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domingo, 18 de dezembro de 2016

Felizes Festas!

Érima de Andrade

Depois de um ano com tantas e boas emoções, tantas e tensas informações, chegamos, enfim, a dezembro e com ele
ao desejo de focar, nem que só por uns dias, nas festas e no que de bom elas nos oferecem.

Dezembro, na minha família, é um mês de oito aniversários, todos devidamente comemorados antes do natal. Mas, para a maioria das pessoas, dezembro é só o mês do natal e do fim do ano.

São duas festas próximas e totalmente distintas. Natal é uma festa para dentro, introspectiva, de encontros. É o dia da família, de sangue ou de escolha. De modo geral, as pessoas se reúnem para dividir uma refeição e trocar presentes.


Fim de ano, ou réveillon, é uma festa para fora, extrovertida. É o dia de festejar mais uma etapa vencida. Ao mesmo tempo, dia de comemorar um novo ano que vai começar. E tudo que é novo traz esperança, acena para a felicidade, nos dá uma sensação de fôlego extra.

Que bom que, nós humanos ocidentais, criamos o dia mundial de ter esperança, trinta e um de dezembro. E justo no dia seguinte, primeiro de janeiro, o dia mundial da paz. As outras culturas celebram em dias diferentes.

Se você não está em Marte, já percebeu que as lojas e os meios de comunicação não vão deixar que você esqueça que é natal aqui no Brasil. O bom desse ano, pelo menos é como eu percebo, é que houve um aumento de propagandas festejando um natal tropical. Verão, maçarico a todo vapor, calor de 40°, e o povo divulgando uma noite de neve... não né? Me incomoda... Que bom ver propagandas solares de natal. Me deixa mais feliz.

Para os cristãos, no natal, é comemorado o nascimento de Jesus de Nazaré. Mesmo que, historicamente, não se saiba a data que Jesus encarnou, a igreja católica oficializou a antiga festa pagã, em comemoração a volta do sol, como a comemoração do nascimento da luz do mundo, Jesus Cristo.

Na verdade, a igreja deu um novo significado a festa que comemorava o fim dos dias curtos, das noites prolongadas, das paisagens silenciosas e frias. Deu um significado cristão a noite de 24 para 25 de dezembro, véspera de natal, quando a escuridão mais profunda fica para trás no hemisfério norte. A luz renasce dia 25, e nos liberta da escuridão, pois devagar e sempre, os dias ficam mais iluminados, quentes e felizes. Muito bom esse simbolismo.

Também vem do hemisfério norte a lenda do Papai Noel, essa figura que representa a generosidade, a compaixão, e que traz os presentes de natal. E não tem nenhuma rivalidade entre essas duas figuras natalinas.

São duas histórias sobre o amor, a de Jesus Cristo e a do Papai Noel. E se essas histórias existem na nossa imaginação, é porque elas continuam fazendo algum sentido. Se tem gente que acredita em Jesus Cristo e em Papai Noel é porque eles continuam, de alguma forma, aparecendo na vida dessas pessoas.

Papai Noel representa esta parte de nós mesmos que está aberta a presentear, a receber, a amar sem discriminar, a ir além de si mesmo e compartilhar. Ele é um símbolo que traz consigo valores que despertam, revivem e fortalecem os nossos melhores sentimentos. Em dezembro somos todos um pouco Papai Noel.

Jesus é o profeta da inclusão, o que diz que todos merecem ser amados, independentemente de qualquer classificação. Jesus amava e pregava o amor. Dizia a todos, “amai-vos uns aos outros”. No natal somos, de fato, todos mais amorosos, mais dispostos a compreender, perdoar, aceitar e incluir. Somos todos um pouco Jesus Cristo.

Mesmo que você não seja cristão, nem ligue para Papai Noel, aposto que também está nesse espirito de confraternização de fim de ano, marcando um dia para encontrar as pessoas queridas, comprando presentinhos para alegrar quem você ama, pensando numa refeição especial, e quem sabe, até decorando a sua casa. Ótimo!

É dezembro, mês de olhar com honestidade tudo o que lhe marcou, e tudo o que você marcou por onde passou nesse ano que termina. E depois festejar, sabendo o que está celebrando e o que está comemorando. E pode ser que, para você, a única coisa que vale brindar é o fim de um ano tão intenso. E tudo bem. Esse é mesmo um bom motivo. Aproveite o momento e celebre, vem aí um novo começo.

Como contamos o tempo em dias, meses e anos, ao final de doze meses vivemos uma renovação. É o fim de um ano, e o início de um novo ano que vem por aí, até com um novo calendário. E festejamos, pois, junto ao reinício, vem a vontade de acreditar que, daqui para frente, tudo vai ser diferente e melhor.

Réveillon, ano novo, ano bom, não importa o nome que você dá para essa virada. Importa a comemoração da esperança num novo e melhor ciclo, numa nova e mais feliz etapa de vida, num ano novo com “muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender”.

Natal e fim de ano, são, sem dúvidas, festas de encontros, eu-com-outros. Esteja, mesmo que em energia, pensamentos, ou intenções, com suas pessoas queridas.

Desejo que você tenha sempre muitos motivos para comemorar, comer-e-orar, pois só depende de você reconhecer seus sucessos e conquistas, um brinde a isso, tim tim!, e fazer um ano melhor.

Desejo que você viva calma, com-alma, e serenamente as festas de dezembro, que consiga deixar no passado o que já passou, que tenha metas possíveis para o ano que se inicia, que viva feliz um dia de cada vez.

Desejo que onde quer que você esteja nesses dias, esteja em paz.

E por fim, desejo para todo mundo, para todos os seres, para toda a vida, um ano com muito amor, saúde, alegrias, sucesso, paz, abundância, prosperidade, energias positivas, luz e coisas lindas diariamente, sabendo que é o seu olhar que torna lindo o que você vê todos os dias.

Que em 2017 você lembre que pode voar, e que são os pensamentos felizes que nos fazem levantar voo. 


Que você tenha boas e felizes festas.

domingo, 1 de maio de 2016

Expectativa e Esperança

Érima de Andrade

A definição explica
expectativa como a situação de quem espera a ocorrência de algo. É mais que isso, vai além de esperar a simples probabilidade de ocorrência de algo em determinado momento. A expectativa é uma projeção do que achamos que vai acontecer no futuro. Nós projetamos, usamos nossa imaginação para criamos um cenário (expectativa) que é registrado por nosso cérebro, que serve como guia mental para os comportamentos ou as competências que vamos, ou não, manifestar para conseguir o que desejamos.

Expectativa é bastante racional.
Para que haja expectativa, tem de haver algo que a sustente, que crie uma possibilidade razoável de que algo venha a acontecer. Diferente de esperança, que, quase sempre, é de natureza abstrata ou devocional.

A esperança é uma virtude que se desdobra na aceitação da vida, na abundância ou na escassez, mesmo quando ela nos é adversa.
A esperança planta para um futuro indeterminado. Com esperança ampliamos horizontes, abrimos novos caminhos, cultivamos confiança, calma, paz, clareza e aceitação de que não podemos marcar uma hora para que tudo aconteça.

A esperança se respalda numa quase certeza quando nós a ancoramos nos nossos melhores propósitos de nos beneficiar ou beneficiar nossos semelhantes.
Não nos decepcionemos quando recebermos menos do que esperávamos, pela compreensão de que tudo tem a sua hora certa para acontecer.

A esperança e a expectativa surgem nos casos de incerteza, quando ainda não há confirmação da realização dos nossos desejos.
Mas elas têm caminhos e resultados diferentes. A expectativa está relacionada com predições e previsões. A expectativa é aquilo que se considera mais provável de vir acontecer, é uma suposição mais ou menos realista. Quanto mais certezas tivermos em relação ao futuro, maiores serão as probabilidades de que venham a ser concretizadas as nossas expectativas.

Na expectativa criamos um enredo, baseado em fatos, vivências, para a realização do nosso desejo. Mas dependendo da carga emocional imposta sobre nosso desejo, caímos na armadilha de criar expectativas irreais, de esperar que as outras pessoas, e o mundo, correspondam aquilo que criamos. E isso passa a ser uma exigência, um sofrimento, e leva a muita frustração.

É muito comum acontecer à frustração quando desconsideramos as mudanças do momento ao fazer nossas previsões. Por exemplo, você nunca viveu uma reabilitação, mas viveu a melhora no seu condicionamento físico quando passou a treinar. Baseado nessa vivência, você cria uma expectativa de melhora que não levou em conta as lesões do momento. É frustração na certa...

Não podemos evitar a ocorrência de certas expectativas frustrantes, mas podemos atenuar seus efeitos com os recursos que dispomos. Para não nos tornarmos vítimas de frustrações, que nos paralisa, fecha os nossos horizontes, gera angústia, mina nossas forças internas, é preciso ativar em nós a nossa capacidade de compreensão e aceitação dos fatos como eles se apresentam. Ou seja, é preciso lidar com a realidade como ela é, reconhecer que a realidade é o que é e não aquilo que nós gostaríamos que fosse.

Há muito de sabedoria nessa compreensão de que a vida é feita sempre de altos e baixos, de perdas e ganhos. 
Expectativas e esperanças em si mesmas, não são nem positivas nem negativas. Depende do peso e valor que você der para elas. 

As expectativas e os pensamentos são modificados com a compreensão de como eles surgiram. Identificar suas expectativas ajudará a modifica-las, a substituí-las por pensamentos e crenças que reduzem a sua ansiedade e contribuem para o seu progresso. A saída, como sempre, é o autoconhecimento.

Minha expetativa, e esperança, é que você pense a respeito e que não abra mão de nenhuma possibilidade de ser mais feliz com a sua realidade.

domingo, 8 de março de 2015

Escolhendo o que sentir

Érima de Andrade


Existe uma fábula Cherokee que ilustra o combate que acontece dentro das pessoas. Diz assim:

“Os anciões da tribo estavam preocupados com um dos garotos que, por se sentir injustiçado, tornou-se agressivo. O avô do menino o leva para conversar.

"Entendo sua raiva. Na planície dentro do meu peito, há uma batalha terrível entre dois lobos que vivem dentro de mim. Esses dois lobos tentam dominar o espírito de todos nós."

O garoto se interessa. Ele continua.

"Um é mau. Seus dentes afiados e tenazes como a raiva, a inveja e o ciúme. Ele caça a tristeza. Suas garras são afiadas como a cobiça, a arrogância e a pena que alguém sente por si mesmo. Esse lobo fareja culpa, ressentimento e inferioridade a quilômetros. Ele busca o orgulho, a glória e a superioridade."

Diante dos olhos brilhantes do pequeno índio, o velho completa:

"O outro lobo é bom. Seu olhar é tranquilizador como o perdão de um pai. Seus músculos fortes como a esperança de um amanhecer. Seus pêlos brilham como a serenidade de um lago. Ele fareja paz, humildade e empatia onde estiver. Ele é veloz como um gesto de bondade, audaz como a generosidade. Esse lobo busca verdade, harmonia e fé."

Ambos ficaram em silêncio. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

"Qual lobo vence?"

O velho índio então responde:

"Aquele que você alimentar!"”

Escolhemos que emoções alimentar. Ponto. “Isso é muito pesado” me disse uma cliente. Mas é esse o caminho da maturidade humana e afetiva: aceitar você mesmo com seus sentimentos e se responsabilizar por eles.

Sentimentos são reações ou respostas internas, espontâneas e imediatas, as situações que nos acontecem. “São como nossas impressões digitais, como a cor dos nossos olhos e o som da nossa voz, únicos e irreproduzíveis” John Powel. 

Você é o que você sente. “Quem é você? Você é a pessoa que está experimentando seus sentimentos, criando seu mundo” explica Geraldo Gomes Leite.

Sentir mágoa, ou prazer, prova que você é humano. Não há maneira de evitar a dor se quiser ficar aberto para o prazer. E abertos, não escolhemos o que sentir, é uma reação, mas podemos escolher o que continuar sentindo.

Observar seus sentimentos, aprender com eles e transformá-los, depende apenas de você, depende do sentimento que você escolher alimentar, depende do mundo que você quer criar.

O terceiro verso dos “Oito versos que transformam a mente”, um ensinamento budista, diz o seguinte:

“Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.”

O que você faz quando surge em você uma emoção negativa? Como você alimenta a sua dor? Como você alimenta o seu prazer? Como você mantém a sua vida pesada? Como você cuida para sua vida ser leve?

É uma escolha. 

Que lobo você está alimentando?