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domingo, 15 de janeiro de 2017

Ombro Amigo

Érima de Andrade

Chamamos de ombro amigo aquele ombro que se oferece para estar ao seu lado num momento de forte emoção.
Quantas vezes você precisou de um ombro amigo? Quantas vezes você disponibilizou seu ombro amigo?

Lutar sozinho cansa muito, comemorar sozinho deixa um vazio, mas se você tiver um amigo para dividir esses momentos, a vida fica bem mais fácil.
Esse é o ombro amigo, alguém que lhe diz: venha sentar ao meu lado, podemos conversar. Do que você precisa? Conte comigo, eu estou aqui para o que você precisar.

Tudo o que todo mundo quer é um ombro confiável. Você tem um ombro amigo? Você consegue se abrir com alguém?
Tem alguém que diga: confie em mim, e que você acredita? E você já disse, confie em mim, e as pessoas puderam confiar?

Como faz falta na vida uma palavra amiga, um olhar de compaixão, um ombro que respeite defeitos e qualidades, que compreenda quando você dividir dores, dificuldades, alegrias e vitórias.
Porque não é só para desabafar que precisamos de um ombro amigo. Alguém que nos dê a mão quando estamos tristes é ótimo, mas alguém que vibre com nossas conquistas também é maravilhoso.

Ter alguém que ajude a superar um período difícil é muito bom. Mas ser o ombro amigo de alguém também é.
Ombro amigo é sempre uma relação de união e amizade. Não importa de que lado você esteja, seja você o apoiado, seja você quem apoia, de qualquer lado, é uma relação que vale a pena.

Um colo, um abraço, uma mão que nos segure quando tudo em volta parece desmoronar.
Um mimo, uma prece, um pensamento de paz, amor, carinho, para aqueles momentos que nos sentimos incapazes de encontrar a alegria. Um consolo, um apoio, um espaço para pensar, até em voz alta, sobre as dúvidas, os caminhos, as soluções. Uma parada, um respiro, um descanso, para reequilibrar a alma, acalmar o corpo e entender a emoção que estamos vivendo.

Às vezes, tudo o que precisamos é de alguém que nos mostre o caminho, principalmente quando o amor próprio parece estar cada vez mais distante de onde estamos.
É isso que faz o ombro amigo, nos lembra que somos alguém que merece amar e ser amado.

Existem dias frios e noites longas. Existem carências, incertezas e solidão. Existem deslizes, dúvidas e medos. Existem aprendizados, conquistas e vitórias.
Existem superações, recomeços e força para compreender que as coisas dão certo porque você se movimenta para isso. E em todos esses momentos, ter um ombro amigo, ou ser o ombro amigo, é especial. Um ombro amigo ajuda muito em todas essas ocasiões.

Não precisa fazer muito, basta simplesmente estar aí, aberto para quem precisa.
E estar aí pode ser até por Skype, porque temos essas ferramentas ótimas que nos permitem estar junto para rir, chorar, desabafar, comemorar, mesmo estando fisicamente longe. E não precisa muito para fazer um gesto de carinho. Estar onde você estiver, mentalizando coisas boas para seu amigo, pode ser o suficiente para fazê-lo levantar a cabeça e seguir em frente.

Ombro amigo pode até ser em silêncio, direcionando uma prece, um pensamento bom, uma energia restauradora, um desejo sincero que o outro fique bem, que apesar de toda dificuldade que a vida possa apresentar,
que tenha paz e sabedoria para resolver a parte que lhe cabe. É só isso que precisamos fazer, resolver a parte que depende só de nós.

Ombro amigo é basicamente simplicidade. É estar aberto para compreender e respeitar defeitos e qualidades. É o porto seguro que todos precisamos para lidar com nossos sentimentos mais intensos.
É se sentir aceito, e acolhido, em imensa luz, plena paz e infinito amor. Tudo de bom.

Que em sua vida você tenha, e seja, o ombro amigo. Que você compartilhe, com suas pessoas queridas, a alegria de viver, de estar junto, de confiar e compreender. Que seu coração siga leve, quentinho e pacificado. Que você encontre o seu caminho e seu lugar no mundo. Que você seja feliz.

Falar de ombro amigo me faz lembrar do seriado Friends, e da música tema que diz assim, numa tradução livre:

“Então ninguém te disse que a vida ia ser assim?
Seu emprego é uma piada, você sem dinheiro, sua vida amorosa parada,
É como se você estivesse caminhando lentamente.
Mas mesmo quando não tiver sido seu dia, sua semana, seu mês ou até mesmo o seu ano,
Eu estarei ao seu lado.

Quando as coisas piorarem,
Eu estarei ao seu lado.

Você sabe, eu estarei ao seu lado
Quando a chuva começar a cair.
Eu estarei ao seu lado
Como já estive antes.
Eu estarei ao seu lado
Porque sei que você também está comigo.”


Conhece a música tema do seriado Friends, I'll be there for you, cantada e composta por The Rembrandts? Bora cantar junto?



"So no one told you life was gonna be this way
Your job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month
Or even your year, but

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)


You're still in bed at ten, and work began at eight

You burned your breakfast so far, things are going great
Your mother warned you there'd be days like these
But she didn't tell you when the world has brought
You down to your knees that

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)

No one could ever know me, no one could ever seem me
Seems you're the only one who knows, what it's like to be me
Someone to face the day with, make it through all the mess with
Someone I always laugh with, even at my worst
I'm best with you, yeah

It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month
Or even your year

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)
I'll be there for you
I'll be there for you
I'll be there for you
'Cause you're there for me too"

E se você precisar de um ombro amigo, eu tenho dois à sua disposição.

domingo, 26 de junho de 2016

Depois da Dor

Érima de Andrade

Essa semana soube de um trauma ocorrido na adolescência de uma amiga muito querida. Ela tinha em torno de 17 anos e era completamente apaixonada pelo namorado.
Tinha certeza de que era o homem da sua vida e que iriam casar e formar uma linda família com quatro filhos. Num assalto violento, ele levou um tiro e morreu na frente dela. Se em qualquer fase da vida isso é um acontecimento traumático, aos 17 anos, e cheia de fantasias, foi de tirar o chão.

Me contou que teve dois dias para chorar.
Conta, agradecida, que seus pais permitiram que ela passasse dois dias chorando no quarto. Mais que isso, ligaram para a melhor amiga e pediram que fosse até lá fazer um pouco de companhia para ela.

Segunda-feira ela voltou a rotina, trabalho e aulas.

Tem como voltar a rotina diante de um fato sem volta? Sim, dizem os especialistas.
Apesar da reação de choque, que deixa a pessoa ansiosa, angustiada, carregando essa apreensão dentro de si, é possível voltar a rotina.

Com minha amiga foi assim, voltou na medida do possível, assumindo sua tristeza e seguindo em frente. Me disse, “Deus é tão bom, que a vida só vai em frente. Eu sabia que ia melhorar. E como na vida é possível se apaixonar de novo, encontrei meu companheiro de vida, e temos nossos quatro filhos. Com o tempo, realizei todos os meus sonhos. ”

O que chama minha atenção no relato dela é a gratidão, esse sentimento tão profundo que antecede o amor; a certeza, de que, na vida, nada dá errado, que tudo que acontece, acontece para o nosso bem e que o melhor sempre se manifesta; e o agir com positividade, isto é, olhando o que acontece no momento e agindo de acordo.

Positividade, vale a pena lembrar que não é, de maneira alguma, olhar a vida por um óculos cor de rosa. É olhar o que lhe acontece no momento e agir de acordo. Houve a perda e ela chorou, chorou muito, porque perder é mesmo doloroso e triste. E mesmo triste, estava agindo com positividade.

Ser positivo é fazer o seu melhor com o que está lhe acontecendo no momento. É não deixar a impotência tomar conta, é estar pronto para recomeçar depois do choro, é seguir em frente.

Não é por que você é positivo que não precisa de apoio. Precisa e merece. E por isso ela é grata. Seus pais a apoiaram na medida do possível. É difícil para quem está próximo ver o sofrimento. Por isso, as pessoas que convivem com quem passou por um grande trauma, têm ansiedade pela volta por cima. Por afeto, cobram melhoras, reações, sinais de recuperação. Por amor, fazem de tudo para que a vida continue.

Bloquear, inibir ou adiar o que você está sentindo não vai ajudar. Também não vai adiantar pedirem que se recupere rápido. E tudo bem sentir o que você está sentindo. O importante é não fingir, negar ou disfarçar o assunto.

Assumir a dor, a tristeza, respeitar o tempo é fundamental. A lição a ser aprendida é respeitar o tempo. As pesquisas mostram que a maior parte das pessoas acaba tendo uma resolução espontânea dessa reação de estresse pós trauma, depois de mais ou menos um mês. Mas isso não é uma regra.

Superar leva tempo e cada um tem o seu período para digerir sua perda. A perda é uma experiência altamente dolorosa e realmente abala qualquer estrutura. É natural sofrer por um tempo, ter dificuldade para encarar a realidade, sentir vontade de ficar isolado, sentir que a vida temporariamente perdeu a graça. Isso faz parte do processo.

A dor é particular e por vezes pode ser vivenciada em silêncio, com a rotina de vida mantida, como trabalho, estudo, amigos, passeios. E isso não significa que a pessoa não esteja carregando e elaborando o sofrimento desta perda.

Existe o tempo do relógio e o tempo interno. O relógio marca horas, dias, semanas. O tempo interno anda conforme suas sensações e seus sentimentos. É totalmente pessoal. Sem dúvida, o tempo do relógio ajuda a entrar novamente na realidade. Mas o tempo de superar o trauma é particular.

Pessoas diferentes, vivem seus sentimentos de forma diferente, elaboram suas perdas em tempos diferentes e de forma muito pessoal. Nos cabe respeitar.

Pessoas resilientes se recuperam com ou sem ajuda. As mais frágeis precisam de acompanhamento. E tudo bem, depende mesmo de cada caso e de cada pessoa.

Resiliência é a reação positiva, a capacidade de superar as adversidades e ser forte durante as crises; a capacidade de se recuperar, de aprender e de ser transformado pelas experiências dolorosas; a capacidade de se desenvolver bem e de se projetar no futuro, com uma visão realista e otimista.

Mesmo sendo resiliente, você não precisa passar por isso sozinho. É bom demais sentir que não está sozinho, ser ouvido e acolhido. Permita a aproximação.

Não há regras nem fórmulas para conquistar a felicidade, mas entender que os altos e baixos também fazem parte de uma vida feliz é um importante primeiro passo.

Encontrar sentido no que você faz também ajuda, pois se sentir útil é a forma mais rápida de transformar o sofrimento em alegria. Você se sente ocupando seu lugar no mundo. E somente quando encontra seu lugar no mundo, você pode sentir alegria ao levantar pela manhã.

Sim, nem sempre tudo dá certo. Nem sempre as coisas acontecem da maneira que a gente espera. A vida é imprevisível, e acontece, muitas vezes, que estruturas aparentemente seguras sejam repentinamente demolidas. E nada mais depende de você.

As mudanças vão acontecendo sem a sua permissão. O mundo vai modificando e você, de repente, se vê numa situação que não imaginava, não contava, não queria. Mas você pode seguir em frente e ser grato.

A gratidão traz a compreensão significativa de que, na vida, nada dá errado. Tudo que nos acontece é para o nosso bem. O mal é aparente. Com gratidão é possível compreender o que está por trás do mal, qual a lição que você precisa aprender.

Não há hábitos ou regras para nos fazer felizes, não existe fórmula para alcançar a paz interior, mas viver a vida com confiança de que tudo está certo, enfrentando de frente o problema, nos torna capazes de perceber pequenas alegrias no meio do caos. Pequenas soluções, caminhos, saídas, e tudo enfim que você precisa para que as coisas comecem a entrar nos eixos.

Sim, coisas ruins às vezes nos acontece. E sim, nós podemos lidar com isso.