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domingo, 8 de janeiro de 2017

Sendo uma fraude

Érima de Andrade

Você conhece alguém que se mostra sempre feliz, sempre bem resolvido, sempre adequado nas suas tarefas? E esse alguém vive algum desconforto quando recebe um elogio? Do tipo “se me conhecesse de verdade não diria isso de mim”?

É dessa fraude que estou falando no post de hoje.
Tentar agradar a todos é uma estratégia antiga para se sentir aceito, amado e pertencendo. Mas cobra um preço alto demais. Será que vale mesmo a pena tentar ser quem você imagina que se sairia melhor nos relacionamentos? Se você não consegue ser você, você consegue confiar que se relaciona com alguém que está sendo autêntico?

Olha que ciclo vicioso, de pior para pior ainda, a pessoa se mete quando tenta agradar todo mundo. Um desgaste emocional sem tamanho... vale a pena?

Talvez tenha acontecido assim com você, ou com alguém que você conhece, um dia acordou triste e não quis preocupar ninguém. Se sentiu vitorioso com a estratégia, ninguém notou. Chegou a comemorar um pouco. Achou que seria um bom caminho e passou a “estar sempre bem” e a fazer a “coisa certa”. Ou seja, a agir da maneira que você acha que agrada mais aos outros, da maneira que você imagina que os outros acham que é o certo a fazer. Hum... armadilha à vista.

Disfarça uma coisinha aqui, evita uma outra ali, e você chega ao ponto de não tomar mais consciência no que, de fato, você está sentindo. E se não sabe o que sente, não pode agir de acordo. Simples assim.

Como você não tem mais como acessar esse mal-estar inicial, ele está super bem escondido, você nem lembra onde tudo começou, a tendência é fermentar e crescer cada vez mais. Para dar conta desse crescimento, você vai criando mais e mais barreiras tentando calar as emoções rejeitadas, que agora já são muitas, pois algo em você já tem certeza que elas não são adequadas.

E você se torna aquele que vive fingindo para ver se a alma se adapta. Sua alegria não tem mais brilho, sua tristeza você não percebe, e todas as suas forças estão voltadas para enganar a sua própria consciência. E nesse ponto chega alguém e lhe elogia. Você pensa: se soubesse mesmo como eu sou...

Inevitável não se sentir uma fraude. Você sabe que não é como aparenta, mas também sabe que não sabe mais como você de fato é.

A saída dessa armadilha é cultivar seu amor–próprio, gostar de você, se respeitar. Só dá para amar o que você aceita, só dá para aceitar o que você conhece. Sim, a saída é mesmo o autoconhecimento. E pode começar com a auto-observação, com a intenção de tomar contato com o que sente, desde o momento que se prepara para levantar e começar o dia. É esse diálogo interior que precisa ser estimulado. É daí que vai surgir o verdadeiro você.

E nesse caminho, você precisa abrir mão de crenças e preconceitos do tipo: se eu não agir assim, ninguém vai me amar; se eu mostrar o que sinto, serei abandonado; se eu não for perfeito não poderei fazer parte. E todos os outros nessa sintonia. Abrir mão dos preconceitos e crenças significa olhar sem distorções o que lhe acontece a cada momento. 


Comece ficando um pouco em silêncio, fazendo contato com emoções e pensamentos. Se percebendo, se respeitando, você será capaz de, aos poucos, expandir o exercício para todos os momentos do seu dia. A única maneira de se sentir bem, é respeitando o que você sente, sem fingir, sem fugir, estando ou não triste, mal-humorado, ou com qualquer outro mal-estar.

Para lhe ajudar, saiba que você é mais perfeito sendo do que tentando ser. E que mostrar o que sente lhe torna humano. Mas, é um fato, ninguém vai estar ao seu lado se usar o que sente para agredir os que estão por perto. Sentir nunca foi o problema, o que você faz com o que sente é que aproxima ou afasta as pessoas.

Tentar ser uma manga a vida toda, vai esconder todas as qualidades da maçã que você nasceu para ser. Faça o que você sabe, aja como acreditar ser a melhor maneira, assuma o que está sentindo. Ninguém espera de você algo que você não é.

Ah, e também você não precisa guardar isso para você. Mesmo antes de optar por uma terapia, ou um curso de autoconhecimento, você tem amigos e pode contar com eles.

Tem uma campanha muito boa acontecendo no Facebook, #janeirobranco de cuidados com a saúde mental, que tem a intenção de lhe lembrar que você não está só.

“Minha porta está sempre aberta a qualquer um dos meus amigos que precisem conversar. Sofrer em silêncio não é nenhuma demonstração de força. Eu tenho um vinho na geladeira... se não quiser vinho, tem um chá gelado (e café) ... tem suco de uva... tem uma comidinha caseira que vai ficar pronta logo (ou eu peço), logo na panela também. Tem alguns instrumentos musicais para quem quiser fazer barulho (por ora o violão tá no conserto), tem sempre um bom papo para conversar ou pode ter um livro que há tempos você pensava em ler. Se quiser, pode só ficar em silêncio também e sempre posso emprestar um ouvido amigo.
Vocês são sempre bem-vindos!!
Ah, pode ser por Skype também.
Será que algum amigo poderia copiar e re-postar? (não compartilhar). Estou tentando demonstrar que sempre haverá alguém para ouvi-lo.
#ConsciênciaDoSuicídio
#JaneiroBranco”


E vale também o conselho da querida Paula Regina Del Cantão: “Não é possível fazer ou mudar tudo de uma vez,... então,... para não pirar,... vamos lembrar que PEQUENAS e CUIDADOSAS ESCOLHAS que fazemos todos os dias nos transformam na MELHOR VERSÃO DE NÓS MESMOS!!!”

É isso. E se precisar, eu estou aqui.

domingo, 20 de novembro de 2016

Compondo a própria história

Érima de Andrade

A canção Tocando em Frente, de Renato Teixeira e Almir Sater, tem frases lindas. Mas hoje quero destacar essa: “cada um de nós compõe a própria história/ cada ser em si/ carrega o dom de ser capaz/ e ser feliz”.

Já escrevi algumas vezes aqui no blog que entendo que cada um de nós é uma usina de energia. E que atraímos a mesma energia que emitimos. Para mim isso é claro e transparente. Mas não é para todo mundo.

É bem comum receber no consultório pessoas que estão começando no caminho do autoconhecimento. E o que mais as surpreende é descobrir que atraem as situações que se repetem na sua vida.

Quando mostro que é um fato, acontece assim mesmo, usando exemplos da história delas, ainda assim, tentam uma negociação. Não é que elas não se responsabilizem pelo que acontece com elas. É mais que isso, essas pessoas têm certeza que o que acontece com elas não é responsabilidade delas. Elas acreditam que não fizeram nada para merecer isso, seja lá o que isso for.

Algumas histórias são incrivelmente comuns. Alguém que chega ao consultório e ao contar sua vida, conta que “todas” as pessoas em “todos” os grupos têm inveja dela. E aqui as histórias se diferenciam, uns porque são bonitos, outros porque são inteligentes, outros porque são bem-sucedidos em alguma área da vida, e por aí vai.

Vamos pensar junto: qual é o elemento em comum em todos os grupos que você frequenta? A inveja.

Está bem. E quantas pessoas estão com você em todos esses grupos? São muitos, os grupos têm vários tamanhos.

E só você em comum em todos eles? Sim.

Então... já pensou que pode ser você quem provoca essa reação em todos os grupos que frequenta? Você é o ponto em comum, algo que parta de você deve provocar essa mesma reação em todos os lugares que você vai.

É nesse ponto da conversa que eles tentam uma negociação, do tipo, mas não pode ser...

Pois é, é. Funciona assim: você, em algum momento da sua vida viveu um episódio de inveja (para continuar no exemplo da inveja citado acima). E aquilo lhe marcou tanto que você criou uma estratégia emocional para que não se repetisse. Até tenta ser uma pessoa legal com todo mundo quando chega num grupo novo, mas a estratégia dura pouco.

E dura pouco porque não separamos uma única caraterística de uma pessoa. Quer dizer, separamos, mas generalizamos. Vou me explicar: a pessoa que lhe invejou era invejosa, e mais alguma coisa. Ninguém nunca é uma só característica. Vamos imaginar que além de invejosa era bem informada. Sim, é uma boa qualidade. E sim, boas e más qualidades convivem em todos nós.

Nessa historinha que estou criando, pode até ser, que por ser bem informada, a pessoa sentiu inveja ao perceber que você tinha uma competência que a destacaria na situação que vocês se conheceram. Então, invejosa, bem informada, morena, alta, sem papas na língua. Claro que todos nós temos mais do que só cinco qualidades, mas para esse texto, cinco são suficientes.

Aí você chega num grupo novo. Tenta ser legal com todo mundo e percebe que tem muitas pessoas morenas no grupo... Se aproxima mais das louras e percebe que tem muitas altas... Tenta se aproximar de um grupo menor e percebe que tem pessoas sem papas na língua... pronto, você viu uma característica em cada um do grupo novo, que é similar as características da pessoa que lhe magoou, e generaliza. Você agora tem certeza que todos nesse grupo são invejosos.

Antes de ser “atacada”, você ataca. E passa a tratar todo mundo, como? Não sei. Inferior? Possível que sim. E sua auto profecia se confirma! Todo mundo sempre tem inveja de você. Eles “logo” percebem que você está acima deles e a invejam...

Não tem jeito, você tendo consciência ou não, se responsabilizando ou não, querendo ou não, você atrai todas as situações que se repetem na sua vida. O bom é lembrar que “cada um de nós compõe a própria história/ cada ser em si/ carrega o dom de ser capaz/ e ser feliz”.

Sim, você pode mudar sua história, fazer uma nova composição. Emmanuel explica que a dor é uma Mestra Divina que “aqui corrige, adiante esclarece, além reajusta, mais além aprimora.” É um bom caminho. Algo provoca desconforto em você? Corrija. Se observe também que terá esclarecido sobre o porquê isso lhe acontece. Motivo descoberto, pode reajustar. Reajustado você se torna uma pessoa melhor, se aprimorou. E começou com sua decisão de mudar.

Olhe para você, tem alguma situação que se repete na sua vida e que lhe incomoda?
Vamos mudar?

“É preciso amor/Pra poder pulsar/É preciso paz pra poder sorrir”. É preciso amor próprio para ser feliz. E depende só de você.

Eu estou saindo para uma viagenzinha com a família. Dia 4 de dezembro tem post novo aqui no blog. Até lá, que tal cantar com Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente?


Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,

Só levo a certeza
De que muito pouco sei.
Ou nada sei.
Conhecer as manhas
E as manhãs,
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente.

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou.
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.
Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora,
Um dia a gente chega
E no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs.
É preciso amor
Pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais.
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz

domingo, 9 de outubro de 2016

A entonação da coisa

Érima de Andrade

Quando fui fazer um treinamento em São Paulo, minha filha se preocupou em me avisar, para que eu não estranhasse, que
na cidade as pessoas se tratavam só por uma sílaba do nome.

E de fato, é assim mesmo. Um dia, num intervalo, na sala do cafezinho, rolava uma conversa com a Má, a Rê, a Sô, a Li, a Van, e tudo bem, já havia confirmado que era uma realidade, se tratam só por uma sílaba do nome.

Mas, o que eu não esperava ouvir, era uma história da Má com a Má. E era tanto Má na conversa que me perdi. Perguntei se elas não se confundiam com as Más. “Não, sempre que é a Má, Márcia, é um Má assim. E a Má, Marisa, é um Má assim.”

Havia uma sutileza na entonação, que, confesso, tive muita, muita dificuldade para perceber. Realmente, entonação muda tudo.

O texto do S. Leite sobre Coisa, também me faz pensar na sutileza da entonação. Diz ele:

“O verbo coisar, pelo menos em Portugal, é dos mais úteis que há. E a sua utilidade prende-se, obviamente, com a fantástica versatilidade do substantivo coisa, que por ser tão versátil se usa também no masculino, pois há coisas e coisos, dependendo, claro, do que se pretende designar, em cada caso.

Quando no discurso (convém que seja oral) optamos por fazer uso da coisa, a indeterminação daquilo que se pretende designar pode estar relacionada com a intenção de não explicitar o que é, ou quem é, mas sente-se sempre a enorme vantagem que essa mesma indeterminação representa, dado que as coisas nem sempre são fáceis de definir, sobretudo quando temos de nos exprimir depressa.”


E continua: “uma coisa pode ser um objeto, uma ideia, um sentimento, uma criatura animal, vegetal ou mineral. Pode designar tanto uma ferramenta como uma pessoa de cujo nome não nos lembramos, uma dor, uma atitude, um assunto, ou mesmo uma ação que cabe ao ouvinte decifrar, de acordo com o contexto, a expressão facial de quem utiliza a expressão, o seu tom de voz e sabe-se lá que outros sinais.”

Exatamente! Coisa serve para tudo. “Que coisa linda!” pode ser um elogio de fato, ou pode ser a reação sarcástica a uma cena, por exemplo, de um fogão com o leite fervendo para fora da panela.

A coisa é o melhor exemplo de como a entonação muda tudo. Não adianta você dizer as palavras mais doces que você conhece, se o seu sentimento não for uma doçura, não vai fazer sentido para quem ouve.

Para uma comunicação efetiva, o que você fala tem que estar alinhado ao que você sente. Ninguém acredita em quem, orgulhosamente, é humilde, e trata a todos com arrogância. Não convence...

Todo o seu discurso, e as suas atitudes, são influenciados por seus sentimentos. A energia que você transmite é a do sentimento, e não da fala, ou da sua ação. Por isso os atores estudam tanto, para transmitir, com verdade, o sentimento do personagem, que nem sempre é o mesmo da pessoa que está atuando.

Mas na vida você não é um ator. E se seu sentimento não está alinhado a sua atitude, talvez, seja o momento de você começar sua jornada de autoconhecimento. Ou por auto-observação, ou com ajuda de terapeutas.

Reconhecer o que sente é o primeiro passo para alinhar suas emoções com suas ações. E pode ser que você não goste do que está sentindo. E tudo bem, a terapia vai lhe ajudar nisso. Mas saiba, só é possível mudar o que se tem consciência. 

Muitos mal-entendidos se resolvem apenas alinhando sua emoção ao seu discurso e a sua ação. Não canso de repetir: a gente sofre, basicamente, por falhas na comunicação.

Chico Buarque, na música Minha História, diz “mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher, me ninava cantando cantigas de cabaré.”

E é possível que o personagem se sentisse muito amado, e tivesse lindos sonhos.

É a entonação fazendo a diferença.

domingo, 2 de agosto de 2015

Mudando a vida

Érima de Andrade

Você pode escolher mudar sua vida a qualquer momento. Para isso basta enfrentar os obstáculos que estão impedindo você de tomar sua vida nas mãos.  Que obstáculos são esses? Desde o medo do julgamento, passando pela mania de deixar tudo para depois, chegando na mania de perfeição, entre muitos outros.

Mas não importa a desculpa que você usa para se abandonar, uma vez que você decida mudar, você pode fazer isso. E claro você pode ter ajuda. Eis aqui sete boas sugestões, da Juliana Garcia, para que você possa construir uma nova realidade na sua vida:

1 – Desafie-se a ir além;
2 – Abra definitivamente espaço na sua agenda para se cuidar;
3 – Faça registro e acompanhe;
4 – Conte com apoio;
5 – Mude a estação interna;
6 – Crie um novo hábito;
7 – Comece por um ponto e siga avançando;

Você pode escolher mudar sua vida, a qualquer momento, começando onde você está, usando o que você tem, fazendo o que você pode. Então mãos a obra:

1 – Desafie-se a ir além – Acredite, você pode muito mais do que supõe. Muitas vezes temos claro quais são nossos pontos fracos e que empecilhos e dificuldades nos impede de tomarmos a vida nas mãos. Mas não vemos quais são os nossos méritos, nosso potencial, nem as nossas qualidades. Lembre-se, sempre é possível ir além, buscar o segundo fôlego. É uma escolha deixar que suas crenças criem barreiras ao seu crescimento ou seguir em frente. Decida-se a encarar qualquer barreira que você tenha construído. Se proponha uma nova atitude, um novo caminho, uma nova opção. Enfrente seus medos, ouse sair da sua zona de conforto, mude. Mas vá devagar. Um passo de cada vez. Você não vai mudar de uma hora para outra, é um processo. Consolide e comemore cada vitória alcançada. Que tal colocar uma meta por semana? “Essa semana eu...” O que você pode fazer para assumir o comando e criar resultados favoráveis para você nesta semana?

2 – Abra definitivamente espaço na sua agenda para se cuidar – Você que usa a agenda para esquecer de você, está na hora de fazer diferente. Que tal marcar na sua agenda o seu horário de compromisso consigo mesmo? Chega de promessas e de resoluções que não dão em nada. O que você precisa mudar para ter uma vida mais satisfatória? Como anda sua alimentação? Você separa tempo para comer? Você tem cuidado do seu sono? Tem se hidratado? Tem praticado alguma atividade física? O que você precisa mudar para se dar mais tempo? Vá em frente, mude. Pode ser que você comece prestando mais atenção na sua alimentação, ou bebendo mais água durante todo o dia, ou ainda iniciando uma rotina de exercícios físicos. Também vale marcar aquela sessão de acupuntura, ou começar num grupo de meditação. Seja lá o que for, comece. Há quanto tempo você não se diverte? Que tal ir ao cinema, sair com amigos, viajar? Que tal separar um período de tempo para o seu autocuidado? Escolha a sua mudança e vá aos poucos abrindo mais espaço para você. Você merece.

3 – Faça registro e acompanhe – Como você se observa? Você tem alguma maneira de registrar de seus sentimentos, objetivos e avanços? Se auto observar é o primeiro passo para perceber as repetições, as sabotagens, e tudo o que precisa ser mudado em sua vida. E também para perceber as suas conquistas. Pode ser que você escolha fazer um diário. Ou quem sabe um documento em seu computador? Ou ainda um caderno de gratidão? Tanto faz, desde que você use seu registro como um roteiro para seu autoconhecimento e uma maneira de se organizar. O mais importante dessa dica, é que seu registro seja de fácil acesso a qualquer momento, e que você acompanhe, leia, releia, monitore o que for registrando. Uma vez consciente dos seus passos, você pode direcionar a sua caminhada.

4 – Conte com apoio – Ninguém pode caminhar por você. Mas isso não significa que você precisa caminhar sozinho. Crie sua rede de pessoas amigas e companheiras e conte com elas. Se precisar, busque apoio de um profissional para lhe ajudar nos desafios que você está enfrentando. A troca com outras pessoas contribui para ampliar o seu crescimento. Então não se isole. Somos seres sociais, crescemos nos relacionamentos. Faça uma lista breve dos seus principais desafios e busque entre os seus contatos quem pode lhe apoiar. Você pode e merece contar com apoio.

5 – Mude a estação interna - Preste atenção aos seus pensamentos. Decida trocar a estação quando notar que está dando espaço para pensamentos e crenças que não lhe fazem crescer. Não basta dizer que "não quero pensar nisso ou naquilo", é preciso trazer pensamentos e atividades positivas para plantar novas sementes. Se você já sabe no que você não quer pensar, comece a listar também o que você quer pensar. Use essa lista a seu favor, concentre no que lhe faz bem. Busque meditar, escrever para organizar suas ideias, ler boas mensagens, se cercar de coisas positivas. Escolha a mudança.

6 – Crie um novo hábito – Hábitos são comportamentos aprendidos e repetidos tão frequentemente, que nem é mais preciso pensar para executá-lo. Nas tradições orientais, diz-se que um novo hábito precisa de 21 dias ininterruptos de prática para que se torne um hábito natural e entre em nosso cotidiano. Os neurocientistas confirmam essa prática e nos explicam que 7 vezes é o número para aprendermos algo novo, e 21 vezes o número para tornar isso um hábito. Qual hábito novo renovaria as suas energias para seguir com seus objetivos? Caminhar? Beber mais água? Ler? Escolha e se proponha a colocá-lo em prática durante 21 dias seguidos. Faltou um dia? Comece tudo de novo! Aceite o desafio e veja os resultados.

7 – Comece por um ponto e siga avançando – Não dá para mudar tudo de uma vez. Também não dá para ficar parado. Então escolha e priorize por onde começar. Entre todos os seus objetivos de melhora, qual você decide que será seu pontapé inicial?

Juliana Garcia sugere alguns critérios para sua escolha:

“- Qual deles pode lhe trazer mais energia ao ser resolvido?
- Qual deles pode até impulsionar os demais campos da sua vida?
- Qual se envolve com áreas prioritárias em sua existência?
- Qual deles pode abrir campo para as próximas ações?”

Agora é com você! Escolha tomar a sua vida nas mãos e boa jornada.
  

“Hoje me proponho a deixar ir toda a preocupação, todo o medo, toda a insegurança. Imagino cada um desses sentimentos sendo levado dentro de um balão para onde possa ser purificado... Que tudo que me deixa sem fé se dilua no ar, seja levado pelo vento! Hoje acredito no meu ser, acredito na força do amor que carrego no peito e sei que esse amor me guiará pelos caminhos desconhecidos. Abro o meu coração ao novo e agradeço por ser capaz de reconhecer as minhas fraquezas.

Que assim eu seja melhor que o que temo, que assim eu tenha paz para seguir em frente. E assim seja, e assim é porque eu determino!” Márcia Alves

domingo, 9 de novembro de 2014

Amigos

Érima de Andrade

“O que é um amigo? Eu lhe direi: amigo é alguém com quem você ousa ser você mesmo.”
Não sei de quem é essa definição, mas eu concordo com ela. Amigo é alguém com quem você ousa ser você mesmo. E haja coragem para isso!

Estamos tão acostumados a segurar nossas emoções, nossos pensamentos, temos tanto medo de sermos julgados, que ser você mesmo na frente de alguém é um ato de coragem, uma ousadia, uma vitória.

Os amigos nos trazem uma sensação de liberdade, de carta de alforria, de serenidade suprema. Podemos com eles sair da prisão das aparências, do cuidado com o que vai falar, do medo de ser incompreendido.

Os seus amigos lhe conhecem muito bem, sabem das suas falhas e das suas virtudes, compreendem as contradições da sua personalidade, e apesar de tudo, e com tudo isso, lhe aceitam como você é. Mas um amigo só lhe conhece bem porque com ele você é capaz de ser você mesmo.

E como ser você mesmo? Você não pode ser você mesmo se você não sabe quem você é. Está tudo bem em ser quem você é, sentir seus sentimentos, pensar seus pensamentos e viver o que você está vivendo neste momento. Está tudo absolutamente certo. Mas para saber quem você é, você precisa se observar com honestidade, descobrir o que sente, o que pensa, o que gosta e o que não gosta em você.

Para ser quem você é você também precisa agir de acordo com aquilo que acredita em vez de se preocupar com o que as pessoas pensam de você. Não gosta de algo em você? Então trabalhe para mudar o que você não gosta no seu comportamento. Não tente ser alguém diferente apenas para agradar as pessoas ao seu redor. Seja você mesmo e permita que as pessoas gostem de quem você realmente é. Mude o que considera negativo, estimule as suas positividades, aceite o que não pode ser mudado e viva feliz com você.

Você também não vai conseguir ser quem você é se ficar preso ao seu passado, tentando ser aquela pessoa da sua lembrança, se lamentando por coisas que você não pode mudar, sofrendo pelo que já passou. Abra-se para o novo, para o agora e permita-se aprender com cada nova experiência. Permita que suas vivências transformem você. Você pode ser transformado por suas experiências, então viva, cresça, progrida. Quem você foi no passado trouxe você a ser quem você é hoje, agradeça o que você já viveu e deixe ir. Traga sua vida para o momento presente, deixe o passado no passado e prepare-se para o futuro.

Claro que às vezes tudo dá errado, mas saiba que tragédia mais tempo é igual a comédia, e aprenda e rir de si mesmo. Transforme aquela gafe em uma história engraçada, cultive o bom humor, procure o lado bom das coisas, sempre há o que aprender em qualquer situação, aproveite.

Também não vale ser o seu próprio carrasco. Trate-se de modo cuidadoso e respeitoso como você trataria as pessoas que ama. Seja o seu melhor amigo. Aceite suas particularidades, não tente parecer quem você não é. Você pode até querer se parecer com alguém, mas use essa admiração para lhe inspirar, nunca para copiar o estilo. Você não é perfeito, ninguém é, mas você tem muita coisa legal para mostrar. Saiba que você é mais perfeito sendo do que tentando ser, então deixe aflorar suas qualidades, deixe sair o seu melhor, seja seu amigo.

E sendo seu amigo, permita que os outros lhe conheçam, permita a troca, construa as relações, cultive as amizades. Amigo é alguém com quem você ousa ser você mesmo, conquiste essa liberdade, seja você.


Agradeço de coração os amigos que fiz nessa vida, sem vocês eu não seria eu mesma.