletiva, porque o problema é coletivo. Cada parte contém o todo, somos mesmo um com a vida ao nosso redor. Não tem como fugir disso.

Nós, aqui em Itaipu, somos todos da mesma comunidade, vivendo os mesmos transtornos. Atualmente somos uma comunidade que sofre com o caos do trânsito por conta de uma obra na estrada.

Não tem alternativas paralelas, não tem diferença entre tipos e modelos de carros, não tem nenhuma vantagem estar a pé, de bicicleta, de ônibus, de carro, de caminhão, nem de ambulância. Nada consegue ir mais rápido.

Uma e outra queixa direto na prefeitura, uma e outra conversa entre moradores, um e outro post na internet sobre a obra, e de eficiente, que consiga explicações, prazos, alternativas, não temos nada. Possivelmente porque não nos tornamos um com todos em busca de soluções e esclarecimentos, não agimos como um único indivíduo em busca de uma solução boa para todos.

Não tenho dúvidas que uma das nossas principais missões nesse planeta é aprender a lidar com o material, o físico, o meio ambiente. E temos muito que aprender.

Se no mundo espiritual conservamos pensamentos, sentimentos e crenças, é possível afirmar que, entender nosso corpo físico, cuidar dele, faz parte da nossa missão nesse planeta.

Entender o nosso corpo não é o mesmo que estudar anatomia, ou fisiologia. Entender é aprender os limites, possibilidades, reações, habilidades, necessidades.

De modo geral cuidamos muito mal do nosso corpo. Esse que é o nosso aspecto mais palpável e concreto. Quase todos somos inconsequentes nos cuidados com o corpo. Quase todos desconhecemos as consequências dos nossos cuidados, ou da nossa falta de cuidados.

Quantas pessoas você conhece que, um belo dia, se surpreendeu por estar acima do peso? Quantas só se deram conta quando se perceberam sem folego, fazendo esforço para se movimentar, se sentindo desconfortável nas próprias roupas?

E ninguém ganha peso de repente. Ganha gradativamente, através das pequenas escolhas de todo dia. Vai ganhando peso por deixar de pensar nas consequências dos pequenos excessos quase que diários.

Também é por não se perceber que muitos desidratam. Nem ao menos se dão conta das consequências de deixar de beber água. E, de repente, uma dor de cabeça mais persistente no fim do dia, um cansaço “inexplicado”, um ressecamento que não sabe de onde vem. Faltou água, faltou perceber que faltava água.

Também conheço pessoas que depois de um dia particularmente cansativo, não sabem o que fazer para relaxar, e garantir um sono de qualidade. E não sabem por nunca ter observado o que lhes faz bem, nem o que lhes relaxa na hora de dormir. Não se conhecem.

E atividade física? Você sabe que movimentos lhe dão prazer? Você já descobriu que atividades lhe dão prazer e satisfação, e de quebra, mantém seus músculos e articulações saudáveis?

Da maneira que eu vejo, somos mesmo muito inconsequentes com os cuidados com o corpo. E se não cuidamos bem dessa casa do nosso espírito, muito provavelmente também somos inconsequentes com nossa casa comum, o planeta.

É por pura inconsequência que não cuidamos do que descartamos. É por inconsequência que matamos nascentes, destruímos florestas, permitimos que os rios sejam assoreados, que sujamos matas, trilhas, praias, mares, oceanos.

Se viemos a esse planeta para aprender a lidar com a matéria, ainda temos um bom caminho pela frente até nos tornarmos uma humanidade melhor.

Como não dá para viver tudo numa vida só, aprender com a experiência do outro se torna fundamental. Estamos vivendo mesmo numa boa época de compartilhamentos de vivências e experiências.

Nunca tivemos tanta informação sobre alimentação, hidratação, higiene do sono, atividades físicas e soluções criativas para problemas comuns as pessoas e as cidades. Temos acesso ao que funciona e o que não funciona, para cada um, e em cada lugar. Podemos aprender com esses relatos.

Sou otimista. Acredito que muitos já despertaram para essa necessidade de pensar nas consequências de todas as escolhas, ações e atitudes. Muitos já perceberam que somos mesmo todos um.
 E que sendo um, seremos todos afetados pela falta d’água, pela poluição, pelos mosquitos, pelo trânsito...

Bora melhorar esse mundo!

domingo, 26 de novembro de 2017

Prumo

Érima de Andrade

Não precisa esperar o ano virar para estar no prumo. Para quem não sabe, o prumo é um instrumento que permite verificar a retidão de uma construção.
Alguém no prumo, é alguém que está com suas ações alinhadas com seus sentimentos, pensamentos, e crenças.

Todo momento é momento de decidir ir atrás do seu propósito de vida. E o fim de ano fomenta essa reflexão. Pipocam perguntas do tipo: o que fiz esse ano? Quero continuar fazendo no ano que vem? O que preciso fazer para mudar o que não me serve mais?

É um bom momento para avaliar o que aconteceu com você até agora. Como está a sua vida? Você está satisfeito com o rumo que ela está tomando? Suas escolhas estão alinhadas ao que você quer para você? Tem pendências para o ano que vem? Tem alguma correção de rota a ser feita? Você está fazendo aquilo que lhe faz bem? Você está fazendo aquilo que faz melhor? No que você é bom? Tem usado esse seu talento para alcançar seus objetivos?

Mas antes de tudo, é preciso saber, o que você quer para você? O que você escolhe para sua vida? Aonde você quer chegar? O que faz você feliz? Do que você gosta? Como você reage diante das dificuldades? E diante das oportunidades? O que precisa ser alterado na sua estratégia de vida para que você se sinta útil, pertencendo e feliz?

E uma vez que você comece a se perguntar, a se observar, as chances de entrar no prumo aumentam muito. Sabendo quem você é, o que gosta, o que não gosta, quais os seus talentos, quais as qualidades e habilidades precisam ser estimuladas, você escolhe que rumo quer dar na vida. Em qualquer dia, ou no ano novo.

Mas o céu está ajudando. Diz Titi Vidal: “Esse ciclo promete ser mesmo novo. Chegou o momento de reciclar, de virar certas páginas, de se transformar. Chegou a hora da lagarta se transformar em borboleta para poder voar. Chegou o momento de iluminar nossos porões e curar o que for preciso. Chegou o momento de curar velhas dores e mágoas e seguir em frente. Um novo ciclo para gente renovar, transformar, começar, retomar. Porque a vida sempre pode ser diferente.”

Pergunte-se: que mudanças posso fazer na minha vida que dependem unicamente de mim? O que eu quero e posso mudar? O que não vou mudar em mim?

Temos escolhas antes, depois só consequências. Por isso é importante assumir um compromisso com a vida que você quer viver. É preciso reconhecer seu limites para superá-los, é preciso ser coerente com suas capacidades e traçar planos realizáveis. É possível começar onde você está, fazendo o que você pode.

Se conhecer é uma escolha. É somente um ponto de partida, mas pode ser a porta de entrada para um novo tempo de mais liberdade e realizações.

E uma vez que tenha escolhido, você vai tomar conta de si, como bem escreveu Tulipa Ruiz nessa linda e deliciosa canção.

Que essa música inspire suas reflexões de fim de ano. Afinal já é Natal na Leader Magazine, e a Globo já está cantando que hoje é um novo dia… Tem mais de mês de 2017 para você refletir o que deseja para sua vida em 2018.

Bora lá!
Cantando é melhor: 



Prumo - Tulipa Ruiz

“Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si
Das tuas minhocas, caraminholas
Das encucações, dos teus pepinos.
Das pérolas, das abobrinhas
Dos abacaxis, dos nós, dos faniquitos

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Pra depois compreender
Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Do medo da morte
Do jarro de ouro que bate no touro do precipício
Na tosse, no tiro, na tara.
Na cara lavada na vala e no delírio

Pra depois compreender
Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando

Começou
Agora você vai tomar conta de si
Começou
Agora você vai tomar conta de si

Os teus defeitos, um por um
As raridades e o que é comum
Quando tá sozinho ou quando tá em bando
Quando o céu tá preto ou quando tá limpando”


domingo, 15 de outubro de 2017

Conflitos internos

Érima de Andrade

Nos meus atendimentos individuais, ou em grupo, sempre falo dos nossos quatro aspectos: emocional, intelectual, espiritual e físico. Já falei deles muitas vezes aqui no blog, mas se você quiser ler a respeito, dê uma olhada nesse post aqui.

De uns tempos para cá, tenho repetido, cada vez com mais frequência, como eu enxergo os conflitos da adolescência a partir dos nossos quatro aspectos. Explico que em algum momento na adolescência, surge, em algum nível de consciência, a constatação de que o seu intelecto está adulto, mas a sua emoção continua criança.

Ai o adolescente se empolga com sua própria adultice e resolve que vai ser adulto mais rápido, e para isso “inibe” suas “emoções infantis”. Ê estratégia ruim… Não valorizar o que sente atrapalha muito a vida. Mas quase todos nós já vivemos isso. Quase todos escolhemos ser adultos mais rápido e imaginamos que inibindo nossas “emoções infantis” conseguiríamos.

Quando se busca um trabalho de autoconhecimento com o objetivo de ser mais feliz, em qualquer linha que se busque, mesmo que isso não seja dito explicitamente, o trabalho será no sentido de fazer as pazes entre seu intelecto adulto e sua emoção criança. Um dos objetivos do seu trabalho de autoconhecimento será, necessariamente, trazer de volta ao seu dia a dia essa emoção que, em algum momento, você considerou inadequada, e integrá-la.

E claro que para isso, sua emoção deverá voltar a participar da sua vida, e crescer até sua idade atual. Sim, existem emoções infantis, mas o que se busca são as emoções adultas e integradas.

Ao bloquear as emoções infantis você, de imediato, bloqueia junto as características da criança saudável. Entre elas espontaneidade, criatividade, curiosidade, despreocupação, deslumbramento com o novo, interesses variados, descobertas, ousadias, inovações e tudo mais que colore a vida, levando junto a motivação. Bloqueia, inclusive, os insights que lhe ajudariam a descobrir o seu propósito nessa encarnação.

Por exemplo, você adolescente assistindo alguma coisa em grupo. Pode ser filme, vídeo, palestra, conversa, tanto faz. As vezes, sem nem ouvir os comentários ao lado que se dividem entre gostar ou não do que estão assistindo, você já vive esse conflito. Em vez de colocar consciência nas suas sensações e sentimentos, você se pega “avaliando” qual seria a melhor reação adulta para, enfim, expressar o que “sente”. Não tem espontaneidade que sobreviva em situações assim.

Esse conflito intelecto/emoção não é o único a complicar seu objetivo de ser um ser integral. E, as vezes, ainda na adolescência, também se vive um conflito espírito/corpo.

Tenho percebido que é cada vez mais comum a consciência, ou compreensão, de sermos um ser espiritual vivendo uma experiência material. É legal ver esse despertar da espiritualidade independente da religião. Isso é ótimo, e todos os caminhos para esse despertar são bem-vindos. Mas junta esse desejo de ser cada vez mais espírito, e mais adulto, e pronto, as barreiras a felicidade e a satisfação pessoal vão ficando mais e mais largas, colocando lá no fundo, bem escondido, suas emoções, sensações e descobertas.

Muitos caminhos não religiosos promovem o despertar da espiritualidade e a consciência de sermos espíritos vivendo uma experiência nesse corpo, nesse planeta, nessa matéria. E mesmo repetindo sempre, me parece que nem todos se dão conta do significado total dessa frase: somos espíritos vivendo uma experiência na matéria.

Então, se assim for, faz parte dessa experiência aprender a lidar com esse corpo, nessa matéria, nesse planeta. E, nesse caso, permitir as sensações, sentimentos, vibrações que acontecem em cada momento, independente se você considera, ou não, que é uma reação infantil.

Você precisa conhecer suas sensações, seus movimentos, suas crenças, afetos/emoções, necessidades, possibilidades, desejos, cuidados, prazeres, para aprender a lidar com eles. Faz parte dessa experiência nessa vida se sentir seguro no próprio corpo para acessar os pacotes de ondas de emoções tão comuns da adolescência. E só se conhecendo você se sentirá seguro.

Se não gostar do que sentiu, ou da maneira que alguma experiência afetou você, primeiro aceite, e depois investigue, usando seu intelecto, para descobrir porque você reagiu assim. Tem uma lição aí a ser aprendida. É dessa forma, aceitando e conhecendo, que você vai integrar suas emoções e sim, viver plenamente sua experiência como ser humano.

Nesse corpo humano temos um cérebro. E é através das sensações que o seu cérebro percebe o mundo e se relaciona com ele. Em terapia ocupacional, dizemos que você usa seus recursos pessoais para organizar suas experiências. E os seus principais recursos organizadores de experiências pessoais são: cognição, emoção, movimento, sentidos externos, sensações corporais e internas. Ou seja, tudo que essa experiência na matéria pode lhe oferecer de melhor.

Por isso só falar, racionalmente, sobre suas experiências, acessando assim somente o neocórtex, não é suficiente para integrar seus afetos. Olha o que eu escrevi como subtítulo do blog aí em cima: as vezes o que você precisa é mais do que só falar. É verdade. 
Só falar não é suficiente. Você também precisa acessar as regiões subcorticais para se conhecer, e só conseguirá isso com movimentos e sensações significativas.  

Você está vivendo uma experiência na matéria, aproveite todos os recursos que estão a sua disposição para saber quem é e o que veio fazer aqui. Use seus quatro aspectos para se conhecer.

Faz parte do autoconhecimento e 
da autoaceitação deixar que seus quatro aspectos percebam o que é de fato da sua natureza. Não brigue com essas percepções. Estar em equilíbrio é perceber-se em conforto consigo mesmo, reconhecendo a sua essência e não brigando com ela. 

O fato é que, negligenciar uma parte em você que não lhe agrada, suas emoções ou seu corpo, não faz com que deixem de existir. Também não a torna melhor. Reconhecer esses aspectos "negativos", torná-los seus com aceitação e acolhimento, lhe dá a possibilidade de transformá-los em úteis, e até benéficos.

Sim, o autoconhecimento é o caminho para saber quem você é, como se tornou quem é, e quais são as suas potencialidades e limitações, quais talentos possuí e quais ainda precisa desenvolver.

E se precisar de ajuda para se conhecer e para lidar com conflitos intelecto/emoção, ou espírito/corpo, procure um terapeuta. Esteja você na adolescência ou não. 


Terapeutas ajudam a lidar com conflitos em qualquer idade que eles apareçam. Também faz parte dessa experiência na Terra reconhecer que existem muitos seres que só esperam o seu pedido para lhe ajudar a viver plenamente essa vida. Peça ajuda, você não precisa passar por tudo sozinho.

Crescer dá trabalho mesmo, mas desejo que você faça um pacto de paz com seus aspectos e seja bem feliz vivendo essa sua experiência material.



(Desconheço a autoria da foto e do texto na foto.) 

domingo, 27 de agosto de 2017

Além da superfície

Érima de Andrade

Uma amiga, Mônica Jordão, comprou uma muda de rosa, num vaso. Comprou porque gostou, e é mesmo uma planta linda. Foi bem cuidada, se abriu, e
surpresa! Veio com filhotinhos! 


Muito além da superfície, ela tinha um jardim interno, e o apresentou para minha amiga, florindo como um buquê. Sim, de dentro da rosa saíram rosinhas lindas. Vou ilustrar esse post com as fotos que Mônica fez durante todo o processo. Como ela mesma diz: “A natureza responde ao cuidado”. E como respondeu!


Todos nós temos o nosso jardim interno, aquele lugar dentro de nós, onde nos sentimos seguros, protegidos e amados. Mas nem todos cuidam desse jardim.


Se você é daquele tipo de jardineiro que cultiva seu espaço interno com sentimentos bons, sorrisos, compreensões, delicadezas do cotidiano, amigos, amores, gratidão, um dia, sem nem você se dar conta, a primavera vai se abrir bem diante de todos que convivem com você. Como a rosa fez.


Você não precisa se programar para isso, o seu jardim bem cuidado simplesmente aparece. De tanto plantar sorrisos, gentilezas, cuidados, atenções amorosas, a vida lhe sorri de volta. Não tem jeito, você, de fato, vai sempre colher o que plantou. E isso é bom.


Se você é um jardineiro distraído, pode ser que nem tenha percebido que andou deixando cair em seu jardim, sementes de mágoa, tristeza, angústia, frieza, medo, ciúme, e ervas daninhas de todo tipo. Se voltar a ficar atento, pode arrancá-las assim que surgirem. Se não viu que estavam se desenvolvendo, elas crescem, sufocam suas flores, e quando se der conta, seu jardim secou e suas flores morreram. 


Eu tive uma supervisora que repetia sempre: “com apenas dois dedos arranco qualquer árvore do meu jardim. Como? Arrancando assim que nascem.” É isso. Se estiver atento, você arranca com dois dedos inclusive um jatobá. Com atenção, só as árvores que você escolher plantar, vão crescer no seu jardim.

                                                      
Se você deixou seu jardim de lado por muito tempo, além de precisar arrancar, até a raiz, as ervas daninhas que nasceram, precisará cuidar do solo. Nesse caso, é o perdão que fertiliza esse solo ressecado e sem vida, o deixando pronto para receber as suas novas sementes.


Mas só plantar novas sementes não basta. Para ter um jardim colorido, florido, gostoso de estar, você precisa cultivar desse seu espaço de crescimento pessoal, precisa praticar diariamente sua reforma íntima, ou seja, estar atento para arrancar as sementes ruins e só alimentar as boas sementes. Esse é o caminho do autoconhecimento, que 
é a capacidade de olhar para si mesmo com honestidade e isenção. É com o autoconhecimento que você constrói e mantém o seu jardim amoroso. 


Para dar certo e ser um bom jardineiro, você precisa desenvolver habilidades que permitam aperfeiçoar o seu trabalho de autoconhecimento, tais como: auto-observação; reservar diariamente momentos de silêncio interno com a respiração consciente ou meditações; alimentar seus quatro aspectos, emocional, intelectual, espiritual e físico; e desenvolver apreciação e gratidão por tudo que lhe acontece.


A gratidão é uma consequência do perdão. Ela implica em compreensão e aceitação da sua história de vida. A gratidão só é possível quando o coração está aberto, e o coração só se abre quando você compreendeu, perdoou e, portanto, aceitou. 


Há uma arte na gratidão, é claro. Assim como qualquer outra coisa, você só tira dela o que você colocar nela. “Após vinte dias semeando apreciação, flores começam a aparecer. Em mim, uma grande clareza de propósito se faz presente: eu sinto meu caminho com mais nitidez, meus pés estão mais ágeis, sentem o chão onde piso de forma mais apurada, meus passos são mais firmes... tudo isso por ter feito a escolha consciente de direcionar meu olhar para o que me nutre e de amar imensamente tudo o que vem até mim, tudo o que sou.”Bárbara Petri 


Seja grato. Cuide do seu jardim com leveza, carinho, lucidez. Cultive nele flores/amigos e flores/amores. Aproveite o jardim para integrar toda a sua história. Assim, bem diante dos seus olhos, muito além da superfície, quando você menos esperar, a primavera se abrirá para você.


Hoje, se pudéssemos ver o seu jardim, como ele estaria? 

Está tendo dificuldades para acessar seu jardim interno? 



Tudo bem, acontece. Que tal participar de um dos grupos Caminhos Internos, que estou formando? O mínimo que pode acontecer, é o caminho até o seu jardim, ficar mais claro. 
Dê uma olhada nesse post aqui para saber mais sobre essa proposta de trabalho.

Bora conhecer seu jardim?  

domingo, 9 de julho de 2017

Caminhos Internos

Érima de Andrade

Criei os encontros que estou chamando de Caminhos Internos, por insistência de uma amiga, que há mais de ano, pede/sugere que eu trabalhe com grupos.

Demorei esse tempo todo para me decidir porque não conseguia pensar numa maneira de trabalhar com grupo que não fosse curso com princípio, meio e fim, nem um grupo terapêutico tradicional.
Nos casos de psicoterapia sigo preferindo o atendimento individual.

Caminhos Internos não é um curso porque
não tem um objetivo a ser atingido pelo aluno no final de um período de tempo. Também não é psicoterapia porque não vou trabalhar com as questões trazidas pelas pessoas em cada encontro, e sim com temas que vou propor a cada encontro.

Mas Caminhos Internos é um trabalho de autoconhecimento
na medida que permite que você entre em contato com seus sentimentos, seus pensamentos e suas crenças em relação a cada tema abordado.

Vou propor um tema em cada encontro, e claro,
buscarei temas que tenham a ver com as pessoas que formarão cada grupo. Por exemplo, num encontro poderemos conversar sobre o tempo, sobre “eu não tenho tempo”, ou “tenho tempo demais”.

Vamos colocar clareza
no que acontece internamente com você para que não tenha tempo. Ou o que acontece para que seu tempo sobre e você não consiga tornar satisfatório esse seu tempo livre.

Vamos começar a conversa com perguntas do tipo: que mensagens mentais estão por trás da sua falta de tempo? Você cresceu acreditando que para ter sucesso tem que estar sempre ocupada? Suas crenças dizem que o desocupado não chega a lugar nenhum? Para você o ócio é a oficina do diabo? Ou é a sua exigência de perfeição que impede que você tenha tempo para reconhecer o que sente e o que pensa? Como você marca a sua passagem de tempo?

Não será um questionário, as pessoas não precisarão responder uma a uma essas questões.
As perguntas têm a função de dar início a conversa. E a maneira de cada um de lidar com o tema proposto dará a continuidade desse papo.

Alguns grupos acontecerão no Spaço Dosha, aqui mesmo em Itaipu.

Se essa proposta de trabalho lhe interessa, seja muito bem vindo a nossa roda!
            

Espero vocês!

domingo, 2 de julho de 2017

Reclamações e Soluções

Érima de Andrade

Uma das lições mais importantes a ser aprendida por quem quer trabalhar com gente, é:
o tempo é pessoal. Cada um têm o seu de lidar com o que lhe acontece.

Mudanças, internas ou externas, começam com a consciência do que deseja modificar.
Você só muda uma mesa de lugar, se souber, se tiver consciência, de onde ela está. Acontece o mesmo quando quer fazer reformas internas, você só muda o que tem consciência.

Ter consciência é diferente de ter informação.
Ao tomar consciência você se percebe sentindo e/ou pensando sobre como aquela informação lhe afeta. E é aqui, nessa etapa de autoconhecimento, que quero chamar sua atenção nesse texto. O tempo que cada um leva para tomar consciência das informações que recebe, é pessoal e intransferível.

Já ouvi de psicólogos, professores e fisioterapeutas, queixas do tipo: está demorando muito a evolução do paciente/aluno. Se você quer trabalhar com gente, a primeira grande lição a ser aprendida é essa: o tempo interno é individual.

Sempre a você só caberá mostrar o caminho. A decisão de caminhar é do outro. O tempo que leva para caminhar também é uma decisão do outro. Pode até ser que você tenha forçado bastante a barra e levado a pessoa, arrastada, até a beira do rio. Mas não vai conseguir que ela beba a água. Ela precisará escolher beber.

Por que estou batendo nesse ponto? Porque tenho escutado muitas reclamações. Reclamações vindas de todo tipo de pessoa. Ter estudo, ou cultura, não interfere no tempo interno. Você pode ser super diplomado, mas se não escolher aplicar em si seu conhecimento, nada muda. O que muda o tempo interno é sua decisão, consciente, de mudar.

Você pode se queixar por anos do seu emprego. Enquanto não tomar consciência de que coube a você a escolha de estar trabalhando com isso, você não conseguirá mudar. E, insisto, o tempo de sair da queixa para buscar soluções é individual.

Parece um paradoxo. Gosto dessa palavra, paradoxo. Cabe muito no texto de hoje. Vem do latim, paradoxum, significa "aparentemente absurdo, mas mesmo assim, verdade." E é a mais pura verdade: a solução dos seus problemas depende de você. Mesmo que o problema não tenha iniciado a partir de você, se lhe afeta, a solução depende de você.

Se você está no meio de uma situação desagradável, pergunte-se, "como eu posso colaborar para que isso mude?" E a pergunta vale tanto para você que não está gostando dos rumos da politica da sua cidade, estado ou país, quanto para você que não está feliz no seu emprego. A sua resposta vai lhe levar a solução do seu problema.

Se sua queixa for sobre política, a pergunta "como posso colaborar para que isso mude", vai levar a respostas de mudanças imediatas, do tipo: se tornar voluntário numa Ong que presta o serviço que você percebe como falho, ou fundar uma Ong para isso. E também respostas de mudanças mais a frente: se informar, de todas as maneiras, sobre os próximos candidatos para votar consciente em ideias que correspondam aos seus anseios. É o voto consciente que muda a politica que você não gosta.

Se é do seu trabalho que você reclama, a pergunta "como posso colaborar para que isso mude", também vai levar a respostas imediatas e para o futuro. 


Imediatamente, você pode se lembrar o que motivou sua decisão de trabalhar aí. Busque essa motivação no seu momento presente. Ainda é forte o suficiente para permanecer nesse emprego? Se sim, passe a se alimentar, diariamente, das positividades proporcionadas por esse seu trabalho. Faça o exercício do post passado, se obrigue a procurar, ao menos, uma coisa positiva para cada negatividade que você perceber. Pode acreditar, suas reclamações diminuirão. Talvez até desapareçam.

Se ao começar seu questionamento interno você descobrir que não lhe satisfaz, de maneira alguma, seu atual emprego, se pergunte: o que eu gostaria de estar fazendo agora? E busque as oportunidades de colocar em prática aquilo que lhe dará prazer e sustento. 

E pode ser que precise se requalificar, fazer cursos, formações, estágios. E tudo bem. Se ainda não está pronto para uma mudança de profissão, precisa mesmo se preparar. E durante esse processo de preparação, caberá a você manter o foco na motivação da sua mudança. Ou continuar reclamando.

As soluções estão sempre dentro de você. Não consegue sozinho? Busque ajuda. Mas vai sabendo que não é mágico. Para mudar, consciência é apenas o primeiro passo. Intenção o segundo. E ação o terceiro. E precisará também de persistência para se manter na ação. Mesmo assim, vale a pena.

Prefere continuar apenas reclamando? Tudo bem, eu respeito o seu tempo. Respeito todo o tempo que você precisa para descobrir que só se responsabilizando pela sua felicidade, você será feliz. Use o tempo que achar necessário. O tempo interno é mesmo individual.


Concordo com Rosa de Luxemburgo quando diz: "A liberdade que importa é a liberdade de quem discorda de nós". Para o post de hoje: o tempo que importa, é o tempo que o outro precisa. Nunca o tempo da sua ansiedade de terapeuta.

Que você encontre a paz necessária para fazer bem o seu trabalho. Que você seja feliz. Que você esteja em paz. Que você viva com alegria, dignidade e respeito. 

Que suas reclamações levem a muitas soluções.



domingo, 18 de junho de 2017

São planos ou expectativas?

Érima de Andrade

Sim, porque são diferentes.
Quando você traça um plano, você lista as providências, medidas e etapas que tem que percorrer para atingir um objetivo. 

É ótimo fazer planos, eles dão a direção para que seu objetivo seja alcançado. E tanto faz o objetivo que você escolheu, estudar, se conhecer, iniciar uma atividade, mudar o estilo de vida. Tendo claro onde quer chegar, e as etapas necessárias para que isso aconteça, mesmo que ocorram obstáculos, você chegará lá.

Expectativa é mais que um estado de quem espera por algo ou alguém. Embora possa ser usada nesse sentido também. Mas a expectativa que eu me refiro, tem uma tensão, uma ansiedade. É um desejo intenso por alguma coisa, uma espera baseada em probabilidades, pressupostos ou promessas de que algo aconteça. E aí, você deixa de ser o dono da ação, fica na expectativa.

E nesse ponto a história se complica. Você tem um sonho, claro que vai criar uma expectativa de vê-lo realizado. É ótimo quando você consegue ver como quer estar daqui a cinco anos e usa essa expectativa como entusiasmo para se planejar e correr atrás do seu objetivo.

Criar expectativa é muito bom quando a expectativa tem formato de fé, de acreditar em si mesmo, de esperança, de correr atrás do que deseja com amor e paciência, de entrar em sintonia com a vibração daquilo que você quer alcançar.

Acreditar em si mesmo, sintonizar com sua melhor parte para ultrapassar cada etapa com amor, respeito e paciência, pois a realização do seu objetivo pode não ser no tempo do seu desejo, esse é um bom caminho.

Um mau caminho é esperar que tudo aconteça exatamente como você planejou. É criar uma expectativa em forma de ansiedade, de querer que as coisas aconteçam do seu jeito e não aceitar de qualquer outra forma. De querer a perfeição e nada menos do que isso. Hum... problemas à vista se sua expectativa é essa.

Ninguém é perfeito. Todos temos insucessos, fracassos e fases de mediocridade. É um traço comum da nossa humanidade, somos imperfeitos.

A fórmula para o sucesso passa necessariamente pela aceitação da vida e do que ela traz a cada momento. Quanto mais brigamos com a realidade, menor é nossa capacidade de alterá-la.

Você será sempre o ponto de partida dos seus planos, por isso o autoconhecimento é tão importante. Para traçar planos possíveis de serem realizados, você precisa saber quem você é, quais as suas habilidades, quais suas limitações, o que você sente e pensa diante das situações fora da sua zona de conforto, porque elas vão acontecer.

Querer que as coisas aconteçam exatamente do seu jeito não é planejamento, é controle. Significa que você não reconhece que existe um momento certo para tudo, e que isto está além da sua possibilidade de determinação e controle.

E é essa tentativa de controle que torna a expectativa uma ansiedade tensa, um gasto energético sem tamanho, um sofrimento desnecessário.

Com determinação, de coração aberto, com bondade, respeito e a dignidade que lhe for possível, você estará pronto para abraçar com positividade as oportunidades que a vida oferece. Estará pronto para alcançar seus objetivos.

É importante deixar claro que você pode ser cuidadoso sem a tensão da preocupação e do medo. Sem dúvida, um pouco de preocupação, além de relevante, é saudável para todas as pessoas. Aliás, todos os sentimentos na dose certa e no momento oportuno são bons. O problema acontece quando exageramos e perdemos completamente o equilíbrio, e com ele a capacidade de tomar decisões pertinentes.

Sonhar é bom, mas é preciso ancorar a consciência no presente. É preciso contemplar o que a vida nos traz e como estamos respondendo a ela. Feridas do passado, ou antecipação do futuro, não são boas conselheiras para tomadas de decisão no agora.

Lembre-se, nada é positivo ou negativo por si mesmo, nem a expectativa. O que você faz com o que lhe acontece é que torna algo positivo ou negativo.

“Eu prefiro acreditar, ter fé, sonhar, imaginar e correr atrás daquilo que eu quero com a expectativa de que vou realizar do que viver me protegendo da possibilidade de ficar frustrada e nunca buscar nada, nem sonhar. Eu prefiro me jogar no presente e ao mesmo tempo me permitir o prazer de sonhar e acreditar no amanhã do que reprimir os meus desejos e vontades por medo de uma possível decepção. De uma forma ou de outra estamos imaginando o futuro, sem a menor certeza do que virá. Já que é pra imaginar o futuro, que seja de forma gostosa, positiva e do jeito que a gente quer!Stephanie Gomes

domingo, 2 de abril de 2017

O pobre coitado, coitadinho

Érima de Andrade

Como é cansativo conviver com o pobre coitado.
Coitadinho, tão incapaz para tudo. Incapaz de autonomia, independência, incapaz de felicidade. Como ser feliz se tudo o que eu quero da vida é que tenham pena de mim?

E se eu ficar feliz por sentirem pena de mim, tenho que manter a felicidade camuflada, senão a pena acaba e não tem mais como manipular a atenção das pessoas.
Como chamar atenção sem provocar pena? Ó céus, ó vida, ó azar, como sair dessa armadilha de perde e perde?

Pobres coitados, de modo geral,
sempre de modo geral porque cada caso é um caso mesmo, dão ao mundo externo poder sobre si e sobre sua vida. Muitos coitadinhos procuram fora de si as soluções das suas dores.

Se você tem certeza que é vítima das circunstâncias, que os outros estão com as rédeas da sua vida, e do seu equilíbrio, você precisa mesmo fazer de tudo para chamar a atenção do mundo. Você pode ter pena de si mesmo e se tornar um coitadinho, ganhando a atenção que necessita. Mas já fica sabendo que ter pena de si nunca foi uma solução.

Colocar o poder da sua vida no outro é se desresponsabilizar. E ao se desresponsabilizar, coitadinhos criam uma ausência de si mesmos que os impedem de ser protagonistas na própria vida. E consequentemente, de acreditar na possibilidade de estar em si a sua própria fonte de soluções para uma vida melhor.

Ser o coitadinho, e estar entregue à negatividade, significa que o investimento do poder, da força e da energia, está direcionado, e focado, na vitimização e no drama. Esse prazer negativamente orientado, alimenta a necessidade do vazio interno, de ser sempre aquela pessoa de quem todos têm pena.

É uma forma bem triste de mendigar atenção, carinho, aconchego, e de esconder o medo de encarar a vida de cabeça erguida. Tem muito a ver com imaturidade. Coitadinhos sofrem por colocar o foco no sofrimento, em vez de focar nas soluções dos seus problemas.

Coitadinhos perderam seu senso de valor, buscam fora de si a comprovação que não acham dentro. E se o mundo não valida suas expectativas de valorização, confirmam a crença de que são pessoas que não têm valor próprio, que não têm nada de especial, que não valem a pena.

Crença confirmada, rótulo de coitadinho, de vítima, colocado sobre si mesmo, e está feita a barreira que deixa cada vez mais longe a necessidade de se responsabilizar por seu crescimento, e pelas circunstâncias da sua desejada vida feliz.

Comportamentos e hábitos destrutivos não levam a lugar algum que valha a pena. Entendeu bem, coitadinhos são autodestrutivos. Ou que nome você daria para alguém que se desvaloriza tanto que passa a acreditar que é incapaz?

É verdade que viver na negatividade é um estado de dor. Viver nessa escuridão dá desespero, pois fica sem ter perspectiva de resolução objetiva dos seus problemas. Mas essa perda de visão é o sinal de que algo tem de ser transformado.


Para sair desse estado sombrio tem que decidir primeiro, interna e profundamente, querer mudar. E mudar aqui significa se conhecer, descobrir ou redescobrir o seu valor. Sim, parece cruel, mas é verdade: primeiro tem que se responsabilizar pela sua mudança, só assim para deixar de ser o pobre coitado.

Não tem como mudar fora sem mudar dentro. Mudar fora, de emprego, parceiro, profissão, casa, e continuar a pensar da mesma maneira, agir da mesma maneira, responder aos acontecimentos da mesma maneira, não muda nada. A mudança pela mudança não muda absolutamente nada se você não se transformar internamente primeiro.

Se você não se transformar internamente primeiro, você vai continuar atraindo para sua vida os mesmos tipos de situações, de problemas e de pessoas.O caminho da cura é sempre interno, olhando para dentro, colocando luz, se conhecendo. Períodos de crises e de depressões, são uma forma da vida alertar que o caminho não é esse, que alguma coisa não está bem, que precisa uma mudança.

Ao olhar para dentro, ao reconhecer seu valor, é possível acabar com as crenças auto sabotadoras. É possível entender que a vida é muito mais que mendigar afeto, amor e compreensão. É possível conquistar autonomia e crescimento.

Olhar para dentro é importante porque, na maior parte das vezes, o coitadinho não tem consciência da profundidade e origem das suas convicções. E são essas convicções que o levam para o fundo do poço, à espera de um alguém, externo, que venha para lhe socorrer.

Autoconhecimento é o melhor caminho, porque coloca luz na sua história, permite que você ressignifique o seu passado, se perdoe e siga em frente.

Olhar para dentro pode ser começar com a pergunta: como eu posso me amar mais nesse momento e iniciar meu processo de transformação?

Talvez você descubra que tem que começar se perdoando. Perdoar não é fácil. Dá um trabalho imenso Mas, sem sombra de dúvida, vale cada milímetro do esforço de ressignificar o que você viveu. Perdoar é parte da cura de qualquer processo de dor.

E o próximo passo, claro, começar a agir diferente. O que, normalmente, chamamos de problemas, pode ser um poderoso estimulo para a sua mudança necessária. Acredite, tudo o que aconteceu na sua vida serviu para lhe trazer a este exato momento. E este momento é tudo que você precisa para caminhar na direção da sua felicidade.

Se conhecer é um exercício diário. A decisão de mudar tem que ser sua, mas não precisa mudar sozinho. Se precisar de companhia, não hesite em pedir ajuda.

Você tem o poder de deixar de ser o pobre coitado, use-o.


domingo, 8 de janeiro de 2017

Sendo uma fraude

Érima de Andrade

Você conhece alguém que se mostra sempre feliz, sempre bem resolvido, sempre adequado nas suas tarefas? E esse alguém vive algum desconforto quando recebe um elogio? Do tipo “se me conhecesse de verdade não diria isso de mim”?

É dessa fraude que estou falando no post de hoje.
Tentar agradar a todos é uma estratégia antiga para se sentir aceito, amado e pertencendo. Mas cobra um preço alto demais. Será que vale mesmo a pena tentar ser quem você imagina que se sairia melhor nos relacionamentos? Se você não consegue ser você, você consegue confiar que se relaciona com alguém que está sendo autêntico?

Olha que ciclo vicioso, de pior para pior ainda, a pessoa se mete quando tenta agradar todo mundo. Um desgaste emocional sem tamanho... vale a pena?

Talvez tenha acontecido assim com você, ou com alguém que você conhece, um dia acordou triste e não quis preocupar ninguém. Se sentiu vitorioso com a estratégia, ninguém notou. Chegou a comemorar um pouco. Achou que seria um bom caminho e passou a “estar sempre bem” e a fazer a “coisa certa”. Ou seja, a agir da maneira que você acha que agrada mais aos outros, da maneira que você imagina que os outros acham que é o certo a fazer. Hum... armadilha à vista.

Disfarça uma coisinha aqui, evita uma outra ali, e você chega ao ponto de não tomar mais consciência no que, de fato, você está sentindo. E se não sabe o que sente, não pode agir de acordo. Simples assim.

Como você não tem mais como acessar esse mal-estar inicial, ele está super bem escondido, você nem lembra onde tudo começou, a tendência é fermentar e crescer cada vez mais. Para dar conta desse crescimento, você vai criando mais e mais barreiras tentando calar as emoções rejeitadas, que agora já são muitas, pois algo em você já tem certeza que elas não são adequadas.

E você se torna aquele que vive fingindo para ver se a alma se adapta. Sua alegria não tem mais brilho, sua tristeza você não percebe, e todas as suas forças estão voltadas para enganar a sua própria consciência. E nesse ponto chega alguém e lhe elogia. Você pensa: se soubesse mesmo como eu sou...

Inevitável não se sentir uma fraude. Você sabe que não é como aparenta, mas também sabe que não sabe mais como você de fato é.

A saída dessa armadilha é cultivar seu amor–próprio, gostar de você, se respeitar. Só dá para amar o que você aceita, só dá para aceitar o que você conhece. Sim, a saída é mesmo o autoconhecimento. E pode começar com a auto-observação, com a intenção de tomar contato com o que sente, desde o momento que se prepara para levantar e começar o dia. É esse diálogo interior que precisa ser estimulado. É daí que vai surgir o verdadeiro você.

E nesse caminho, você precisa abrir mão de crenças e preconceitos do tipo: se eu não agir assim, ninguém vai me amar; se eu mostrar o que sinto, serei abandonado; se eu não for perfeito não poderei fazer parte. E todos os outros nessa sintonia. Abrir mão dos preconceitos e crenças significa olhar sem distorções o que lhe acontece a cada momento. 


Comece ficando um pouco em silêncio, fazendo contato com emoções e pensamentos. Se percebendo, se respeitando, você será capaz de, aos poucos, expandir o exercício para todos os momentos do seu dia. A única maneira de se sentir bem, é respeitando o que você sente, sem fingir, sem fugir, estando ou não triste, mal-humorado, ou com qualquer outro mal-estar.

Para lhe ajudar, saiba que você é mais perfeito sendo do que tentando ser. E que mostrar o que sente lhe torna humano. Mas, é um fato, ninguém vai estar ao seu lado se usar o que sente para agredir os que estão por perto. Sentir nunca foi o problema, o que você faz com o que sente é que aproxima ou afasta as pessoas.

Tentar ser uma manga a vida toda, vai esconder todas as qualidades da maçã que você nasceu para ser. Faça o que você sabe, aja como acreditar ser a melhor maneira, assuma o que está sentindo. Ninguém espera de você algo que você não é.

Ah, e também você não precisa guardar isso para você. Mesmo antes de optar por uma terapia, ou um curso de autoconhecimento, você tem amigos e pode contar com eles.

Tem uma campanha muito boa acontecendo no Facebook, #janeirobranco de cuidados com a saúde mental, que tem a intenção de lhe lembrar que você não está só.

“Minha porta está sempre aberta a qualquer um dos meus amigos que precisem conversar. Sofrer em silêncio não é nenhuma demonstração de força. Eu tenho um vinho na geladeira... se não quiser vinho, tem um chá gelado (e café) ... tem suco de uva... tem uma comidinha caseira que vai ficar pronta logo (ou eu peço), logo na panela também. Tem alguns instrumentos musicais para quem quiser fazer barulho (por ora o violão tá no conserto), tem sempre um bom papo para conversar ou pode ter um livro que há tempos você pensava em ler. Se quiser, pode só ficar em silêncio também e sempre posso emprestar um ouvido amigo.
Vocês são sempre bem-vindos!!
Ah, pode ser por Skype também.
Será que algum amigo poderia copiar e re-postar? (não compartilhar). Estou tentando demonstrar que sempre haverá alguém para ouvi-lo.
#ConsciênciaDoSuicídio
#JaneiroBranco


E vale também o conselho da querida Paula Regina Del Cantão: “Não é possível fazer ou mudar tudo de uma vez,... então,... para não pirar,... vamos lembrar que PEQUENAS e CUIDADOSAS ESCOLHAS que fazemos todos os dias nos transformam na MELHOR VERSÃO DE NÓS MESMOS!!!”

É isso. E se precisar, eu estou aqui.