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domingo, 10 de janeiro de 2016

Frases que me fizeram pensar

Érima de Andrade

Recentemente três frases me impactaram positivamente, e quero dividir com você, que lê o meu blog, minhas reflexões a respeito delas.

A primeira, compartilhada pela querida Márcia Alves, diz o seguinte:

“Em caso de saudades, quebre o silêncio.”

Simples e eficiente: em caso de saudades, quebre o silêncio. É uma boa dica para refazer laços com pessoas que são importantes e que você, por algum motivo, que na época parecia bom, se afastou.

Olhando hoje, pode ser que o motivo tenha sido uma bobagem, mas você, do alto do seu orgulho, se mantém longe.

De quantas pessoas você tem saudades e, por orgulho, não procura mais?

Quantas oportunidades você deixa passar por não querer ser o primeiro a “dar o braço a torcer”, como diziam antigamente?

Será que vale mesmo a pena se manter a distância sofrendo de saudades?

Se não vale a pena tirar da sua vida alguém tão querido e que agora está longe, quebre o silêncio. Anime-se, vai lá e quebre o silêncio. Seja você a dar esse primeiro passo.

A segunda frase eu ouvi da Marjorie Estiano. Ela fez uma tatuagem no antebraço direito, escrita em árabe, que diz o seguinte:

“Admire as diferenças e reconheça os seus semelhantes.”

Amei. As diferenças nos tornam singulares. Todos temos algo a compartilhar que é totalmente diferente dos demais seres humanos. Somos uma soma de vivências que nos faz únicos.

Admire nos outros o que faz deles únicos, admire essa diferença. Busque esse olhar especial, ver o que torna a pessoa ser quem ela é e que mais ninguém consegue ser igual.

Veja as qualidades especiais das pessoas com positividade, sem julgamentos.
Se você percebe as qualidades de alguém, e as reconhece, isso serve de incentivo para essa pessoa desabrochar na sua singularidade. Mais que isso, ao reconhecer que todos somos diferentes você se permite ser quem você é, sem censuras, sem barreiras, sem tabus. 

Ofereça o seu melhor ao outro, ofereça o que lhe torna original e deixe que o exercício do seu melhor lhe revigore.

Reconheça os seus semelhantes, aqueles que sentem, pensam, e agem como você. Aqueles que acreditam nas mesmas coisas, que têm os mesmos interesses. A sensação de pertencimento, tão cara aos seres humanos, você só vai conseguir se reconhecer seus semelhantes.

É muito bom pertencer, estar em casa, e entre semelhantes isso é possível. Aproveite, somos todos singulares e muito semelhantes, humanamente originais e a procura do nosso grupo. Reconheça-se nos outros, agradeça as diferenças, celebre a diversidade, viva a sua vida no que ela tem de mais original e seja feliz sendo quem você é.

A terceira é um diálogo entre Charles Brown e Snoopy:

“ - Algum dia, todos nós iremos morrer Snoopy!
- Verdade, mas todos os outros dias, não.”

Sim, pelo menos nessa vida, só morreremos num dia, todos os outros estaremos vivos.  E enquanto estivermos vivos, vivamos.

Temos todos os dias novos 86.400 segundos para serem vividos da melhor maneira possível, amando, aprendendo, ensinando, caindo, ganhando, silenciando, vivendo. Aproveite-os.

Lembre-se que no agora é o único momento em que é possível viver. Seu pensamento pode estar no futuro, seus sentimentos podem estar no passado, mas só no presente você pode viver.

E é só no presente que você pode mudar seus caminhos e seguir em busca da sua melhor parte, a que lhe preenche de alegria e satisfação, a que faz com que você se levante feliz todos os dias. Estando vivo, viva.

Respire e sinta-se no agora, sinta-se no momento presente. Não tem como respirar no passado ou no futuro. Você está sempre respirando no presente. A respiração consciente lhe coloca no presente, é uma ótima ferramenta de auto-observação.

Se observe, se conheça, descubra quais são as barreiras que lhe impedem de viver bem e plenamente esta vida que você tem. Ter claro os nossos bloqueios é o primeiro passo para resolvê-los, e sempre é tempo de mudar.

Se você não tem uma vida plena, se pergunte: o que falta para ser feliz?
Suas atividades nutrem o seu amor próprio?
O que você faz está coerente com seus talentos?
O que você faz é a melhor maneira de retribuir todo amor que você recebe?
Você está caminhando para ser quem você quer ser?

Você é o resultado das suas escolhas. Você não é o que lhe aconteceu. Você é quem você escolhe se tornar. E enquanto estiver vivo, escolha viver todos os dias. Um dia todos nós vamos morrer Snoopy, todos os outros dias estaremos vivos.


domingo, 9 de agosto de 2015

Tratar ou não tratar?

Érima de Andrade

Um amigo me contou uma historinha do Chico Xavier. Disse que Chico um dia falou:

“Amo a vida. Aceito, mas não favoreço a morte.
Tomo os remédios que os médicos me receitam com disciplina e fé.

De maneira que, quando eu morrer, você pode mandar escrever na minha lápide:
Aqui jaz Chico Xavier, muito a contragosto.”


Sou como Chico, também não favoreço a morte. Mas nem todo mundo é assim.

A primeira vez que ouvi falar de alguém que não quisesse tratamento, foi numa conversa com o Dr Jayme Treiger. Ele me contou que tinha um amigo diabético. A doença já estava avançada e a saúde dele bastante comprometida, mas que ele não queria se tratar. A família então combinou um encontro informal com o Dr Treiger, com a esperança de que ele o ouvisse.

Almoçaram juntos na casa desse amigo. Após o almoço, com a desculpa de caminhar um pouco para fazer a digestão, prática muito comum anos atrás, saíram os dois. Tão logo se afastaram da casa, o amigo disse que sabia que a família estava preocupada com ele. E que sabia que tinham pedido por essa conversa. Dr Treiger confirmou. O amigo então disse, que ele nem precisava gastar o tempo falando sobre esse assunto. Contou que foi avisado pelos médicos que se não mudasse seus hábitos, radicalmente, morreria em pouco tempo. Ciente disso escolheu continuar com seus prazeres. Preferia uma vida curta a uma vida longa com restrições. Teve o seu desejo respeitado.

Entre meus conhecidos também há quem recuse tratamento. Uma delas teve câncer em uma mama. Tratou. Alguns anos depois, o câncer se manifestou na outra mama. Só aceitou fazer a cirurgia para removê-lo. Recusou quimioterapia e radioterapia. É uma escolha. Segue sua vida satisfeita com a decisão que tomou.

Hoje, dia 8 de agosto de 2015, a 1 da manhã, um amigo muito querido fez a passagem. Estudamos juntos no colégio. A vida nos separou, mas graças ao Facebook, nos reencontramos.

Era uma figura. “Conversamos” por mensagens lembrando das nossas brincadeiras e implicâncias nos tempos de escola. Nos comunicávamos com alguma frequência. Quando ficou doente, câncer no pulmão, me procurou para conversarmos. Queria dicas sobre o tratamento, como tinha sido, para mim, passar por quimioterapia e radioterapia. 

Conversamos bastante sobre efeitos, sensações, sentimentos e a importância de confiar no médico. Não foi fácil para ele o tratamento, tinha que viajar a cidade vizinha para receber a medicação. Mas ele foi.

Fim da primeira etapa, nova reavaliação e o câncer quase não havia diminuído. Nova etapa, mais intensa, dessa vez com quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo e ele começou a falar sobre desistir...

Tenho plena convicção que a vida é uma passagem, que estamos aqui para aprender e progredir e assim voltar para casa, para nossa essência, na luz. Mas mesmo assim, não foi fácil para mim pensar que meu amigo, tão querido, podia desistir de lutar.

Dei-lhe um sermão sem precedentes. Como assim? Não ia deixar barato essa história de desistir. Como ficariam nossas mútuas implicâncias? Como ficariam nossas esperanças de nos reencontrarmos? Ele concordou com tudo. 

Passado o choque, rimos um pouco, e começamos a fazer planos para a vinda dele, para o jantar anual da nossa turma de colégio, em novembro.

“Oi.... Comecei hoje a radioterapia.... 35 dias indo e vindo.... são 90 km de minha cidade mas prefiro ir do que ficar em hotel.... bem, enquanto eu aguentar.... obrigado pelo carinho....”

“Oi Érima... Estou na radioterapia, completei 22 e ainda faltam 13. Não tenho reação alguma somente os resquícios da quimioterapia. Há um inconveniente que é a viagem que faço todos os dias de 200 km aproximadamente para o hospital, isso sim, me mata de cansaço. E você como está? Espero que você esteja bem e que já não tenha mais nada com a doença. Qualquer dia entro aqui e deixo noticias ok..... eu sempre vejo tudo pelo telefone, só que não consigo digitar por lá..... aqui no notebook é mais fácil...... beijoo”

Mas não deu tempo de mandar mais notícias... Era sofrimento demais para efeito de menos. Em comum acordo com a oncologista, parou de se tratar. E hoje fez a passagem, descansou.

Como bem descreveu uma amiga, a morte aqui na Terra representa para muitas pessoas à partida de alguém, o desencontro, a separação. Para mim simboliza uma passagem, uma viagem de volta para casa e o reencontro com a nossa verdadeira essência e o nosso verdadeiro estado de existência.

Mas como é difícil lidar com a passagem de alguém que amamos, ou simplesmente que aprendemos a admirar como ser humano...

Hoje não poderia deixar de fazer algum tipo de homenagem a esse amigo que se foi, que foi ser luz em outro lugar, que foi alegrar outras almas, que saiu daqui da Terra para uma nova e melhor etapa.

Vai Nelsinho, meu amigo querido.
Vai com Deus.
Vai em paz.
Vai ser luz.

"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela
como sempre foi." Santo Agostinho