Érima de Andrade
“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.”
Sempre que leio alguma coisa assim, penso logo em Adão e Eva. Nunca me conformei com a história que diz que Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso por tê-Lo desobedecido. Deus, vingativo?!? Punitivo?!? Não..., não combina com a imagem amorosa que tenho Dele...
Até que compreendi. Adão e Eva, como todos nós, tinham o livre arbítrio. Não adiantaria ter livre arbítrio se não fosse possível fazer escolhas. Então a eles também foi dado o poder de escolher. Podiam tudo no Paraíso, menos comer o fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”.
Então havia uma árvore, a “árvore do conhecimento do bem e do mal”, que eles não podiam comer o fruto, se quisessem continuar no Paraíso.
Prestem bem atenção, não é de uma árvore qualquer, é o fruto da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”.
E eles comeram.
Queriam saber tudo.
“Seja feita a tua vontade, pois o que for a tua vontade será a minha vontade para ti.”
E assim, eles vão para vida fora do Paraíso, conhecer tudo.
E para conhecer, é preciso viver.
Para conhecer o frio é preciso sentir frio, para conhecer a fome, é preciso ter fome, para conhecer o alívio, é preciso superar um momento de tensão, para conhecer o descanso, é preciso se cansar, para conhecer o amor, o desamor, a sabedoria, a manipulação, o bom senso, a competição, a compaixão, o perdão, a despedida, o encontro, a cobiça, a alegria, a rejeição, a espontaneidade, a liberdade, a raiva, a esperança, e assim por diante, é preciso viver.
Não tem como ter o conhecimento de tudo na vida senão viver. Sem a vivência seria só informação, não o conhecimento.
E também não tem como conhecer tudo numa única vida.
Para mim, é quase óbvio que é preciso viver várias vidas, experimentar muitas existências, para adquirir todo o conhecimento do bem e do mal. Então é preciso reencarnar, e reencarnar, até que se tenha vivido tudo, aprendido tudo, conhecido tudo. Nascer, morrer, e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei, nos dizem os espiritas.
Deus disse: “Vai filho, vai ser feliz na Terra. Que seja de acordo com a tua vontade. Sempre terei compreensão e compaixão por ti e o amarei independente do que faças. Tens livre arbítrio, podes escolher. Portanto és responsável por seus atos. Todos os atos têm consequências. És responsável por elas também.”
E desde então, todos os nossos atos tem consequências, e sim, todos nós arcaremos com elas.
E cá estamos nós, fora do Paraíso, aprendendo a nos responsabilizar por nossas escolhas.
Vai ver o pecado original é isso, nascemos com livre arbítrio que nos torna responsáveis por nossos atos e pelas consequências deles...
E não tem jeito, porque não escolher também é escolher.
Nós, brasileiros, tão fãs de novelas, somos capazes de assistir uma cena e já sabermos qual será a consequência daquilo para o personagem. Por que não fazemos isso com nossa vida? Não treinamos em nós esse olhar de espectador?
À noite, quando você for agradecer pelo seu dia, ou rezando, ou fazendo o seu caderno de gratidão, que tal aproveitar para confirmar que seus atos estão levando para o caminho que você escolheu?
Você tem um projeto, um objetivo?
O que você faz no seu dia a dia lhe aproxima ou lhe afasta dele?
Você tem claro aonde quer chegar?
Está fazendo tudo ao seu alcance para alcançar seu sonho?
As consequências dos seus atos, das suas atitudes diárias, vão de encontro aos seus desejos?
Você tem livre arbítrio, está sempre livre para mudar de ideia. Faça suas escolhas.
Como você quiser, assim será.
domingo, 28 de junho de 2015
Consequências
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domingo, 21 de junho de 2015
Vivendo em sociedade
Érima de Andrade
“Para viver bem com as pessoas, afora amá-las, é preciso que elas tenham privacidade, espaço para serem criativas, permissão para errar, aceitação pelo que são e pelo que não são.” Bob Hoffman
A primeira vez que li essa frase eu pensei em mim.
Pensei, como seria bom se eu tivesse tido ao longo de toda a minha vida a minha privacidade preservada!
Que delícia teria sido ter permissão para errar quando eu estava aprendendo. Que bom seria ter tido espaço para ser criativa com todas as pessoas com quem convivi.
Que maravilha ser sempre aceita, em especial quando, sendo eu mesma, eu não correspondia a imagem que tinham de mim.
Como tudo isso teria sido útil na construção do meu amor próprio... mas não foi assim. E se não posso mudar meu passado, posso mudar meu presente e fazer um futuro melhor.
E aí reli essa frase e pensei, e eu? Eu estou oferecendo isso tudo as pessoas que convivem comigo?
Eu permito a elas privacidade? Eu espero a perfeição? Eu dou espaço para as novidades? Eu quero que se encaixem na imagem que eu construí de cada uma delas? As vezes sim... eu também não dei a elas incondicionalmente tudo o que eu considero importante para vivenciar a felicidade...
Aí pensei nos meus filhos. Eu os estou educando lembrando que são únicos e especiais?
Claro que não.
Como podem se expor ao mundo com coragem e confiança seu eu não deixava espaço para tentarem fazer de uma outra maneira? Como descobrir defeitos e qualidades se eu esperava que acertassem sempre? Como saber quem são se eu esperava que os dois reagissem iguais, ignorando qualidades e talentos, focada unicamente na “boa educação”?
“Um homem que ama a si mesmo respeita a si mesmo e um homem que ama e respeita a si próprio respeita os outros também, porque ele sabe, ‘Assim como eu sou, os outros também são. Assim como gosto do amor, respeito, dignidade, os outros também gostam'”. Osho
Me amar fez toda a diferença na minha vida: amar a si mesmo é um requisito fundamental para que o ser humano possa vivenciar a felicidade. E por isso, sou muito grata ao Bob Hoffman, o criador do método que fez com que eu descobrisse o meu amor por mim.
Passei a me observar, a pensar antes de agir, a me perguntar antes de qualquer coisa, está errado mesmo ou é apenas uma nova maneira de fazer, diferente do que eu faria?
Descobri que sim, eu e meus filhos somos muito parecidos, mas não somos iguais. E tem coisas que eu gosto e eles não. Tem coisas que um deles gosta e o outro detesta, e não tem nada a ver comigo.
Inventam coisas que jamais passaria pela minha cabeça, e é maravilhoso.
Privacidade é um espaço sagrado. Deixar que tenham o espaço deles não significa abandona-los a própria sorte, virar as costas e não se importar. Ao contrário, é por amor e respeito que o espaço deles está preservado.
E assim, amando, dando privacidade, espaço para serem criativos, permissão para errar, aceitação pelo que são e pelo que não são, que vamos construindo uma linda história de amor, auto-estima, respeito e convivência.
Que todos nós possamos ser felizes.
Que o melhor sempre se manifeste em nossas vidas.
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domingo, 14 de junho de 2015
Com tudo e apesar de tudo
Érima de Andrade
Tenho escrito com frequência que podemos escolher o que sentimos, mas isso não é verdade. Temos escolha sim, mas não temos controle sobre nossos sentimentos diante de uma situação inesperada.
Tenho escrito com frequência que podemos escolher o que sentimos, mas isso não é verdade. Temos escolha sim, mas não temos controle sobre nossos sentimentos diante de uma situação inesperada.
Temos controle, e poder de escolha, sobre o que continuar sentindo depois de uma reação inesperada. Você pode escolher que sentimento alimentar depois da sua primeira reação.
Se no meio da manhã você recebe uma notícia desestruturante? Ok, sinta sua fragilidade, sua impotência e depois de tudo, e apesar de tudo, se reestruture. Uma nova realidade exige uma nova postura, novas atitudes, novos caminhos, e mesmo nessa situação, você pode ser feliz.
É uma escolha: se lamentar infinitamente ou ser feliz apesar de tudo?
Nem tudo dá certo, há que se aprender a suportar a frustração. Mas se diante das adversidades você lembrasse que pode olhar o mundo de forma diferente? E se o que você acha que não deu certo, deu certo sim!, mas você não acredita por que esperava outra coisa?
Com tudo o que você passou, e apesar de tudo o que você passou, você pode escolher sentir gratidão e carinho, por cada aprendizado.
Se passou por uma situação de estresse, demorado, mas depois foi tudo maravilhoso, o que você vai escolher lembrar? Do estresse, ou da sensação de tudo resolvido?
Se o corte de cabelo não deu certo da primeira vez; se o vôo parecia mais longo e interminável do que você lembrava; se resolver qualquer coisa com qualquer operadora de telefonia móvel consome muito mais tempo do que você queria; se mesmo com toda sua atenção, a comida não ficou boa; se acontecesse tudo isso num mesmo dia, ainda assim, com tudo isso, e apesar de tudo isso, você pode continuar a sorrir, pode continuar a ser feliz.
“Rir não é uma forma de desprezar a vida, e sim de homenageá-la. Mas atenção pra sutileza: isso não significa passar os dias feito uma "boba alegre", dando bom dia pra poste. Trata-se de rir por dentro. De achar graça nas coisas. Mesmo as que não dão muito certo. A essa altura você já deve ter descoberto que nem tudo dá certo.” Martha Medeiros
Com tudo e apesar de tudo, você pode.
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domingo, 7 de junho de 2015
Ser feliz ou ter razão?
Érima de Andrade
De vez em quando encontro com pessoas que sofrem, mas se recusam a ceder. Para elas a resposta à pergunta, ser feliz ou ter razão, é sem dúvidas ter razão. Ficam presas a um episódio da própria vida apenas para ter razão, sem perceber que, nesse caso, o vigia é tão prisioneiro quanto o vigiado.
E seguem teimando numa disputa que não permite vencedores.
A vida toda passa a girar em torno desse entrave. Isso me fez lembrar uma crônica do Luiz Fernando Veríssimo publicada na Revista do Jornal do Brasil, há uns 20 anos pelo menos. Claro que eu não tenho mais a revista, mas como a internet facilita muito qualquer pesquisa, consegui achar o texto e trouxe aqui para o blog. Ilustra bem como a vida passa a girar em torno de um episódio que tinha tudo para ser insignificante.
Boa leitura!
"O jogo", por Luiz Fernando Veríssimo
"― Nicou.
― Não nicou.
― Nicou!
― Não nicou!
Atracaram-se. Rolaram pelo chão. Eram vizinhos. Os dois com oito anos. Xingavam-se aos gritos.
― Filho disto!
― Filho daquilo!
As duas mães citadas correram para ver o que estava acontecendo. Separaram os dois, que choravam de dor e de raiva. As mães tiveram que segurar os dois com força e levá-los, cada um para a sua casa. Senão a briga recomeçava.
Nunca mais jogaram bola de gude. Nunca mais brincaram juntos. Quando um deles mudou de casa, botou a cabeça para fora do carro e gritou para o que ficava.
― Nicou!
O outro não teve tempo de responder. Mas fez um gesto expressivo. Nicou aqui, ó!
Reencontraram-se anos depois, por coincidência, no ginásio. Encararam-se, meio sem jeito. Mas não se falaram. No fim do ano, um tinha tirado o primeiro lugar da turma e o outro, o segundo. No ano seguinte, foi o contrário. Disputaram a presidência do grêmio estudantil. Foi uma campanha violenta, com ataques pessoais. Entrou mãe no meio. Houve acusações mútuas de desonestidade no jogo, o que ninguém entendeu. O derrotado fundou um grêmio dissidente. Cada um entrou para um cursinho pré-vestibular. Os cursinhos brigaram, pela imprensa, sobre qual dos dois fizera o melhor vestibular na cidade. Entraram os dois para a Engenharia.
Um casou com a segunda fortuna do país. A notícia saiu em todas as colunas sociais. O outro casou com a terceira fortuna do país. Saiu matéria paga em todas as revistas nacionais.
Quando um construiu um edifício de 36 andares, o outro construiu um de 40. Um anunciou o lançamento do maior empreendimento imobiliário do continente, o Brazilian Golden Palace Tower Suites, edifícios de 80 andares na Rio-Santos com vista para o mar. O outro criticou publicamente a construção de espigões na área e o uso absurdo de nomes em inglês e anunciou a construção, ao lado, de edifícios de 82 andares, Lês Jardins Plein Soleil sur la Mer.
Um construía um edifício, o outro construía dois. Um destruía um marco histórico ou uma casa antiga, o outro destruía um quarteirão. Lideravam grupos sociais rivais. Um organizou a Festa do Pavão Deslumbrado, no Iate. O outro organizou a Noite das Línguas Afiadas para comentar o fracasso da festa do primeiro, no Country. Um fechou o Regine’s com o seu grupo e foi notícia nacional. O outro fechou a Regine na Avenida Atlântica com o seu carro e foi notícia internacional.
Um decidiu retirar-se da vida empresarial e dedicar-se à arte. O outro também anunciou que renunciava aos grandes negócios e se tornava um patrono da cultura. Para começar, fundou uma revista de crítica de arte.
Um inventou a arte monumental. Seu primeiro trabalho foi um gigantesco obelisco de isopor. (“Simbolizando”, disse a revista do outro, “o que o artista tem na cabeça: absolutamente nada”). A seguir, desapropriou e arrasou uma grande área urbana para erguer uma estranha escultura, grandes bolas pintadas como bolas de gude, sendo que duas das bolas se tocavam. Chamou a escultura de A Grande Nicada.
Não responderia aos seus críticos. Convidou autoridades e personalidades para um cruzeiro no seu iate, durante o qual seria inaugurada a sua obra mais recente. Tinha comprado uma ilha no Oceano Atlântico. Na praia colocara uma tabuleta, A Ilha. Com a sua assinatura embaixo.
Todos a bordo do iate comentavam a engenhosidade do artista quando tiveram sua atenção atraída para um avião que sobrevoava a ilha, soltando fumaça branca. Era o avião do outro, que escrevia no céu, de horizonte a horizonte: “Que bobagem!” Mas o outro estava preparado. A uma ordem sua, a cúpula do jardim de inverno do iate abriu-se, revelando a existência de um canhão antiaéreo. O avião do outro foi derrubado. Mas antes de mergulhar no mar, escreveu com fumaça no céu: “Não nicou.”
O outro, desesperado, afundou o próprio iate. E naufragou junto com os convidados, que não entendiam mais nada, gritando: “Nicou! Nicou!”"Luiz Fernando Veríssimo
De vez em quando encontro com pessoas que sofrem, mas se recusam a ceder. Para elas a resposta à pergunta, ser feliz ou ter razão, é sem dúvidas ter razão. Ficam presas a um episódio da própria vida apenas para ter razão, sem perceber que, nesse caso, o vigia é tão prisioneiro quanto o vigiado.
E seguem teimando numa disputa que não permite vencedores.
A vida toda passa a girar em torno desse entrave. Isso me fez lembrar uma crônica do Luiz Fernando Veríssimo publicada na Revista do Jornal do Brasil, há uns 20 anos pelo menos. Claro que eu não tenho mais a revista, mas como a internet facilita muito qualquer pesquisa, consegui achar o texto e trouxe aqui para o blog. Ilustra bem como a vida passa a girar em torno de um episódio que tinha tudo para ser insignificante.
Boa leitura!
"O jogo", por Luiz Fernando Veríssimo
"― Nicou.
― Não nicou.
― Nicou!
― Não nicou!
Atracaram-se. Rolaram pelo chão. Eram vizinhos. Os dois com oito anos. Xingavam-se aos gritos.
― Filho disto!
― Filho daquilo!
As duas mães citadas correram para ver o que estava acontecendo. Separaram os dois, que choravam de dor e de raiva. As mães tiveram que segurar os dois com força e levá-los, cada um para a sua casa. Senão a briga recomeçava.
― Nicou!
― Não nicou!
― Não nicou!
Nunca mais jogaram bola de gude. Nunca mais brincaram juntos. Quando um deles mudou de casa, botou a cabeça para fora do carro e gritou para o que ficava.
― Nicou!
O outro não teve tempo de responder. Mas fez um gesto expressivo. Nicou aqui, ó!
Reencontraram-se anos depois, por coincidência, no ginásio. Encararam-se, meio sem jeito. Mas não se falaram. No fim do ano, um tinha tirado o primeiro lugar da turma e o outro, o segundo. No ano seguinte, foi o contrário. Disputaram a presidência do grêmio estudantil. Foi uma campanha violenta, com ataques pessoais. Entrou mãe no meio. Houve acusações mútuas de desonestidade no jogo, o que ninguém entendeu. O derrotado fundou um grêmio dissidente. Cada um entrou para um cursinho pré-vestibular. Os cursinhos brigaram, pela imprensa, sobre qual dos dois fizera o melhor vestibular na cidade. Entraram os dois para a Engenharia.
Um casou com a segunda fortuna do país. A notícia saiu em todas as colunas sociais. O outro casou com a terceira fortuna do país. Saiu matéria paga em todas as revistas nacionais.
O primeiro edifício construído pelo primeiro se chamava Nico. O segundo construiu um edifício de cinco andares chamado Nonico.
Um teve um filho. O outro teve gêmeos. Um foi morar num apartamento de cobertura. O outro comprou a cobertura do lado, um andar mais alto, e mandou colocar uma faixa no lado do prédio, virada para a cobertura do outro. Na faixa havia só uma palavra. Nicou.
O outro comprou o edifício ao lado, despejou o vizinho da sua cobertura, destruiu o edifício, ergueu outro em seu lugar, com o gabarito máximo, e foi morar na cobertura. Nos mesmos jornais que anunciavam a inauguração do novo prédio apareceu um misterioso anúncio de página inteira que dizia o seguinte: “Está certo. Mas nicou”.
Quando um construiu um edifício de 36 andares, o outro construiu um de 40. Um anunciou o lançamento do maior empreendimento imobiliário do continente, o Brazilian Golden Palace Tower Suites, edifícios de 80 andares na Rio-Santos com vista para o mar. O outro criticou publicamente a construção de espigões na área e o uso absurdo de nomes em inglês e anunciou a construção, ao lado, de edifícios de 82 andares, Lês Jardins Plein Soleil sur la Mer.
Um construía um edifício, o outro construía dois. Um destruía um marco histórico ou uma casa antiga, o outro destruía um quarteirão. Lideravam grupos sociais rivais. Um organizou a Festa do Pavão Deslumbrado, no Iate. O outro organizou a Noite das Línguas Afiadas para comentar o fracasso da festa do primeiro, no Country. Um fechou o Regine’s com o seu grupo e foi notícia nacional. O outro fechou a Regine na Avenida Atlântica com o seu carro e foi notícia internacional.
Um viu-se envolvido na falência fraudulenta do seu grupo imobiliário. Dias depois, o outro também era citado na concordata do seu grupo e fazia questão de dizer que a sua dívida era maior. Ambos foram socorridos pelo Governo. Um comprou um barco com piscina, cinema, sauna e adega climatizada. O outro comprou um avião a jato com cama redonda.
Um decidiu retirar-se da vida empresarial e dedicar-se à arte. O outro também anunciou que renunciava aos grandes negócios e se tornava um patrono da cultura. Para começar, fundou uma revista de crítica de arte.
Um inventou a arte monumental. Seu primeiro trabalho foi um gigantesco obelisco de isopor. (“Simbolizando”, disse a revista do outro, “o que o artista tem na cabeça: absolutamente nada”). A seguir, desapropriou e arrasou uma grande área urbana para erguer uma estranha escultura, grandes bolas pintadas como bolas de gude, sendo que duas das bolas se tocavam. Chamou a escultura de A Grande Nicada.
Todo o número seguinte da revista do outro foi dedicado a essa obra insana de uma mente doentia que envergonha a inteligência nacional, além de ser mentirosa. “A Grande Nicada é um embuste!” Houve um grande debate em todo o país sobre a validade ou não e as implicações sociopolíticas da arte monumental a partir de A Grande Nicada, mas o artista recusou-se entrar no debate.
Não responderia aos seus críticos. Convidou autoridades e personalidades para um cruzeiro no seu iate, durante o qual seria inaugurada a sua obra mais recente. Tinha comprado uma ilha no Oceano Atlântico. Na praia colocara uma tabuleta, A Ilha. Com a sua assinatura embaixo.
Todos a bordo do iate comentavam a engenhosidade do artista quando tiveram sua atenção atraída para um avião que sobrevoava a ilha, soltando fumaça branca. Era o avião do outro, que escrevia no céu, de horizonte a horizonte: “Que bobagem!” Mas o outro estava preparado. A uma ordem sua, a cúpula do jardim de inverno do iate abriu-se, revelando a existência de um canhão antiaéreo. O avião do outro foi derrubado. Mas antes de mergulhar no mar, escreveu com fumaça no céu: “Não nicou.”
O outro, desesperado, afundou o próprio iate. E naufragou junto com os convidados, que não entendiam mais nada, gritando: “Nicou! Nicou!”"Luiz Fernando Veríssimo
domingo, 31 de maio de 2015
Comunicação virtual
Érima de Andrade
Sou do tempo que era preciso pedir ajuda de uma telefonista para ligar de Petrópolis para Niterói. Pedir ajuda significa que: você liga para o número do interurbano, dá o seu número, o número e a cidade para onde você quer falar, e espera. Espera mesmo. Às vezes horas. Mas não esperava no telefone ocupando a linha, a telefonista ligava de volta para avisar que completou a ligação. E nesse meio tempo, claro, ninguém telefonava. Vai que ela completa a ligação e nosso telefone estava ocupado? Não dava para arriscar.
E para dar mais certo ainda, combinávamos com a pessoa a hora de ligar. Combinávamos por carta. Com tudo funcionando bem, a carta chegava em menos de uma semana, saindo de Petrópolis e indo para Niterói. E se vovó, a destinatária da carta, respondesse rápido, não dava nem quinze dias entre escrever, mandar e receber a resposta dela...
Por isso acho tão mágico a facilidade que temos hoje de nos comunicar. O telefone celular completa onde quer que você esteja. Você liga para sua vizinha e é surpreendida com a informação de que ela está fora do estado. E completou tão rápido! Nem parecia...
Email também é maravilhoso. Você escreve e a pessoa, quando tiver tempo, lê e responde. Telefone não, telefone obriga você a atender na hora. Email é como um bilhetinho, você escreve e a pessoa quando pode, lê. Se der sorte, responde até na mesma hora.
Se bem que email está virando quase uma coisa ultrapassada. Hoje é mais rápido escrever via Facebook, ou whatsapp, ou mensagem (ainda chama torpedo?) ou qualquer outro aplicativo do celular.
Impessoal? Nenhum pouco. Aliás, depende do usuário. Qualquer uma dessas formas de comunicação pode ser impessoal. Mas quando você quer mesmo se comunicar, são ferramentas maravilhosas.
Usando o Facebook encontrei colegas de colégio. Terminamos o que hoje chama segundo grau, há mais de quarenta anos. A vida se encarregou de deixar umas próximas, outras sumidas, e o Facebook nos reconectou. Combinadíssimo um jantar por ano. E já fizemos dois! O primeiro no “nosso aniversário” de quarenta anos. Bom demais rever essa turma. Impressionante como a sensação de intimidade permaneceu, mesmo não sabendo mais nada, ou quase nada, da vida umas das outras. Maravilhas da comunicação.
Mas não é só pelo Facebook que mantemos contato com pessoas queridas. Por email também. Essa semana fui a um “aniversariantes do mês”. Era da turma de hidroginástica. Há quanto tempo não faço hidro? Uns cinco, seis anos. Mas o contato via email nos mantem próximas. E ir num evento desses é sempre revigorante, conversa boa, sem pressa, lugar agradável, tudo conspirando para um bom momento. Nem sempre dá para ir, a agenda nem sempre combina, mas encontra-las é bom demais. E o email me avisa quando será o próximo. Muito bom!
E grupo de whatsapp? Como o trequinho funciona bem!!!! Faço parte de um grupo “família”. Uma irmã na Espanha, sobrinhos na Bahia, outros em Resende, outros do outro lado da cidade, mas nunca fomos tão próximos! Claro que ninguém escreve testamento, são frases rápidas, conversas que teríamos em volta de uma mesa almoçando. Mas como é bom nos “falarmos” assim!
O marido de uma amiga querida sofreu um AVC, ficou dois meses internado. Rapidamente criou-se um grupo de amigas dela no whatsapp. Quem conseguisse notícias, passava para as outras em mensagens para o grupo. Foi bom para todo mundo. Ela não precisou repetir a história inúmeras vezes, quem não conseguia ligar tinha notícias mesmo assim, e rapidamente circulava qualquer pedido de ajuda ou informação. Uma agilidade inimaginável no tempo das telefonistas...
Ouço muitas reclamações sobre o mundo virtual, que as pessoas estão se isolando, que é tudo impessoal demais. Será mesmo? Depende única e exclusivamente de você.
Você dá atenção às pessoas que estão ao seu lado?
Você não vive sem internet, celular, Facebook?
Você tem encontros presenciais?
É uma escolha. Nada é bom ou mal por natureza, depende apenas do uso que você faz das ferramentas que tem a disposição.
E se você não está conseguindo equilibrar sua vida virtual com sua vida real, que tal se perguntar o que está acontecendo? Do que você quer fugir? O que você evita vivendo só virtualmente? O que você evita fugindo da internet?
E se precisar conversar a respeito, conte comigo. Começamos conversando por email, erimacba@gmail.com e, assim que possível, conversamos “ao vivo e a cores”, frente a frente. Combinado?
Boa semana!
Sou do tempo que era preciso pedir ajuda de uma telefonista para ligar de Petrópolis para Niterói. Pedir ajuda significa que: você liga para o número do interurbano, dá o seu número, o número e a cidade para onde você quer falar, e espera. Espera mesmo. Às vezes horas. Mas não esperava no telefone ocupando a linha, a telefonista ligava de volta para avisar que completou a ligação. E nesse meio tempo, claro, ninguém telefonava. Vai que ela completa a ligação e nosso telefone estava ocupado? Não dava para arriscar.
E para dar mais certo ainda, combinávamos com a pessoa a hora de ligar. Combinávamos por carta. Com tudo funcionando bem, a carta chegava em menos de uma semana, saindo de Petrópolis e indo para Niterói. E se vovó, a destinatária da carta, respondesse rápido, não dava nem quinze dias entre escrever, mandar e receber a resposta dela...
Por isso acho tão mágico a facilidade que temos hoje de nos comunicar. O telefone celular completa onde quer que você esteja. Você liga para sua vizinha e é surpreendida com a informação de que ela está fora do estado. E completou tão rápido! Nem parecia...
Email também é maravilhoso. Você escreve e a pessoa, quando tiver tempo, lê e responde. Telefone não, telefone obriga você a atender na hora. Email é como um bilhetinho, você escreve e a pessoa quando pode, lê. Se der sorte, responde até na mesma hora.
Se bem que email está virando quase uma coisa ultrapassada. Hoje é mais rápido escrever via Facebook, ou whatsapp, ou mensagem (ainda chama torpedo?) ou qualquer outro aplicativo do celular.
Impessoal? Nenhum pouco. Aliás, depende do usuário. Qualquer uma dessas formas de comunicação pode ser impessoal. Mas quando você quer mesmo se comunicar, são ferramentas maravilhosas.
Usando o Facebook encontrei colegas de colégio. Terminamos o que hoje chama segundo grau, há mais de quarenta anos. A vida se encarregou de deixar umas próximas, outras sumidas, e o Facebook nos reconectou. Combinadíssimo um jantar por ano. E já fizemos dois! O primeiro no “nosso aniversário” de quarenta anos. Bom demais rever essa turma. Impressionante como a sensação de intimidade permaneceu, mesmo não sabendo mais nada, ou quase nada, da vida umas das outras. Maravilhas da comunicação.
Mas não é só pelo Facebook que mantemos contato com pessoas queridas. Por email também. Essa semana fui a um “aniversariantes do mês”. Era da turma de hidroginástica. Há quanto tempo não faço hidro? Uns cinco, seis anos. Mas o contato via email nos mantem próximas. E ir num evento desses é sempre revigorante, conversa boa, sem pressa, lugar agradável, tudo conspirando para um bom momento. Nem sempre dá para ir, a agenda nem sempre combina, mas encontra-las é bom demais. E o email me avisa quando será o próximo. Muito bom!
E grupo de whatsapp? Como o trequinho funciona bem!!!! Faço parte de um grupo “família”. Uma irmã na Espanha, sobrinhos na Bahia, outros em Resende, outros do outro lado da cidade, mas nunca fomos tão próximos! Claro que ninguém escreve testamento, são frases rápidas, conversas que teríamos em volta de uma mesa almoçando. Mas como é bom nos “falarmos” assim!
O marido de uma amiga querida sofreu um AVC, ficou dois meses internado. Rapidamente criou-se um grupo de amigas dela no whatsapp. Quem conseguisse notícias, passava para as outras em mensagens para o grupo. Foi bom para todo mundo. Ela não precisou repetir a história inúmeras vezes, quem não conseguia ligar tinha notícias mesmo assim, e rapidamente circulava qualquer pedido de ajuda ou informação. Uma agilidade inimaginável no tempo das telefonistas...
Ouço muitas reclamações sobre o mundo virtual, que as pessoas estão se isolando, que é tudo impessoal demais. Será mesmo? Depende única e exclusivamente de você.
Você dá atenção às pessoas que estão ao seu lado?
Você não vive sem internet, celular, Facebook?
Você tem encontros presenciais?
É uma escolha. Nada é bom ou mal por natureza, depende apenas do uso que você faz das ferramentas que tem a disposição.
E se você não está conseguindo equilibrar sua vida virtual com sua vida real, que tal se perguntar o que está acontecendo? Do que você quer fugir? O que você evita vivendo só virtualmente? O que você evita fugindo da internet?
E se precisar conversar a respeito, conte comigo. Começamos conversando por email, erimacba@gmail.com e, assim que possível, conversamos “ao vivo e a cores”, frente a frente. Combinado?
Boa semana!
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domingo, 24 de maio de 2015
Caderno de gratidão
Érima de Andrade
Já falei algumas vezes aqui no blog sobre gratidão. Gratidão é uma forma de amor. Agradecer faz com que um espaço dentro de você se abra para que o merecimento instale aquilo que é seu e que você está recebendo.
A verdadeira gratidão é mais do que graças murmuradas ou uma nota rabiscada. É a personificação da apreciação para o fato de que você está vivo e experimentando a vida, e de que você é capaz de aprender e crescer. É um profundo agradecimento por tudo.
Como pode a gratidão transformar a sua vida?
Vejamos um exemplo de “Tom”, cujo trabalho está deixando-o frustrado. Seu chefe é louco (não no bom sentido). As horas são longas, o trabalho é de entorpecimento mental, seu trajeto é infinito e mesmo que o dinheiro seja decente, ele está muito cansado da longa semana para aproveitar a vida. Tom acredita em sempre dar o seu melhor, mas ele está encontrando cada vez mais dificuldades de manter-se motivado. Ele é miserável, estressado e se sente preso, porque ele sabe que tem sorte de ter um emprego. Muitas pessoas que ele conhece estão desempregadas ou em risco de perder tudo.
Um dia Tom ouve sobre o poder da gratidão e decide tentar. Afinal, ele não tem nada a perder. Ele pega um caderno e escreve: “Coisas que eu sou grato no meu trabalho.” No fundo de sua mente ele está pensando: “Isto não vai demorar muito!”
Tom escreve a primeira frase:“Eu sou grato por um salário fixo.” Ele se sente grato, ele lembra-se do sofrimento de muitas pessoas que não estão recebendo nenhum salário.
Já falei algumas vezes aqui no blog sobre gratidão. Gratidão é uma forma de amor. Agradecer faz com que um espaço dentro de você se abra para que o merecimento instale aquilo que é seu e que você está recebendo.
Hoje quero compartilhar com vocês um texto e um vídeo sobre o caderno de gratidão. O texto é da Christie Marie Sheldon e o vídeo da minha querida amiga Melodia Moreno Hirata. Vale a pena colocar na sua vida essa ferramenta de positividade. Espero que gostem.
“Dos 86.400 ou mais segundos que você tem hoje, você tem tomado pelo menos um, para dizer obrigado?
A gratidão é uma das mais poderosas ferramentas para elevar nossa vibração que você pode praticar. Há uma arte na gratidão, é claro. Assim como qualquer outra coisa, você só tira dela o que você colocar nela.
“Dos 86.400 ou mais segundos que você tem hoje, você tem tomado pelo menos um, para dizer obrigado?
A gratidão é uma das mais poderosas ferramentas para elevar nossa vibração que você pode praticar. Há uma arte na gratidão, é claro. Assim como qualquer outra coisa, você só tira dela o que você colocar nela.
A verdadeira gratidão é mais do que graças murmuradas ou uma nota rabiscada. É a personificação da apreciação para o fato de que você está vivo e experimentando a vida, e de que você é capaz de aprender e crescer. É um profundo agradecimento por tudo.
Como pode a gratidão transformar a sua vida?
Vejamos um exemplo de “Tom”, cujo trabalho está deixando-o frustrado. Seu chefe é louco (não no bom sentido). As horas são longas, o trabalho é de entorpecimento mental, seu trajeto é infinito e mesmo que o dinheiro seja decente, ele está muito cansado da longa semana para aproveitar a vida. Tom acredita em sempre dar o seu melhor, mas ele está encontrando cada vez mais dificuldades de manter-se motivado. Ele é miserável, estressado e se sente preso, porque ele sabe que tem sorte de ter um emprego. Muitas pessoas que ele conhece estão desempregadas ou em risco de perder tudo.
Um dia Tom ouve sobre o poder da gratidão e decide tentar. Afinal, ele não tem nada a perder. Ele pega um caderno e escreve: “Coisas que eu sou grato no meu trabalho.” No fundo de sua mente ele está pensando: “Isto não vai demorar muito!”
Tom escreve a primeira frase:“Eu sou grato por um salário fixo.” Ele se sente grato, ele lembra-se do sofrimento de muitas pessoas que não estão recebendo nenhum salário.
Ele começa a escrever sua segunda frase:“Eu sou grato por meu chefe”, mas imediatamente rabisca-o. Isso não parece verdadeiro. Parece artificial, como se ele ‘tivesse’ de escrever isso. Seu chefe é um idiota, rude condescendente e irracional! O que há para ser grato?
Tom fecha os olhos e pensa por um tempo. De repente, seus olhos se abrem e ele escreve a sua segunda frase:“Eu sou grato por meu chefe me ensinar como não tratar as pessoas.” Uau! Tom é subitamente preenchido de emoção, há anos não se sentia assim.
Ele começa a olhar para as coisas absurdas e irritantes para ser grato. E para sua surpresa, ele encontra algo incrível em todas elas.
Em seu trajeto infernal: “Sou grato por meu trajeto, que me dá tempo para pensar e planejar” e “Agradeço morar em um bairro tranquilo, longe do barulho da cidade”.
Em seu trabalho de entorpecimento mental:“Eu sou grato pela minha capacidade de encontrar maneiras de tornar o meu trabalho interessante”, “Eu sou grato por poder encontrar o zen e estar no momento presente”, e “Sou grato por ter aprendido habilidades que se tornaram meu ponto de partida para coisas maiores.”
Sobre o comportamento irracional de seu chefe: “Eu sou grato por aprender como não gerir uma empresa”. E para sua surpresa:“Eu sou grato por ter me tornando uma pessoa mais paciente e compassiva por causa do comportamento do meu chefe.”
Sobre sua fadiga e necessidade de descomprimir no fim de semana: “Eu sou grato pelo tempo que tenho para relaxar”, e “Eu sou grato por ter a oportunidade de aprender a melhorar a minha gestão do tempo no trabalho para que eu possa ser mais produtivo com menos esforço.”
Quando ele terminou, Tom ficou chocado ao descobrir que ele encheu cinco páginas de seu caderno. Uma palavra de gratidão provocou outra, e outra, e outra…
Em sua alta vibração, Tom continua escrevendo sobre sua família, casa, esposa, saúde, vizinhos, carro, etc. Ele começou a focar em coisas que o irritam e deixam-no com raiva. Para seu deleite, o minuto em que ele se torna grato por algo que o irrita, o incômodo desaparece. Ele é substituído por gratidão e amor. A atitude de Tom para o trabalho e a vida em geral está completamente alterada.
Sua última frase? “Estou grato que minha mão esteja completamente dolorida porque eu tive a oportunidade de expressar os meus agradecimentos.”
Em pouco tempo, o nível energético de Tom começa a afetar as pessoas ao seu redor. Ele logo se vê promovido a uma divisão diferente, onde os seus talentos são apreciados. Ele já não reclama ou deixa seu trabalho estressá-lo. Ele ri mais.
Você pode estar em uma situação semelhante à de Tom, onde você está se concentrando no negativo e perdendo completamente o positivo.
A maioria de nós faz isso! Mas considere, também, que “negativo” e “positivo” são aspectos da mesma energia. Você não pode ter um sem o outro. Eles fornecem o contexto um para o outro, sem baixo, você não tem ideia de alto. Sem luz, você não teria nenhum conceito de escuro. Sem quente sem frio, sem sim, sem não.
Então olhe para a qualidade oposta em cada situação. Olhe para o bem.
Um diário de gratidão faz com que você veja o aspecto positivo de tudo. O significado pode estar escondido, mas se você tomar a abordagem de Tom e começar a escrever num fluxo de consciência, os significados vão se revelar a você.
Seja grato por pessoas e situações em sua vida que afetam seus nervos e irritam você. Tente descobrir por que eles te irritam tanto. Considere a possibilidade de que eles podem estar agindo como um espelho para mostrar-lhe aspectos de si mesmo que precisa mudar.
Escreva de manhã para definir o tom para o dia. E escreva à noite, para refletir sobre o dia. Seu diário não precisa ser longo. Frases simples serão suficientes.
E se você não consegue pensar em nada? Escreva: “Eu sou grato.” Só isso. SEJA grato.
Se você se comprometer a fazer este processo por 60-90 dias, todos os dias, você vai experimentar uma transformação em sua vida como você não pode imaginar agora. Você vai mudar completamente a sua atitude para com as coisas que irritam e incomodam você. A vida será mais feliz e mais gratificante apenas mostrando apreço.” Christie Marie Sheldon
Tom fecha os olhos e pensa por um tempo. De repente, seus olhos se abrem e ele escreve a sua segunda frase:“Eu sou grato por meu chefe me ensinar como não tratar as pessoas.” Uau! Tom é subitamente preenchido de emoção, há anos não se sentia assim.
Ele começa a olhar para as coisas absurdas e irritantes para ser grato. E para sua surpresa, ele encontra algo incrível em todas elas.
Em seu trajeto infernal: “Sou grato por meu trajeto, que me dá tempo para pensar e planejar” e “Agradeço morar em um bairro tranquilo, longe do barulho da cidade”.
Em seu trabalho de entorpecimento mental:“Eu sou grato pela minha capacidade de encontrar maneiras de tornar o meu trabalho interessante”, “Eu sou grato por poder encontrar o zen e estar no momento presente”, e “Sou grato por ter aprendido habilidades que se tornaram meu ponto de partida para coisas maiores.”
Sobre o comportamento irracional de seu chefe: “Eu sou grato por aprender como não gerir uma empresa”. E para sua surpresa:“Eu sou grato por ter me tornando uma pessoa mais paciente e compassiva por causa do comportamento do meu chefe.”
Sobre sua fadiga e necessidade de descomprimir no fim de semana: “Eu sou grato pelo tempo que tenho para relaxar”, e “Eu sou grato por ter a oportunidade de aprender a melhorar a minha gestão do tempo no trabalho para que eu possa ser mais produtivo com menos esforço.”
Quando ele terminou, Tom ficou chocado ao descobrir que ele encheu cinco páginas de seu caderno. Uma palavra de gratidão provocou outra, e outra, e outra…
Em sua alta vibração, Tom continua escrevendo sobre sua família, casa, esposa, saúde, vizinhos, carro, etc. Ele começou a focar em coisas que o irritam e deixam-no com raiva. Para seu deleite, o minuto em que ele se torna grato por algo que o irrita, o incômodo desaparece. Ele é substituído por gratidão e amor. A atitude de Tom para o trabalho e a vida em geral está completamente alterada.
Sua última frase? “Estou grato que minha mão esteja completamente dolorida porque eu tive a oportunidade de expressar os meus agradecimentos.”
Em pouco tempo, o nível energético de Tom começa a afetar as pessoas ao seu redor. Ele logo se vê promovido a uma divisão diferente, onde os seus talentos são apreciados. Ele já não reclama ou deixa seu trabalho estressá-lo. Ele ri mais.
Você pode estar em uma situação semelhante à de Tom, onde você está se concentrando no negativo e perdendo completamente o positivo.
A maioria de nós faz isso! Mas considere, também, que “negativo” e “positivo” são aspectos da mesma energia. Você não pode ter um sem o outro. Eles fornecem o contexto um para o outro, sem baixo, você não tem ideia de alto. Sem luz, você não teria nenhum conceito de escuro. Sem quente sem frio, sem sim, sem não.
Então olhe para a qualidade oposta em cada situação. Olhe para o bem.
Um diário de gratidão faz com que você veja o aspecto positivo de tudo. O significado pode estar escondido, mas se você tomar a abordagem de Tom e começar a escrever num fluxo de consciência, os significados vão se revelar a você.
Seja grato por pessoas e situações em sua vida que afetam seus nervos e irritam você. Tente descobrir por que eles te irritam tanto. Considere a possibilidade de que eles podem estar agindo como um espelho para mostrar-lhe aspectos de si mesmo que precisa mudar.
Escreva de manhã para definir o tom para o dia. E escreva à noite, para refletir sobre o dia. Seu diário não precisa ser longo. Frases simples serão suficientes.
E se você não consegue pensar em nada? Escreva: “Eu sou grato.” Só isso. SEJA grato.
Se você se comprometer a fazer este processo por 60-90 dias, todos os dias, você vai experimentar uma transformação em sua vida como você não pode imaginar agora. Você vai mudar completamente a sua atitude para com as coisas que irritam e incomodam você. A vida será mais feliz e mais gratificante apenas mostrando apreço.” Christie Marie Sheldon
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domingo, 17 de maio de 2015
Fé e emoções
Érima de Andrade
É muito
impressionante, para mim, ver quantas pessoas confundem a fé com as emoções.
Somos seres humanos formados por quatro aspectos: físico, o corpo; intelectual,
a mente; emocional, as emoções e espiritual, nosso lado mais intuitivo, sábio e
amoroso. Esses quatro aspectos só se dividem assim, de forma didática, pois em
nós, eles trabalham juntos.
Mas as questões
relacionadas a cada um deles têm soluções diferentes. Não adianta tentar resolver suas emoções
usando só a sua espiritualidade, nem resolver o seu físico usando só a sua
mente. Para uma vida saudável é importante alimentar, e bem, esses quatro
aspectos.
Meditar, rezar,
relaxar, tudo isso é ótimo para alimentar o seu ser espiritual, mas se existe
em você algum sentimento mal resolvido, nada disso vai funcionar. Você pode até
sentir algum alívio, se sentir mais tranquilo, mas enquanto não encarar de
frente o sentimento negativo que você esconde, você não se livrará dele.
Sim, eu confirmo,
você tem um aspecto espiritual na sua formação, é o seu aspecto sábio,
intuitivo e plenamente amoroso. E ele pode lhe ajudar a olhar, sem julgamentos
e sem culpa, os sentimentos negativos que você escondeu, até de você mesmo. Esse
é o caminho para integração amorosa dos seus quatro aspectos, olhar para si
mesmo sem julgamentos. Dê a mão ao seu ser espiritual e mergulhe fundo no seu
autoconhecimento, descubra sua negatividade e a transforme. Descubra as suas
verdadeiras emoções.
Bob Hoffman
explica: “Quando bebês recém nascidos tínhamos o direito de receber um fluxo
contínuo de amor incondicional de nossa mãe e de nosso pai. A maioria não
recebeu este amor. Como resultado, passamos a sentir que nossa essência, quem
somos de modo inato, não é boa, não é digna de ser amada.” Essa e a Síndrome do
Amor Negativo, nos consideramos indignos de ser amados. Repito, Amor Negativo é
nada mais do que o estado de se sentir indigno de ser amado. E acontece com
quase todo mundo.
Para sermos
amados por nossos pais, a maioria de nós, passou a agir de acordo com o que acreditava
ser o “certo”, e assim nos distanciamos cada vez mais da nossa essência. Isso
gera em nós uma solidão imensa, um medo profundo de não sermos aceitos como
somos verdadeiramente, uma sensação de não pertencimento a lugar nenhum.
Na nossa busca
por amor e pertencimento tentamos de tudo, tentamos com todas as forças ser o
que imaginamos que esperam de nós, tentamos agir como as melhores pessoas do
mundo, tentamos inclusive, agradar Deus. Só não olhamos a dor que sentimos, nem
a reconhecemos como nossa. Afinal, se eu mostrar quem eu sou, ninguém vai me
ajudar...
Historicamente,
a dor e o conflito causados pelas atitudes, sentimentos e comportamentos
negativos provocaram incontáveis infelicidades pessoais bem como erros sociais.
Estas negatividades são as barreiras reais à realização e à paz pessoal. Todos
nós somos afetados por elas todos os dias em um nível pessoal e coletivo.
É preciso
descobrir quando e onde você aprendeu a usar seus padrões negativos. Como os
sentimentos negativos passaram a fazer parte da sua vida? Você nasceu amoroso,
totalmente aberto para a vida. Como e onde você começou a se fechar?
Este é o começo
da jornada do autoconhecimento. Se for trilhada com comprometimento consigo
mesmo e dedicação, você chegará ao seu bem merecido destino de amor por si mesmo
e paz interna. Você se reconhecerá como um ser amoroso, digno de amar e ser
amado, respeitando em você, e nos outros, os aspectos físico, intelectual,
emocional e espiritual.
Que o amor
verdadeiro possa entrar na sua vida.
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