domingo, 25 de março de 2018

Jesus e Alexandra Solnado

Érima de Andrade

Conheci
Alexandra Alvarenga Solnado, Alexandra Solnado, Alex Solnado,  (https://www.alexandrasolnado.com/) numa palestra no site da Paula Abreu (http://escolhasuavida.com.br/), e super me identifiquei com a maneira dela pensar a vida.

Aqui, no Brasil, dirianos que ela é médium, mas não é assim que ela se apresenta. Ela é escritora. O especial dessa escritora é que há 15 anos, ela recebe mensagens e ensinamentos de Jesus.

Com ela aconteceu assim: por volta do ano 2000, ela passou por uma situação de grande desespero por conta de uma doença grave, e inexplicável, da sua filha Joana. Ela chegou a ser declarada clinicamente morta. Foi nesse momento que houve a mudança radical na vida da Alex. Ela começou a estudar astrologia cármica, que era um desejo antigo, e também uma maneira de encontrar respostas ao que estava vivendo. Dos estudos, passou a consultas de limpezas cármicas e conexão com o Eu Superior.

Em 2002, enquanto meditava, ela viu Jesus Cristo. A partir desse encontro, Ele começou a ditar, regularmente, mensagens e ensinamentos. Essas mensagens foram publicadas em vários livros, fazendo de Alex Solnado a autora portuguesa de maior sucesso no campo da espiritualidade.

Além de escrever, ela também trabalha como terapeuta num projeto que chamou de Terapia da Alma. Ela sempre diz: “Na realidade, o autor deste projeto é Jesus. É Ele quem dita as mensagens dos livros, a forma como devem ser feitas as limpezas espirituais e toda a teoria utilizada neste projeto.”

Num dos seus vídeos, ela conta que Jesus fala diretamente com muita gente, e com cada um, Ele usa a linguagem adequada a essa pessoa. Eu gosto demais das mensagens recebidas por Alex. As recebo semanalmente, me inscrevi no site para isso, e às vezes também consulto uma mensagem online, direto no site. Todas as mensagens que li, fazem muito sentido para mim.

Acredite você ou não, que essas mensagens foram ditadas por Jesus, que Ele inspirou esses textos, ou que a Alex O ouviu, não faz diferença. As mensagens são ótimas. Tire delas o que elas tem de melhor. Não permita que seu preconceito lhe impeça de aproveitar esses ensinamentos. Eis algumas que já recebi de O Livro da Luz, O Livro da Luz Online, O Livro da Luz – Pergunte, O Céu Responde:

Por Mim

Esse é o teu amor por mim.
Quando te olhas todas as manhãs, e tentas novamente aceitar-te. Esse é o teu amor por mim.
Quando te alimentas adequadamente para o teu corpo não adoecer. Esse é o teu amor por mim.
Quando te ofereces pequenos presentes. Porque tu mereces. Porque eu mereço que tu mereças.
Quando alcanças a maioridade do ser. Quando me alcanças nas alturas. Quando me sonhas, me sorris. Esse é o teu amor por mim.
Não quero que escrevas. Só quero que sintas, que sintas esse amor por mim (o amor que tens por mim).
Cada lagoa que olhas, olhas por mim. 

Cada pôr-do-sol, cada estrela cadente que contemplas, dás-me um pouquinho desse prazer. 
Cada memória que tens, tem-na por mim. Fá-lo por mim.
Cada ser humano que abraças, cada olhar que tocas, fá-lo por mim.
Ama por mim.

Não posso estar aí, mas sinto a matéria por cada um de vocês, por cada ser humano que honra o que sente. 
Que vê o seu coração voar de encontro às alturas.
Cada vez que te apaixonares, fá-lo por mim.
Cada vez que utilizares a minha luz para amar, contemplar e viver, vais sentir-te mais, vais dar mais e vais unificar o céu e a terra por força da nossa união.” Jesus


Não Queiras 

Não queiras perpetuar a vida. Aproveita.
Aproveita cada instante do que a vida tem para te dar.
Cada minuto é magicamente selado por mim para te dar tudo o que a tua energia precisa para se desenvolver.
Cada instante que queiras que dure para sempre, cada movimento que faças para repetir experiências, estás a negar as novas experiências que te estão a ser apresentadas.
Não queiras perpetuar nada. Apenas aproveita cada instante.
E agradece. Agradece estares vivo para poderes usufruir da encarnação.
Só.
O resto virá por si para tornar a tua vida mais colorida.” Jesus


Liberdade 

“A liberdade é mágica. A liberdade dá-te aquela sensação de que fizeste o que tinha de ser feito. Que estás onde tens de estar. Que tudo está no seu lugar.
A liberdade não é um sítio.
Não tens de ir a lado nenhum. Não tens de fazer nada para seres livre. Liberdade é teres consciência de que a vida é tua e só tua, e que tens que vivê-la e seres quem és, sem concessões.
É claro que os outros também poderão ser levados em consideração. Mas com limites. Há pessoas que vivem inteiramente para os outros.
Tudo o que fazem, fazem-no em nome dos outros. São em nome dos outros. Todas as suas vidas são concessões constantes. Esforçam-se por ser o que esperam delas. E depois, como a pressão é tremenda, procuram a liberdade desesperadamente numa tentativa vã de se encontrarem.
Procuram a liberdade fugindo de si próprias, sempre fora delas. Partem à procura da liberdade. Eu não vou a lado nenhum para ser livre. O máximo que posso fazer é ir por ser livre.
Primeiro és livre, dentro, depois poderás fazer o que quiseres, pois tudo o que fizeres irá invariavelmente refletir quem tu já és.
E o que é a liberdade interior?
Vive cada emoção, por mais ínfima que ela possa parecer. Sente quem és e nesse aspecto não faças concessões.
Sente, sente e sente. Esse sentir irá trazer informação espiritual preciosa acerca de quem és e do que vieste fazer à terra.
Sente, abre o coração e começa a ouvir a tua intuição.
E só então, age.
E nesse caminho, encontrarás a forma mais fabulosa de ser livre.” Jesus

Luz 

“Nós não podemos ver só o que queremos. Não podemos viver na ilusão.
Nós temos de ver a realidade. Ver o que é.
Por isso é que eu gosto das pessoas que, quando oram, pedem:
"Dai-me luz. Ilumina-me para que eu possa ver o que é, sem hesitações."

"Dai-me luz
A mesma luz onde moram os anjos,
A mesma luz que ilumina os caminhos,
A luz que transforma os homens
E os torna pessoas especiais.
Dai-me luz
A mesma luz que me retira a estranheza
E que me devolve a minha própria natureza.
A mesma luz que clareia os meus passos
E que me devolve um sentido de vida, de direção.

A mesma luz que no fundo do túnel
Abre um campo aberto de possibilidades,
Um universo de oportunidades.
A mesma luz, da cor da paz, da cor de um povo
Que vive no céu
E que faz a minha vida na terra
Ter mais significado.
"

Quando estiveres triste, pensa que te falta luz. Diz esta oração com o peito aberto, para que a luz possa entrar e modificar a tua vida.” Jesus


Como Vens?

Como é que tu estás na espiritualidade?
Tu vens cá acima buscar alguma coisa?
Vens cá acima para poderes receber alguma coisa?
Alguma bênção?
Vens agradecer alguma coisa que já recebeste?
Ou vens Ser?

Exercer quem és numa nova dimensão?
Se vens buscar alguma coisa, desiste. Não é aqui que encontras o que queres.
Aqui, o máximo que podes encontrar é a resposta – se vais ou não encontrar o que queres.
Se vens agradecer alguma coisa, que bom. Fico feliz por perceberes que tudo o que tens na matéria é enviado pelo céu, a título de boa hospitalidade. Mas se vens para Ser, para te exerceres, aí então é que fico feliz e mando tocar as trombetas.
Significa que já compreendeste o portal das dimensões, porque já recebeste luz suficiente para poderes escolher a Luz.
Significa que já te perdoaste e já não exiges nada de ti.
Porque aceitaste vivenciar cada uma das tuas dores bem como cada um dos teus amores. Porque já sabes quem eu sou e o bem que te posso trazer.
Significa que já compreendeste a jornada do homem e queres fazer a tua parte.
Significa que pensas em mim e, mesmo que ainda não me tenhas visto, sabes que existo e contas comigo.
Significa que já entregaste a tua alma ao céu e aguardas por boas novas.

E, mais do que tudo, significa que a tua alma já tocou na minha.” Jesus

domingo, 18 de março de 2018

Temperos em Casa

Érima de Andrade

A mãe de uma amiga, desde antes de nos conhecermos, separava as latinhas usadas na cozinha, pintava com criatividade e bom gosto, furava o fundo e
pendurava ao longo do muro lateral da casa com mudas dos temperos que mais usava. Há mais de trinta anos, muito antes de virar moda, ela já reciclava, reutilizava, e valorizava os temperos orgânicos da sua hortinha.

Atualmente atendo duas pessoas que, por motivos diferentes,
despencaram no seu padrão de vida, mas decidiram, ao menos em casa, comer colorido, com sabor, e fresco.

Se o dinheiro não dá para comprar tudo que desejam, algumas vezes fica caro até na promoção, a solução foi plantar em casa de uma maneira barata, e que funcionasse.

São muitas as vantagens de cultivar uma horta em casa, entre elas: é fácil. Você precisará separar um tempo para se dedicar aos cuidados com irrigação e adubagem, para observar a saúde das plantas, e para cuidar das necessidades de cada espécie. E assim você obtém alimentos de qualidade, que farão diferença na alimentação da sua família. Existe uma grande variedade de verduras, vegetais, ervas e temperos possíveis de cultivar em casa com pouco espaço.

Tem muitas, muitas opções baratas de fazer uma hortinha em casa tendo ou não espaço, plantando ou não em vasos, reciclando ou não embalagens e caixas. Além das opções de semear, comprar mudas, e fazer suas próprias mudas.

Terapeutas ocupacionais devem, ao menos, experimentar as atividades que propõem aos seus pacientes. E lá fui eu fazer mudas, plantar e avaliar o grau de dificuldade de manter a plantação saudável. Árvores requerem menos cuidado, temperos pedem atenção pelo menos 2 vezes por semana. Mas nada que chegue a atrapalhar a rotina da casa, nem sua agenda pessoal. Dificuldade nível fácil demais.

Se você não tem prática com plantas, vasos, regas, cuidados com a terra, minha sugestão é que você comece pelos temperos. E tem motivos. Eles nascem mais rápido, e você em pouco tempo estará usando sua produção para temperar sua comida. E isso é muito motivador.

Comece plantando os temperos que você mais gosta de usar em casa. Ter uma plantação linda, mas que não agrade ao seu paladar, é um convite a auto sabotagem, a abandonar a atividade, a se frustrar com seu trabalho. Deixe para um outro momento experimentar novos sabores. Comece pelo que você conhece e gosta.

Uma pesquisinha rápida na internet vai lhe apresentar muitas ideias de fazer sua hortinha reaproveitando garrafas pet. Eu achei essas sugestões nos sites:







Também tem opções em caixas, caixotes, vidros, vasos, jardineiras e onde mais sua imaginação mandar:



Repare que nas fotos que achei tem muitas ideias de hortas soltas, que podem ser transportadas, sem dificuldades, tanto para o local da casa com a luz mais adequada, quanto para a cozinha quando você for usar.

Nos meus testes em casa, fiz mudas de tomatinhos, tangerina, laranja, cebolinha. Meu tomateiro está cheio de frutos. Plantei as sementes num vaso, e permanecerão lá. Essa aqui foi a primeira colheita:

Aqui vale contar que os frutos, mesmo que estejam no mesmo pé, amadurecem em momentos diferentes. Então, quando começar sua colheita, lembre-se de olhar sua plantinha diariamente. Você, no caso dos tomates, pode tirá-los ainda verde que amadurecerão sem apodrecer.

Eu tenho um pedaço de terreno, então meu futuro pé de tangerina já está no chão. Mas não plantei direto no terreno. Separei as sementes de uma tangerina que gostei especialmente, deixei germinar, coloquei num vasinho e quando atingiu uns 15 cm, coloquei no local definitivo.


Mas saiba que todas as cítricas ficam bem em vaso a vida toda. Claro que crescerão menos que na terra, produzirão menos, mas para o consumo de uma família, serão suficientes. E é tão legal andar pela casa para pegar o limão para temperar, a acerola para fazer suco, a laranjinha kikan para fazer um doce de sobremesa, e todas as outras que você escolher.

Se escolher fazer sua horta numa jardineira, ou numa caixa, lembre-se de se informar sobre o desenvolvimento de cada espécie escolhida. Por exemplo, hortelã deve ser plantado sozinho no recipiente que você escolher. Ele espalha suas raízes com rapidez, por todo espaço disponível, enfraquecendo e matando as outras espécies que estiverem ao lado.

Ao decidir fazer sua horta, você talvez tenha que comprar mudas, ou sementes. Mas muitas outras você multiplica a partir das suas compras no mercado. Por exemplo, cebolas criam raízes até dentro da sua geladeira, depois é só plantá-la num vaso e terá sua muda.

Molho de cebolinhas normalmente vem com as raízes, é só plantar. Minhas mudas vieram desse método.

Laranja, tangerina, limão, tomates, abóbora, você faz mudas a partir das sementes. Aqui em casa plantei as sementes de tomate sem esperar que secassem. Caroços de abóbora também podem ir direto para a terra. Deixei secar as sementes de laranja e tangerina antes de plantar. Mas todas as sementes podem ser germinadas antes, e ir para a terra quando as raízes furarem a casca.



Alecrim você faz mudas a partir de estacas. Traduzindo, você corta mais ou menos 10 cm a partir do topo do molho de alecrim que você comprou no mercado, e planta.



Espinafre, manjericão, alface, salsinha você precisará comprar as sementes. Mas as batatas você pode fazer mudas. Para a batata inglesa, separe uma batata saudável e deixe em local iluminado até que nasçam os brotos. Quando os brotos atingirem 2 cm, estará pronta para ser plantada.

A batata doce é muito especial. Escolha sua batata doce no mercado. Coloque num recipiente de vidro, ou plástico. Comece colocando pouca água, mas quando começar a brotar, complete o vaso com água. Em pouco tempo você vai ter uma bela e exuberante folhagem, que pode ser direcionada para fazer o contorno de uma janela, por exemplo. A água precisa ser completada diariamente. E se optar por colocar na terra, cuide de manter o solo úmido. 



E aí? Com tudo que você leu aqui, você continua acreditando que é necessário um investimento muito alto para ter o prazer de colher, em casa, uma parte da sua comida?

Acredite, esse pequeno e saudável prazer pode se transformar no marco inicial do seu movimento para uma vida melhor. Um pequeno passo, mas é o suficiente para lhe tirar da paralisia, motivar novas atitudes, vislumbrar novas metas rumo ao seu objetivo de se tornar a sua melhor versão. 

Qualquer caminho que você escolher com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida, vale a pena. 

Descubra o seu, e vá em frente.

domingo, 11 de março de 2018

Mosaico Terapêutico

Érima de Andrade

Hoje estou muito empolgada escrevendo influenciada pelas boas energias de um encontro com terapeutas ocupacionais.

Que delicia é encontrar outras terapeutas ocupacionais! Como as encontrei numa oficina terapêutica, é mais ou menos como estar num paraíso!





Para quem não sabe, terapeutas ocupacionais sofrem de solidão.
Temos um olhar amplo sobre o ser humano, temos um raciocínio terapêutico próprio da nossa formação, treinamos tanto análise de atividades, o nosso diferencial profissional, que muitas vezes a fazemos no automático, e estando com outras t.o.’s não precisamos explicar o passo a passo desse raciocínio. Isso é um paraíso!

E isso gente, é como voltar a falar a língua da pátria mãe depois de anos morando no exterior! Por isso sofremos de solidão, sofremos de carência de comunicação com quem entende o que estamos falando, como estamos pensando, e que objetivos vislumbramos numa atividade. 


Por favor, não deixem minha empolgação lhes fazer pensar que não gostamos de falar, ou explicar, o nosso trabalho.
Gostamos! Muito! Não tem terapeuta ocupacional sem paixão pelo que faz. Podem nos perguntar sempre. De verdade!

Mas voltar para casa é uma sensação especial e única, e encontrar t.o.’s dá essa sensação: voltamos para casa.

Ontem participei da
oficina de mosaico oferecida pelas queridas Márcia Garcia Rogério e Denise de M. Simões. Foi lá que encontrei t.o.’s. E gostei tanto que tentarei ir em todas as outras que surgirem por aqui, porque perto de casa também é uma felicidade.

Uma manhã com início de tarde deliciosa! Estávamos tão empolgadas, sentadas em círculo, trocando, que não foi possível respeitar o horário da programação. Desculpa aí quem estava com o horário apertado!



Mas a troca foi tão boa que custamos a perceber hora, sede, fome, programação… Não é ótimo se envolver assim numa atividade e nem sentir o tempo?





Márcia e Denise, obrigada por terem criado esse momento, essa oficina, essa atividade! Foi bom demais! 



Se você, leitor, nunca pensou no mosaico como uma atividade terapêutica, vale ler o que diz a respeito a Kátia Calaça Sperle: “O mosaico em suas variadas modalidades, em seus múltiplos materiais leva ao manuseio, ensina, cria contornos do pensamento, mão e cérebro trabalhando em sintonia. A matéria, o material selecionado para trabalhar mostra e revela o que fazer com ele, indica caminhos, abre portas, leva o autor ao processo de individuação, a busca do seu equilíbrio pelo processo de criar, de materializar os símbolos através das obras.”  

E sim, o produto final deve ser agradável para quem faz, paciente ou não. A menos que a atividade seja profissionalizante, não se cobra técnica, estética, acabamento numa oficina terapêutica. Eu gostei do resultado do meu exercício, por ter conseguido, por ter aprendido, por ter conhecido esses materiais. E orgulhosa deles, vou colocá-los aqui ilustrando também esse texto. 


 

Quer um conselho? Em terapia ou não, permita-se experimentar. Oficinas de atividades expressivas são ótimas restauradoras da alma. Se for com um terapeuta ocupacional vai ser melhor ainda, mas qualquer forma de se expressar vale a pena. 

Bora se expressar?

domingo, 4 de março de 2018

Receita Médica: Amor-Próprio

Érima de Andrade

Uma amiga foi fazer seu checape anual. Foi num clínico geral que também é endocrinologista. Anamnese, exames, conversa, e ele pega o receituário para anotar as orientações a serem seguidas em casa para o sucesso do tratamento.

Começou como todo mundo que preenche receituário, colocando o nome da paciente, minha amiga, no alto da página.
E receitou: “Amor–Próprio”. 

Só de ter escrito isso já merecia meus aplausos, mas foi além e continuou:

“1 – Aprender a não se cobrar tanto.

2 – Aprender a dizer não sem culpa.

3 – Aprender a não ter muitas expectativas de pessoas e situações." 


E completou a receita com uma seta que liga amor-próprio no alto da página, a “super prioridade” que escreveu no fim da página. Virei fã instantaneamente. Que boas orientações!

O amor é muito curativo, e alimentar o amor-próprio é responsabilidade pessoal de cada ser humano. E esses conselhos do médico ajudam muito mesmo.

Nós nascemos amando e querendo ser amados. Mas, com passar do tempo, o amor é eclipsado por crenças e choques adquiridos, e sentimos mais necessidade de receber amor do que de amar. Com isso nos desconectamos da nossa essência, e nos conectamos as máscaras, a um falso eu criado por conta da carência. Mas tem saída, é o autoconhecimento que lhe reconecta com seu melhor, e alimenta seu amor-próprio.

Sim, pode ser que você não tenha recebido o amor que gostaria, mas se está vivo e lendo esse texto, você recebeu amor de qualidade em algum momento da vida, você sabe o que é o amor. E é esse amor de qualidade que deve ser resgatado e alimentado. Cabe a você manter, expandir, aumentar o amor que vive em você. E os três conselhos do médico ajudam muito nessa tarefa.

1 - “Aprender a não se cobrar tanto.” - Você, ser humano, vivendo no planeta Terra, é imperfeito. Ponto. Nasceu aqui para evoluir, se tornar melhor. E, devo lhe informar, que se tornar melhor é muito diferente de se tornar perfeito.

Faça o seu melhor em cada momento, respeitando seus limites, habilidades e capacidades. É a consciência de ter feito o melhor em cada situação que o fará deixar de se culpar por não ser perfeito, e por consequência, deixar de se cobrar tanto.

Fazer o seu melhor não é o mesmo que estagnar no que você é capaz de fazer hoje, mas reconhecer que você fez o melhor com o que você tinha em cada momento. A medida que você aprende, se aprimora, treina ser melhor, fica melhor ainda.

E para não cair na armadilha de sofrer por um passado que você não pode mudar, torne a reconhecer que fez o melhor que você podia na época dos fatos que alimentam suas cobranças.

2 - “Aprender a dizer não sem culpa.” - 
Dizer não é dar limites. É reconhecer os seus limites e respeitá-los. As pessoas que convivem com você vão gostar de ter essa clareza, vão gostar de saber que quando você disser sim, você sabe que vai dar conta, que poderão confiar.

Quando você diz sim apenas para não se sentir culpado, para não se sentir “maltratando” o outro com sua recusa, você corre o risco dizer sim para algo que você simplesmente não consegue lidar. Você não ajuda o outro, se sente culpado por ter falhado, e não se ajuda.

Dizer sim para tudo é uma tentativa de comprar amor, e não o seu amor em ação como talvez você goste de pensar. Ao dizer sim para tudo, você inconscientemente está perguntando: “agora que eu concordei, você vai me amar?”

Se você precisa agradar os outros porque acredita que somente assim será amado, você condena seus próprios desejos, e passa a negá-los. Você deixa de saber o que quer, o que gosta, o que lhe faz bem realmente.

Se conhecer é fundamental, é o  autoconhecimento que possibilita o acesso à realidade de quem somos. 
Se você está nesse jogo de comprar amor, é porque não se sente amado. E se não se sente amado, está faltando amor-próprio em você. 

E é importante lhe informar que se lhe falta amor-próprio, não vai ter amor de fora suficiente para preencher esse seu vazio. Só o seu amor lhe preenche de fato. Só se conhecendo, se amando, você conseguirá dizer não sem sofrimento, e dizer sim com sinceridade e alegria.

3 – “Aprender a não ter muitas expectativas de pessoas e situações.”-
 Criar expectativas aqui, equivale a fantasiar situações e pessoas. É como ir ao encontro de alguém fantasiando poderes mágicos e perfeições que ele não tem.

É bem ruim sempre. Primeiro, óbvio, você se frustra ao perceber que não era nada daquilo. Segundo você se fecha para a versão real que se apresenta, e perde a oportunidade de conhecer alguém que não é como você imaginava, mas que é bem legal sendo quem é.

Fantasiar situações também é ruim pelos mesmos motivos, você se frustra, e perde a oportunidade de viver uma experiência bacana, por ter se fechado para a realidade que se apresentou.

E a realidade pode ser num evento que lhe decepcione, por ver que o bolo oferecido não é o de três andares que você imaginou, decorado, confeitado, cheio de luzes e brilhos. E frustrado por não encontrar o bolo ultra mega produzido, se fecha, recusa a experimentar, e perde a oportunidade de saborear o melhor bolo de laranja do mundo, o mais pedido, o mais premiado.

Que pena, suas expectativas lhe deixaram de fora dessa e de outras experiências. É assim que acontece em todas as situações que você cria expectativas irreais e impossíveis de serem concretizadas, você fica fora das experiências reais.

O caminho é se abrir para conhecer pessoas e situações sem preconceitos, sem fantasias, sem expectativas. É alimentar seu amor-próprio com o autoconhecimento para deixar de procurar fora o que você tem dentro e ainda não reconhece.

Como diz Prem Baba “e se é o autoconhecimento que possibilita a autorrealização, o amor, abençoados sejam os momentos que nos dedicamos as práticas de nos conhecer um pouco melhor, abençoados sejam os seus esforços.”

“Super Prioridade” - Com certeza amor-próprio é uma super prioridade! Se amar é o caminho para sua saúde e felicidade. E depende só de você.

Bora se conhecer e ser mais feliz?


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Reforma Íntima

Érima de Andrade

Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, propôs 20 exercícios para ajudar na sua reforma íntima, e tornar melhor sua experiência nesse mundo. 
O caminho para se tornar sua melhor versão, passa pela sua reforma íntima. Como se tornar uma pessoa melhor é o objetivo de quase todas as pessoas, e se você é uma delas, vale colocar algumas dessas sugestões em prática no seu dia a dia. Vamos a elas:

“1. Executar alegremente as próprias obrigações.” - Sim, você tem obrigações. Tem deveres que precisa executar todos os dias para sua higiene, alimentação e saúde, por exemplo. É o custo de se manter com qualidade de vida. Em vez de reclamar de tudo que precisa fazer, lembre-se dos motivos de fazer o que está fazendo. Descubra o valor dessa sua tarefa, e permita-se transformar seu sofrimento com suas obrigações, em alegria.

“2. Silenciar diante da ofensa.” - Se você não é, não se identifica, nem se reconhece no que falaram de você, então não precisa responder. Silencie. Se você é exatamente da maneira que falaram, também não precisa responder, é um reconhecimento, um fato. Se você não gosta dessa sua característica que foi descrita, cabe somente a você reformá-la.

“3. Esquecer o favor prestado.”
- Favor é o que você faz para alguém de graça, sem obrigação, por amor ao próximo. Fazer um favor, ajudar o outro esperando recompensa, não é um favor. É, na verdade, a sua maneira de se valorizar perante o outro, se colocar como melhor que ele, se vangloriar. Com certeza esse não é o caminho da sua melhor versão. Repense suas atitudes quando fizer um favor novamente.

“4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.” - Completa o item acima. Além de esquecer, de não cobrar por um favor, se você quer ser uma pessoa melhor, também não cobre dos seus amigos gentilezas que confirmem que você é querido. Se anda sentindo um vazio interno, que pede sinais externos de amor, preciso lhe informar que nenhum sinal, por mais explícito, maravilhoso, amoroso que seja, vai preencher esse seu buraco. Só a você cabe alimentar seu amor-próprio. Não coloque nos seus amigos essa obrigação.

“5. Emudecer a nossa agressividade.” - Agressividade é uma expressão da sua raiva. Raiva é o sentimento que dá limites, que diz ‘até aqui você pode, daqui em diante não pode mais.’ Mas nenhuma raiva autoriza sua agressividade, nem a sua violência. Você tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel, violento e agressivo. Emudeça, e vigie-se para não juntar mais raiva, para não explodir sem controle, para não voltar a ter motivos de ser agressivo.

“6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.” - Várias opiniões diferentes têm o poder de abrir nosso horizonte, de nos mostrar um mundo amplo de possibilidades. Ouça, se gostar, aplique na sua vida. Senão gostar, respeite quem escolheu viver, pensar, sentir, diferente de você.

“7. Abolir qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária.” - Jogar conversa fora é bom, mas só é bom quando é aquela conversa que flui bem, sem assunto pré-definido, sem tensões, sem uma agenda de discussões a ser cumprida. Senão é com alguém próximo, ou íntimo, a sua conversa, para quê perguntar coisas que não afetam em nada a sua vida? Para quê fazer perguntas que constrangem quem é perguntado? Esteja a aberto para ouvir o outro em qualquer conversa que acontecer, mas foque no melhor do outro, no que ele lhe acrescenta de bom, nas possibilidades de aprendizado mútuo.

“8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer azedume.” - Se você está vivendo um momento de amargura, se anda azedo com a vida e com todo mundo, abstenha-se de repetir qualquer ensinamento, ou dar qualquer informação. Não é o momento, cuide antes de você. É muito ruim ir pedir uma orientação e a pessoa responder azeda, com cara fechada, sem nenhum interesse em, de fato, lhe explicar. Causa até constrangimento em seguir perguntando, mesmo quando ainda não entendemos. Todos temos momentos na vida mais azedos. Passa. Até lá, compartilhe apenas o que lhe deixa mais doce.

“9. Treinar a paciência constante.”
- Essa é uma das maiores lições que precisamos aprender nesse mundo, ter paciência, desenvolver a ciência da paz. E o mundo nos dá muitíssimas possibilidades de treinar essa lição. Aproveite.

“10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem biografar nossas dores.” - Se você se abriu para ouvir o outro, ouça-o com a sua mais amorosa atenção. O outro está lhe contando a dor dele, e como ela o afeta. Você não contribuí em nada se o interromper para falar das suas dores. Menos ainda, se comparar sua dor a dele. Dor não se compara, se sente. Precisa conversar? Procure alguém. Mas se lhe procurarem para conversar, apenas ouça.

“11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.” - Sem afetação é o grande exercício nesse item. Atitudes de “eu sou o máximo”, “olha como sou bom”, “tenho muitas habilidades especiais”, não o torna mais útil. Veja onde você pode ajudar, ser mais útil, em cada situação. Você pode ser mesmo poderoso nos seus talentos, mas pode ser que seja mais útil apenas sendo mais um elo na corrente humana formada para armazenar doações, por exemplo, do que usando todas as suas habilidades.

“12. Desculpar sem desculpar-se.” - Ao colocar-se na condição de quem erra, você consegue desculpá-lo. Essa é a proposta, primeiro desculpe o outro, suas faltas, falhas e erros. Olhe o outro e o desculpe. Depois volte-se para você, e desculpe-se também. A sua reforma íntima passa por se perdoar. Você também merece ter seu erro compreendido, aceito e perdoado. Você merece acabar com qualquer conflito interno que o encha de culpa. Desculpe-se, liberte-se dessa dor.

“13. Não dizer mal de ninguém. - Somos humanos, e nessa condição, imperfeitos. Estamos todos aprendendo e nos esforçando para melhorar. Erros acontecem, mas acertos também. Use os erros para aprender, e valorize os acertos que acontecerem. Falar mal, criticar, menosprezar, só cria ao seu redor uma energia de descontentamento e infelicidade. É esse o seu objetivo?

“14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.” - É isso. Somos seres sociais, vivemos em sociedade, comungamos várias experiências. Treine seu olhar para ver a melhor parte de quem está com você nessa jornada.

“15. Alegrar-se com a alegria dos outros.” - A vida não é uma competição onde você perde sempre que o outro ganha. A vida é energia, e você pode escolher sempre que frequência sintonizar. Escolha a alegria, escolha sintonizar com a alegria do outro, escolha valorizar o que provocou essa alegria. Permita que a alegria do outro eleve suas melhores vibrações.

“16. Não aborrecer quem trabalha.” - Se você não pode ajudar de maneira alguma, você, com certeza, pode não atrapalhar. Quem está trabalhando, agradece.

“17. Ajudar espontaneamente.”
- Ajudar quando pedem ajuda é muito bom. Mas ajudar antes que peçam ajuda, é muito melhor. Experimente.

“18. Respeitar o serviço alheio.”
- Respeitar é importar-se com o próximo. Coloque-se no lugar de quem prestou o serviço, e respeite. Vale em todas as situações, desde manter limpo o ambiente que alguém teve o trabalho de limpar, até 
estacionar o carro corretamente para não atrapalhar a vaga do próximo. Você pode até não gostar do serviço prestado, mas é fundamental manter o respeito para a boa vida em sociedade.

“19. Reduzir os problemas particulares.” - Todos temos problemas. Algumas vezes temos problemas realmente grandes. Mas na maioria das vezes, apenas aumentamos nossos contratempos como se eles fossem a maior tragédia da humanidade. Essa glamourização das suas dificuldades, não ajuda em nada a resolvê-las. Pense nisso antes de sair de novo por aí reclamando de tudo e todos.

“20. Servir de boa mente quando a enfermidade nos fira.” - Sim, você pode adoecer, pode ficar temporariamente enfermo e preso numa cama. Mas nem por isso precisa ser o ranzinza do lugar. Compreenda os processos do seu tratamento, treine sua paciência em cada etapa, e colabore para a sua recuperação cultivando positividade e amorosidade, para com você mesmo, e para com os outros. O amor é o caminho sempre.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

E se eu não fizer nada?

Érima de Andrade

Amo o perfume do manacá. Comprei uma muda, plantei no meu quintal. Ela cresceu, floresceu e segue muito bem, obrigada.

Na terra que veio com ela, veio junto a semente de uma outra planta, uma árvore, que não conheço. Eu sempre penso que, senão matar minha muda, eu não preciso arrancar.
Considero que é um presente e deixo nascer. E ela brotou, uma árvore de crescimento rápido. Tudo ia bem até que ela começou a ficar alta demais. Cresceu com aquela aparência de árvore de floresta fechada, alta com o tronco fino. Ai começou a criar problemas… um vento um pouco mais forte colocava em risco meu telhado.

Cortei a árvore. Uma poda drástica com a intenção de podá-la sempre que volte a ficar alta. Não preciso matá-la para proteger meu telhado.
Sabia que voltaria a brotar, então deixei apenas um metro de tronco. E me surpreendi com a “reação” dela. Além de começar a brotar no tronco, de todas as raízes também brotaram rebentos, ou seja, novas árvores. De uma árvore cortada parece que pode surgir uma nova floresta. E isso é sempre impressionante. 


Ela não morreu em nenhum momento, nem era essa a intenção, mas dá para dizer que voltou a vida. Os brotos anunciam que ela vai se regenerar. A natureza realmente se recompõe, é só dar espaço. 

Uma pesquisa rápida confirma que algumas árvores reagem à poda fazendo brotar novos rebentos da sua raiz. Algumas árvores têm a particularidade de emitir, a uma certa distância do tronco, novos rebentos a partir do seu sistema radicular, mas que progressivamente se libertam da raiz original para levar uma vida independente. Removê-los não mata as raízes e pode até estimular o surgimento de outros rebentos. 

Por mais que isso seja impressionante, aqui não é possível deixar seguir, a menos que eu queira matar a árvore-mãe, e não quero.
Os que nasceram aqui em casa, não tem distância suficiente do tronco para se tornar independentes sozinhos sem danificar a árvore-mãe. Posso até tentar fazer mudas deles, mas não posso deixar onde estão. Ou seja, nesse caso não dá para não fazer nada. 

“Devem-se arrancar ou deixar estar estas ramificações? A dúvida é comum a muitas pessoas”, afirma Ana Carvalho, engenheira agrária. Ela explica:“Os rebentos chamam-se rebentos ou ramos ladrões. Devem ser removidos, uma vez que retiram a força de crescimento do tronco principal. Eles podem ser retirados em qualquer época do ano sem prejuízos para a árvore principal”. 

(Cléo, Chica, o manacá e os rebentos.) 


Na sua vida também é assim, mesmo que pareça que tudo vai florescer bem, nem sempre é possível deixar como está. Se vários novos caminhos se abrem a sua frente, você precisa escolher um. Mesmo que todos os caminhos que se abriram para você sejam maravilhosos, você vai ter que eliminar todos os outros que não foram escolhidos.

Não dá para não fazer nada, você realmente precisa escolher uma das muitas possibilidades. Precisa escolher, por exemplo, se quer a árvore ou rebento. Ou que caminho você vai querer trilhar, o antigo ou o novo que se apresenta. Precisa escolher quais rebentos, ou caminhos, serão descartados, e virarão adubos, que fortalecerão a sua escolha. Nada se perde. Só de parar e avaliar atentamente cada caminho para escolher um deles, você aprende e alimenta sua escolha com mais tranquilidade, consciência e confiança. Senão escolher, você perde todas s possibilidades.

Se você se conhece pouco, se vive uma incerteza com relação a quem é e o que quer da vida, possivelmente você tem dificuldades de fazer escolhas. Essa dificuldade faz de você uma pessoa apegada, alguém que se torna incapaz de abrir mão de qualquer opção, deixando tão difícil a tomada de qualquer decisão.

Pessoas apegadas adiam, enrolam e postergam indefinidamente suas tomadas de decisão. Esquecem que ao não escolher também fizeram uma escolha, já que a vida continua e existem consequências. Há sim uma perda quando se faz escolhas, e pode gerar sofrimento, mas cabe a você continuar da melhor maneira possível.

“Apegos perturbam a mente e nos impedem de agir com liberdade”, explica a monja Coen.“É preciso ter consciência se você está se apegando demais à comida, a uma pessoa, a uma situação qualquer e isso está atrapalhando os seus relacionamentos. É preciso distinguir os benefícios. Se é gostoso e saboroso, mas fiquei presa numa teia e vai me causar mal, é hora de desapegar”, ensina.“Tudo que começa a causar muitos impedimentos para a vida, deixa de ser uma coisa boa, deve ser desapegado”, completa.

Para desapegar, é importante ir pelo caminho do meio, desapegando até mesmo do desapego obrigatório. “Possuo uma velha roupa de monja. Olho para ela e são tantas as memórias de um certo mosteiro que não largo a roupa”, reconhece a monja.

Desapegar não é abandonar tudo, é ter equilíbrio, é soltar o que lhe causa impedimentos, é ter disposição de encarar os novos ciclos quando se apresentarem. É possível ser desapegado e ter desejos de viver de maneira confortável nesse mundo. Apesar disso, garante a monja Coen, o desapego liberta.

Pessoas desapegadas são mais tranquilas nas suas escolhas, se conhecem melhor, conhecem sua essência e sabem que perder alguma coisa, ou se distanciar de alguém, não muda sua verdadeira natureza. Pessoas desapegadas fazem as escolhas com mais compreensão, vivem com mais harmonia, calma e receptividade, especialmente quando mudar o caminho não for uma opção sua.

Fazer escolhas certas é uma questão de saber o que você está procurando com o resultado da sua decisão. É confiar que continua se movendo em direção dos seus objetivos, se renovando, aprendendo e se tornando uma pessoa melhor.

“Não há caminho errado, mas sei que há caminhos que trazem menos felicidade porque são caminhos desconectados de nossa essência. Somos seres projetados para sermos felizes e a felicidade está onde a essência está.” Paula Quintão


E se eu não fizer nada? Nada muda. E os caminhos que se abriram, deixam de existir.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Consequências

Érima de Andrade

Carnaval bombando.
Os que gostam da festa estão na folia. Os que não gostam estão procurando séries, filmes, livros interessantes para aproveitarem esse tempo de folga. Ou não...

Se você faz parte do grupo que está procurando alguma coisa para assistir, na Netflix tem uma série que vale a pena, Grace e Frankie. É muito divertida, e,
para mim, uma alegoria ótima de como não é possível fugir das consequências das suas escolhas. 



A série conta a história de dois casais, Robert e Grace, Sol e Frankie. Os homens são amigos e sócios num escritório de advocacia. Por conta dessa amizade, compraram juntos uma casa na praia onde as duas famílias ficam juntas nos feriados, fins de semana e férias. Um dia avisam as esposas que precisam conversar. Marcam dia para essa conversa por se tratar de algo que mudaria a vida deles. As esposas têm certeza que vão anunciar a aposentadoria, e se preparam para isso.

As conversas acontecem separadamente, cada casal na sua própria casa, falando a mesma coisa, ou seja, o marido anunciando que tem um caso com o outro marido, e que eles decidiram se assumir para viver plenamente esse amor. É a partir disso que a série começa. 


Repito sempre no consultório que não aprendemos automaticamente com o que nos acontece. Precisamos escolher aprender com o que nos acontece. E a série, entre outras
coisas, mostra isso, como mesmo passando por situações intensas, elas só aprendem quando decidem olhar o que aconteceu, entender, integrar.

Ao longo dos episódios de Grace e Frankie descobrimos que cada uma, a sua maneira era infeliz no casamento, e fugia dessa realidade se drogando. Uma bebia e mergulhava no trabalho. A outra chapava com maconha para abrir canais sutis de inspiração e criatividade. Por melhores que fossem as intenções e os resultados, o que elas faziam mesmo era fugir. E se você não olha a sua realidade, você não pode modificá-la. Simples assim, tudo fica do mesmo jeito. 


A vida deu essa rasteira na dupla, o casamento, apesar de longo, não era sólido. E ao longo dos episódios vamos acompanhando as muitas confusões que provocavam por não agirem de acordo com o que acontece no momento, por não quererem lidar com o que acontecia, com a negação pura e simples. Até onde conseguiram, elas continuaram fugindo das consequências das suas escolhas. Fugiam, especialmente, de assumir a responsabilidade por não escolher.

É divertido, mas vamos nos divertindo com os maus humores e trapalhadas, com ironias, e muita negação do óbvio. Como alegoria é ótima! Como diversão também. Se você quiser, faz pensar, senão quiser, você apenas se diverte. 

       

Uma das personagens, numa das temporadas, se recusa a descer do salto, literal e emocionalmente. Gasta uma energia impressionante para negar um problema no joelho que acaba evoluindo para uma cirurgia reparadora. Até chegar nesse ponto, ela passou por disfarçar a dor com remédios, a subir e descer a escada que leva ao próprio quarto sentada nos degraus, a beber quando a dor estava insuportável e os remédios não faziam mais efeito, mas seguiu se recusando a pedir ajuda as pessoas, ou a usar a bengala sugerida pelo médico. 


A outra personagem se enrolou tanto nas mentiras que inventava tentando esconder sua desatenção, que, um belo dia, quando foi ao banco pegar um novo cartão da sua conta, teve o pedido recusado por estar morta no sistema. Consequência de fingir ser a sua irmã de luto por ela, para não ter que pagar por ter perdido, mais uma vez, a chave da sua caixa no correio. Essa informação foi parar no sistema do seguro social, e gerou baixa em todos os serviços, a deixando sem conta no banco, sem documentos, sem direitos. Morreu, oficialmente falando. 


Você só aprende com o que escolhe aprender. E elas escolheram continuar a negar os problemas que surgiam até que ficassem grandes demais para serem ignorados. E mesmo grande, você só aprende com eles se escolher aprender. Como não pode ignorar um problema que ficou enorme, você o resolve. Mas precisa escolher aprender com a situação. Precisa escolher não permitir de novo essa bola de neve. Precisa querer mudar o que levou você até esse ponto.


A série é mesmo bastante divertida. Uma alegoria que mostra que não adianta ser cada vez mais eficiente em fugir dos seus problemas, as consequências chegarão. E isso vale para a série e para vida. Vale para todas as vezes que você forçou a barra só mais um pouco sem dormir ("Tenho que entregar esse material amanhã sem falta."); ou forçou o carro que estava fazendo cada vez mais barulhos estranhos ("Não posso ver isso hoje, preciso do carro."); ou forçou o computador que vivia dando sinais de que ia falhar ("Assumi um compromisso, tenho um trabalho importante para entregar, não posso parar agora."). Sim, você não pode, não quer, não escolheu.

E apesar de você não ter escolhido parar quando percebeu os sinais de desgaste, você é obrigado a parar quando o corpo não responde mais, e precisa de um atendimento de emergência; ou quando seu carro parar de vez e precisar de um reboque para chegar numa oficina; ou quando precisar informar a sua cliente que não vai poder cumprir o prazo, porque o computador pifou de vez. Pois é, mesmo que negue todos os sinais, e se torne eficiente em fugir da realidade, as consequências chegarão. Você vai sim colher o que plantou. 


         

Na série a gente se diverte com situações assim, na vida a gente se desgasta com essas coisas. Consequências. Se você vê alguma coisa que precisa de cuidado, cuide. As consequências dos seus cuidados com você, e com os outros, pessoas, animais, coisas, são sempre melhores do que as consequências da sua negação. 


Aproveita o carnaval da maneira que achar melhor. Mas vai informado que tudo o que você fizer, ou deixar de fazer, vai ter consequências. Bom feriado para você!