Érima de Andrade
Um dos possíveis efeitos da quimioterapia é o déficit cognitivo que se traduz em:
- problemas de atenção,
- disfunção da memória verbal e de trabalho,
- dificuldade com a velocidade e o processamento da informação, incluindo tarefas mentais como atenção, raciocínio e memória,
- problemas com a compreensão ou entendimento,
- dificuldade com o julgamento,
- dificuldade em encontrar a palavra certa,
- dificuldade de lembrar de coisas, fatos, nomes,
- dificuldade de concentração,
- dificuldade com o aprendizado de coisas novas,
- dificuldade em gerir as atividades diárias.
Podem ocorrer também, como efeito da quimioterapia, mudanças comportamentais e emocionais, e confusão. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando esses sintomas, saiba que eles são mais comuns do que se pensa, e que é possível aprender a lidar com eles.
As queixas dos pacientes que passaram por quimioterapia, muitas vezes vêm acompanhadas de um sentimento descrito como “uma sensação da cabeça não estar funcionando bem”. Eles notam alterações em sua memória e nas habilidades de pensamento, mas não sabem como descrever as disfunções em várias funções cognitivas. Como eu passei por isso, posso afirmar que a “sensação da cabeça não estar funcionando bem” descreve muito bem essa fase.
As dificuldades que esses pacientes enfrentam podem variar em intensidade e podem tornar difícil a realização de atividades rotineiras. Como esses sintomas vão perdurar por um tempo após o fim do tratamento, é necessário aprender a lidar com eles, e isso envolve encontrar maneiras de desempenhar melhor as atividades da vida diária.
Explicando melhor, após o término das sessões de quimioterapia, o paciente continuará a sentir efeitos do remédio no seu corpo, como dormências nas extremidades e os déficits cognitivos. À medida que o corpo for eliminando o remédio, os sintomas vão desaparecendo. Praticar exercícios ajuda muito nessa etapa.
Até lá, o melhor mesmo é aprender a lidar com isso. Algumas dicas do que pode ser feito:
- Use lembretes e faça listas - leve um caderninho (ou agenda do celular ou de papel) com você e anote as coisas que você precisa fazer. Por exemplo, listas de coisas para comprar, listas de tarefas com as datas, horários e endereços, coisas para fazer, telefonemas para retornar, e até mesmo, questões mais práticas como horários de medicações e consultas. Lembre de riscar da lista os itens realizados.
- Faça um caderno de memórias – ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes. Faça como um diário onde você pode monitorar possíveis sintomas, efeitos colaterais que esteja sentindo, ou anotar perguntas a fazer o seu médico na próxima consulta.
- Use um calendário de parede - para algumas pessoas isso funciona melhor do que uma agenda ou um caderno de anotações, porque você pendura em um lugar que é fácil de ver. É importante pendurar onde você possa ver sempre, como na porta da geladeira ou no espelho do banheiro.
- Deixe uma mensagem em sua secretária eletrônica para se lembrar de algo importante - ligar para você mesmo e gravar o recado, pode ser uma boa solução se não tiver como anotar na hora alguma coisa importante. Ao ouvir o recado, lembre de anotar onde você poderá ler sempre que necessário.
- Organize o ambiente - manter as coisas em lugares familiares vai ajudar a lembrar onde as colocou. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.
- Evite distrações - trabalhar, ler e fazer suas tarefas em um ambiente organizado e pacífico pode ajudar a manter o foco por longos períodos de tempo.
- Tenha conversas em lugares calmos - isso minimiza distrações e permite que você se concentre melhor no que a outra pessoa está dizendo.
- Repita em voz alta as informações que ouvir e anote os pontos importantes - você pode falar enquanto escreve, assim estará acessando também a memória auditiva. E quanto mais estímulos cognitivos você tiver, melhor.
- Mantenha sua mente ativa - exercite seu cérebro com atividades mentais, como palavras cruzadas, quebra-cabeças, pintura, música ou ainda um novo hobby. Procure atividades que sejam prazerosas e ao mesmo tempo desafiem sua atenção, sua memória ou seu raciocínio, como palestras sobre assuntos que lhe interessam, shows, peças, exposições, conversas com amigos.
- Revise - verifique novamente as coisas que você escreve para se certificar de que você usou as palavras e ortografia corretas. O déficit de atenção pode se manifestar em letras e palavras que não são escritas. Ler em voz alta pode ajudar nessa revisão.
- Treine-se para se concentrar - costumamos fazer uma coisa enquanto pensamos sobre outra, o que aumenta as chances de esquecer algo importante. Concentre-se no que está fazendo para não perder objetos simples, como a chave. Além disso, você pode usar a dica anterior e dizer em voz alta para si mesmo: “Eu estou colocando as minhas chaves na minha cômoda.”
- Exercícios, boa alimentação, boa hidratação, sono de qualidade - as pesquisas sobre qualidade de vida mostram que essas coisas ajudam a manter sua memória de trabalho no seu melhor. A atividade física pode aumentar a agilidade mental, então tente caminhar, nadar, dançar, fazer yoga, jardinagem, ou qualquer outra atividade que lhe dê prazer.
- Converse com as pessoas sobre o que você está passando - dependendo da intimidade, você pode dizer a sua família e amigos suas falhas cognitivas, assim eles poderão entender se você esquecer as coisas que você normalmente não iria esquecer, e ajuda-lo.
- Terapia ocupacional – sempre procure ajuda profissional se sentir que não está dando conta sozinho. Especialmente se viver com sintomas cognitivos da quimioterapia lhe deixar ansioso ou triste.
Lembre que de uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos. Então qualquer atividade estimulando os sentidos será benéfica para você.
E claro, você pode contar comigo:
Érima de Andrade
CREFITO 2 4284to
erimacba@gmail.com
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domingo, 16 de agosto de 2015
Cognição e quimioterapia
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raciocínio,
terapia ocupacional
domingo, 9 de agosto de 2015
Tratar ou não tratar?
Érima de Andrade
Um amigo me contou uma historinha do Chico Xavier. Disse que Chico um dia falou:
“Amo a vida. Aceito, mas não favoreço a morte.
Tomo os remédios que os médicos me receitam com disciplina e fé.
De maneira que, quando eu morrer, você pode mandar escrever na minha lápide:
Aqui jaz Chico Xavier, muito a contragosto.”
Sou como Chico, também não favoreço a morte. Mas nem todo mundo é assim.
A primeira vez que ouvi falar de alguém que não quisesse tratamento, foi numa conversa com o Dr Jayme Treiger. Ele me contou que tinha um amigo diabético. A doença já estava avançada e a saúde dele bastante comprometida, mas que ele não queria se tratar. A família então combinou um encontro informal com o Dr Treiger, com a esperança de que ele o ouvisse.
Almoçaram juntos na casa desse amigo. Após o almoço, com a desculpa de caminhar um pouco para fazer a digestão, prática muito comum anos atrás, saíram os dois. Tão logo se afastaram da casa, o amigo disse que sabia que a família estava preocupada com ele. E que sabia que tinham pedido por essa conversa. Dr Treiger confirmou. O amigo então disse, que ele nem precisava gastar o tempo falando sobre esse assunto. Contou que foi avisado pelos médicos que se não mudasse seus hábitos, radicalmente, morreria em pouco tempo. Ciente disso escolheu continuar com seus prazeres. Preferia uma vida curta a uma vida longa com restrições. Teve o seu desejo respeitado.
Entre meus conhecidos também há quem recuse tratamento. Uma delas teve câncer em uma mama. Tratou. Alguns anos depois, o câncer se manifestou na outra mama. Só aceitou fazer a cirurgia para removê-lo. Recusou quimioterapia e radioterapia. É uma escolha. Segue sua vida satisfeita com a decisão que tomou.
Hoje, dia 8 de agosto de 2015, a 1 da manhã, um amigo muito querido fez a passagem. Estudamos juntos no colégio. A vida nos separou, mas graças ao Facebook, nos reencontramos.
Era uma figura. “Conversamos” por mensagens lembrando das nossas brincadeiras e implicâncias nos tempos de escola. Nos comunicávamos com alguma frequência. Quando ficou doente, câncer no pulmão, me procurou para conversarmos. Queria dicas sobre o tratamento, como tinha sido, para mim, passar por quimioterapia e radioterapia.
Um amigo me contou uma historinha do Chico Xavier. Disse que Chico um dia falou:
“Amo a vida. Aceito, mas não favoreço a morte.
Tomo os remédios que os médicos me receitam com disciplina e fé.
De maneira que, quando eu morrer, você pode mandar escrever na minha lápide:
Aqui jaz Chico Xavier, muito a contragosto.”
Sou como Chico, também não favoreço a morte. Mas nem todo mundo é assim.
A primeira vez que ouvi falar de alguém que não quisesse tratamento, foi numa conversa com o Dr Jayme Treiger. Ele me contou que tinha um amigo diabético. A doença já estava avançada e a saúde dele bastante comprometida, mas que ele não queria se tratar. A família então combinou um encontro informal com o Dr Treiger, com a esperança de que ele o ouvisse.
Almoçaram juntos na casa desse amigo. Após o almoço, com a desculpa de caminhar um pouco para fazer a digestão, prática muito comum anos atrás, saíram os dois. Tão logo se afastaram da casa, o amigo disse que sabia que a família estava preocupada com ele. E que sabia que tinham pedido por essa conversa. Dr Treiger confirmou. O amigo então disse, que ele nem precisava gastar o tempo falando sobre esse assunto. Contou que foi avisado pelos médicos que se não mudasse seus hábitos, radicalmente, morreria em pouco tempo. Ciente disso escolheu continuar com seus prazeres. Preferia uma vida curta a uma vida longa com restrições. Teve o seu desejo respeitado.
Entre meus conhecidos também há quem recuse tratamento. Uma delas teve câncer em uma mama. Tratou. Alguns anos depois, o câncer se manifestou na outra mama. Só aceitou fazer a cirurgia para removê-lo. Recusou quimioterapia e radioterapia. É uma escolha. Segue sua vida satisfeita com a decisão que tomou.
Hoje, dia 8 de agosto de 2015, a 1 da manhã, um amigo muito querido fez a passagem. Estudamos juntos no colégio. A vida nos separou, mas graças ao Facebook, nos reencontramos.
Era uma figura. “Conversamos” por mensagens lembrando das nossas brincadeiras e implicâncias nos tempos de escola. Nos comunicávamos com alguma frequência. Quando ficou doente, câncer no pulmão, me procurou para conversarmos. Queria dicas sobre o tratamento, como tinha sido, para mim, passar por quimioterapia e radioterapia.
Conversamos bastante sobre efeitos, sensações, sentimentos e a importância de confiar no médico. Não foi fácil para ele o tratamento, tinha que viajar a cidade vizinha para receber a medicação. Mas ele foi.
Fim da primeira etapa, nova reavaliação e o câncer quase não havia diminuído. Nova etapa, mais intensa, dessa vez com quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo e ele começou a falar sobre desistir...
Tenho plena convicção que a vida é uma passagem, que estamos aqui para aprender e progredir e assim voltar para casa, para nossa essência, na luz. Mas mesmo assim, não foi fácil para mim pensar que meu amigo, tão querido, podia desistir de lutar.
Dei-lhe um sermão sem precedentes. Como assim? Não ia deixar barato essa história de desistir. Como ficariam nossas mútuas implicâncias? Como ficariam nossas esperanças de nos reencontrarmos? Ele concordou com tudo.
Fim da primeira etapa, nova reavaliação e o câncer quase não havia diminuído. Nova etapa, mais intensa, dessa vez com quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo e ele começou a falar sobre desistir...
Tenho plena convicção que a vida é uma passagem, que estamos aqui para aprender e progredir e assim voltar para casa, para nossa essência, na luz. Mas mesmo assim, não foi fácil para mim pensar que meu amigo, tão querido, podia desistir de lutar.
Dei-lhe um sermão sem precedentes. Como assim? Não ia deixar barato essa história de desistir. Como ficariam nossas mútuas implicâncias? Como ficariam nossas esperanças de nos reencontrarmos? Ele concordou com tudo.
Passado o choque, rimos um pouco, e começamos a fazer planos para a vinda dele, para o jantar anual da nossa turma de colégio, em novembro.
“Oi.... Comecei hoje a radioterapia.... 35 dias indo e vindo.... são 90 km de minha cidade mas prefiro ir do que ficar em hotel.... bem, enquanto eu aguentar.... obrigado pelo carinho....”
“Oi Érima... Estou na radioterapia, completei 22 e ainda faltam 13. Não tenho reação alguma somente os resquícios da quimioterapia. Há um inconveniente que é a viagem que faço todos os dias de 200 km aproximadamente para o hospital, isso sim, me mata de cansaço. E você como está? Espero que você esteja bem e que já não tenha mais nada com a doença. Qualquer dia entro aqui e deixo noticias ok..... eu sempre vejo tudo pelo telefone, só que não consigo digitar por lá..... aqui no notebook é mais fácil...... beijoo”
Mas não deu tempo de mandar mais notícias... Era sofrimento demais para efeito de menos. Em comum acordo com a oncologista, parou de se tratar. E hoje fez a passagem, descansou.
Como bem descreveu uma amiga, a morte aqui na Terra representa para muitas pessoas à partida de alguém, o desencontro, a separação. Para mim simboliza uma passagem, uma viagem de volta para casa e o reencontro com a nossa verdadeira essência e o nosso verdadeiro estado de existência.
Mas como é difícil lidar com a passagem de alguém que amamos, ou simplesmente que aprendemos a admirar como ser humano...
Hoje não poderia deixar de fazer algum tipo de homenagem a esse amigo que se foi, que foi ser luz em outro lugar, que foi alegrar outras almas, que saiu daqui da Terra para uma nova e melhor etapa.
Vai Nelsinho, meu amigo querido.
Vai com Deus.
Vai em paz.
Vai ser luz.
"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela
como sempre foi." Santo Agostinho
“Oi Érima... Estou na radioterapia, completei 22 e ainda faltam 13. Não tenho reação alguma somente os resquícios da quimioterapia. Há um inconveniente que é a viagem que faço todos os dias de 200 km aproximadamente para o hospital, isso sim, me mata de cansaço. E você como está? Espero que você esteja bem e que já não tenha mais nada com a doença. Qualquer dia entro aqui e deixo noticias ok..... eu sempre vejo tudo pelo telefone, só que não consigo digitar por lá..... aqui no notebook é mais fácil...... beijoo”
Mas não deu tempo de mandar mais notícias... Era sofrimento demais para efeito de menos. Em comum acordo com a oncologista, parou de se tratar. E hoje fez a passagem, descansou.
Como bem descreveu uma amiga, a morte aqui na Terra representa para muitas pessoas à partida de alguém, o desencontro, a separação. Para mim simboliza uma passagem, uma viagem de volta para casa e o reencontro com a nossa verdadeira essência e o nosso verdadeiro estado de existência.
Mas como é difícil lidar com a passagem de alguém que amamos, ou simplesmente que aprendemos a admirar como ser humano...
Hoje não poderia deixar de fazer algum tipo de homenagem a esse amigo que se foi, que foi ser luz em outro lugar, que foi alegrar outras almas, que saiu daqui da Terra para uma nova e melhor etapa.
Vai Nelsinho, meu amigo querido.
Vai com Deus.
Vai em paz.
Vai ser luz.
"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela
como sempre foi." Santo Agostinho
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tratamentos
domingo, 18 de janeiro de 2015
Vamos conversar sobre os efeitos do tratamento contra o câncer?
Descobri meu câncer de mama em 2013.
Passei 2014 totalmente envolvida com o tratamento, operei,
retirei a mama, fiz quimioterapia e radioterapia. Agora faço o acompanhamento,
mas ainda tenho os efeitos dos remédios em mim, dormências, e aumento da
temperatura da mama.
São coisinhas chatas, que incomodam, mas tenho descoberto
maneiras de lidar com isso que quero dividir com outras mulheres.
Quero montar um grupo para falar sobre o depois, sobre essa
fase de estar sem câncer, mas com os efeitos ainda.
Quem sabe elas tem alguns truques para me ensinar?
Mulheres que estejam passando por isso agora, também são
muito bem vindas no grupo.
Você conhece alguém que também queira participar dessa
conversa?
A ideia é nos “encontrarmos” via Skype, com dia e hora
marcado.
É só mandar uma mensagem para erimacba@gmail.com
que passo a data.
Não é um grupo terapêutico, é um grupo de bate papo, sem
custos, apenas mulheres que estão passando por isso, ou já passaram,
conversando e contando suas descobertas de como lidar com tudo isso.
E você, que
passou por isso, ou está passando, como tem lidado com os efeitos dos remédios?
Vamos conversar?
Espero por você!
Érima de Andrade
Terapeuta Ocupacional
CREFITO24284TO
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câncer,
câncer de mama,
conversas. grupo,
grupo de apoio mutuo,
quimioterapia,
radioterapia
domingo, 23 de novembro de 2014
Câncer de mama? Passou!
Érima de Andrade
Durante o
tratamento do câncer de mama o que eu mais ouvi foi: vai passar. É verdade,
passa. Mas quando você esta no meio do fogo cruzado o “vai passar”, em mim pelo
menos, começou a dar uma profunda irritação. Não queria o futuro, “vai passar”,
queria o passado, “passou”. E agora eu posso afirmar passa, como tudo na vida
passa, e o câncer de mama passou mesmo! As pessoas estavam certas, essa página
eu virei!
Descobri o
câncer no ano passado, primeiro no autoexame, depois com o ginecologista e por
fim com a mamografia. Tudo isso porque eu não acreditei quando senti o caroço,
achava que era tensão muscular, que afinal eu tinha os dois lados tensos, então
não devia ser nada demais.
Quando o ginecologista
me examinou, falou de um caroço e da necessidade de um exame de imagens, eu
mesmo assim, duvidei. Sem nenhum histórico de câncer na família, boa qualidade
de vida, alimentação saudável, hidratação adequada, sono de qualidade, atividade física regular,
meditação com frequência, tudo certo comigo, é claro que não podia ser nada de
preocupante. E ainda pensei: mas será que ele não consegue perceber o que é uma
contração muscular? Quanta prepotência...
Exame feito e no
diagnóstico a indicação de uma biópsia. Começou a cair a ficha...
E agora, o que
falar para a família? Como falar? Como contar isso para as pessoas? Meus pais
foram cautelosos: vamos esperar os resultados e ver o que tem para fazer. Meu
filho foi objetivo: tira e pronto, nada de enrolar.
Tira... parece
que é fácil assim. Exames, marcações, agendamentos e enquanto o tempo passava,
o bico do meu seio começou a entrar. Aí não tinha mais jeito, era mesmo câncer
e eu teria que aprender a lidar com isso.
Recebi todo tipo
de orientação das minhas amigas naturalistas e esotéricas, entre elas a de
tomar óleo essencial de limão para o tumor diminuir e a operação ser menos
traumática. Acreditei, fiz tudo o que sugeriram.
Se você está
lendo isso em busca de esperança, sinto lhe informar, têm esperanças sim, mas
só se você tomar os remédios. Porque um mês inteiro tomando o óleo de limão
várias vezes por dia e o tumor cresceu. A minha reação quando o médico viu a
imagem e disse que estava maior que o último exame foi um misto de
incredulidade, frustração, decepção, raiva, impotência, injustiça e vergonha.
Vergonha de ter acreditado, vergonha de duvidar do tratamento que estava sendo
planejado para mim, vergonha sei lá do que.
O tumor estava
lá, bem disposto, crescendo, era hora de tratar. Primeira providência: tirar.
No meu caso, para tirar o tumor foi preciso tirar a mama toda. Não é fácil, não
é bonito, mas eu tinha tão claro que aquilo estava me curando que não tive
nenhum sofrimento extra. Nunca tinha visto um peito mastectomizado, mas me
preparei psicologicamente, e deu certo, não me choquei com a imagem.
A opção da
equipe que me operou, mastologista e cirurgião plástico, foi colocar um expansor para
preparar a pele para a reconstrução. Dreno tirado, cicatrização completada e
começa a expansão. É muito legal! O cirurgião vai, aos poucos, colocando soro
fisiológico no expansor e o peito vai tomando forma. Aos poucos mesmo, coloca
um pouquinho, espera a pele expandir, coloca mais um pouco e assim vai. Várias
semanas nessa função. E o peito vai de novo aparecendo.
Mas tirar não é
o suficiente, principalmente porque o meu já tinha infiltrado na axila. Não era
um tumor solto, sem afetar nada. Tinha perninhas e era preciso ter certeza que
não havia ficado nenhum pedaço pronto para me atacar. Estratégia: atacar antes.
E aí começa a quimioterapia.
Como tenho veias
finas, escondidas e difíceis, antes de começar a quimioterapia, precisei
implantar um cateter de acesso. Isso feito, vamos às sessões.
Uma amiga
sugeriu que eu mentalizasse: é a cura entrando. Pois é, tem que ter isso bem
claro mesmo, porque a coisa é uma bomba química. O organismo faz de tudo para
eliminar aquela agressão e vomitar é apenas uma das estratégias.
Eu já sabia que
o cabelo ia cair, e segui a dica de cortar bem curto antes que isso acontecesse
para o choque não ser muito grande. E cai. Imaginei que fosse deixar cair
sozinho, mas não deu. Mesmo curtinho, caindo aos poucos vai sujando a casa
toda, as roupas, os lençóis, é bem ruim. Raspei a cabeça. E tenho que contar,
deu um alívio. Aquele monte de cabelo caindo ao meu redor realmente estava me
fazendo mal. Imagina se eu não tivesse cortado antes? Deve ser muito pior...
Ganhei vários
chapéus, lenços, enfeites de cabeça. Até comecei a usar, mas não consegui. Fica
muito bonito, mas esquenta demais a cabeça. Eu já tinha tanto desconforto por
causa da quimioterapia, não precisava de mais esse. Assumi a careca. Não sei se
é assim com todo mundo, mas não passei por ninguém na rua que se surpreendesse,
não me percebi chamando atenção extra. Me senti sempre muito respeitada. Sou
muito grata por esse respeito.
Não é só vomitar
o efeito colateral, as taxas do sangue ficam totalmente alteradas. Numa das
sessões de quimioterapia, minha imunidade caiu tanto que precisei ser
internada. Oito dias no hospital. Como também estava muito anêmica, também
precisei de transfusão de sangue. E mesmo com tudo isso eu estava agradecida.
Minha família esteve comigo o tempo todo, a equipe me fazia sentir acolhida, os
amigos marcavam presença. Mesmo que por telefone, poder contar com toda essa
gente foi fundamental para minha sanidade durante todo esse tratamento. .
Fim da série
vermelha de quimioterapia, a série braba, e começa a série branca, bem mais suave. O
sangue já não fica tão alterado, a prostração melhora, a energia fica outra.
Mas não é soro fisiológico, é remédio, e também tem toxicidade, tem efeitos
colaterais. O que mais me incomodou foi a dormência nas mãos e pés. No auge da
dormência eu tinha instabilidade na hora de andar, tinha medo de cair. Também
me atrapalhava para escrever, escovar os dentes, segurar os talheres, fechar
botões. Mas isso também passou. Quer dizer, passou essa brabeza toda, ainda
sinto as extremidades dormentes, bem menos, e vou ficar assim pelo tempo que o
meu organismo levar para eliminar todo o remédio. Exercícios ajudam nessa
eliminação, estou tentando tornar um hábito a caminhada. Ainda não consegui,
mas não desisti.
E fim do
tratamento! Quer dizer, fim dessa maratona. Agora é fazer acompanhamento com o
oncologista para ter certeza que não voltou, e tomar por 10 anos o remédio que
vai ajudar a não voltar.
A mama? Ainda
preciso reconstruir, por enquanto, por causa do expansor, tenho um peito de
soro fisiológico. Mas cirurgia só ano que vem, quando os efeitos da
quimioterapia e da radioterapia deixarem, para sempre, o meu organismo.
Os cabelos?
Voltaram a crescer. A pele? Cada vez melhor. Tudo, aos poucos voltando a
normalidade.
Um ano envolvida
nessa história, mas passou. Vou ser eternamente grata os meus pais Dirma e
Ediemir; aos meus filhos Enrico (um companheirão!) e Paula; as minhas irmãs
Érida, Edma e Édira; ao meu irmão Ediemir; a minha prima Vivian; ao meu cunhado
Gerah, as minhas amigas Fatinha e Selma. Sou grata ainda as amigas da academia
que me deram muita força, dividiram comigo histórias vitoriosas, compartilharam
suas experiências de quando elas mesmas passaram por isso. E as amigas da
meditação, que me fizeram sentir que sempre estive no grupo, mesmo quando era
impossível participar. Sou grata aos vizinhos e as amigas que apareceram para
dar uma força. Aos vários telefonemas e aos muitos e-mails e recados que recebi. Também
sou grata as minhas amigas Márcia e Elis, que como eu passaram esse ano na luta
contra o câncer, em outros lugares, mas trocar ideias com elas, que estavam passando
o mesmo que eu foi especial demais.
E claro, não dá
para não agradecer para sempre aos médicos Alexandre Vianna, Ricardo Salgado e
Affonso Accorsi que foram, e são, anjos especiais na minha vida. E a Naja
Jasarovic, fisioterapeuta, que me ajudou a não deixar o meu braço congelar
depois de tudo isso.
Câncer é ruim? É
sim, muito! Mas tem solução, tem saída, mas você precisa fazer a sua parte.
Então não vacile, cuide-se, se examine. Responsabilize-se e tudo vai dar certo.
E quando você menos esperar, passou.
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