domingo, 28 de fevereiro de 2016

Adélia Prado

Érima de Andrade

Conheci Adélia Prado através do livro “Os Componentes da Banda”, uma delícia de leitura.

Para quem não conhece, Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida apenas como Adélia Prado, nasceu em Divinópolis, MG, em 13 de dezembro de 1935, e é poetisa, professora, filosofa e contista brasileira de mão cheia. 



Seus textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto. Dela se diz que “em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representa a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa.” Mulher como ser pensante... Inacreditável que ainda se ache isso uma exceção...

Adélia se apresenta em seus contos e poesias, mas esse, em especial, ela explicitamente diz a que veio:

Com licença poética

"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou." Adélia Prado



No estudo feito por Cristian Pagoto e Mirele Carolina Werneque Jacomel sobre "As Mulheres de Minas: Corpo e Erotismo na Poesia de Adélia Prado",  eles explicam que :

“O tema poderia, ainda, correr o risco de cair na comicidade ou na mediocridade, mas Adélia Prado, ao abordá-lo, revela uma situação do cotidiano que está entre o sério e o cômico, entre o infinitamente trivial e o extraordinariamente lírico. Revela a situação da mulher numa sociedade concreta e real, distante do mundo encantado que durante muito tempo foi o cenário típico onde as mulheres existiam. Assim, ela revela o lado humano e comum da mulher no mundo. Sua vida anônima, seu cotidiano mais prosaico, que não é outro senão o mesmo vivido por todos nós.” 

Essa é Adélia, a que fala com poesia da vida comum e cotidiana. Em “Poesia Reunida”, livro publicado em 1991, ela escreveu o texto “Erótica é a alma”. Se alguém antes duvidava da mulher como ser pensante, eis um bom exemplo de como ela pensa e nos faz pensar:

“Todos vamos envelhecer… Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.” Adélia Prado

Que tenhamos todos uma boa semana, sem negligenciar nem a alma, nem o corpo, nem as emoções, nem o intelecto.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Minha canção de ninar

Érima de Andrade

Essa semana foi o aniversário do meu pai. Passei por lá para comemorar com ele.
Sabe essa coisa de almoço de família, sem hora para acabar, que o papo vai se estendendo sem fim a mesa? Pois é, foi assim. E papo vai, papo vem, enquanto tirávamos a mesa, meu pai começou a cantar uma canção. Com as mãos cheias de pratos em direção à cozinha, eu continuei a música. Ele ficou surpreso que eu soubesse a letra, perguntou se eu lembrava? Sim... Do Agnaldo Rayol... Não era essa a pergunta, era se eu lembrava dele cantando! Nesse momento eu soube, ou lembrei, que era a música que ele cantava para eu dormir. Achei tão lindo! Foi tão legal que resolvi contar essa história no blog.

É uma delícia de música, e inesquecível, que papai cantava para mim “em plena praia no céu azul brilhava o sol”... Conhece?

Amo muito meu pai. Somos muito parecidos.
É tão interessante ver minhas reações em outra pessoa. Não dá mesmo para negar que somos pai e filha. Esse poema "Interrelationship" de Thich Nhat Hanh, com tradução livre Leonardo Dobbin, parece feito de encomenda para nós:

Interrelações

“Você sou eu, e eu sou você.
Não é óbvio que intersomos?
Você cultiva a flor em si mesmo,
De forma que eu seja bonito.
Eu transformo o lixo em mim,
De forma que você não terá que sofrer.

Eu te apoio,
Você me apoia.
Eu estou nesse mundo para te oferecer paz,
Você está nesse mundo para me trazer alegria.”


Pai, sou muito abençoada de ter você como meu pai! Obrigada por ter dito sim para essa aventura que é nascer nesse planeta tão incrível. O mundo é muito melhor com você nele. Obrigada pai, por todo amor, apoio e incentivo sempre. O amor é isso, reconhecer no outro o ser divino que ele é, e aos pais cabe nos guiar para que nos descubramos luz. Você, pai, cumpriu muito bem essa missão! Combinado, na próxima vida também viremos juntos!

Que a sua vida seja imensamente feliz, repleta de luz e alegria. Pai, que Deus siga lhe abençoando com muito amor, saúde e felicidade, e tudo mais de melhor do universo.

Bora cantar junto?

Antes da música preciso me explicar. Sempre que posto um vídeo aqui, eu procuro o que tenha melhor qualidade de som e imagem. Mas dessa vez não resisti. Então recomendo fortemente que vocês pesquisem Agnaldo Rayol cantando “A Praia”, tem muitos vídeos de ótima qualidade. Esse que eu escolhi não é muito bom.

Mas esse disquinho... era o que a gente tinha em casa. Era o máximo, um disco quadrado, de papelão, mas que funcionava! "A Praia", uma versão de Bruno Silva para "La Playa", de Jovan Wetter e Pierre Elie Barouth, cantada por Agnaldo Rayol. Vamos cantar?



“Em plena praia no céu azul brilhava o sol
E junto ao mar a meditar coisas de amor
Mal poderia imaginar, que ao sol se pôr,
Encontraria um grande amor

E de repente o amor aconteceu
Unindo para sempre você e eu
Um beijo então calou a nossa voz
Somente o amor falou, falou por nós.

Quando na praia novamente o sol brilhar
Lá estarei e ficarei bem junto ao mar
Perguntarei que ao sol se pôr
Em plena praia eu encontrei um grande amor

E de repente o amor aconteceu
Unindo para sempre você e eu
Um beijo então calou a nossa voz
Somente o amor falou, falou por nós.”


Eu e Papai

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Agir com positividade

Érima de Andrade

Positividade é olhar com honestidade o que acontece no momento e reagir de acordo.

Tenho escrito sobre isso aqui no blog com alguma frequência, mas sempre vale a pena lembrar que
positividade não é, de maneira alguma, olhar a vida por um óculos cor de rosa. É olhar o que lhe acontece no momento e agir de acordo.

A nora de uma amiga querida foi assaltada num arrastão. Levaram tudo, inclusive o carro dela.
Se você tem a felicidade de não saber o que é um arrastão, eu explico: arrastão é um assalto coletivo. Várias pessoas se unem para assaltar, ao mesmo tempo, o maior número possível de pessoas de um mesmo lugar. Uma rua que eles fecham (foi esse o caso), e assaltam todos os carros; um trecho da praia que avaliam como interessante; um restaurante; um shopping; e onde mais a imaginação sugerir. Consiste no roubo coletivo de dinheiro, telefones, relógios, joias, bolsas e às vezes até mesmo a roupa da pessoa que teve o azar de estar ali naquele momento. É muito rápido e muito violento. Eles têm pressa, e você pode se machucar mesmo que não reaja.

Dá para ser positivo num momento assim? Dá.
Positividade é reagir de acordo, e nesse caso, é ir para a delegacia fazer um boletim de ocorrências, o B.O.. Foi o que ela fez.

Não dá para sentar no meio fio e chorar sem fazer nada.
Chore, é mesmo uma situação ruim, mas aja. E liga para um conhecido para ir com você. Não é por que você é positivo que não precisa de apoio. Precisa e merece. Tome as rédeas da sua vida nas mãos, mas vai sabendo que tem muita gente que pode lhe ajudar, nem que seja para chorar junto. Não dá mesmo para abraçar o mundo, mas dá pra abraçar algumas pessoas e fazer a diferença. E minha amiga foi com a nora, para dar a mão, para estar junto, para dizer conta comigo, para fazer a diferença.

Ser positivo é fazer o seu melhor com o que está lhe acontecendo no momento.
É não deixar a impotência tomar conta. É não alimentar pensamentos do tipo, “mas não vai adiantar nada...”. Vai sim, o seguro do carro pede o B.O., e cobra da policia a solução. E carros são recuperados, e ladrões são presos. Tem muita injustiça por aí? Tem, mas também tem justiça acontecendo.

Esse é o caminho da positividade, fazer o melhor possível com o que lhe acontece.
É assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas e decisões, é encarar as falhas como aprendizados, é abraçar o novo sempre que o antigo não mais parecer satisfatório, é aceitar os obstáculos como necessários.

Aceitação não é o mesmo que resignação.
Resignação tem a ver com conformismo, com aceitar mesmo não concordando. Resignação traz sofrimento, pois mantém o desejo que a realidade seja diferente da que se apresenta. Nos resignamos sempre que não nos movemos em direção ao que desejamos para a nossa vida.

Aceitação é a ação que nasce da presença no aqui e agora, tem a ver com uma atitude ativa, com olhar com honestidade o que lhe acontece, com procurar as melhores opções no momento. A aceitação não nos agride. Ao aceitar assumimos a realidade sem sofrer por ela, percebemos uma razão para o fato e aceitamos. 

Agir com positividade alimenta, em nós, a esperança, a convicção de que aquilo que desejamos é possível, ainda que tudo indique o contrário. Sou apaixonada por essa explicação de G. K. Chesterton: ““Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem que dragões podem ser mortos.” Essa é uma lição que não podemos esquecer, os dragões podem ser vencidos. E nem ao menos precisamos lutar sozinhos contra eles. Os dragões podem ser vencidos, e os amigos estarão sempre ao nosso lado. É bom saber disso.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Levata, sacode a poeira e dá a volta por cima

Érima de Andrade

Carnaval é realmente a grande festa do povo brasileiro. Moro numa rua quase sem trânsito, 1,5km da estrada principal, e mesmo assim
não tem como esquecer que é carnaval. Resolvi então escrever sobre isso, aproveitar a folia e falar sobre resiliência: levanta sacode a poeira e dá a volta por cima...

Acredito que todo mundo já cantou esse samba um dia. Mas
quais são as qualidades dos que realmente dão a volta por cima? Rosario Linares fez uma lista com doze características das pessoas que praticam a resiliência:

1 – “São pessoas que tem consciência das suas potencialidades e limitações” - Saber até onde você pode ir, lhe dá segurança. Saber suas limitações lhe ajuda a não criar expectativas irreais. E isso nem de longe significa que você tem que se limitar. Resilientes usam suas potencialidades para superar suas limitações ampliando seu campo de atuação.

2 – “Resilientes são pessoas criativas” – Felicidades e frustrações mudam o comportamento, e as pessoas resilientes transformam sua experiência dolorosa em algo belo e útil. E isso nos leva a próxima característica dos resilientes.

3- “Reconhecem as dificuldades como uma oportunidade para aprender”- Sempre se perguntam: o que eu posso aprender com isso? Me faz lembrar uma historinha: “Discípulo: Como faço para ter sua sabedoria? Mestre: Faça boas escolhas. Discípulo: E para fazer boas escolhas? Mestre: Tenha experiências. Discípulo: E para ter experiências? Mestre: Más escolhas.” Pois é, no mínimo você adquire experiência para boas escolhas.

4 – “Resilientes confiam em suas capacidades” - Se prepararam, estudaram, colocaram em prática e sabem que são capazes. Se você souber tudo sobre natação, mas nunca entrar na água para colocar esse conhecimento em prática, não tem como confiar na sua capacidade de nadador. A autoconfiança vem da disciplina na prática diária de qualquer coisa que você resolva aprender: nadar, falar um idioma, correr, desenhar, etc. E enfrentar a insegurança com otimismo é uma competência que também pode ser aprendida.

5 – “Praticam a consciência plena adquirida na meditação” - Usam essa prática milenar para estar sempre no momento presente, vivendo no aqui e agora, aceitando com gratidão e amorosidade a realidade que se apresenta, pois sabem que é exatamente o que precisam viver. Simples assim, se é o que você está vivendo, tem aí alguma coisa que você precisa aprender.

6 – “Resilientes veem a vida com objetividade, mas sempre através de um prisma otimista” – Conhecem o seu potencial, têm clareza das suas metas e dos recursos que têm ao seu alcance. Veem com otimismo o caminho que ainda têm que percorrer.

7 – “Buscam conviver com pessoas que tenham atitudes positivas” - Uma visão positiva dos acontecimentos torna mais fácil focar nos talentos ao invés dos defeitos. Atitudes positivas não significa olhar o mundo com um óculos cor-de-rosa. Positividade é olhar com honestidade o que acontece no momento e reagir de acordo.

8 – “Pessoas resilientes não tentam controlar as situações” – Uma das principais fontes de tensão e estresse é o desejo de querer controlar todos os aspectos da nossa vida. A tentativa de controle total frustra, estressa, trava a flexibilidade e a criatividade. Pessoas resilientes passam longe dessa armadilha, com autoconsciência podem se olhar e falar: “olha eu de novo querendo ser o dono do mundo...” E relaxam.

9 – “Resilientes são flexíveis diante das mudanças” - As pessoas resilientes têm consciência da sua capacidade e sabem perfeitamente onde querem chegar. Mas também tem flexibilidade suficiente para adaptar seus planos e mudar suas metas quando isso for necessário. Elas sabem que existem momentos da vida em que somos desafiados a compreender a importância de caminhar deixando paisagens para trás e se abrem para o novo.

10 – “Resilientes são tenazes nos seus propósitos” – Ser flexível não implica de maneira alguma em renunciar as suas metas. Se tem uma coisa que se destaca nos resilientes é a perseverança e a capacidade de lutar pelo que deseja. Perseverança não tem a ver com teimosia. Teimosia é quando você faz sempre a mesma coisa esperando um resultado diferente. Perseverança é quando você procura maneiras diferentes de fazer algo em busca dos seus objetivos.

11 – “Enfrentam a adversidade com humor” – uma das características essenciais das pessoas resilientes é o seu senso de humor. Elas são capazes de rir das suas dificuldades e fazer piadas dos seus infortúnios. O bom humor não se identifica com as dificuldades. A alegria dos bem humorados estimula a criatividade, a flexibilidade e a cooperação, e por isso mesmo, enxergam saídas, soluções e oportunidades onde os mal humorados veem apenas rigidez e estagnação. Com jogo de cintura dá até para perceber que o caminho é outro e parar de dar murros em ponta de faca.

12 – “Buscam ajuda dos amigos e apoio social” – quando as pessoas resilientes passam por um evento potencialmente traumático, seu primeiro objetivo é superá-lo. Mas elas têm consciência da importância do apoio social, e não tem nenhuma dificuldade para buscar ajuda profissional quando necessitam. Cultivam amizades, têm um interesse genuíno pelos problemas dos outros e vontade de enxergar pontos positivos mesmo em momentos de crise. Sabem que não precisam caminhar sozinhas, e que podem contar com os amigos nos fracassos e nos sucessos.

E já que ainda é carnaval, vamos cantar o hino da resiliência, “Volta por Cima”, música de Paulo Vanzolini?


Chorei, 
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Arroz

Érima de Andrade

O arroz, como nos explica o dicionário dos símbolos, representa a riqueza, a abundância, a pureza primeira. É o símbolo da felicidade e fecundidade.

O médium Osmar Barbosa, da Fraternidade Espírita Amor e Caridade, com alguma frequência, dá a
receita do arroz que harmoniza a família. Diz ele que é para colocar na panela alho, cebola, óleo e arroz, e vai mexendo, refogando e colocando junto amor, compreensão, tranquilidade e tudo o mais que a família precisa no momento. Ele sabe que funciona e tem sempre alguém precisando ouvir essa receita, por isso ele repete.

Quem já teve um recém-nascido em casa sabe que é verdade. Você já viveu isso, ou ouviu de alguém, que
aquela banana amassada para o neném fica muito mais gostosa que a que você faz para você mesmo? Pois é, estamos cheios de amor ao preparar a comidinha do novo membro da família, e nem sempre estamos nessa energia ao preparar a nossa comida. Coloca amor, que você vai ver que funciona.

Essa história sempre me faz lembrar do livro “Arroz de Palma”, do escritor Francisco Azevedo. Pode ser que você não conheça o livro, mas já leu em algum lugar o texto que fala que “família é um prato difícil de preparar”? Pois é, esse texto é um trecho do primeiro capitulo do livro “Arroz de Palma”.

Palma é irmã de Antônio, o narrador da história. No casamento de Antônio, a chuva de arroz nos noivos foi tão abundante, que a Palma, maravilhada com a fartura, recolheu todo o arroz e deu de presente aos noivos com um cartão que dizia: “Este arroz – plantado na terra, caído do céu como o maná do deserto e colhido da pedra – é símbolo de fertilidade e eterno amor. Esta é a minha benção. Palma”

E o arroz vira o centro da história. Por quatro gerações, aquele arroz abençoado está presente em todas as disputas, conflitos, dramas e alegrias da família. Tem um problema? Coma um pouquinho do arroz de Palma que você descobre a solução. A história é bem legal, vale a leitura.

Arroz também me faz pensar em arroz-doce. Lembro que eu comia, na minha infância e adolescência, e gostava bastante. Depois não comi mais. Não deixei de gostar, apenas não era mais tão comum ter arroz-doce. Essas coisas de moda da época, em vez de arroz-doce, a novidade era fazer pavê para a sobremesa. Pavê de tudo quanto é jeito, e dos mais variados sabores. Não sei hoje em dia qual a moda da sobremesa, talvez o brownie, petit gateau, cupcake ... vai saber.

Até que um dia, num desses encontros com as amigas, um café da manhã compartilhado, onde cada um leva uma coisa para dividir, a querida Josete Cherene levou potinhos de arroz-doce. Como eu parei de comer isso? Por que nunca fiz? Afinal, como se faz arroz-doce?

Para ela era básico, coisa simples, sem erro. Mas eu cozinhando, posso errar até para ferver água. Não dá para me dizer, “é só pegar isso e misturar com aquilo, e pronto”. Vou chegar em casa e já esqueci, vou tentar fazer e ficar insegura. Eu preciso de uma receita escrita, preciso que esteja no papel e ao alcance das mãos.

E aprendi. E não paro mais de fazer. E faz sucesso. Já dei essa receita para um monte de gente. Não é minha, óbvio, é do site Panelinha. E se eu faço, pode apostar que você faz também. Aproveita e coloca junto amor, paciência, tolerância, alegria, tranquilidade e tudo que você deseja de melhor para quem vai comer essa sobremesa. Bom apetite!

Arroz-Doce

1 xícara de chá de arroz
1 xícara de chá de água
2 pedaços de canela em casca
2 cravos
1 litro de leite
1 lata de leite condensado
1 gema
2 colheres de sopa de açúcar

Com a gema e o açúcar bata uma gemada. Reserve.
Inicie o cozimento do arroz na água, com o cravo e a canela, em fogo baixo.
Vá acrescentando o leite e mexendo sempre.
Quando estiver pastoso, desligue e acrescente o leite condensado e a gemada. Mexa bem.
Sirva polvilhado de canela.

Obs: pode ser congelado. Degele na geladeira.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Um pé de alegria no 19 de janeiro!

Érima de Andrade

Dia 19 de janeiro acordei cantando “Pé de Alegria”, canção da querida Flávia Wenceslau:

“As coisas que sofri calada
As lágrimas na madrugada só o tempo mesmo que curou
Felicidade é diferente
É livre, leve e consciente
E não vem em disco voador
Vem da paz de olhar profundamente
E ver dentro da gente algum valor.

Não era um dia qualquer, dia 19 de janeiro comemoramos o “Dia Mundial da Terapia Ocupacional”.  Não conheço nenhum terapeuta ocupacional que não seja absolutamente apaixonado por sua profissão. Também não conheço terapeuta ocupacional que não tenha muito orgulho da sua prática. Somos felizes com nossa escolha, tudo o que tem a ver com cuidado interessa a terapia ocupacional. Muitos olhares, muitas práticas e o mesmo amor. E aí acordar cantando “Pé de Alegria” é quase natural.

Conhece essa canção? Vamos cantar juntos?

Pé de Alegria - Flávia Wenceslau

 
Eu hoje tô feliz da vida
Em mim um pé de alegria resolveu brotar
E acho que de tão contente
Em uma borboleta de três cores
Verde, rosa e amarelinha vou me transformar
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te amo meu amor

As coisas que sofri calada
As lágrimas na madrugada só o tempo mesmo que curou
Felicidade é diferente
É livre, leve e consciente
E não vem em disco voador
Vem da paz de olhar profundamente
E ver dentro da gente algum valor

Eu hoje tô feliz da vida
E lembro das longas histórias que meu pai um dia me contou
E acho que de tão contente
Vou realmente ler o livro que há tanto tempo você me emprestou
Mas só vou gostar se for poesia que fale das belezas do amor
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te quero aonde eu for

Eu hoje tô feliz da vida
Em mim um pé de alegria resolveu brotar
E acho que de tão contente
Em uma borboleta de três cores
Verde, rosa e amarelinha vou me transformar
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te amo meu amor
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te quero aonde eu for

domingo, 17 de janeiro de 2016

Bondade Amorosa

Érima de Andrade

Bondade Amorosa é uma linda prática budista que permite que você deseje sinceramente que todos os seres sejam felizes, ou que você tome consciência das barreiras que lhe impedem de desejar, de coração, a felicidade de todos os seres. 

Você não precisa ser budista para desejar que você, seus familiares, amigos, desconhecidos, tenham felicidade, paz e bem estar.
Não existe nenhum conflito de crenças quando você escolhe meditar pela felicidade de todos os seres. Não é uma prática religiosa, é um ensinamento de uma filosofia.

A Bondade Amorosa, como meditação, é uma aspiração sincera de que o outro, e você mesmo, possam experimentar a felicidade.
É uma ferramenta excelente para quebrar as barreiras, assim como para restaurar a humanidade, e a bondade, quando sua mente se sentir como um campo de batalha, trazendo mais calma, mais felicidade e permitindo soluções criativas aos desafios que você estiver enfrentando. 

Você pode ler o texto e as palavras já lhe faram bem. Mas você também pode praticar enquanto lê o texto.
 Nesse caso, quando você ler “que eu seja feliz” avalie seus sentimentos e confirme que você está mesmo desejando a si mesmo felicidade. 

Algumas pessoas têm dificuldades de se desejar coisas boas, mas só é possível dar ao outro o que você tem. Se você não consegue desejar a própria felicidade, não há meios de você desejar honestamente a felicidade dos outros. Se quer desejar que o outro seja feliz, seja feliz você também.

Se o seu sentimento está bloqueado pergunte-se por quê?
O que é preciso fazer para que você possa sinceramente se desejar que seja feliz? Torne consciente o que bloqueia a sua felicidade. A felicidade está intimamente relacionada com a manifestação da consciência amorosa. Por isso trabalhe para manifestar essa consciência no seu universo de relações, no seu trabalho, no seu mundo. Esse é o seu desafio.

E vá fazendo essa checagem por todo o texto. Quando desejar "que todos os seres sejam felizes", confirme que seus sentimentos estão alinhados a esse desejo.
Você pode realmente desejar que todos os seres sejam felizes? E você pode ampliar o seu desejo e desejar que todos os seres, em todos os mundos, sejam felizes?

Tome consciência de qualquer desconforto que surgir. Consciência é sempre o primeiro passo para qualquer mudança. 

Vamos à prática:
comece concentrando-se na sua respiração. Convide sentimentos de calma e aceitação a estarem presentes em você. Permita-se recordar a sua bondade básica, conecte-se com o sentido de sua bondade essencial. Se reconhecer a sua própria bondade é difícil, então, olhe para si mesmo através dos olhos de alguém que o ama. O que essa pessoa ama em você? Você também pode trazer à mente aquele que para você encarna um ser de luz – Jesus, Buda, Shiva, Krishna, Alá, Maomé, Ganesha, Brahma, ou qualquer outro iluminado que você conheça e se identifique - e veja-se com esses olhos sábios e amorosos.
  
Depois, a partir do seu coração, convide os sentimentos, ou imagens, de bondade e amor a irradiar, até que eles preencham todo o seu ser.
Permita-se ser embalado por sua própria atenção como se fosse tão merecedor de bondade amorosa como qualquer criança. Permaneça em terna apreciação por alguns instantes. Torne disponível para você, neste momento, um reconhecimento, um respeito pelo seu ser e uma bondade que você talvez nunca tenha recebido.

Permita-se ser embalado na energia de bondade amorosa, inspirando-a e expirando-a. 

A seguir, deseje felicidade a si mesmo, e tudo o mais que você necessita, saúde, sucesso, harmonia, alegria, serenidade, compaixão e força para superar os seus problemas.
Depois, pense em alguém, por quem você sente uma profunda amizade e repita os desejos. Deseje o mesmo às pessoas mais próximas de você, sua família, seus mentores e aqueles a quem você admira. Você pode passar um tempo em cada pessoa individualmente, ou como um grupo se for mais fácil, e deseje a eles o mesmo que se desejou. Depois, pense em alguém que não é seu amigo, mas que também não lhe é hostil, e repita seus desejos. A seguir, deseje a estranhos e a pessoas que você não conhece. Vá para o próximo grupo, que às vezes pode ser o mais desafiador, aquele de quem você não gosta, ou alguém que lhe seja desagradável. Deseje também a eles, união, amor, saúde e prosperidade.

Termine a meditação desejando que todos os seres em todos os mundos sejam felizes e estejam em paz.

Você pode criar o seu próprio texto de Bondade Amorosa, algo como: que eu possa ser feliz. Que eu me sinta feliz, amada e em paz. Que os meus parentes sejam felizes. Que todas as pessoas que me ensinaram sejam felizes. Que meus amigos sejam felizes. E por aí vai.

Ou pode meditar usando o texto a seguir:

Possa eu ser preenchida com bondade amorosa.
Que eu me aceite como eu sou.
Que eu alcance uma grande e natural paz.
Que eu conheça a alegria natural de estar viva.
Que eu esteja livre da inimizade, livre da maldade, livre da doença, livre do sofrimento.
Que eu aprecie o que eu tenho passado.
Que eu seja feliz.

Que você possa ser preenchido com bondade amorosa.
Que você possa sentir meu amor agora.
Que você possa aceitar-se exatamente como você é.
Que você possa conhecer uma grande e natural paz.
Que você possa conhecer a alegria natural de estar vivo.
Que você possa ser livre de qualquer doença, inimizade, maldade e sofrimento. 
Que você aprecie o que você tem passado.
Que você seja feliz.

Que minha família possa ser preenchida com bondade amorosa. 
Que minha família esteja livre da inimizade, livre da maldade, livre da doença, livre do sofrimento.
Que minha família esteja em paz.
Que minha família possa conhecer a alegria de estar viva.
Que minha família aprecie o que tem passado.
Que minha família possa aceitar-se como é.
Que minha família seja feliz.

Que meus amigos e conhecidos possam ser preenchidos com bondade amorosa.
Que eles possam aceitar-se exatamente como são.
Que eles possam conhecer a paz.
Que eles possam conhecer a alegria de estarem vivos.
Que eles possam ser livres de qualquer doença, inimizade, maldade e sofrimento. 
Que eles apreciem o que têm passado.
Que eles sejam felizes.

Que meus inimigos e também as pessoas por mim desconhecidas, estejam livres da inimizade.
Que eles estejam livres da maldade, livres da doença, livres do sofrimento.
Que eles possam ser preenchidos com bondade amorosa.
Que possam conhecer uma grande e natural paz.
Que possam conhecer a alegria de estarem vivos.
Que apreciem o que têm passado.
Que eles sejam felizes.

Que todos os seres, em todos os mundos, sejam verdadeiramente felizes, e que haja paz em todos os lugares.