domingo, 15 de março de 2015

S’imbora, o musical

Érima de Andrade

Ontem fiz algo que há muito tempo eu não fazia: fui ao teatro! E amei!
Fui com a Rosangela, que compra os ingressos, me pega em casa, me leva ao teatro, me deixa em casa, tudo com o maior conforto e segurança. Gosto quando ela, depois de pegar todo mundo, nos convida a rezar um Pai Nosso, para que nossa noite seja abençoada. E foi.

Fomos assistir S’imbora, O Musical, A História de Wilson Simonal. Muito bom! Se você que está lendo esse texto, tiver a oportunidade de ir ver, não perca, vale muito a pena.

Simonal fazia muito sucesso na minha infância, e fiquei surpresa quantas músicas eu lembrava. Claro que não sabia todas as letras, mas cantei todos os refrãos. E a plateia cantava junto! O refrão “na tonga da mironga do cabuletê” foi o que a plateia cantou mais alto. Vários aplausos em cena aberta, e claro, uma ovação no final do espetáculo. São três horas de show, mas sinceramente, nem pareceu.

Você conhece a história dele? É bem triste, vai do cantor mais popular do Brasil, ao mais rejeitado. O texto é muito bom, e mesmo essa passagem triste, é tratada com leveza, e saímos de lá, cantando com a cena final. 

Mas é impossível não ver essa história e ficar sem pensar. Tudo aconteceu com ele, sua queda de popularidade, por conta de um boato, só desmentido anos depois quando ele faleceu. Mas mesmo vivo, o peso da difamação, o deixou sem vida. Não é impressionante o poder das palavras?

Pensa um pouco, você é alguém que conta uma história sem ao menos escutar os dois lados? Você já se perguntou se aquilo que você acha que é verdade e você divulga, é verdade mesmo? Com o poder da internet hoje em dia, uma história mal contada vira “verdade” depois de tanta divulgação...

Um exemplo disso é o texto da Regina Brett. Ela escreveu um texto aos 45 anos, com as 45 lições que aprendeu da vida.  Ela adicionou mais 5 lições quando completou 50 anos, e o texto correu o mundo. Mas... alguém ao repassar resolveu “completar o texto” com a informação errada de um texto escrito por uma senhora de 90 anos. Ao entrar no site da Regina, uma das primeiras coisas que se lê, é o desmentido da idade, e o quanto isso causou transtornos a ela.

Esse é só um pequeno exemplo, mas pesquisando a gente acha muito mais. Em especial, as pessoas públicas sofrem com isso.

Então vale a pena perguntar: o quanto você compartilha uma informação antes de confirmar a sua autenticidade? Parece um ato inocente, mas de grão em grão...

Se você quiser saber mais sobre Regina Brett e ler o texto que ela escreveu, eis o link que escrevi sobre ela e suas 50 lições de vida:  clique aqui .


Tenha uma boa semana!  

domingo, 8 de março de 2015

Escolhendo o que sentir

Érima de Andrade


Existe uma fábula Cherokee que ilustra o combate que acontece dentro das pessoas. Diz assim:

“Os anciões da tribo estavam preocupados com um dos garotos que, por se sentir injustiçado, tornou-se agressivo. O avô do menino o leva para conversar.

"Entendo sua raiva. Na planície dentro do meu peito, há uma batalha terrível entre dois lobos que vivem dentro de mim. Esses dois lobos tentam dominar o espírito de todos nós."

O garoto se interessa. Ele continua.

"Um é mau. Seus dentes afiados e tenazes como a raiva, a inveja e o ciúme. Ele caça a tristeza. Suas garras são afiadas como a cobiça, a arrogância e a pena que alguém sente por si mesmo. Esse lobo fareja culpa, ressentimento e inferioridade a quilômetros. Ele busca o orgulho, a glória e a superioridade."

Diante dos olhos brilhantes do pequeno índio, o velho completa:

"O outro lobo é bom. Seu olhar é tranquilizador como o perdão de um pai. Seus músculos fortes como a esperança de um amanhecer. Seus pêlos brilham como a serenidade de um lago. Ele fareja paz, humildade e empatia onde estiver. Ele é veloz como um gesto de bondade, audaz como a generosidade. Esse lobo busca verdade, harmonia e ."

Ambos ficaram em silêncio. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

"Qual lobo vence?"

O velho índio então responde:

"Aquele que você alimentar!"”

Escolhemos que emoções alimentar. Ponto. “Isso é muito pesado” me disse uma cliente. Mas é esse o caminho da maturidade humana e afetiva: aceitar você mesmo com seus sentimentos e se responsabilizar por eles.

Sentimentos são reações ou respostas internas, espontâneas e imediatas, as situações que nos acontecem. “São como nossas impressões digitais, como a cor dos nossos olhos e o som da nossa voz, únicos e irreproduzíveis” John Powel. 

Você é o que você sente. “Quem é você? Você é a pessoa que está experimentando seus sentimentos, criando seu mundo” explica Geraldo Gomes Leite.

Sentir mágoa, ou prazer, prova que você é humano. Não há maneira de evitar a dor se quiser ficar aberto para o prazer. E abertos, não escolhemos o que sentir, é uma reação, mas podemos escolher o que continuar sentindo.

Observar seus sentimentos, aprender com eles e transformá-los, depende apenas de você, depende do sentimento que você escolher alimentar, depende do mundo que você quer criar.

O terceiro verso dos “Oito versos que transformam a mente”, um ensinamento budista, diz o seguinte:

“Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.”

O que você faz quando surge em você uma emoção negativa? Como você alimenta a sua dor? Como você alimenta o seu prazer? Como você mantém a sua vida pesada? Como você cuida para sua vida ser leve?

É uma escolha. 

Que lobo você está alimentando?

domingo, 1 de março de 2015

Vamos falar sobre o perdão?

Érima de Andrade


Pesquisas e estudos vêm comprovando os benefícios, tanto mentais quanto físicos, do ato de perdoar.

Numa das pesquisas, do Hope College, em Michigan, EUA, 71 voluntários foram instruídos a se lembrar de alguma ferida antiga, algo que os tivesse feito sofrer. A lembrança do fato fez aumentar a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos e a tensão muscular, reações idênticas às que ocorrem quando as pessoas sentem raiva. Depois foi pedido que eles se imaginassem entendendo e perdoando as pessoas que lhes haviam feito mal. Os efeitos também foram registrados, os voluntários ficaram mais calmos, e houve uma normalização da pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos. Lembrar dos fatos provocou no organismo reações similares as vividas na ocasião que o fato aconteceu.

Perdoar reduz o estresse que vem de pensar em algo doloroso, mas que não pode ser mudado. Ele também limita a ruminação que leva a um sentimento de impotência que reduz a capacidade de alguém cuidar de si mesmo.

O perdão é um processo mental, ou espiritual, de cessar o sentimento de ressentimento, ou raiva, contra outra pessoa, ou contra si mesmo. O perdão é a experiência interior de recuperar a paz e o bem-estar.

O perdão reconhece o mal, mas permite que o prejudicado leve a vida em frente. O perdão não elimina o fato, apenas o torna menos importante. O perdão pode conviver com a justiça e não impede uma resposta justa e adequada. Você apenas não age de uma perspectiva rancorosa ou transtornada.

Pode acontecer de você perdoar um dia, e depois sentir raiva ao encontrar-se com quem lhe machucou muitos anos depois de ter perdoado. E isso é normal. Esse sentimento somente indica que a ferida causada pela ofensa ainda não sarou completamente.

Perdoar não implica numa volta a um relacionamento normal com a pessoa perdoada. Ás vezes, o perdão implica em reconciliar um relacionamento, e outras vezes, em abrir mão desse relacionamento.

Perdoar é uma escolha, é um ato que a gente faz e não necessariamente algo que a gente sente, é um processo e pode ser praticado.

A ausência de perdão causa estresse sempre que se pensa em alguém que nos feriu e com quem não fizemos as pazes. Isso prejudica o corpo e provoca emoções negativas. Guardar ressentimentos prejudica a saúde.

Perdoar, ao contrário, faz bem à saúde porque resulta em sentimentos de paz, harmonia e felicidade. O bem estar emocional e espiritual ajuda o corpo a produzir hormônios, anticorpos e vacinas naturais que reforçam o sistema imunológico, combatem doenças e promovem a saúde.

Perdoar é a arte de fazer as pazes quando algo não acontece como queríamos. E coisas ruins, que dão errado, que nos decepcionam, nos fazem sofrer, acontecem com todo mundo. Não podemos escapar de todos os males, mas podemos perdoar. 
O perdão implica que se pode ficar em paz mesmo tendo sofrido um mal.

O que diferencia uma pessoa de outra é a reação que cada um tem ao que lhe acontece e você pode escolher guardar rancor, e com isso ficar com a mente ocupada por lembranças amargas, ou por planos de vingança.

Ou pode escolher seguir em frente, remover os obstáculos, perdoar. 

O perdão nos deixa leves, deixa o passado ir e olhando em profundidade é também uma prática de desapego. É o deixar ir da nossa raiva, ressentimento, ódio. O perdão acaba beneficiando mais quem perdoa do que quem é perdoado.

Que a prática do perdão possa fazer parte da sua vida.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Traçando metas

Érima de Andrade

Agora que passou o carnaval, que o verão já está acabando, que as férias já acabaram, é hora de pensar no futuro.
O que você quer para esse ano?

Você traçou metas? Fez planos? Nos guias para empreendedores, os estudantes são orientados a definir a missão, a visão, os valores, as metas e as ações, do seu futuro empreendimento. Um mapa do caminho que vão percorrer. Quem sabe você pode fazer o mesmo, e assim ter mais possibilidades de conquistar seus objetivos?

Para eles, os empreendedores, definir a missão e declarar a visão são fatores cruciais para o sucesso de qualquer organização, seja ela uma microempresa ou uma multinacional. Mesmo que você não queira empreender, escrever sua missão, suas metas, vai ajuda-lo a cumpri-las.

Vamos entender o que é isso:

Missão: é a razão de ser do empreendimento, o papel que a empresa terá perante a sociedade.

Visão: é composta pelos sonhos da empresa, a descrição do futuro desejado, ou seja, aonde a empresa quer chegar.

Valores: são os princípios, ou crenças, que servem de guia, ou critério, para os comportamentos, atitudes e decisões de todos que participam da empresa.

Metas: representam o que a empresa quer, o que pretende alcançar, o quanto, e quando ocorrerá.

Ações: o que deverá ser executado para garantir que as metas estabelecidas sejam cumpridas.

E se você pensar em você como um empreendimento? Você saberia responder qual sua missão? A missão de uma empresa/pessoa deve responder o que você se propõe a fazer, e para quem.

Quem é você?
O que você faz?
Por que você faz o que faz?

E a sua visão, como é? Segundo Carlos Alberto de Faria “O enunciado da visão deve conter tanto a aspiração, como a inspiração. A aspiração de tornar-se "algo", e a inspiração porque esse "algo" deve merecer e valer a pena ser concretizado, deve-se sentir orgulho em participar da construção dessa visão. Ou seja, deve ter luz suficiente (inspiração) para apontar o caminho que leva à concretização da aspiração.

A visão precisa ser prática, realista e visível (nós não alcançamos aquilo que nós não vemos), pois não passará de uma mera alucinação, se ela sugerir ou propuser resultados inatingíveis.”

Então responda:

O que você quer se tornar?
Como você quer ser reconhecido?
Em que direção você deve apontar seus esforços para se tornar quem você quer ser?
Você está ajudando a construir o quê?
Para onde os seus recursos estão lhe levando?

E os valores? Valores definem a regra do jogo, em termos de comportamentos, atitudes e decisões que guiam você no exercício das suas responsabilidades, e na busca dos seus objetivos, enquanto executa a missão, na direção da visão. Representam os princípios éticos que norteiam todas as suas ações.

Como é o seu relacionamento com as pessoas que convivem com você?
Como você se porta quando está sozinho?
Como você trata as pessoas que ainda não conhece?
Como você se relaciona com a comunidade?
Quais compromissos você assume perante a sociedade?
Como você se responsabiliza pelo bem comum?
Que valores, crenças ou princípios são importantes para você fazer o que faz, para quem faz, e para quem você quer se tornar?

E suas metas, quais são as suas metas? Você sabe aonde quer chegar? As metas representam o que você quer. Ao traçar suas metas pense no que é realmente importante para você e se a sua meta está no tamanho proporcional à sua realidade. Busque sempre metas que sejam alcançáveis, que dependam apenas de você. Uma meta deve definir o que se pretende alcançar, o quanto e quando ocorrerá. Avalie sua situação atual na vida e pergunte-se:

Onde eu quero chegar?
O que eu quero alcançar na vida?
O que quero conseguir?
Quais são minhas metas no amor?
Quais são minhas metas financeiras?
Quais são minhas metas profissionais?
Quais são minhas metas para a minha saúde?
Por que tudo isso é importante para mim?
Minhas metas são por mim ou pelos outros?
Até que data eu desejo cumprir essas metas? 

E suas ações? Quais ações precisam ser executadas para garantir que as suas metas estabelecidas sejam cumpridas?

O que você faz vai levá-lo a se tornar a pessoa que você quer ser?

Agora que você tem claro aonde você quer chegar, mãos a obra!
O futuro depende de você.


Como você quiser, assim será.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

É carnaval!

Érima de Andrade

Hoje eu acordei cantando o samba enredo, feito por Didi e Mestrinho, para a GRES União da Ilha do Governador, em 1982: “É hoje o dia da alegria...”

Eu nem gosto assim de carnaval, não sou da folia, mas é inegável o clima de alegria que enche o ar. Um calor sem precedentes, crise hídrica, crise ética na política, crise politica, crise na Petrobrás, falta água, falta luz, falta verdura, sobra trânsito, e mesmo assim, o povo descobre motivos para comemorar e vai para festa! Amo ser brasileira!

E bora cantar: “e a tristeza nem pode pensar em chegar ...”




É Hoje O Dia - Didi e Mestrinho - GRES União da Ilha do Governador - 1982

"A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei no meio de uma gente
tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba
Pra mãe-de-santo rezar
Contra o mau olhado
Carrego o meu Patuá

Acredito ser o mais valente
Nessa luta do rochedo com o mar
É hoje o dia da alegria e a tristeza
Nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu
Se há na avenida
Alguém mais feliz que eu"

domingo, 8 de fevereiro de 2015

O tempo não passa...

Érima de Andrade

O que eu mais ouvi nessa semana foi: nossa, como está tudo devagar....

Várias pessoas se queixando de o ano não ter “realmente” começado. Ouvi queixas do shopping estar vazio, queixas de muitas desmarcações de consultas, queixas de trânsito estranho em qualquer hora do dia.

Ainda aconteceu nessa semana o anúncio da chuva, que não veio, mas provocou uma mudança na vida, no trânsito e na hora de voltar para casa. Foi um dia totalmente fora da rotina.

Muito interessante isso, quando o tempo sobra, não sabemos o que fazer com ele... Porque é disso que falam essas queixas, o tempo está sobrando.

Diz o senso comum que o ano começa mesmo só depois do carnaval. Dizem os astrólogos que temos essa sensação porque, na verdade, o ano começa mesmo só com o ingresso do Sol em Áries, que impulsiona as ações de um novo tempo. Ou seja, para eles o ano só vai começar no dia 20 de março.

O nosso calendário, o calendário gregoriano é um dos mais praticados em todo mundo, e tem como primeiro de janeiro o início de cada ano. Mas na astrologia é diferente, são os ciclos da natureza que marcam o fim e o início de um novo ano.

Os equinócios, por exemplo, marcam o início de uma nova estação. Equinócio, palavra derivada do latim,aequus, igual, e nox,noite, "noite igual" em português, que se refere ao momento do ano em que a duração do dia é igual ao da noite sobre toda a Terra. "Astronomicamente isto se dá quando o Sol na sua caminhada (seu movimento anual) corta o Equador Celeste, apresentando declinação de 0º, iluminando igualmente as duas partes do globo terrestre, fazendo com que o dia e noite tenham a mesma extensão de tempo". Sérgio Carmanhani

No hemisfério sul, o equinócio que ocorre em março (dia 20 ou 21), marca o início do outono e o de setembro (dia 22 ou 23), marca o início da primavera. Ou seja, a entrada
do sol em Áries também marca, para nós no hemisfério sul, a chegada do outono que traz consigo novos ventos, os bons ventos de renovação.

A vida é cíclica por natureza. O ano é um ciclo regido por estações, luas, marés, tempo de chuva e seca, frio, calor, flores e ventos, solstício, equinócio, por diferentes meses e fases. Que ciclo você está vivendo agora? Se pensarmos que Áries é a constelação sinalizadora do começo, que estimula a coragem para novos desafios, e que só começa em 20 de março, podemos entender que estamos vivendo o fim de um ciclo.

Talvez seja então o momento de começar a olhar para trás, descobrir quais foram os erros e os acertos, e planejar os próximos passos. O tempo está sobrando? Usa para planejar o que vai fazer daqui para frente.

O convite é para que você assuma a direção do seu tempo com a consciência do seu valor. Planeje um ano de ação e novidades, com mais iniciativa e novas atitudes. Mudanças precisam acontecer, não dá para ficar só reclamando que o tempo não passa.

O que importa é agir, atuar, criar novas condições de trabalho e de relacionamento, ou de qualquer coisa que esteja incomodando. Reconheça o impulso que vem de dentro, avalia se faz sentido, decide, vai lá e faz.

Se é fim de ciclo, vamos comemorar com alegria e amor, e o carnaval está ai para isso mesmo, para ser celebrado, para encerrar o ciclo com festa, para preparar a energia para um novo ano.

Faça sua conexão com o ciclo da energia que se renova. Tudo é energia e tudo está ligado. Você pode também escolher se conectar com a queixa, e não fazer nada. É uma escolha, depende só de você.

O tempo não está passando? O ano não começou? Como viver isso da maneira mais positiva possível? Vivendo o momento, vivendo o mais possível no “aqui” e “agora”, aproveitando para colocar consciência nos caminhos que você quer trilhar. O que você faz todos os dias está lhe levando aonde você quer chegar?

Uns dias vão passar mais devagar, outros mais rápidos, mas depende só de você que sejam dias de progressos e felicidades, de passos em direção ao futuro que você quer e merece ter.

Que você saiba aproveitar o tempo que está sobrando.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pracinha do Facebook

Érima de Andrade

Uma amiga querida usa essa expressão, “pracinha do Facebook”, para contar as conversas, e os encontros, que anda tendo nessa rede social.

Achei o nome genial porque me sinto assim mesmo quando me conecto, indo para a pracinha do Facebook encontrar os amigos.

Uma pracinha como tantas Brasil a fora, ponto de encontro informal da população, onde não é preciso marcar hora para chegar, tem sempre alguém por ali, é só entrar.

A qualquer hora que você resolva passar na pracinha, você encontra um amigo, um conhecido, alguém que você admira, ou quem sabe, notícias dos amigos, ou ainda mensagens de quem já foi para casa, mas deixou registrado que passou por ali. De uma maneira ou outra, você se conecta as suas pessoas queridas.

Chova ou faça sol, a praça esta sempre lá nos esperando, e os encontros prontos para acontecer.

Facebook é mesmo como uma dessas pracinhas do interior, onde todo mundo se conhece, mas nem por isso para para conversar a toda hora que se vê. Você vai lendo as postagens, reconhecendo pessoas, encontrando amigos. Com alguns você puxa papo, com outros você cumprimenta, com outros você só sinaliza que esteve por ali dando um curtir. E a vida segue sem mágoas ou traumas, são só momentos e maneiras diferentes de se comunicar.

Como numa praça você chega e vai logo procurando o seu grupo. Se não tem nenhum amigo on line, tudo bem, vai passeando, dando uma olhada nas postagens recentes, pesquisando assuntos do seu interesse, compartilhando o que você viu, leu, soube, e achou legal, e já já começa uma conversa, um papo furado, e quem sabe até uma nova amizade?

Vez por outra é na praça que ficamos sabendo dos novos casais. Eles aparecem por lá, dividindo seu status, fotografando os encontros, namorando, nos atualizando sobre sua vida, casando.

Também é na praça que temos notícias dos novos integrantes das famílias, filhos de amigos, netos, afilhados, sobrinhos, crianças que vamos vendo crescer ali na pracinha, na frente de todos.

Todos os dias, quando entro no computador, dou um pulo na pracinha. Não precisa de oi, nem de vou já, é só chegar. Praça é um lugar de ir e não dizer tchau, nem até logo, nem até breve. É um lugar de passar de vez em quando e puxar uma conversa com quem está por ali. Ninguém vai à praça se não quiser conversar, encontrar, conhecer o amigo do amigo, o filho do conhecido, o moço da feira, do curso, do evento, a dona do bar, da loja, da empresa.

Praça é lugar de ir para conviver. Lugar que conecta quem nem tinha como se conectar. Lugar de encontros, reencontros, descobertas. Lugar de procurar pessoas do passado e marcar um encontro para botar o papo em dia. Lugar de descobrir que aquela pessoa que você admira tanto, que curte as postagens, que compartilha o que escreve, mora aqui pertinho. Lugar de surpresas, descobertas e boas conversas com quem está perto e com quem está muito longe. A praça não faz distinção, recebe a todos da mesma maneira e os conecta.

Praça é onde encontramos os amigos. Na minha infância era na rua ou no pátio do Itatiaia, depois no Campo de São Bento, depois na Praia, assim mesmo, com maiúscula, porque era óbvio para todo mundo, que Praia, era a Praia de Icaraí; mais tarde em Itacoatiara. Hoje é no Facebook.

E viva a tecnologia!